A IMPORTÂNCIA DOS PROGRAMAS EDUCACIONAIS - CONSIDERAÇÕES SOBRE O PIBID
Olá Escritores !!
Preparados para o artigo desta semana?
Hoje, dando sequência a nossa "trilogia educação", chegamos ao último texto desta série sobre a EDUCAÇÃO NO BRASIL, dessa vez, ressaltando a importância de programas institucionais sérios, que tratem os problemas da educação no país sem demagogia ou populismo.
Vimos nas últimas semanas que muitos dos problemas em educação que enfrentamos no país estão diretamente relacionados com a má gestão dos recursos públicos destinados à educação, mesmo que estes recursos venham crescendo com o passar das décadas, isso acontece porque, em sua grande maioria, os políticos e gestores da educação no país tendem a priorizar medidas que lhes rendam popularidade e votos.
Em nosso primeiro artigo - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL - fizemos um apanhado geral da educação, relembrando como foi o desenvolvimento da educação no Brasil, passando pela escola elitista da década de 1950 até a escola populista e militarista da década de 1960, voltada exclusivamente para a formação de operários para as fábricas recém surgidas no país.
Com esta reflexão fomos capazes de perceber que os valores instituídos na escola neste período permanecem até os dias atuais, ainda temos uma escola voltada a formar "operários", que não exercem o senso crítico e por isso são facilmente manipuláveis.
Apesar deste cenário, encontramos um engajamento sério dos professores e a mentalidade sobre que tipo de cidadão a escola brasileira quer formar, esta mentalidade entrou como uma discussão fixa no debate público e não vai parar.
Vimos também neste artigo que os desafios na educação do Brasil são gigantescos; temos a maior taxa de analfabetos da America Latina, um dos menores índices de leitores do mundo e uma enorme média de "fracassados escolares" além de distorção série/idade, entre outros desafios como analfabetos funcionais, abandono escolar, entre outros desafios.
Em nosso segundo artigo - O CONHECIMENTO COMO UMA MERCADORIA - trouxemos à tona o debate sobre o papel da escola privada em nosso desafios educacionais, em princípio, a iniciativa privada na educação tinha como função complementar a educação pública que, devido a imensa demanda e problemas, não conseguia suprir satisfatoriamente o contingente;
mas a educação privada, principalmente no ensino superior, foi corrompida por valores mercadológicos o que resultou em instituições de ensino que mais se assemelham a empresas do que a escolas e que veem seus alunos mais como clientes do que como discentes.
Nestas instituições de valores corrompidos as relações entre professores e alunos estão distorcidas e horizontalizadas, assim o professor perde a autoridade natural entre mentor/aluno frente a alunos/clientes que se acham com direitos, os direitos de quem "paga" por algo.
Neste artigo também verificamos que a família, como instituição social, se encontra fracassada, sem condições de repassar para seus jovens valores estruturados de respeito, cidadania, responsabilidade entre outros, o que sobrecarrega os professores.
Toda esta conjuntura de instituições privadas de ensino corrompidas, famílias fracassadas e valores deturpados afetam a nossa cultura, cultura aqui entendida como a capacidade de repassar para as gerações mais novas os valores constituintes de nossa sociedade.
Hoje, em nosso 3º texto sobre a educação no Brasil, vamos fazer um relato sobre um dos programas institucionais federais que produziram resultados proveitosos para a educação do país, colocando na linha de frente estudantes de universidades públicas e privadas.
O PIBID - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - foi criado no ano de 2007 sob o decreto nº 7219/2013 e regulamentado pela Portaria 096/2013, tem como função mais geral a "valorização do magistério", é administrado pela CAPES - Coordenação e Aperfeiçoamento de Pessoal em Nível Superior.
