Olá escritores!
Preparados para o artigo desta semana?
Depois das emoções de nosso último encontro, relembrando a belíssima história de Bruno Miranda em nossas vidas, estamos prestes a dar mais um passo nesta incrível jornada, hoje abordando o ano de 2020, um ano de acontecimentos singulares, em que a humanidade como um todo foi posta a prova contra um inimigo em comum.
A pandemia do novo coronavírus foi um desafio grandioso na vida de todos nós, um desafio que mobilizou toda a humanidade forçando uma cooperação rara entre os povos, remodelando o papel das novas tecnologias, expondo as desigualdades sociais entre outras mudanças significativas.
Este foi um gigantesco desafio para o mundo todo, não obstante, para o Brasil, houve um significativo acréscimo de adversidade, afinal, enfrentamos esta batalha liderados por um presidente da república negacionista, incompetente e, em muitos casos, genocida, um presidente da república que tomou atitudes que ajudaram mais na propagação do vírus do que em sua contenção.
Não custa lembrar que o Brasil estava em uma posição privilegiada em relação aos países da Europa, era possível ao Brasil se antecipar quanto ao comportamento do vírus, com base no que acontecia na Europa, principalmente na Itália.
Além disso, foi possível ao Brasil se antecipar também na compra das vacinas que, por puro negacionismo de nosso presidente, se recusou a agilizar a aquisição da vacina e pagou o preço em vidas humanas.
O Brasil perdeu mais de 700 mil vidas nessa pandemia, um número que poderia ser significativamente menor se o nosso presidente da república houvesse feito o que era o certo, independente de qualquer ideologia, baseado em um simples parecer científico.
Ao invés disso, Bolsonaro fez o oposto das recomendações científicas, apostou a vida das pessoas defendendo a "imunidade de rebanho", investindo dinheiro público em remédios comprovadamente ineficazes e perigosos contra o COVID-19, como a cloroquina e vermífugos, incentivando o não uso da máscara e de medidas restritivas de circulação de pessoas entre outras atitudes, todas a favor do vírus.
Enfim, o ano de 2020 foi particularmente complicado para o país, pois enfrentávamos 2 desafios gigantescos ao mesmo tempo, por uma lado, a pandemia do novo coronavírus; um desafio sem igual que trazia a reboque muitas incertezas sobre o futuro de toda a humanidade.
Por outro lado, o genocídio institucionalizado de Jair Bolsonaro; totalmente indiferente à vida das pessoas, trabalhando incessantemente para a propagação do vírus, em uma macabra aposta com a vida das pessoas, principalmente os mais humildes.
Quanto a minha caminhada acadêmica, o ano de 2020 foi um ano dificílimo, isso porque fiquei 2 anos sem a estrutura da academia, sem contato com meus mestres e amigos de jornada, angustiado, com uma sensação de solidão e, tudo isso, faltando somente a monografia final, o que aumentava em mim uma sensação estranha de que eu "morreria na praia".
É sobre este complexo período que vamos conversar em nosso encontro de hoje.
Então, pegue a sua máscara, lave bem as mãos, não esqueça o álcool em gel e vamos partir para mais esta etapa de nossa jornada, ahhhh e não se esqueça de manter o distanciamento social.
Desejamos para você uma boa leitura!

A CHEGADA DO VÍRUS AO PAÍS; O SEMESTRE 2020/1
Em 11 de março de 2020 a Organização Mundial de Saúde, a OMS, declarou que a então epidemia do novo coronavírus, iniciado na China, havia se tornado uma pandemia de proporção global, dias depois, mais precisamente em 19 de março daquele ano, a UFES suspendeu as aulas presenciais.
Estes acontecimentos marcam uma fase complicadíssima em minha caminhada acadêmica, uma etapa marcada por muitas incertezas, aflição, ansiedade e solidão.
As notícias sobre um vírus de sintomas gripais e mortalidade alta já eram conhecidos no segundo semestre do ano de 2019, eu me lembro das conversas angustiadas no Cafil sobre este novo desafio, do qual sabíamos tão pouco, víamos as imagens dos corpos empilhados em caminhões frigoríficos na Itália e ficávamos bastante impressionados, e sabíamos que a chegada do vírus ao Brasil era somente uma questão de tempo.
