A MANIPULAÇÃO DA MASSA

 Olá Escritores!


Preparados para o artigo desta semana?


Hoje, vamos refletir sobre o poder de certos líderes sobre as consciências e como se dá esta MANIPULAÇÃO DA MASSA.


...


O mundo vem passando, nas últimas décadas, por mudanças significativas, que estão chacoalhando as estruturas de nossas sociedades;


são fenômenos múltiplos dos mais variados tipos; políticos, sociais, sanitários e muitas outras mudanças;


Um desses fenômenos diz respeito a ascensão de líderes populistas no mundo todo, que são os arautos e os porta-vozes de um ideário de extrema direita, de viés reacionário e violento que vem crescendo em nossa contemporaneidade nas últimas décadas;


esses líderes conseguem aglutinar em torno de si um grande contingente de pessoas e, em alguns países eles têm conseguido chegar no poder, de forma legítima, bom destacar.


O Brasil é um destes países onde observamos a chegada ao poder de um líder de extrema direita e temos sentido na pele vários problemas no país, em diferentes áreas;


e, mais do que uma "sensação tácita" de que algo não vai bem, qualquer pessoa pode verificar, na frieza e na objetividade dos dados, que a gestão do atual Presidente do Brasil não está minimamente satisfatória e ele não está fazendo um bom trabalho. 


E aqui não importa se o leitor é de Direita ou de Esquerda se houver de sua parte honestidade e isonomia ele vai perceber, por si só, que o governo Bolsonaro faz um governo pífio em TODAS as áreas:


Na área ambientalaumentou o índice de desmatamento com o desmonte sistemático do governo em órgãos de fiscalização, como o IBAMA;


na economia, inflação, alta de preços, gasolina e dólar com preços altíssimos, desemprego batendo recordes negativos, fuga de capital estrangeiro, calote dos precatórios;


na saúde, uma das piores gestões da pandemia do novo coronavírus no mundo inteiro, como vem desvelando a CPI da Covid, inclusive com casos escabrosos de testes em seres humanos no chamado "kit covid" defendido por Bolsonaro até em sua participação representando o Brasil na 76ª Assembleia Geral da ONU no último dia 21/9/2021;


na área política, tensão permanente com o Presidente Bolsonaro ameaçando constantemente o Estado Democrático de Direito, mesmo que tenha dado uma arrefecida em seu arrombo ditatorial, após as pressões que sofreu depois de sua investida nas manifestações do dia 7/9/2021;


na diplomacia internacional ofende constantemente países parceiros principalmente a China, não reconhece a vitória de Joe Bidem nos EUA e assume uma política isolacionista que transforma o país em um pária internacional;  


na cultura e educação, setores que estão praticamente parados movidos por pura ideologia e desmontes;


e por fim, incontáveis denúncias de corrupção nos esquemas de rachadinha que envolve não somente o presidente, protegido pela imunidade formal e pelo aparelhamento do Estado com seus testas de ferro Augusto Aras, Procurador Geral da República e Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados, entre outros, e seus filhos, todos envolvidos em esquemas de corrupção. 


A despeito de todas estas evidencias de um péssimo governo - quicá o pior da história do Brasil - Bolsonaro mantém uma quantidade relativamente grande de apoiadores, cerca de 1/4 da população que o veneram e seguem suas ordens cegamente; 


Como explicar este fenômeno? 


Foi pensando nisso que nos debruçamos esta semana no estudo do controle das consciências, em outros termos, o controle da massa; 


Quais são os fatores que fazem um contingente de pessoas seguir um indivíduo?

Como esses líderes conseguem manipular as individualidades, tão distintas entre si?

Por que as pessoas não conseguem sair deste transe coletivo e entregam seus destinos nas mãos desses líderes?


Vamos nos aprofundar nestas questões?


Boa Leitura !!



 

TODOS NA MASSA 


O ser humano é um "sujeito social" e como tal precisa pertencer a uma coletividade, somos gregários, comunitários e colaborativos, em outros termos, é condição sine qua non da humanidade viver em sociedade. 


