O DIÁRIO DE ANNE FRANK - IMPRESSÕES


Olá Escritores!! 


Preparados para o artigo desta semana ??


Existem alguns livros marcam a gente né .... 


O DIÁRIO DE ANNE FRANK é, sem dúvidas, um desses livros que marcam profundamente;


por isso escrevemos este pequeno ensaio onde tentamos expressar o que essa história fantástica nos passou. 


Espero que você tenha gostado do livro tanto quanto nós! 



Vem ver o que a gente  achou dessa história de superação e coragem!!


E não se esqueça que voce está entrando em uma zona de !!!SPOILERS!!!, daqui para frente é por sua conta hein.



Boa Leitura!!! 





 

Anne Frank manteve seu diário do dia 12 de junho de 1942 até ser bruscamente interrompida em 1º de agosto de 1944. 


No começo ela escreveu coisas estritamente pessoais, no melhor estilo “diário de uma adolescente”, mas um dia, ouvindo rádio, a mensagem de um membro do governo holandês chamado Gerrit Bolkestein sugeriu aos ouvintes que guardassem todos os relatos de guerra como cartas, documentos e diários para que servissem de testemunhos pós-guerra. 


Depois de ouvir isso Anne se sentiu muito estimulada e começou uma revisão em seu diário reescrevendo alguns fatos usando sua memória, e retirando algumas passagens que não considerava interessante, este anúncio no rádio a estimulou muito e depois de ouvi-lo ela decidiu ser escritora, lendo seu diário eu não tenho dúvidas de que ela seria uma excelente escritora.


O livro “O Diário de Anne Frank” foi lançando em 1947 pelo pai de Anne, Otto Frank que foi o único sobrevivente dos oito ocupantes do anexo. 


A edição que eu li foi a 36º edição. Na primeira edição Otto Frank precisou fazer uma revisão dos escritos de Anne, o livro precisava ser curto, para que se adequasse a uma edição publicada pelo editor holandês e, além disso, foram omitidas por Otto algumas partes referentes à sexualidade de Anne. 


Temos que ter em mente que estamos falando do ano de 1947 e sexualidade não era falada abertamente principalmente por uma menina de 13 anos, Otto também omitiu algumas passagens de Anne que se referiam ao relacionamento de Anne com sua mãe, e com outros moradores do anexo secreto. 


Desde a primeira edição a autenticidade dos escritos de Anne foi questionada. 


Muitos acreditavam que aqueles textos não poderiam ser escritos por uma menina tão jovem, outros diziam que os textos foram complementados por uma pessoa mais velha, cogitou-se até que fosse o pai de Anne ou mesmo a sua amiga Miep Gies que estivessem complementando os escritos de Anne.


Antes de morrer em 1980 Otto Frank deixou os manuscritos da filha no Instituto Estatal Holandês para Documentação de Guerra, situado em Amsterdã o qual iniciou uma investigação de autenticidade estudando a caligrafia, documentos da época e materiais usados; 


hoje em dia a autenticidade do diário é inquestionável. 


Na Basiléia, Suíça se encontra a Anne Frank-Fouds, fundação Anne Frank que recebe os direitos autorais da obra de Anne e foi responsável por fazer uma edição nova e ampliada do diário, para leitores comuns. 


E assim, ano após ano, o Diário de Anne Frank foi passando por melhoramentos, em algumas ocasiões foram acrescentados materiais inéditos comentários de Anne, a edição que eu li é de 2008, porém baseada na versão de 1980 que é considerada a versão definitiva, com todas as partes cortadas antes por Otto Frank, tanto as partes referentes à sexualidade de Anne como também as partes sobre a conturbada relação de Anne com sua mãe, Edith Frank, e sua irmã Margot.


Antes de fazer um pequeno resumo da história para quem não leu o livro um pequeno adendo; 


considero o livro de Anne não como um romance mais sim como um documento histórico, uma visão visceral de quem viveu um período trágico da história da humanidade, existem, sobre este diário incontáveis filmes, livros, documentários etc.
 