Dia após dia, país por país, observamos o vírus ir se aproximando como uma grande onda, sabendo que, cedo ou tarde, chegaria a vez do Brasil enfrentar este inimigo.
Foi justamente nesta macabra situação, testemunhando os efeitos do vírus em todo o hemisfério norte, que o Brasil teve a oportunidade de se preparar melhor para o inevitável, mas, como sabemos, o país estava nas mãos de um governo completamente inoperante e incompetente, que optou pelas piores resoluções possíveis.
A confirmação do primeiro caso da COVID-19 no Brasil ocorreu em fevereiro de 2020, uma das primeiras notícias que ganhou destaque foi o caso de uma empregada doméstica que contraiu o vírus após retornar de uma viagem à Itália.
As primeiras impressões sobre a pandemia trouxeram temor e apreensão, passamos a acompanhar diariamente os números de casos confirmados da doença e dos óbitos em uma mórbida contagem de corpos que aumentava exponencialmente dia após dia, enquanto as autoridades de saúde tentavam entender e enfrentar a situação.
Eu não sei se vou conseguir explicar para os futuros leitores, que não vivenciaram toda esta situação, como foi difícil encarar um dos maiores desafios de toda a humanidade sob o comando de um estúpido, ignorante, incompetente e genocida que jogava mais a favor do vírus do que da ciência e que, por meio de suas ações e omissões, foi responsável direto por muitos dos mortos nesta pandemia.
Para tentar ilustrar toda a gravidade daquela situação e a impressionante exponencialidade das mortes neste período, convido todos vocês a acompanharem esse números:
Em 21/3/2020 eram 1128 casos e 18 mortes, em 22/3 eram 1546 casos e 25 mortos, em 23/3 eram 1890 casos com 34 mortos, continuando, em 24/3 passamos para 2201 casos com 46 mortos, em 25/3 daquele ano passamos para 2433 casos e 57 mortos, um dia depois, no dia 26/3 chegamos a 2915 casos e 77 mortos, em 27/3 foram 3417 casos confirmados e 92 mortes, passado um dia, chegamos a 3904 casos e 111 mortes, depois, no dia 29/3, eram 4256 casos e 136 mortes, no dia 30/3 chegamos a marca de 5717 casos com 159 mortes...
Os números que acabamos de ver nos ajudam a ter uma noção da mortalidade do vírus que em 24 horas contaminava e matava cada vez mais pessoas, era assustador verificar a contaminação e a mortalidade do vírus.
No dia 21/8/2021, ainda em plena pandemia, escrevi um artigo aqui em nosso espaço com o título
QUAL É O PREÇO DO NEGACIONISMO, onde destaquei as sandices de Bolsonaro e seu negacionismo genocida, na ocasião, estávamos com
570.718 vidas perdidas, chegamos ao final da pandemia com mais de
700 mil mortos, muito dessas mortes poderiam ter sido evitadas com políticas públicas embasada na ciência.
Conversamos sobre o COVID-19 em outras ocasiões aqui em nosso espaço; no artigo
NATURAL OU PRODUZIDA? QUAL A ORIGEM DO CORONAVÍRUS, publicado em 29/4/2021, refletimos sobre a explicação simplista em acreditar que a China tenha, deliberadamente, criado o vírus em laboratório e o liberado na atmosfera sem nenhuma motivação aparente, essa era uma teoria que foi muito difundida na época, fundamentada em preconceitos contra a China, alimentado em grande parte pelas declarações absurdas de Bolsonaro e seus filhos sobre a China.
Outra conversa que tivemos sobre o coronavírus aqui em nosso espaço foi no artigo
CORONAVÍRUS: NO MAIOR DESAFIO DA HUMANIDADE QUEM ESTÁ LUCRANDO?, publicado em 5/6/2021, onde refletimos sobre o papel da ciência em um mundo onde o dinheiro dá as cartas e sobre o
lobby farmacêutico que lucrou bastante com a pandemia global.
A chegada do vírus ao país provocou a adoção de medidas emergenciais, como o fechamento de escolas, comércios e restrições de circulação, buscando conter a propagação do vírus e evitar o colapso do sistema de saúde.