A minha história particular com o Pibid começa no ano de 2014, o texto que você está prestes a ler abrange este período onde eu, ainda um estudante sem nenhuma experiencia em sala de aula, fui "instigado" a perceber a escola com um olhar mais intimista, notando as falhas das quais nós estudávamos de longe nas salas de aula da universidade e assim, vivendo de fato os problemas, procurar gerir melhorias e apontar caminhos para estas falhas.
O texto está escrito em primeira pessoa porque foram usadas minhas anotações pessoas em forma de "diário" para demonstrar para o leitor uma visão particular e visceral da vivência do programa, no encerramento de nosso artigo vamos dividir com vocês os registros desta sensacional experiência.
Então, estão todos convidados a conhecer de perto um dos programas governamentais mais bem sucedidos das últimas décadas que infelizmente, perdeu muito de sua força dado os inúmeros atrasos que o país vem sofrendo nos últimos anos.
Desejamos para você uma Boa Leitura !!
Minha experiência no PIBID
começou no dia 19 de março de 2014.
Ainda me adaptando aquela situação tão
singular, procurei observar e absorver o máximo possível do professor que,
certamente, tinha mais experiência do que eu.
Na verdade, minha intenção era a
de passar o mais despercebido possível, tomei estas precauções por dois motivos
principais; primeiro, porque eu já estava afastado de uma sala de aula de um segundo grau a
mais de 15 anos e não fazia ideia de como a coisa andava nos dias atuais e, em
segundo lugar, porque eu queria verificar como a aula transcorria em seu ritmo
natural, sem interferências externas.
Tudo era novidade para mim, e eu queria
ser, pelo menos nas primeiras semanas, um “homem invisível”, queria ver como o
professor agia em seu habitat natural, não queria que minha presença alterasse
a rotina da sala de aula.
Devo confessar que para mim esta foi uma atitude mais
cômoda, já que eu estava em um ambiente totalmente novo e desconhecido.
Com o
passar do tempo notei que minha estratégia mostrou-se um pouco exagerada, pois os
jovens daquela escola se mostraram muitos desenvoltos e fingir que eu não
estava ali era uma coisa sem sentido, logo percebi que deveria mudar a
estratégia, pois aquela não estava dando certo, passei a me misturar mais com
os alunos, coisas do tipo passar o recreio no pátio, conversar com eles na
entrada etc. Em minha vida acadêmica o assunto “Educação” já foi alvo de muito
de meus estudos, tendo eu escrito alguns artigos abordando o tema, artigos
estes frutos de estudos e pesquisas, minha experiência no Pibid veio somente confrontar a teoria dos problemas que eu lia em meus estudos com a realidade em sala de aula.
Infelizmente não é uma coisa agradável
verificar nossos problemas in loco,
porém, mesmo não sendo agradável é extremamente necessário encarar estes
problemas de frente, e com o Pibid pude sentir na pele muitos de nossas
mazelas, as mazelas da escola brasileira.
Portanto, os principais desafios do
Pibid nesta escola são os problemas de um sistema como um todo, além dos
problemas mais específicos do ensino de filosofia que são um capítulo a parte
nesta batalha.
Deveríamos considerar como ponto de partida na
luta contra a ignorância o fato dos nossos estudantes (e a população em geral)
não ter o costume pela leitura.
Os dados sobre a leitura no Brasil são
desestimulantes:
O Brasil possui uma das menores taxas de leitores do mundo e a
menor da América Latina, somente à guisa de informação citarei alguns dados das
pesquisas que mencionei anteriormente:
No Brasil se lê em média 1,3
livro por ano, na Argentina são 3 livros por ano, nos EUA são 11 e na França 7.
Existem muitos outros dados
aterrorizantes sobre o hábito de ler no Brasil que não citarei aqui, mas
acreditem, em quase todos os indicadores de leitura o Brasil ocupa as últimas
posições e a tecnologia que supostamente é um avanço na sociedade moderna, no
Brasil, só serviu para piorar nossa relação com os livros.