Conheça, primeiramente, os ocupantes do anexo secreto:


Otto Frank> Pai de Anne, homem sereno sensato, amado por suas filhas;


Edith Frank> Mãe de Anne, apesar dos comentários de Anne era uma boa mulher e amava suas filhas, com certeza;


Anne Frank> Dispensa comentários; 


Aqui vemos a jovem Anne, antes da estupidez da guerra ...




Hermann Van Pels> sócio de Otto largou tudo com sua família porque era judeu também;


Auguste Van Pels> mulher de Hermann;


Peter Van Pels> filho do casal Van Pels;


Fritz Pfeffer> o último ocupante, agregado as pressas pelo coração bondoso de Otto Frank;


Também precisamos citar os nomes das pessoas que ajudaram os moradores do anexo sem os quais seria impossível para os moradores do anexo a sobrevivência;


Miep Gies> secretária na empresa de Otto e seus sócios, foi a pessoa que juntou os escritos de Anne e entregou para Otto anos depois;


Bep Voskuijl> também secretária na empresa de Otto;


Johannes Kleiman> Sócio de otto;


Victor Kugler> o outro sócio;    


Fugindo da perseguição aos judeus na Alemanha a família Frank se estabelece na Holanda. 


Otto Frank é um homem de negócios e abre, juntamente com mais dois sócios; 


Johannes Kleiman e Victor Kugler uma empresa de especiarias, porém com o andamento da guerra a Holanda é paulatinamente envolvida. 


Primeiro os judeus são proibidos de frequentar alguns lugares públicos, como cinemas (um golpe para a pequena Anne, apaixonada pelas estrelas de cinema da época) teatros, clubes etc. depois os judeus são obrigados a andar com uma estrela amarela nas roupas para que todos saibam quem são os judeus e depois os nazistas começam a convocar membros de famílias judias para campos de trabalho forçados. 


Otto Frank percebendo o que acontecia a sua volta toma precauções para proteger sua família, na sua fábrica ele percebeu que havia uma parte, dos fundos, um anexo com três andares que era secreto e decide que viverá ali, escondido, com sua família até os horrores da guerra passar. 


Ele conta seu plano para as pessoas da fábrica e um de seus sócios, que era judeu, veio morar com eles juntamente com sua família, os Van Pels. 


Otto Frank pensou também nos detalhes burocráticos e retirou seu nome e o nome de seu outro sócio judeu da papelada tornando-se assim invisível aos alemães, também preparou uma carta-engodo dizendo que a família Frank estava indo para a Suécia, assim ele daria uma falsa pista para os nazistas seguirem. 


Tudo estava devidamente armado, porem uma carta convocando Margot para os campos de trabalhos forçados obrigou o adiantamento dos planos de Otto em pelo menos dez dias, assim eles se retiram da casa as pressas, não era possível levar malas, já que isso levantaria suspeitas dos vizinhos então eles vestiram várias camadas de roupas e saíram em direção a fábrica de Otto, cujo nome era Opekta, e depois entraram no anexo secreto para sair somente dois anos mais tarde, escorraçados pelos nazistas, em uma delação que permanece um mistério até os dias de hoje. 


O Diário de Anne Frank conta este período de confinamento forçado. 


Depois que as duas famílias estavam já instaladas no anexo um novo membro foi acrescentado; 


o senhor Pfeffer, que Anne chamava de senhor Dussel. 


Assim se formou o grupo de oito pessoas confinado no anexo secreto, eternizado nas páginas do diário de Anne Frank.


O anexo ficava nos fundos da fábrica de temperos e ninguém poderia imaginar que existiam quartos tão espaçosos escondidos ali, o anexo secreto tinha quatro andares contando com um sótão, no primeiro andar funcionava a fábrica com alguns funcionários que não sabiam da existência dos ocupantes do anexo, portanto, no horário em que a fábrica estivesse funcionando não poderia haver nenhum tipo de barulho que os denunciasse, como por exemplo, descargas, torneiras abertas e também era preciso andar de meias para não fazer barulhos com os pés além de manter silêncio total, não falar alto e coisas do tipo. 