O medo da falta de leitos hospitalares e a preocupação com a capacidade de resposta do sistema de saúde tornaram-se pautas recorrentes nos meios de comunicação e nas conversas cotidianas.
Essa fase inicial da pandemia foi marcada por incertezas e desafios, tanto para a sociedade quanto para as autoridades, afinal, o vírus apresentava um alto grau de contágio e gravidade, o que exigia respostas rápidas e efetivas das autoridades sanitárias e governamentais.
A pandemia do novo coronavírus colocou o Brasil e o mundo diante de um cenário desconhecido e impactou a vida de milhões de pessoas, deixando uma marca indelével na história recente da humanidade.
A situação política do Brasil nesse período também desempenhou um papel significativo no enfrentamento da pandemia.
No país, as ações iniciais do governo de Jair Bolsonaro foram desastrosas; enquanto todos os cientistas ao seu redor pontuavam a gravidade da situação sanitária Bolsonaro seguia negando a gravidade da situação, chegou a se referir a doença como uma "gripezinha".
Até mesmo o seu próprio ministro da saúde na época, Luiz Henrique Mandetta, tentava seguir as recomendações científicas, mas no governo negacionista e genocida de Bolsonaro não havia espaço para a ciência e Mandetta foi sumariamente substituído.
No lugar de Mandetta entrou Nelson Teich, até bem intencionado, mas completamente inocente em relação ao ninho de cobras em que estava se metendo, sua gestão foi marcada por ser uma gestão apagada, Teich estava lá somente como um espantalho, todas as decisões partiam do próprio Bolsonaro, baseadas em seu negacionismo genocida.
Teich não aguentou a pressão da máquina de moer carne bolsonarista e ficou no cargo por menos de 1 mês.
Para substituir Teich entrou Eduardo Pazuello, um capacho de Bolsonaro, posto no cargo somente para obedecer sem questionar todos os caprichos de Bolsonaro, quem não se lembra da famosa frase dita por ele em uma live: "um manda o outro obedece" evidenciando seu papel servil e patético.
Pazuello cumpria muito bem seu papel de obedecer sem questionar e só foi removido do cargo porque em sua gestão as mortes pela doença batiam recordes encima de recordes, além disso, foi em sua gestão desastrosa que passamos pela crise de oxigênio do estado do Amazonas, com números tão assustadores de mortes e uma incompetência gritante a pressão para uma substituição de Pazuello começou a vir até mesmo dos aliados do presidente.
Para substituir um capacho somente um capacho ainda mais subserviente, assim entra Marcelo Queiroga no lugar de Pazuello.
Marcelo Queiroga foi, sem sombra de dúvidas, uma das mais patéticas figuras públicas, concordou com Bolsonaro incondicionalmente, se prestando a inúmeras situações, das mais humilhantes que se possa imaginar.
4 ministros da saúde em 4 anos; um retrato nítido da incompetência de um governo.
A postura negacionista de Bolsonaro e de sua equipe quanto à gravidade da doença e a minimização da pandemia geraram incertezas e tumultuaram o ambiente político e social.
Dentre as primeiras ações controversas do governo Bolsonaro, destacam-se a resistência em adotar medidas de distanciamento social e o descaso com a importância do uso de máscaras e outras precauções sanitárias.
Essas atitudes contrariaram as orientações de especialistas e da própria OMS, aumentando o risco de disseminação do vírus e sobrecarregando o sistema de saúde.
Além disso, a falta de uma estratégia coordenada e eficaz para enfrentar a pandemia também prejudicou o país, contribuindo para o aumento dos casos e das mortes, bem como aprofundando as crises econômica e social.
A ausência de liderança clara e a divisão política dificultaram a implementação de políticas de combate à COVID-19, gerando um cenário caótico e desafiador.
Nesse contexto, a população brasileira enfrentou inúmeras dificuldades, como a escassez de recursos médicos e a sobrecarga dos hospitais.
A vulnerabilidade de grupos mais suscetíveis à doença também foi evidenciada, destacando as desigualdades sociais e de acesso à saúde no país.