Dada esta condição todos nós, em certo momento de nossas vidas, vivenciamos uma experiência de pertencimento da massa, a completa diluição de si mesmo em meio à massa.


e isso é uma condição natural, afinal pertencemos necessariamente a uma sociedade e a uma cultura e lidamos com o mundo, em um primeiro momento, por meio do senso comum, que é uma forma importante de conhecer e lidar com a realidade - sobre o "senso comum", suas características e sua importância você pode complementar a sua leitura com o artigo A FILOSOFIA SERVE PARA QUÊ?, onde esmiuçamos a noção de senso comum; a necessidade de conhecê-lo e, em certos momentos, superá-lo. 


Em determinados momentos nos sentimos tragados pela massa.


Podemos chamar este fenômeno de igualitarismo radical, ou seja, espontaneidade, ausência de subjetividades, entrega de si, de seu tempo e disposição e por fim a efetiva entrega de si mesmo para uma causa. 


Todos nós já tivemos experiências de fazer parte de multidões, seja em um show, uma manifestação ou um estádio de futebol ou pela simples sensação de pertencimento; 


e, nestas situações, percebemos como é perder a individualidade, pensando e agindo tomados por um sentimento que nos empurra a tomar atitudes sem refletir direito;


a fim de trazer um "imagem" à cabeça do leitor vamos usar o exemplo de um show ou um jogo de futebol (o leitor escolhe o que melhor lhe representar) para ilustrar o comportamento sadio e natural das atitudes de um indivíduo na massa: 


na aglomeração em um evento como este, a compressão os corpos eliminam o sujeito,  lembre-se que o sujeito é justamente a suposta unidade indivisível que, nesta situação, inserido na multidão, a unidade indivisível se dilui;


inserido em uma multidão usamos os corpos dos outros para nos manter em pé, nos apoiando nas costas e nos ombros dos outros para nos sustentarmos. 


Em um show notamos que as individualidades são diluídas 


Nesta grande "rede", quando um dos nós (um indivíduo) se move, toda a rede (a multidão, a massa) tem que se mover também, a massa não aceita o vácuo e os milhares de corpos compactados em nome de uma causa em comum não permitem a individuação dos olhares, as subjetividades são engolfadas pela massa e logo ela, a massa, age como um.


não há lugar para subjetividades dissidentes no corpo da massa, ela não pode aceitar indivíduos discrepante do grande corpo, o diferente é expelido, a massa não aceita o que ela não pode agregar a si, nem vamos nos aprofundar em explicar para o leitor o que significa um torcedor do Corínthias chegar na torcida do São Paulo, ou, um amante da música sertaneja em show de Heavy Metal, enfim, as massas só vão aceitar o que for possível agregar em sua homogeneidade;


quando se está em uma torcida em um campo de futebol há uma autoconsciência lúdica de que o "Eu-São Paulino" não existe mais, o que existe é o "Nós-São Paulino", o que mais explicaria que um pacato pai de família, cidadão médio, que leva o filho para um estádio com a intenção de mostrar para ele lições de bem viver repita, sem nenhuma hesitação, os palavrões entoados pela massa e, por conseguinte, seu filho o mimetize e que este, por sua vez, não coíba o filho? 

nestes termos, não se trata mais de pai e filho ou amigos e família, trata-se de uma massa, o indivíduo está diluído na massa.


Um jogo de futebol ou um show é uma forma de massificação das individualidades que, neste primeiro momento de nosso artigo, usamos para exemplificar esta condição humana da qual todos nós participamos, mas note que nestes termos a multidão está "engarrafada" nos limites do estádio ou dos gradeados das pistas do show em nome de um entretenimento, sem maiores consequências, muito diferente de uma massa expansiva e sem limites que cresce por si, em torno de motivações políticas e manipuladas por líderes;


nas sequência de nossa investigação, vamos nos aprofundar nesta massa expansiva que se forma em condições sócio/políticas, muito diferente das manifestações de um massa contida e emparedada pelos limites de um estádio ou de uma arena de shows, vamos nos aprofundar na manipulação da massa.  