Pois bem, agora
gostaria de trazer para a minha experiência pessoal o reflexo dessa falta de
leitura de nossos estudantes;
Era uma tarde de sol e calor, a turma era um
segundo ano composto por adolescentes de média de idade entre 14 e 17 anos a
matéria abordada era “O Estado Moderno” como foi formado, como era antes, quem
eram os protagonistas deste pensamento.
Por coincidência, estávamos perto das
eleições para Governo Federal e Deputados Estaduais e Federais e é claro uma
ótima oportunidade para trazer a aula para o vivido, e foi exatamente o que o
professor fez; trouxe o assunto para a sala de aula.
Confesso que fiquei
pensando neste momento, muitos dias depois do ocorrido...
Nossos estudantes, que
em breve estarão votando, não fazem a mínima ideia de como funciona o sistema
político brasileiro, não sabem, nem de longe, para que serve um Vereador, um
Deputado, um Senador, nem mesmo, o Presidente da República.
Mas a aula tem que
seguir, não é mesmo?
Então o professor, com dificuldade, tenta passar para os
alunos quais são as atribuições destes cargos e pede para os alunos lerem
trechos do livro didático sobre a matéria abordada, mais uma vez o coração vai
à boca de desespero por constatar, na prática, um problema que eu sabia que
existia (saber e sentir são dois sentimentos muitos diferentes).
Para ler um
pequeno trecho do livro didático nossos alunos, muitos deles, não conseguem ler
direito, eles demonstram falta principalmente na interpretação e na pontuação, me
arrisco a dizer que muitos ali podem ser considerados analfabetos funcionais.
Não são todos os alunos que estão em tão má situação,
na verdade nem é a maioria, mas é uma grande parte, em uma estimativa extra-oficial
eu poderia dizer que na escola onde eu atuo uns 30% dos alunos enfrentam
problemas com a leitura, claro que se fizéssemos um estudo mais aprofundado
considerando também a interpretação e a escrita este percentual aumentaria com
certeza.
Portanto, sabemos que temos muitos desafios nesta nova escola que
estamos tentando estabelecer, mas seja lá qual for os problemas que levantemos
nesta discussão um ponto de partida me parece bem estabelecido:
Estimular o
gosto pela leitura e também pela escrita em nossos alunos.
É sempre bom
salientar que leitura é muito mais do que a transmissão passiva de
conhecimento, é uma experiência fascinante que pode transformar a vida do aluno
até mesmo no sentido físico já que para se formar leitor é preciso treinar a
postura, concentra-se e perseverar.
Também é preciso deixar claro que existem
exemplos positivos na área da leitura, na nossa escola, por exemplo, existe um
“Clube do Livro” uma iniciativa dos próprios alunos que visa juntar alunos para
trocar experiências de livros lidos e também de experiências dos próprios
alunos sobre seu cotidiano e suas experiências de vida.
Uma excelente
iniciativa, sem dúvida! E, conversando com meus colegas Pibidianos, vimos uma ótima
oportunidade de, com este clube, identificarmos estes alunos com dificuldade na
leitura e fazer com eles um reforço nestes fundamentos.
Iniciativas como essas
devem ser observadas de perto, com muita seriedade, pois elas se mostram muito
positivas.
Obviamente, os problemas com a
leitura e a escrita não são os únicos em nosso sistema escolar.
Em todos os
encontros sobre educação que participei os problemas parecem estar bem
identificados, os principais de que me lembro agora são; falta de interesse dos
alunos; uso indevido de celular em sala de aula; aulas tediosas; falta de
praticidade do que se ensina para a vida; falta de senso crítico dos alunos;
entre outras demandas constantemente levantadas e, em nome destas mudanças, muitas estudiosos veem, como a solução dos problemas, aulas “performáticas”
para que as mesmas se tornem o menos tediosas possíveis para os alunos, aulas
no estilo “pré-vestibular” com músicas e vídeos no lugar de leitura e
disciplina.