Quando a fábrica estava fechada e nos domingos havia a possibilidade de descer até a fábrica para ouvir um pouco de rádio e se manter informado sobre o andamento da guerra. 


Assim era a rotina no anexo secreto, mas só no começo, porque as coisas ficaram muito pior com o passar do tempo. 


Vamos lembrar que os ocupantes do anexo ficaram confinados por dois anos sem poder colocar a cara para fora, salvo algumas raras exceções. 


Quando um dos ocupantes deixava o anexo era por extrema necessidade e cercados de cuidados além de um medo constante de serem pegos.


Abaixo, uma representação gráfica para podermos entender melhor como era a estrutura do anexo secreto:












Nas páginas do diário de Anne podemos verificar como era a rotina enclausurante do anexo que precisava ficar sempre de janelas fechadas e cobertas, já que a vida em volta continuava normalmente para aqueles que não eram judeus. 


O principal desafio era combater o tédio e a convivência forçada e intensa entre estas pessoas, o que não era fácil. 


Conhecemos todos os ocupantes do anexo pela perspectiva da jovem Anne, digo isso porque em seus escritos ela usa algumas palavras duras não só contra a sua mãe como também para outros membros do grupo, na verdade, o único que é elogiado por Anne em quase todo seu diário é o seu pai Otto, por quem Anne tem uma verdadeira veneração além de Miep Gies, que não ficava enclausurada com os outros ela trabalhava na fábrica e era uma das pessoas externas que ajudaram as famílias do anexo sem a qual seria impossível a sobrevivência do grupo e com a qual Anne desenvolveu uma espécie de amizade, mesmo que entre as duas houvesse uma diferença de idade. 


Já com os outros, com os quais era necessário manter uma convivência ininterrupta não faltaram críticas e desabafos, no entanto, na minha consideração, todos ali estavam na mesma situação, todos estavam sofrendo pelo enclausuramento forçado, não estava sendo fácil para nenhum deles, e defeitos... quem não tem? 


Inclusive a pequena Anne.  


O senhor Dussel, por exemplo, era descrito por Anne como um velho chato e meticuloso, ele dividia o mesmo quarto com Anne isso com certeza deveria ser muito difícil para ambos, já que havia uma grande diferença de idade entre os dois, no livro, a passagem da briga pelo uso da escrivaninha é um bom exemplo do pé de guerra em que viviam os dois. 


A Sra. Van Pels também foi bombardeada pela jovem Anne; 


ela a descrevia como uma mulher mesquinha que estava sempre tentando ficar com as maiores porções, não queria se desfazer de seus objetos pessoais, e falava pelos cotovelos;


o filho do casal Van Pels o também jovem Peter é descrito pela Anne como um garoto abobado e calado, no decorrer de seu livro esta perspectiva muda ao ponto dos dois iniciarem um pequeno romance e depois muda novamente; 


também sobram observações para a Irma de Anne, Margot que, segundo Anne era a preferida da casa, no entanto as palavras mais duras de Anne são direcionadas para a sua mãe Edith Frank, está relação entre as duas era muito conturbada, Para a jovem Anne, sua mãe era uma mulher distante, que não a entendia, não procurava o diálogo e estava sempre a podando, a censurando e criticando suas ações. 


Em todas as críticas de Anne sobre os outros ocupantes do anexo, principalmente sobre a sua mãe, deve-se levar em consideração a situação extremamente extenuantes a que estas pessoas foram obrigadas a se prestar, tenho certeza de que nenhum deles estava em, seu estado normal de comportamento e da perspectiva de Anne, que era a mais nova e a mais ativa devia ser uma situação muito difícil deixar tudo para trás de uma hora para a outra e ir viver presa, com medo constante e passando por algumas privações de alimento, de liberdade, de opinião. 


Ressalto isso porque creio que todos ali passaram pelas mesmas privações de Anne, e cada um lidou com esta situação a sua maneira. 


No entanto, também devemos levar em consideração que para a jovem Anne, que na época do enclausuramento estava com doze anos, a situação deve ter sido, de fato, mais angustiante devido a sua idade, a fase em que sua vida estava e também ao fato de ela estar só, sem ninguém de sua idade para dividir este fardo, em uma fase da vida difícil por si só.
 