A ASCENSÃO DO LÍDER POPULISTA E SUAS ESTRATÉGIAS   

 


Adolf Hitler era um mestre na manipulação da massa; 


ele sabia que as manifestações, insatisfações e ensejos da população deveriam ser canalizados em comícios para que os entusiastas do nacional-socialismo encontrassem apoio e para que os variados indivíduos fossem agregadas à massa;


Hitler era tão bom com a manipulação da massa que ele concebeu uma engenharia da massa, com uma arquitetura em forma de "diques " e "dutos" que tinham a intenção de comportar e guiar a massa, voltada para a sua manipulação e a  a condição de deificação do führer.


A Alemanha pré nazista estava mergulhada em várias crises; financeiras, identitárias, humanitárias entre outras e a manipulação trabalhada por Hitler visava intencionalmente elevar a autoestima dos indivíduos combalidos em torno de uma ideia que fosse maior do que eles, assim, Hitler aglutinava em torno de si e de um nacionalismo deturpado tomando para sua causa símbolos nacionais e capturando as representações dos indivíduos que estavam desesperançosos; 


foi exibindo sua máquina de guerra, ostentando poderio militar que Hitler aglutinou a massa contra os supostos inimigos judaicos burgueses;


para Hitler era preciso acabar com as distinções que dividem o todo em partes, os uniformes elegantes os equipamentos de guerra os desfiles e os discursos inflamados são todas estratégias que lembram para as pessoas - futuras partes integrantes da massa - que eles nada têm a temer, a intenção é fazer as pessoas se sentirem parte deste exercito "abraçando" os desesperançosos;


A ideia central que se quer passar para o cidadão comum é a de que o exército está ao seu lado; "se ganharmos esta guerra ganhamos todos, se padecemos padecemos todos". A vitória depende do comprometimento com a causa na luta incessante contro um inimigo em comum, aliás, a lembrança constante de que este inimigo está sempre à porta é fundamental; recordar, citar e escorraçar o inimigo é parte indispensável da manipulação da massa; 


assim, percebemos que o manipulador trabalha sistematicamente o medo coletivo das pessoas, alimentando-os constantemente e muitos desses medos são criados pelo próprio manipulador, uma ameaça fantasma está sempre a rondar o imaginário popular da massa.  


a massa é levada para as ruas é hipnotizada pela marcha viril e cadenciada das tropas hitlerianas, o cidadão se sente parte desse exército, participa dos comícios, vibra com os discursos inflamados do führer;


Logo a massa vira um punho, um cassetete, um tanque a eliminar tudo que se apresenta no caminho;


Nas imagens das multidões onde Hitler discursava verificamos imensos losangos, quadrados e retângulos humanos formado pela massa ensandecida e apenas um indivíduo que se destaca: o führer.


Depois que a massa esta arregimentada, unida pelo medo e pela falsa esperança, ela vira um corpo só, o único indivíduo que se destaca é o líder.  

Nos discursos de Hitler tudo é meticulosamente preparado não somente para prender a atenção da massa, mas também para levá-la ao êxtase; 


há um ritual em curso com a intenção de preparar o ambiente para um grande êxtase coletivo, o discurso se inicia calmo e cadenciado para logo se transformar em gritos e vociferações, o ódio é liberado e canalizado para o inimigo que se quer combater; 


os gestos também não são vãos, são cuidadosamente calculados, Hitler gesticula como se masturbasse a multidão mostrando, com gestos e palavras, quem é o inimigo, pois, segundo a sua ideologia, nem todos estão aptos para compreender a "pureza" de seus ideais e a massa é condicionada a eliminar tudo aquilo que não a constitui; 


as palmas e o êxtase no final do discurso consolida a manipulação, a partir daí, tomado pelo gozo coletivo, o indivíduo já não existe mais, envolvido pela volúpia, pela luxúria e pela culpa fluidificada na multidão o Eu-coletivo pode enfim apedrejar, linchar, pilhar e eliminar aquele que não faz parte de si. 


O Eu-coletivo tem uma autoconsciência de si que não se enxerga, mas percebe-se como uma alienação diante do líder, é o líder que decide o que pode fazer a massa e partir daí perde-se por completo a individualidade, age-se e pensa-se como um grande corpo e o que não faz parte deste corpo deve ser extirpado.