Na Filosofia, especificamente, a discussão está centrada na procura
de um método para o ensino de uma matéria que é muito diferente das outras
matérias do currículo.
Na verdade, eu concordo que as aulas não devem ser
tediosas com um professor falando e falando sem parar sem dar pausa para o
aluno interagir, ou seja, um monólogo interminável de uma matéria que está tão
distante da vida cotidiana do aluno, porém, me preocupa um pouco este rumo que
estamos tomando de querer que a aula fique divertida e nada mais.
O estudo tem um lado enfadonho, de disciplina de solidão, de
persistência para o aprendizado, nem tudo é música e festa.
Então, como
encontrar este equilíbrio para que as aulas não se tornem tediosas e também não
se tornem displicentes ao extremo?
Quem dera ter aqui as respostas prontas para
apenas podermos aplicar e voilá! Está
feito! Mas não posso fazer isso, a única coisa que posso fazer é acrescentar
algumas experiências e pensamentos para possamos, aos poucos, tentar encontrar o
nosso próprio sistema educacional que nunca será perfeito, mas deve ser
melhorado sempre.
Nossa educação deveria estar
voltada para a cultura e para as aptidões pessoais de cada um, afinal, somos
seres humanos diferentes entre si que têm seus ensejos e perspectivas únicas.
Digo isso porque na escola que imagino para o futuro cada aluno será uma pessoa
única e não apenas um número de matrícula e cabe ao professor identificar os
talentos desse aluno e também suas dificuldades para que, em tempo hábil, possamos corrigir os defeitos e estimular as aptidões.
Com o Pibid tentamos fazer
exatamente isso, tentamos tratar os alunos pelos nomes, conversar com eles
assuntos do cotidiano e passamos os horários de recreios nos pátios, com eles.
Isso para que não sejamos “corpos estranhos” dentro da escola e possamos diminuir
a distância entre os futuros professores e os alunos.
Conosco, os Pibidianos,
acontece algo muito engraçado:
Não somos alunos e também não somos
professores, estamos no intermediário entre estes dois mundos que não deveriam,
mas são muito distantes entre si, e, por
consequência deste fato, nos encontramos
em uma espécie de “limbo” onde os alunos, por não nos considerar professores, falam abertamente de como se sentem em relação ao professor tal, ou como vão
tentar colar na prova tal ou ainda o porquê da falta entre outros segredinhos
que eles não têm nenhum pudor em dividir conosco, pois eles não veem em nós a
figura austera e punitiva do professor.
Assim como os professores não se
intimidam em falar sobre suas rotinas em sala de aula como também de seus
relacionamentos com alguns alunos.
Esta é uma posição muito privilegiada para o
Pibidiano, o de estar no meio de dois mundos; dos alunos e dos professores.
Creio ser necessário falar um
pouco sobre os professores.
Antigamente, o professor era o detentor do saber e
sua palavra era inquestionável, aí podemos identificar outro motivo para as
aulas serem tão enfadonhas e tediosas afinal este professor era o que falava
sem parar e não aceitava ser questionado de maneira nenhuma.
Hoje vejo o
professor mais como um mediador entre o aluno e o saber, não como o dono da
verdade absoluta.
Uma aula nesta escola que projeto em meus pensamentos não vai
ter um professor falando sem parar, suas aulas serão como uma conversa
organizada entre todos que estão na sala de aula, sendo o professor aquele que
vai direcionar a conversa, lançar as perguntas chave, manter o foco do assunto.
Em suma, ser um guia para os seus alunos.
No entanto, também vejo certas
considerações sobre o papel do professor com muitas ressalvas.
Conversas do
tipo: “não pode haver diferenças entre aluno e professor” ou “professores e
alunos são iguais” também causam certa preocupação.
Como disse antes, o professor não é mais o detentor exclusivo do saber, e em
muitos assuntos os alunos sabem mais do que o professor, isso não é vergonha ou
demérito nenhum para o professor, afinal a internet veio para acabar com o gueto
da desinformação.