A mudança de status de "epidemia" para "pandemia" declarada pela OMS trouxe uma nova realidade para o mundo e exigiu respostas ágeis e eficazes por parte dos governos.
Infelizmente, no Brasil, as primeiras ações desastrosas do governo Bolsonaro contribuíram para agravar o impacto da pandemia no país, deixando um legado de perdas e desafios a serem superados.
E estamos falando somente da parte política do do primeiro semestre, eu não falei ainda da minha complicadíssima situação na academia e nem dos impactos de toda esta conjuntura na minha saúde mental e na saúde mental das pessoas, na pandemia do novo coronavírus fomos todos atingidos, em maior ou menor grau, nesse período, estávamos todos em uma tremenda bagunça.
A partir do segundo semestre daquele ano foi preciso aumentar o isolamento social, pois o sistema de saúde estava ficando sobrecarregado, com sérios riscos de entrar em colapso.
O IMPACTO DO ISOLAMENTO NA SAÚDE MENTAL; SEMESTRE 2020/2
No segundo semestre do ano de 2020, o Brasil enfrentou uma série de desafios significativos no combate à pandemia do novo coronavírus, cientistas, governadores, STF, imprensa continuavam a destacar a importância de manter o distanciamento social, enquanto isso, Bolsonaro e seus correligionários seguiam sabotando todos os esforços neste sentido.
A falta de uma estratégia coordenada, a minimização da gravidade da doença e a resistência em seguir as orientações científicas foram alguns dos aspectos que contribuíram para agravar a situação no país.
Enquanto o governo federal demonstrava dificuldades em implementar medidas efetivas para conter o avanço da COVID-19, o Supremo Tribunal Federal, o STF, teve um papel importante no sentido de frear desmandos e garantir ações mais adequadas no enfrentamento da pandemia.
Em diversas ocasiões, a corte atuou para assegurar a competência dos estados e municípios na adoção de medidas restritivas, como lockdowns, com o intuito de proteger a saúde da população.
Com a descentralização das decisões, os estados assumiram protagonismo na luta contra a doença, muitos deles implementaram medidas restritivas de acordo com a situação epidemiológica de cada região, buscando conter a disseminação do vírus e evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde locais.
Todo este impacto físico na estrutura de saúde do país é importante, não obstante, nesta parte de nossa conversa, eu gostaria de me concentrar um pouco mais nos impactos psicológicos do isolamento, o confinamento e o distanciamento social tiveram efeitos negativos na saúde mental das pessoas.
O isolamento social, o medo do contágio, a perda de entes queridos, a incerteza econômica e a mudança na rotina cotidiana contribuíram para o aumento de quadros de ansiedade, depressão e estresse.
A falta de uma liderança unificada, a politização da pandemia e a escassez de recursos foram fatores que comprometeram os esforços de combate à doença durante esse período crítico.
A situação evidenciou a importância de uma atuação coordenada, baseada em dados científicos e guiada pelo respeito à vida e à saúde da população.
O segundo semestre de 2020 no Brasil ficou marcado pela luta contra a COVID-19 e pelos reflexos das ações e omissões do governo federal, das decisões do STF e da mobilização dos estados na tentativa de mitigar os impactos da pandemia.
A importância de cuidar da saúde mental das pessoas ficou evidenciada, destacando a necessidade de atenção e apoio psicológico em momentos de crise e isolamento social.
Enquanto o mundo estava enfrentando este desafio sem igual eu também enfrentava as minhas batalhas; fiquei o ano de 2020 completamente isolado da academia, não tinha mais contato com meu orientador, nem com os amigos de jornada.
Os primeiros meses do ano de 2020 foram terríveis, marcados por muito medo de se contaminar com a doença, foi um período de completa paranoia coletiva, ao ponto do coração disparar quando se dava um simples espirro, depois, com o passar dos meses, este medo irracional foi se arrefecendo e fomos nos adaptando a esta nova realidade.
Mesmo assim, durante todo o ano de 2020, ficou no ar um clima de paranoia coletiva, medo e incertezas, no noticiário o assunto era a pandemia; contagem de mortos diária, avisos e recomendações, 24 horas, 7 dias por semana, falando do mesmo assunto, em todos os canais, em todas as plataformas digitais, em todas as rodas de conversa.