A culpa, a ética e a moral estão diluídas na massa, por isso ela age com violência, sem nenhuma ponderação contra o suposto inimigo.


Havia um apelo artístico na ideologia nazista, o ideal elementar nazista era o de criar uma "pureza" pelo sacrifício, criar um mundo harmonioso e belo, por isso em sua manipulação Hitler fustigava a ideia central de que o mundo estava contaminado, degenerado e prestes a ruir por completo; 


Aproveitando-se das crises e da baixa auto estima do povo alemão Hitler emergiu como o grande "messias", o único capaz de recuperar a "pureza" e a grandeza do povo alemão que estava suja pela arte moderna, pelos judeus e pelas ideias modernas;


O Terceiro Reich estava cheio de artistas frustados, Joseph Goebbels - aquele mesmo que serviu de inspiração para um discurso do então Secretário Nacional da Cultura, Roberto Alvin - escreveu poemas, romances e peças sem muita repercussão, o próprio Hitler era um pintor frustado que foi recusado na Academia de Arte de Viena. 


Roberto Alvim, o então Secretário Nacional da Cultura do governo de Bolsonaro, se utilizou de uma estética e um discurso inspirados no Ministro da Propaganda de Hitler Josef Goeblles, depois da forte repercussão do caso - e só por isso - foi obrigado a pedir demissão. 
Em entrevistas posteriores disse que tudo não passou de uma "coincidência retórica".


Hitler usou seus "dons" artísticos em sua política de manipulação da massa, ele criou toda a estética do nazismo; uniformes, bandeiras e a famigerada insignia nazista conhecida como a suástica, que não foi uma criação de Hitler, mas sim uma apropriação indevida de um símbolo existente em várias culturas. 


Os comícios, as paradas militares e a pseudoarte davam vazão aos intentos de Hitler; o grande ideal nazista encarnado no mito do "corpo do povo", neste mito a massa é vista como um grande corpo alemão com um sistema circulatório pulsante e artístico capaz de eliminar as impurezas. 


       

PARALELOS ENTRE A ALEMANHA NAZISTA E O BRASIL CONTEMPORÂNEO

 


há algumas décadas atrás, se perguntássemos para qualquer pessoa se seria possível um retorno ao fascismo aos moldes da Alemanha nazista certamente a resposta seria um sonoro Não! 


Mas, dado tudo que temos passado e as mudanças que tivemos na última década, esta convicção já não existe mais e o fascismo deixou de ser um possibilidade distante e passou a ser uma realidade.


nos encontramos em uma época de "servidão voluntária" e, como na Alemanha nazista, o Brasil encontrou um líder fascistoide que manipula a massa ao ponto de ter sido eleito democraticamente para uma situação de poder; 


é de bom tom salientar que não estamos aqui comparando diretamente a Alemanha nazista e o Brasil atual, dado que são duas situações separadas por um contexto histórico/cultural muito distinto, mas, note o leitor que, à guisa de nosso empreendimento no que tange identificar as características da manipulação da massa, cabe sim uma comparação entre estas duas situações, distintas, pois, no cerne da manipulação da massa está aquele que manipula; o líder, que se apropria de uma manifestação da condição humana e "joga" com esta essência em nome de interesses escusos. 


Notamos muita desta manipulação das consciências no meio religioso, que se aproveita de outra manifestação da "essência humana" , aqui me refiro a religiosidade, para manipular uma massa de fieis em nome de interesses pessoais, são no fundo, facetas de uma mesma forma de lidar com as pessoas, uma na esfera política, outra na esfera da religiosidade humana.


No que diz respeito a manipulação política - tema central de nossa reflexão esta semana - pode-se até argumentar que Bolsonaro não exerce mais controle sobre uma massa, dado que muitos de seus eleitores e apoiadores se arrependeram e se destacaram desta massa, mas o fato é que Bolsonaro continua a exercer seu fascínio torpe sobre um contingente considerável de pessoas, com todas as características que levantamos até aqui. 


O que explica este fenômeno ? 


Alinhamento de pensamentos em comum, violência internalizada, frustrações das mais diversas, ilusões, falta de estudo, descolamento da realidade, medo irracional, negacionismo, teorias da conspiração, puro mal caratismo ou maldade.... os fatores são infinitos e difíceis de elencar. 