O que emociona na história de Anne é o seu otimismo, a fé no futuro, apesar do medo constante de serem pegos, de que, a qualquer momento, seria possível alguém meter o pé na porta e levá-los para os campos da morte, fato que Anne reconhece e cita em alguns momentos de sua narrativa, coisas como o sino da igreja tocando, uma tarde enluarada ou ensolarada, um dia de chuva, e até mesmo o movimento das pessoas na rua; 


coisas que ela conseguia observar de uma parte do sótão, geralmente à noite, coisas desse tipo enchiam a jovem Anne de esperança, em nenhum momento a vemos considerar a possibilidade de não sobreviver aquilo, sempre há planos para o futuro, para “depois da guerra” Anne sonhava em ser escritora, mulher independente, não via com bons olhos as mulheres que eram donas-de-casa, e nada mais; 


mais um motivo para a rixa de Anne com sua mãe. 


Já Margot queria ser professora, ir para países pobres e ajudar. 


Muito emocionante ver as duas irmãs conversando, fazendo planos para o futuro mesmo no meio de uma guerra, naquela situação desesperadora. 


Me fez refletir sobre nós, brasileiros, reclamando de tudo achando nosso país o pior país do mundo...


Também me emocionou a preocupação de Anne com os outros judeus que estavam sendo massacrados por toda a Europa e em especial a sua amiga Hanneli Goslar que Anne chamava carinhosamente de Hanna, e com a qual Anne nutria uma preocupação especial, por ser sua melhor amiga antes do pesadelo da guerra ter começado, em seu diário Anne nos conta que, em algumas ocasiões, chegou a sonhar com sua amiga, às vezes ela se sentia culpada por reclamar do seu confinamento e saber que muitas de suas amigas da escola poderiam estar mortas naquele momento. 


Mais tarde, nos campos de concentração nazistas, Anne e sua amiga Hanna  tiveram a oportunidade de se reencontrarem, e conversaram através de uma abertura em uma cerca, nesta ocasião Anne já estava muito debilitada, magra, faminta, com o corpo tomado por sarnas e piolhos além de tifo, o motivo de sua morte e da sua irmã Margot. 


Ambas foram enterradas em valas comuns.
     

O que aprendi com Anne Frank?


Em primeiro lugar aprendi que as pessoas são iguais em sua humanidade, todos os seres humanos têm as mesmas vontades e angústias; 


nas primeiras páginas de seu diário, Anne descreve seus dias antes da guerra e do anexo. 


Uma adolescente que está descobrindo o amor, vendo os meninos com um olhar diferente, que conversa com suas amigas sobre os mais variados assuntos, que vai à escola todos os dias e gosta de escrever e gosta da escola. 


Uma adolescente, com os sonhos e as angústias de qualquer adolescente em qualquer parte do mundo.


Também aprendi que a guerra, qualquer que seja o motivo, qualquer que seja a sua justificativa é, por si só, injustificável. 


A guerra é a maior das ignorâncias da raça humana, interrompe vidas, destrói sonhos, separa famílias e amigos.


Aprendi com Anne a manter a esperança em dias melhores sempre, mesmo que tudo a minha volta esteja desmoronando. 


Toda vez que eu ver um sol brilhando forte, ou uma tempestade possante ou um céu estrelado eu sempre vou manter a esperança;


 < riqueza, prestígio tudo pode ser perdido. A felicidade em seu coração pode ser diminuída; mas estará sempre lá enquanto você viver para torná-lo feliz de novo>


Aprendi a controlar meus medos e ser forte para mim e para quem está contando comigo;


 <Não, não tenho medo, a não ser das coisas que existem dentro de mim, mas estou trabalhando nisso>


E principalmente, aprendi a ser eu mesmo e não o que os outros querem ou esperam que eu seja, aprendi que personalidade forte tem um preço.
   

Enfim... foram ótimos dias na companhia dessa menina de espírito inquebrantável, sem dúvida um livro que acrescenta muito na experiência de nossa existência, uma verdadeira Ode à vida!    
     

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