Porém a relação do aluno com o seu professor deve ser a
relação de um discípulo com o mestre e esta relação exige “dependência”
“submissão” e “obediência” uma co-relação afetiva, empática que aproxima e liga
mestre e discípulo.
Não devemos esquecer que estamos falando de adolescentes e
nesta idade nossos alunos ainda não possuem autonomia, mesmo que a época em que
vivamos (me refiro aqui a modernidade) insista em dizer que sim.
Nossa
juventude está ávida por guias, precisamos ser guias para eles.
Também reparei, em minha
experiência Pibidiana, que os professores que mais reclamam são os que menos
fazem.
Também notei que o dom de ser professor só pode ser exercido por pessoas
extremamente motivadas, pois são poucas as profissões que apresentem tantos
desafios em sua luta diária como a profissão de professor, portanto, não pode
ser exercida por quem tem medo ou receio de enfrentar desafios e infelizmente,
existem muitos que não deveriam estar ali, mas estão.
Esta talvez seja outra etapa
do processo; selecionar somente os que têm o dom do magistério, e aí vejo outra
vantagem do Pibid já que colocando o estudante neste contato direto com a
rotina e os problemas escolares, logo no começo de sua jornada, ele pode avaliar
melhor se os desafios que se apresentam para ele serão os desafios para a sua
vida.
O ENSINO DE FILOSOFIA
Falando agora especificamente dos
problemas enfrentados no ensino de filosofia para o ensino médio, tema
constante em nossas reuniões departamentais.
Antes, porém, existem algumas
considerações a se fazer sobre o ensino de filosofia no ensino médio;
é preciso
considerar que a filosofia no ensino médio é um fato relativamente novo; existe
um déficit de professores de filosofia na rede pública de ensino, sendo esta
matéria, em muitas escolas, lecionada por professores de outras áreas.
O tempo
do professor de filosofia nas escolas é curto, sendo uma aula de 50 minutos por semana.
Sempre existe a possibilidade da aula de filosofia ser
retirada do currículo escolar, uma vez por ano, pelo menos, este fantasma vem
nos visitar em forma de boatos e burburinhos (o mesmo acontece com o Pibid,
infelizmente) sem dúvida, um problema de gestão do país, a falta de
continuidade de programas instaurados em governos anteriores.
Como já mencionei
em artigos anteriores; em educação, as medidas adotadas demoram certo tempo
para demonstrar seus resultados, já a interrupção de medidas implantadas
sente-se imediatamente seu peso negativo.
Posso citar como exemplo disso o
próprio Pibid.
Sendo uma iniciativa ainda nova (o Pibid iniciou-se em 2007)
ainda não temos o tempo hábil para verificar sua eficiência, mesmo assim
estamos constantemente com o temor do programa ser instinto.
O que seria um erro descomunal.
Considerando estas dificuldades,
e ainda outras que não levantei aqui, estamos buscando uma forma, um método
para o ensino de filosofia no ensino médio.
Alguns alunos consideram esta
matéria distante da vida, o que é, obviamente, uma inverdade.
Porém, é necessário nos perguntamos:
Por que nossos jovens consideram a
filosofia como algo tão distante de suas vidas?
...
No ensino médio a filosofia não
tem que ter este espírito grandiloquente, erudito, intelectualizado da academia, de discursos elaborados, cheios de floreios e palavras difíceis, isso
afastaria nossos jovens dessa matéria, haja visto, o estigma que a filosofia já
carrega consigo uma atitude destas só serviria para afastar os jovens da
filosofia.
A filosofia deve fluir naturalmente na sala de aula.
A aula de
filosofia no ensino médio deve ser uma aula para a reflexão e para a crítica, e
principalmente para a análise de sua própria vida, tanto no âmbito particular, assim como de sua sociedade e também do mundo, como um todo.