Isolado em meu quartinho, sem contato com ninguém, sem motivação para estudar sozinho, tomando todos os cuidados para não me contaminar, com medo, vendo Bolsonaro sabotar todas as tentativas de mitigar a ação do vírus eu ia passando os meses.
Estavas sempre angustiado, pensando em como ficaria minha situação na academia, meu último encontro com Wander, um pouco antes da pandemia começar, foi no dia 29/11/2019 e, até então, eu só havia mandado para ele a minha primeira versão, aquela cheia de falhas, grande demais e muito dispersa da qual conversamos lá em nossa último encontro, eu tinha plena consciência de que havia muito trabalho para fazer naquele TCC, mas, sem contato com meu mestre, eu não sabia direito o que fazer.
No ano de 2020 tudo parou, tudo que não era considerado "serviço essencial" teve que fechar as portas e o governo incompetente de Bolsonaro foi obrigado a fornecer uma ajuda federal, o chamado "auxílio emergencial", para que as pessoas pudessem ficar em casa e conter o vírus.
Perdido e isolado, fiquei um ano inteiro sem estudar, revisitando minhas anotações para escrever este artigo, está lá o último registro, datado do dia 22/1/2020, donde podemos encontrar anotações em tinta preta sobre um modelo para as referências da monografia, depois, em um hiato de 1 ano, podemos verificar a data 22/1/2021, com anotações sobre a obra HUMANO, DEMASIADO HUMANO de Nietzsche, ou seja, eu fiquei 1 ano inteiro sem estudar e sem escrever nada para a minha monografia...
Li e pesquisei muito sobre outros temas não acadêmicos, e usei toda essa pesquisa extra acadêmica escrevendo artigos dos mais variados assuntos aqui em nosso espaço, e isso me ajudou bastante, mantendo minha sanidade mental para enfrentar este período.
O DIA EM QUE A TERRA PAROU
O ano de 2020 foi, sem exageros, o dia em que a terra parou, foi nesta época que percebi como eu era dependente da estrutura da UFES, até então, eu não havia percebido que, muito da minha força de vontade em continuar no curso, mesmo enfrentando as dificuldades que estamos verificando em cada um de nosso encontros, vinha da UFES.
Foi somente quando fui obrigado a ficar em casa, tentando manter meus estudos por conta própria, que percebi que o ambiente acadêmico em si era um grande motivador para o meu empenho acadêmico, lá eu tinha a possibilidade de procurar um professor para tirar dúvidas, assistir a uma aula de meu interesse como ouvinte, conversar com uma amigo mais experiente, visitar a biblioteca a hora que quisesse, até mesmo os momentos de relaxamento no campus ajudavam.
Longe daquele ambiente acadêmico e com todas as incertezas no futuro fui tomado por um pessimismo preocupante.
Enfurnado em casa naquele necessário isolamento, o relógio era um instrumento de tortura, os dias passavam como se fossem meses e os meses passavam como se fossem anos, a cabeça fervilhava de tantas perguntas sem respostas, a rotina acachapante ia esmagando a minha força de vontade.
Toda esta situação desafiadora, deste isolamento foçado e do medo coletivo da morte, nos trouxe questões para refletirmos profundamente, fomos forçados a desacelerar de nosso ritmo frenético e indiferente a tudo, desacelerar de nossa correria ensandecida nos grandes centros e, trancafiados em nossos lares, tivemos que encarar a nós mesmos e nos aprofundar em nossas relações mais íntimas.
Neste sentido, muita coisa aconteceu neste período, quem de nós pode dizer que não teve pelo menos uma crise existencial enquanto estava isolado em casa, refletindo sobre si mesmo e sobre as suas relações? Tenho certeza que muitos de vocês, que, assim como eu, viveram tudo isso, passaram por crises existenciais brabas, reconsiderando várias questões íntimas e escolhas.
Não foi por acaso que tivemos recordes de divórcios neste período e muitas relações, de diferentes tipos, foram esgaçadas até o limite durante este isolamento, este foi o preço da convivência forçada pelo isolamento pelo qual todos nós passamos.
