QUAL É O PREÇO DO NEGACIONISMO?

 Olá Escritores!


Prontos para o artigo desta semana? 


Hoje, vamos abordar um assunto muito discutido em nossa contemporaneidade; 


O negacionismo.


Ouvimos falar muito sobre este tema nos últimos anos, mas você já pensou sobre o que é o negacionismo? 


Como ele penetrou tão profundamente no debate? 


E, principalmente, o que vai nos custar continuar mergulhados no obscurantismo do negacionismo e quais as consequências deste tipo de pensamento para as nossas vidas, tanto no mundo como em nosso país?


São estas questões que nos guiam na reflexão que trazemos esta semana. 


Então, vamos tentar "quantificar" o preço do negacionismo nas páginas que seguem.


Desejamos para todos uma boa leitura e uma boa reflexão!







 


No dia 11 de março de 2020 o mundo foi sacudido com a confirmação, pela ONU, do status de pandemia do novo coronavírus, a partir daí começou uma corrida para a implementação de uma vacina viável, barata e eficaz, que fosse capaz de, ao menos, controlar o contágio que estava em níveis altíssimos.


Muitos trâmites normais para o surgimento de uma vacina foram transponidos para tornar a vacina viável no menor espaço de tempo possível; cooperação inédita entre países, facilitação dos institutos de saúde, afrouxamento das exigências sanitárias entre outras medidas que visavam a produção de uma vacina eficaz o mais rápido possível. 


A pressa em se chegar a uma vacina o mais rápido possível era justificável, afinal, a mortalidade e a velocidade dos contágios eram preocupantes. 


Além da vacina, outros estudos paralelos estavam acontecendo, havia uma busca para um tratamento que atendesse os pacientes que já estavam internados, em variados estágios da doença.


Foi neste contexto que um pequeno estudo francês indicou que 20 pacientes haviam sido curados da covid19 por meio do uso da hidroxicloroquina.


Foi este fato em particular que abriu o caminho para o estágio de negacionismo em que nos encontramos atualmente.


Em uma situação de mundo "normal" um estudo deste tipo teria passado desapercebido, ignorado pela comunidade científica, mas no contexto de mundo em que estávamos (e estamos); de certo desespero em encontrar medidas eficientes no combate à doença, este estudo irrelevante chamou a atenção justamente do presidente dos EUA, Donald Trump e, posteriormente, pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro;


Se utilizando deste estudo sem credibilidade na comunidade científica, Donald Trump e Jair Bolsonaro iniciaram uma campanha de muito empenho pessoal de ambos, para o uso da cloroquina, não só como um remédio auxiliar no tratamento da doença, mas como a cura efetiva para o covid19.


E é aqui que entramos no tema de nossa reflexão de hoje propriamente dito; o negacionismo.


Primeiramente, é de bom tom lembrar que o negacionismo sempre existiu na história, afirmações de que o Holocausto, com suas 6 milhões de vítimas, não existiu, que o ser humano jamais pisou na lua, que o aquecimento global é invenção dos cientistas, entre outras formas de negacionismo estão por aí desde sempre, circulando no imaginário de muita gente, na forma de especulações mirabolantes em mesas de bar. 


  Estas são formas de negacionismos e revisionismos históricos que têm a intenção de distorcer os fatos e moldá-los à maneira de uma  mentira com cara de verdade, e é este um ponto importante, pois, não se trata de uma mentira evidente, cujo uma mera comparação direta com o fato seria suficiente para dirimição da dúvida, estamos falando de mentiras estruturadas, com falsas premissas e uma retórica contundente que ilude, confunde e distorce os fatos. 


Quando essas correntes negacionistas entram em ação, como estamos vendo nos dias atuais, elas entram no debate não para ampliar a discussão e trazer novos pontos de vista, mas sim para destruir e tumultuar, este é um método bastante conhecido do negacionismo. 


O negacionismo, como pontuamos agora há pouco, sempre esteve por aí, se esgueirando como um resmungo do qual não se dá importância, na forma de um burburinho baixo e sem significância, mas que, em oportunos momentos históricos, se aproveita das circunstâncias e ganha força e voz, se imiscuindo no debate e minando as estruturas. 