É preciso fazer os jovens
enxergarem muito além de sua realidade e fazê-los perceber que existe todo um
mundo de diferentes culturas, hábitos, religiões e, nessas diferenças, precisamos instigar
o respeito.
Mais uma vez gostaria de trazer um relato de mais uma experiência
pessoal, proporcionada pelo Pibid;
Em uma das ocasiões em que dei aula na
escola uma das alunas me perguntou:
Para que me serve a filosofia? - anos depois escrevi, aqui no Blog, o artigo - A FILOSOFIA SERVE PARA QUÊ? - passado tantos anos desta experiência proporcionada pelo Pibid eu gostaria de reencontrar esta aluna e apresentar para ela esta "resposta" melhor elaborada para o questionamento instigador que ela me fez.
A pergunta
me pegou totalmente desprevenido, mas depois de alguns segundos de reflexão eu
a respondi, tentarei reproduzir a resposta:
“As pessoas estão em seu
dia-a-dia vivendo, elas trabalham se divertem, namoram, estudam algumas são
ricas outras pobres, enfim a vida segue e as pessoas simplesmente vivem. Estas
pessoas estão imersas em seu tempo, vivendo de acordo com a cultura a qual elas
pertencem e não percebe isso, elas simplesmente “vivem”. O filósofo é aquele
sujeito que dá dois passos para trás e enxerga seu tempo de fora, como se ele
não estivesse lá, como se ele estivesse de fora da própria época, com um olhar
de julgo, crítico. Assim, Ele consegue compreender o seu tempo de uma
perspectiva que a maioria das pessoas não têm sequer a noção. Não é uma falação
sem sentido, longe, distante das nossas vidas, pelo contrário é a imersão na
vida cotidiana, na vida real, na vida vivida.”
Não sei dizer se eu mudei o ponto
de vista desta aluna, mas posso dizer que ela mudou o meu com a sua pergunta provocadora,
pois eu pensei tanto nisso e pensei que iguais a ela existem muitos que têm a
visão errada do que é a filosofia.
Mais um ponto para se levar em consideração na nossa procura pelo método
de ensino de filosofia no segundo grau:
Desfazer os estereótipos da filosofia;
Filosofia não é coisa só de gente inteligentíssima é sim coisa de gente
interessada e crítica;
Filosofia não é um assunto abstrato, longe da realidade
é sim uma matéria crítica que julga os problemas da vida e do cotidiano de
todos nós;
Filosofia não é uma matéria menos importante nos currículos
escolares é sim uma matéria fundamental para o senso crítico dos alunos, e para
a humanização das nossas relações interpessoais e com o planeta em geral;
e por
fim, filosofia não é, de forma alguma, uma matéria tediosa e enfadonha é sim
uma ótima oportunidade para instigar em nossos alunos o gosto pela leitura,
provocando neles a curiosidade e o espanto (no sentido aristotélico) e o debate
sadio de ideias, conceitos e comportamentos.
Considerando que já é um consenso
que a nova escola deve formar cidadãos conscientes muito mais do que somente
bons operários, a filosofia se mostra como a chave nesta nova escola, complementando as matérias que são e sempre serão indispensáveis.
Formando
assim um corpo escolar coeso, forte, unido com interdisciplinaridade ao
contrário do que vemos hoje uma escola fragmentada com matérias separadas entre
si sem nenhuma ligação.
Termino aqui minhas considerações
sobre a minha experiência pessoal no Pibid e reitero a fé que possuo neste
programa por considerá-lo uma das melhores iniciativas governamentais dos
últimos anos, uma iniciativa que vai com certeza, trazer muitos frutos
positivos em seu devido momento.
Reitero também a necessidade de mais segurança
para que, de nenhuma forma este programa seja interrompido, muito pelo
contrário que ele seja ampliado e fortalecido para que os problemas de nossa
educação sejam resolvidos por quem “viva” a escola e não por pedagogos
distantes das escolas, em seus castelos de gelo.