Mas, a princípio, podemos partir da lógica de que a aglutinação da massa em torno da liderança de um indivíduo com as características de Jair Bolsonaro se dá por "identificação", de alguma forma, Bolsonaro conseguiu aglutinar em torno de sua liderança um grupo considerável de pessoas que têm identificação com as pautas extremistas que ele defende; 

 

A ideia que Bolsonaro passa é: "juntos somos mais fortes, juntos podemos eliminar o nosso inimigo em comum", quem não se lembra do "vamos metralhar a petralhada" que podemos também traduzir como "vamos eliminar o que não adere a massa"


Ninguém precisa saber detalhes dos membros desta grande onda que varre tudo que não é o si, eles se apoiam incondicionalmente em nome de um ideal personificado na imagem de seu líder se ajudam mutualmente, oferecem proteção aos seus membros frente a um grande inimigo em comum, muitos desses inimigos são imaginários como o Comunismo, o STF,  a Esquerda, o Gay, o Negro.


Tudo nessa manipulação é falso, mas a massa não pensa mais por si, ela é burra, ela se sente segura contra seus fantasmas, ela rirá se seu líder rir, ela chorará se seu líder chorar, os indivíduos não sentem medo, estão seguros inseridos na massa em torno de seu líder;


 
Quando falamos de manipulação da massa a figura do líder é essencial, é ele que arregimenta em torno de si as individualidade que são metodicamente envolvidas até que todas as consciências são diluídas nas multidões em torno da figura do líder, neste ponto, a massa não pensa mais por si e segue o líder cegamente, colocando seus destinos nas mãos do dirigente. 


Mas como quase tudo neste processo, a segurança que sentem é frágil e falsa, não demora aparecer o contraditório, seja o dissidente da massa, aquele eleitor ou ex apoiador arrependido, seja o diferente aquele que afronta, que veste outra roupa, que fala diferente, que pensa diferente; o "judeu" do bolsonarismo é uma legião e essa legião cresce mais a cada dia. 


A massa bolsonarista, que cada dia fica menor, se torna violenta e vocifera com o ódio que seu líder lhes inspira, se o seu líder grita eles gritam também, afinal, a possibilidade de pensarem por si só sequer existe na concepção da massa arregimentada


A mera existência do outro é uma ameaça. 


Pode acontecer do outro, fora da massa passar a ser um gigante que ameaça a tradição e a massa idiotizada não sabe lidar com aquilo que ela não pode  incorporar ou eliminar; 


o que fazer quando a massa doutrinada e trabalhada na pedagogia do ódio encontra algo que ela não pode destruir?


Caos, é isso o que acontece!


... 


Como dissemos há pouco, não podemos comparar diretamente a Alemanha da década de 1930 com o Brasil da atualidade, pois falamos de duas situações separadas por um contexto histórico/social que demandaria um estudo muito mais aprofundado, no entanto, podemos sim fazer uma comparação DIRETA entre Bolsonaro e Hitler:


Ambos são líderes de extrema direita que souberam se aproveitar de um situação social e política e ascenderam ao poder de forma legítima, trabalhando os temores e a desesperança de suas respectivas populações, com mentiras e discurso de ódio;


ambos são líderes que fomentam a busca incessante de um inimigo, precisam se manter em "estado de guerra" o tempo todo;


ambos são líderes que julgam que o seu tempo é o tempo de degeneração da cultura, que há um estado de "pureza" que deve ser resgatado e um inimigo a ser eliminado, Hitler desejava retornar à antiguidade e Bolsonaro aos tempos da ditadura;


ambos são líderes que exaltam o poderio militar, fazendo os seu entusiastas se aglutinarem em torno de paradas militares e comícios (motociatas), em uma demonstração de poder e força;


ambos ensejam mandar sozinhos, sem instituições e fiscalização em um desprezo por instituições democráticas, demonstrando traços ditatoriais; 


ambos incitam um medo irracional, incutindo na cabeça das pessoas que se ele falhar um mal inominável vai retornar, elegem assim um inimigo que está sempre a rondar o imaginário da massa: o Comunismo, a Esquerda, o PT, o Judeu;


ambos desejam eliminar o suposto inimigo.