É nos momentos de instabilidade social, quando medos e dúvidas surgem no bojo das sociedades que o negacionismo se fortalece, insuflando sua base de apoio com conclusões pseudocientíficas.


Quando falamos desse grupos que alimentam a máquina do negacionismo com falsas conclusões disfarçadas com uma falsa ciência se engana quem pensa que estamos falando de pessoas ignorantes ou simplórias, esses grupos são bem articulados e souberam se adaptar ao mundo virtual das redes sociais e da internet sem controle. 


Esses grupos trabalham de forma estruturada e sistemática para disseminar uma desinformação organizada, têm como fundamento a divulgação indiscriminada de ideologias extremistas e fundamentalistas, além de uma postura anticiência, em outros termos, eles tomam para si o status do que é verdadeiro e do que não é, independente do fato concreto.


Lembre-se que estamos nos referindo aos grupos organizados que disseminam e alimentam as mentiras do negacionismo, não estamos falando do público desses grupos; pessoas, muitas vezes, de baixo senso crítico, sem estudo ou cultura que por variados motivos acreditam e participam dessas correntes negacionistas e um contingente considerável de pessoas, de estudo e cultura que aceitam participar deste círculo de mentiras por livre vontade própria.   


É exclusivamente para estas pessoas que são direcionados os materiais que alimentam o negacionismo.


Geralmente, são grupos de extrema direita com pautas reacionárias e moralistas, aliás, a origem da palavra "negacionista", nos termos que usamos hoje em dia, vem de correntes ideológicas de extrema direita alemã que negam o Holocausto Judeu na Segunda Guerra Mundial, o negacionismo do Holocausto poe sobre dúvida as afirmações do genocídio do povo judeu e "inaugura" a fase do negacionismo moderno, esta nova fase do negacionismo se utiliza, de forma muito mais eficiente, da propaganda, esses grupos aprenderam a trabalhar a imagem de suas ideologias e se adaptaram às novas tecnologias de comunicação. 


Mas além do negacionismo do Holocausto existe outros negaciosismos e revisionismos bem estruturados em correntes por aí que consideramos importante mencionar, como a teoria da "terra plana", por exemplo, que se utiliza de influenciadores digitais e produzem conteúdos chamativos, se valendo de pseudociência para combater as teorias sérias sobre o assunto e negar a evidência de que a Terra é redonda. 


Podemos também citar o revisionismo do golpe militar'64 que considera a intervenção militar como um fator  positivo, pois, evitou assim o  suposto avanço do comunismo no país, este revisionismo pretende celebrar os anos sob a ditadura inculcando no inconsciente coletivo a falsa ideia de que tudo, nos tempos da ditadura, era melhor e mais bem organizado, em nome desta ideia distorcida se valem, inclusive, da linguagem, tentando por meio da semântica, mudar as relações das pessoas com o fato, se referindo ao golpe de 1964 como uma revolução gloriosa, tentando assim mudar o sentido do ato e o contexto do que realmente aconteceu.  


Importante também citar o revisionismo escravagista, que pretende minimizar os efeitos da escravidão, desconsiderando a desumanidade dos atos ocorridos no período e, por consequência, desprezando as pautas raciais atuais que intentam uma reparação histórica da condição do negro no país, sob uma evidente inverdade de que brancos e negros tiveram um desenvolvimento igualitário no curso da história.


negacionismo científico talvez o mais contundente, pernicioso e perigoso negacionismo, não obstante, um dos mais disseminados em correntes negacionistas, este pensamento renega o método científico e a objetividade científica trocando essas características por pura ideologia, neste caso, para agregar credibilidade aos seus discursos, disfarçam seus estudos em uma pseudociência com a utilização de dados manipulados ou deliberadamente incompletos que têm a única intenção de gerar uma confiabilidade perante as pessoas já propensas a acreditar em suas ideias, o negacionismo científico é largamente usado de forma política, justificando políticas públicas desastrosas que nos levaram a números assustadores no combate ao coronavírus.


Uma dessas políticas públicas desastrosas foi a mobilização do Laboratório do Exercito na produção da cloroquina sem respaldo científico. 