Nada como ser forçado a conviver com nossos pares, 24 horas por dia, para testar uma relação, não é mesmo?
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Enfim, o ano de 2020 foi, sem dúvidas, um período complexo e desafiador, e todo este clima de tensão e medo só foi melhorar com a circulação da vacina em 2021, mesmo com Bolsonaro e seu total empenho para avacalhar tudo.
Em 2021, com a ajuda dos amigos de jornada e de forma precária e irregular, eu consegui voltar aos estudos, em junho consegui tomar a minha primeira dose da vacina, o que me deu um certo alívio e uma boa dose de motivação.
Sem embargo, apesar de ser outro período complicado em toda esta incrível jornada, o ano de 2021 foi um pouco menos desesperançoso do que o dia em que a terra parou, que abordamos em nosso encontro de hoje.
No ano de 2021 eu retornei aos estudos, tomei a minha primeira dose da vacina e comecei a reencontrar as pessoas e sair um pouco do isolamento, mas os desafios em concluir a minha monografia ainda estavam longe do fim.
Mas tudo isso é uma conversa que teremos em nosso próximo encontro, em mais um passo desta incrível jornada!
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| O ano de 2020 foi um ano singular, como se não bastasse todos os desafios políticos e sociais que estamos pontuando em nossos encontros, neste ano, tivemos que enfrentar dois inimigos perigosos; tanto a pandemia do novo coronavírus e suas incertezas, quanto a ignorância e o negacionismo de Bolsonaro e seus apoiadores. |
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E aí, gostaram de nosso artigo de hoje?
Complexo este ano de 2020, não é mesmo?
É como diz aquele velho ditado popular; "tudo que é ruim pode piorar" e foi isso que aconteceu no ano de 2020.
Como estamos verificando, artigo por artigo em nossos encontros periódicos, minha conquista de uma vaga em uma universidade federal, lá no distante ano de 2013, coincidiu com um período de muita agitação político/social, tanto no Brasil quanto no mundo, fatos de relevância inquestionável, que tiveram muita influência em meu desempenho acadêmico.
E não vamos esquecer das questões pessoais, as perdas, as pressões, as dúvidas, as angústias e tantas outras neuras que fervilham aqui dentro desta cabecinha.
Não deixa de ser irônico que o final de minha trajetória na academia, quando estava somente por conta de preparar e apresentar meu TCC, tenhamos entrado no maior desafio de todos os tempos; a pandemia do novo corona vírus.
Com uma jornada assim tão complexa e cheia de influências externas eu não conseguiria imaginar um coroamento mais emblemático do que este.
Mas, como sabemos, esta história acabou com um final feliz e já estamos próximos do fim.
Enquanto não chegamos na linha de chegada vamos recapitular nossa trajetória até aqui, que tal?
Seguindo nossa incrível diligência, conversamos sobre o pós golpe, detalhando o primeiro ano do governo do golpista Temer, seus ataques sistemáticos contra a educação e a pavimentação da via para o nazifascismo de Bolsonaro, que veio na esteira do golpe, isso tudo no artigo MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE V - A NOITE MAIS DENSA..., artigo publicado em 1/5/2023;
Na sequência, uma de nossas mais emocionantes conversas, relembrando e celebrando a vida de Bruno Miranda, nosso companheiro de jornada que nos deixou de forma tão inesperada, deixando marcas no coração de todos nós...
E hoje, concluímos mais uma etapa de nossa jornada conversando sobre a pandemia do novo corona vírus, um acontecimento que marcou a todos nós e, como não poderia deixar de ser, teve influência direta na minha caminhada acadêmica, falamos disso tudo hoje em nosso artigo, MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE VIII - O DIA EM QUE A TERRA PAROU.
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Já estamos na estrada há muito tempo nesta incrível jornada, e eu espero que vocês não estejam cansados.
Aguentem firmes! Pois percorremos um longo caminho até aqui e estamos quase no fim.
Em nosso próximo encontro vamos abordar o ano de 2021; ainda em plena pandemia, mas com a vacina já circulando e com uma certa esperança no ar, mesmo com Bolsonaro sabotando todos os esforços.
Aguardo todos vocês para mais esta conversa.
Até lá e cuidem-se!
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