E outras tantas semelhanças que o leitor certamente vai encontrar. 


nas duas situações, separadas por décadas e pelo devir histórico, a figura do líder que se destaca da massa é lugar comum, assim como o medo, a crise e o inimigo imaginário sempre a rondar as mentes de pessoas paralisadas e desesperançosas; 


o judeu, o comunismo, a cultura depravada, são os fantasmas de Hitler e de Bolsonaro, são os fantasmas de ontem e de hoje.


nos parece que, apesar das décadas que separam estes 2 líderes, a receita para a manipulação das consciências, em sua essência, é a mesma:


O medo e a mentira.


Bolsonaro e Hitler, separados por décadas e quilômetros, mas com muitos traços de personalidade em comum.  

 


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E aí, gostaram do artigo desta semana?


Consciente de que nosso artigo desta semana é polêmico vamos ponderar alguns pontos: 


Bolsonaro não é um nazista, na concepção clássica no termo, pois, para que possamos fazer esta correlação direta, Bolsonaro teria que ter feito muitas atrocidades que ele, de fato, não fez.


No entanto, se levarmos em conta o que ele fala, o que ele defende abertamente em seu ideário, no que se convencionou chamar de "bolsonarismo" ideário este que foi a base que o ajudou a chegar ao poder de forma democrática, podemos afirmar que ele tem relações fortíssimas com o nazismo;


afinal, para o bolsonarismo existe um tipo ideal de cidadão brasileiro:


Homem, branco, cristão, hétero e subserviente ao governo que, segundo Bolsonaro, constitui a "maioria" da população brasileira, quem não se enquadra neste padrão "se adapta ou desaparece" ;


Ora, ninguém "desaparece" simplesmente, para que isso ocorra é preciso um agente da ação, alguém que "desapareça" o indesejado.


A constante pregação pela "eliminação" do que não se enquadra no padrão bolsonarista é uma das fortes ligações do bolsonarismo com o nazismo que podemos encontrar, isso, aliado ao culto à arma de fogo deixa claro que, mesmo se utilizando de eufemismos a intenção de Bolsonaro é fazer desaparecer o suposto inimigo. 


Bolsonaro incita, por meio de seus discursos e ações, seus correlacionários o tempo todo a eliminar o que está fora da massa bolsonarista, coincidência ou não, a violência contra todos os grupos minoritários aumentou em seu governo. 


Casos de bolsonaristas envolvidos em episódios de violência são uma constante, basta uma rápida pesquisa na internet. 


Feito estas ponderações, gostaria de citar algumas das fontes que usamos no artigo desta semana e tratam do tema "manipulação da massa " estas obras enriqueceria muito quem estiver interessado neste tema;


primeiramente, gostaria de indicar para vocês o documentário ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO de 1989 e dirigido pelo sueco Peter Colhen, este documentário disseca a ideologia nazista e a noção de uma arquitetura de massa;


na sequência vamos indicar para vocês o livro MASSA E PODER de Elias Canetti, nesta obra Canetti nos mostra o potencial reacionário das massas, principalmente nos termos que vimos em nosso artigo de hoje;


Vamos indicar também um filme alemão que muita gente já assistiu ou ouviu falar e que aborda nosso tema de forma fulcral, nos referimos ao filme A ONDA (2008), do diretor alemão Dennis Gansel, há outra versão do ano de 1981 muito boa também; 


E nossa última indicação, uma obra também muito conhecida citada inúmeras vezes, que não pode faltar quando surgir o tema manipulação das consciências, fascismo, autoritarismo e totalitarismos de Esquerda ou de Direita, nos referimos a obra de George Orwell 1984, sobre esta obra fantástica escrevemos um artigo aqui em nosso Blog, com !!!Spoilers!!! hein.


Sempre na esperança de ter contribuído para o debate e para uma reflexão mais apurada de nossa jornada e de nosso tempo, nos despedimos de todos e esperamos encontrar vocês aqui novamente semana que vem. 


Até lá e cuidem-se!!!

  

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