Por pura convicção do presidente Bolsonaro foram produzidas 3,2 milhões de comprimidos em 2020, quantidade 25 vezes maior do que a produção habitual, isso sem falar na tentativa de mudar a bula do medicamento e a distribuição indiscriminada no chamado "kit covid" entre outras políticas públicas estapafúrdias. 


No escopo do negacionismo científico devemos citar o negacionismo ambiental, que nega o aquecimento global, suas consequências e nega também que são as ações humanas no planeta que causam este desequilíbrio, no atual governo, ancoradas nessas ideias deturpadas ocorre um verdadeiro desmonte de políticas públicas de conservação ambiental. 


Uma estratégia muito clara do negacionismo ambiental é estigmatizar as evidências científicas sérias como pautas exclusivas da Esquerda, assim, ao defender a importância de considerar as mudanças climáticas se está, automaticamente, tachado de "comunista".


O leitor atento já percebeu que todos os negaciosismos e revisionismos que citamos acima estão em evidência nos dias atuais e o Brasil tem uma condição preocupante nesta nova fase do negacionismo mundial, no Brasil, o negacionismo está institucionalizado, ou seja, sendo o Presidente da República um negacionista em todas as manifestações do negacionismo que apontamos há pouco, implementa políticas públicas e sitia a máquina estatal com apoiadores e testas de ferro, estes apoiadores visam a desconstrução de políticas que consideram de Esquerda, levando em consideração apenas fatores ideológicos renegando fatos sérios baseados em estudos verificáveis.


...


Foi o Presidente da República e seus apoiadores que alimentaram no Brasil o negacionismo científico, sabotando todas as medidas aconselhadas pela comunidade científica brasileira, como uso de máscaras, distanciamento social, fechamento de comércios que geravam aglomerações entre outras medidas. 


Bolsonaro foi contra a vacina, preferiu acreditar na "imunidade de rebanho" apostando a vida das pessoas em uma teoria sem nenhum respaldo científico, apostando na infecção das pessoas, importante ressaltar, assim como apostou com a vida das pessoas no chamado "kit covid" composto por ivermectina (remédio para vermes e piolhos) e cloroquina no chamado "tratamento precoce", mais uma aposta de Bolsonaro sem nenhum amparo científico. 


O que vamos percebendo, portanto, é que a a luta da ciência para o enfrentamento da covid19 precisa dividir fôlego com a negação da própria ciência, negação esta que é fustigada pelo Presidente da República sistematicamente, não há antecedentes na história do país de uma atitude anticiência tão acintosa vinda do Governo Federal. 


Neste ponto de nosso artigo vale a pena ressaltar o valor da ciência brasileira que, em meados de 2020, quando a cloroquina ainda era uma possibilidade no tratamento da covid19, atuou por meio da Fiocruz do Amazonas, pela Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HDV), além da Universidade do Estado do Amazonas (UEAM) e montou uma equipe de ponta, pioneira nestes estudos, lideradas pelo infectologista Marcus Vinícius de Lacerda com o intuito de constatar, cientificamente, se o uso da cloroquina seria eficiente ou não.


Este estudo, conhecido como o CloroCovid, serviu de base para relatórios internacionais em diversos países, as conclusões do estudo constataram que o uso da cloroquina, como tratamento precoce, era não somente ineficaz, como também perigoso;


Marcus Vinícius relata que, depois dos resultados da pesquisa, ele e sua equipe passaram a receber ameaças de morte diariamente, principalmente pelos meios virtuais, e tiveram que alterar suas rotinas além de muitos membros que decidiram abandoar o país por medo.


No dia 17/4/2020, conforme relata Marcus Vinícius, o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro (filho do Presidente Jair Bolsonaro) publicou uma postagem com o nome e o rosto de alguns pesquisadores envolvidos no estudo, acusando-os de terem causado a morte de 11 pessoas e de serem do "PT", obviamente que a postagem instigou a rede de ódio bolsonarista que transformou a vida dos pesquisadores em um inferno.


Enfrentando este tipo de situação inimaginável nossos cientistas produziram muito neste período e se mantiveram no lado "científico" da história, não cedendo às pressões desses grupos negacionistas que se utilizam, com muita frequência, de meios aterrorizantes e violentos. 