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E aí, gostaram do artigo desta semana ??
Hoje fechamos a sequência de textos voltados à educação, mas é claro que falaremos sobre este tema muitas vezes ainda em nosso espaço, afinal, vale a pena lembrar que o tema "educação" é um tema nuclear no desenvolvimento de qualquer nação democrática.
O Pibid foi um dos mais importantes programas educacionais do governo no que tange a educação superior, por colocar na linha de frente os futuros professores quando estes ainda eram apenas estudantes sem nenhuma experiência e, muitas vezes, sem nenhuma noção do que é realmente uma escola, com todos os seus problemas e desafios.
Infelizmente, o Pibid hoje se encontra totalmente sucateado e desde o ano de 2015 vem sofrendo ameaças constantes de encerramento, na minha experiência neste programa, que abrange os anos de 2014/15 sempre foi constante em nossas reuniões o fantasma do encerramento do programa, vamos percebendo uma das principais falhas no que tange o assunto "educação" no país; a falta de continuidade nas políticas públicas.
Mas, feito este apontamento, gostaria de falar um pouco mais sobre minha experiência neste programa, dividindo com vocês alguns dos projetos que nós fizemos enquanto tivemos a oportunidade de estar na escola;
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| Mais um pouco deste encontro nacional, na foto você vê o projeto do Pibid Matemática; |
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| Aqui, mais uma reunião periódica com meus amigos Sabrina e Leandro; |
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| Mais reunião ... |
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| Mais uma de nossas reuniões, na foto da esquerda para a direita temos, além de mim, Sheltom, Vitor Hugo, e Rafael; |
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| Aqui, nossa equipe de bolsistas da escola Maria Ortiz no centro de Vitória, em várias formações. |
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Aqui temos o lançamento de nosso "Jornal de Filosofia" um dos inúmeros projetos que nós produzimos com a verba que era destinada ao nosso programa; logo abaixo você confere os exemplares de nos periódico. |
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| O informativo saía todo mês, dividido em 2 equipes, em 2 escolas diferentes e era um de nosso projetos mais populares, movimentando toda a comunidade estudantil. |
...
Além dos registros que você viu neste artigo é importante o leitor saber que existem ainda muitos outros registros de iniciativas na área da educação feitas com dinheiro público e transparência, na busca pela excelência de nossa educação.
O Pibid é um dos programas educacionais mais vitoriosos que se tem notícias, mas que foi afetado profundamente por toda esta conjuntura que se formou nos últimos anos e pelos fatos ocorridos no país de destituição golpista de uma Presidente eleita e a sucessão dos fatos com a posse do golpista Temer e a eleição do neo nazifascismo de Bolsonaro que veio destruindo de vez todas as políticas públicas de suposto viés "esquerdista";
Com isso perde o Brasil que interrompe uma política pública de qualidade em nome de pura ideologia neo nazifascista.
Mas acreditamos, sinceramente, que de alguma forma o Brasil supere esta fase terrível de nossa história e volte a discutir seus problemas na área da educação, fomentando programas tão bons quanto foi o Pibib.
O Brasil é nosso lugar de fala.
...
Por fim, gostaria de dedicar este artigo aos meus amigos de universidade que dividiram comigo esta experiência maravilhosa de viver em ambiente escolar, com jovens cheios de sonhos e projetos.
Ainda pulsa forte em meu coração a lembrança de nossas conversas tomando café amargo, conversando sobre nossos futuros, nossos planos para sermos os melhores professores que pudéssemos ser ...
Que tempos bons eram aqueles, tempos de esperança, muito diferente da nossa atualidade ...
Mas o sol há de brilhar novamente, eu tenho que acreditar nisso.
...
No mais, esperamos encontrar vocês novamente aqui semana que vem;
Até lá e cuidem se !!





























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