Viva à ciência brasileira e Viva o SUS !!!


...


Nos encaminhando para o final, gostaríamos de chamar a atenção do leitor para  algumas pontuações: 


Nosso artigo teve a intenção de falar sobre o negacionismo, ou melhor dizendo, sobre a era negacionista que atravessamos, assim, devemos considerar que o negacionismo é um fenômeno mundial ele veio na esteira de uma onda ultra conservadora de extrema direita que vem varrendo o mundo desde 2010 com raízes mais antigas, aliada a outros fatores que não nos aprofundaremos hoje.


Mesmo sendo um fenômeno mundial o negacionismo no Brasil apresenta características próprias, referentes principalmente a termos um negacionista no poder, usando a máquina estatal em prol de suas convicções enviesadas, nosso artigo tentou se manter focado nessas características próprias, fazer uma análise nacional, mas sem desconsiderar a conjuntura mundial do problema.


O negacionismo, com vimos, se aproveita de certas circunstâncias históricas para se fortalecer, no artigo levantamos as mais pontuais, que têm uma relação mais direta com o tema, mas existem outros fatores correndo pelos flancos dos quais não nos aprofundamos para não perder a objetividade de nosso texto, não obstante, vamos elencar alguns desses fatores:


> O desinteresse dos mais jovens pela política, a decepção com os políticos e a demonização da classe política; 

> A descredibilidade dos meios de comunicação tradicionais, juntamente com sua perda de hegemonia no repasse de informações com a pulverização da informação em sites, blogs e mídia independente; 

> A internet, sem um papel definido na sociedade digital somado a falta de recursos legais para a punição das chamadas "fake news", assim como dos crimes de ódio, de difamação, de exposição entre outros crimes digitais sem legislação abrangente; 

> Crises financeiras constantes, que vão aumentando as disparidades sociais e o descontentamento da população.


São estes alguns fatores que estão conectados ao problema do negacionismo, há muitos outros fatores aí envolvidos.


E agora, munidos das informações e reflexões que levantamos até aqui, seríamos capazes de "quantificar" qual é o preço do negacionismo em que vivemos?    


Em fato, negacionismo revelou seu custo em um atraso civilizacional, uma ignorância orgulhosa e na destruição dos avanços conquistados e, independente do que aconteça daqui para a frente, serão décadas para recuperarmos um mínimo de dignidade e civilidade, mas o negacionismo nos custou muito mais do que essas coisas que, mesmo com dificuldades, podemos recuperar com esforço e trabalho, o negacionismo cobrou o seu preço em vidas humanas, em pessoas que poderiam estar vivas e com suas famílias se o negacionismo não estivesse institucionalizado no Brasil; 

As 570.718 vidas tiradas pelo coronavírus e pelo negacionismo não voltam mais...

Fica somente a lição para, quem sabe no futuro, tomemos decisões mais acertadas, pois, o preço do negacionismo se dá em vidas humanas e vidas humanas não têm preço. 



 

O negacionismo nos cobra um preço impossível de mesurar; vidas humanas.
Por isso a importância em debater formas não só de sair dessa situação desumana, mas de nunca mais na história repetir tais erros.


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E aí gostaram do artigo desta semana?


É muito importante debater os temas que estão nos afetando diretamente.


O negacionismo é uma verdadeira chaga de nossa era e qualquer pessoas que tenha tido um debate com um negacionista sabe que não é a razão que guia seu raciocínio.


Para um negacionista somente sua convicção conta, não adianta mostrar dados, estudos, pesquisas nem tentar encontrar algum tipo de lógica em suas ponderações o negacionista acredita no que ele quiser, é algo de um quê sectário, de fanatismo mesmo. 


Se você tiver uma discussão com um negacionista tome cuidado para não cair em seus ardis, como vimos, uma de suas estratégias é apelar para falácias, causar confusão, irritar seu interlocutor.


Então, fique atento! Perder a calma com um negacionista é ponto para ele. 


Eu não sei como, mas nós vamos derrotar isso. 


Acredite!


Semana que vem nos encontramos novamente.


Até lá e cuidem-se !!!

 












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