A FILOSOFIA SERVE PARA QUÊ ?
Olá Escritores !!
Preparados para o artigo desta semana?
Hoje,vamos tentar responder a um questionamento que todo estudante de Filosofia tem que responder, mais cedo ou mais tarde:
A FILOSOFIA SERVE PARA QUÊ?
E este é uma questionamento esperado se você considerar que vivemos em uma sociedade estritamente pragmatista, que necessita ver razões e finalidades em tudo.
As manifestações humanas, em nossas sociedades, precisam se prestar à uma utilidade prática, neste contexto, torna-se natural que a Filosofia tenha sua utilidade questionada.
Dificilmente você ouvirá alguém perguntando para que a matemática ou a física? Para que a geografia ou a geologia? Para que a dança, a pintura, a arte? Para que as ciências?
E isso se dá porque no senso comum estas são manifestações humanas com papéis bem definidos, a aplicação destes conhecimentos no cotidiano das pessoas não é questionado.
Mas, a Filosofia tem uma importância para o nosso dia a dia, uma importância que não se mostra como uma evidência clara, como nas manifestações que citamos acima, mas sim como uma necessidade que se apresenta, pois a realidade sempre se impõe e o senso comum não é a realidade mesma, ele é uma interpretação da realidade.
Todas as manifestações humanas, inquestionáveis e corroboradas pelo senso comum, são constituídas de questões filosóficas para sua concepção mais elementar, assim sendo, tem mais de Filosofia nas ciências e nas artes do que poderíamos supor e, além disso, são todas efetuadas sobre um rigor filosófico o que significa dizer que são questões que só podem ser trabalhadas com enunciados precisos, rigorosos e um encadeamento lógico entre os enunciados, longe de dogmas, crenças e emoções.
Além disso, a Filosofia tem uma função em nossa vida cotidiana como você verá em breve.
Então, vamos descobrir para que serve a Filosofia?
Desejamos para você uma;
Boa Leitura !!
As evidências do cotidiano saltam aos olhos.
podemos colocar várias questões em dúvida e nunca chegar à conclusão majoritária para nada quando se trata de dilemas humanos, mas existem algumas certezas das quais, a grande maioria de nós, concordaríamos.
Por exemplo, ninguém precisa de provas para se convencer de que está vivo, lendo este artigo neste exato momento, certo?
Todos temos uma vida cotidiana com rotina, trabalho, relações, afinal, precisamos nos relacionar com outros seres humanos, família, amigos, colegas de trabalho e até desconhecidos;
e, nestas relações do cotidiano, fazemos perguntas como:
que horas são?
Que dia é hoje?
E, com estas perguntas, esperamos que alguém, se valendo de um relógio ou de um calendário, nos dê uma resposta clara e objetiva, confiamos nestas respostas.
Também fazemos afirmações do tipo:
Onde há fumaça há fogo;
quando se pega uma chuva é certo que vai se resfriar.
Fazermos julgamentos do tipo:
Este carro é mais bonito do que aquele.
Julgamos os atos alheios, dizendo que uma ou outra atitude foi justa ou injusta, julgamos o caráter das pessoas pela sua conduta conosco, dizendo que tal pessoa é "legal" por nos tratar bem, enfim, aprendemos, julgamos, enquadramos e agimos sem nenhuma reflexão mais aprofundada, quase por um reflexo e esta é uma forma de lida com a realidade que usamos para vivenciar nossa experiência no mundo.
Estamos falando da mais elementar forma de experienciação da realidade, o senso comum.
É com ele que organizamos nossa vida e nossa vivência com os outros e com a Natureza.
Mas que tipo de conhecimento é este?
Ele é certo ou errado?
O SENSO COMUM
O senso comum são informações que apreendemos e ações que tomamos de forma irrefletida, sem pensar muito sobre elas, são conceitos e atitudes que são aceitas pela nossas sociedades, atitudes automáticas que tomamos diante de situações que vão se apresentando no dia a dia.
Todos nós temos uma noção muito clara do que é a amizade, não precisamos nos aprofundar no tema "amizade" para sabermos que fulano e ciclano são nossos amigos.
Assim como temos uma noção automática do que é a justiça, ao presenciarmos uma ação injusta saberemos identificar sem nenhuma dificuldade.
Assim também do belo, do bom, do amor etc, sempre teremos uma noção e uma ação baseadas no senso comum, o senso comum é um conhecimento identitário construído em um pano de fundo histórico-cultural e diz respeito a nossa condição social, ou seja, nossa necessidade humana de viver em sociedades.
O senso comum em si não é bom nem ruim, ele é uma condição necessária para nossa vivência individual em sociedades e contém, por assim dizer, características muito próprias.
Mas, a despeito dessas características, o fato concreto é que estamos todos tutelados por ele;
somos educados por ele, agimos, na maioria das vezes, pelos seus preceitos, julgamos as ações dos outros por ele, e fazemos isso de forma irrefletida, pois, estes são conceitos passados para nós em uma estrutura massificante e incontestável, através da cultura e suas várias manifestações como família, religião, política, escola entre outras manifestações culturais.
Por ser um paradigma estruturado em nossas sociedades, o senso comum rege o comportamento de nossas sociedades e, consequentemente, dos indivíduos.
Mergulhados neste senso, podemos fazer tanto coisas boas, como por exemplo; agir diante de uma situação injusta, como coisas ruins, como um outro exemplo; classificar uma situação diferente e agir de forma irrefletida, apoiados em uma ideia que é aceita pela sociedade como um conhecimento do senso comum e agir com preconceito e/ou violência.
O senso comum, em si, não é bom nem ruim e chega ser um conhecimento necessário, no sentido de que serve para organizar a sociedade e produzir cultura, no entanto, a sua massificação, sua irreflexividade e imponderação no agir são responsáveis por muitos de nosso problemas sociais.
Nossa vida cotidiana regida pelo senso comum é composta de crenças silenciosas, uma aceitação incondicional de evidências que nunca são questionadas porque nos parece naturais e óbvias.
Por isso, apesar de sua importância, precisamos encontrar formas de sair de sua tutela e ter um pensamento mais crítico, que questione a realidade de forma mais lógica e racional, baseado em uma argumentação lógica, sem respostas simplistas.
Fazer esta ruptura com o senso comum e ter um pensamento e ações feitas de forma mais refletida e questionadora, são referentes à uma atitude que destaca o indivíduo das massas, qualquer pequena rachadela com o senso comum causa grande incômodo, isso porque o senso comum é um lugar de conforto existencial, afinal, é mais fácil viver ao sabor das opiniões das massas, aceitando os conceitos sem nunca questionar, sem pôr em questão a realidade dada.
Qualquer um que comece a perguntar o que é o tempo? Ao invés de que horas são? Será uma pessoas que vai se distanciar da vida cotidiana e, de certa forma, vai se distanciar de si, vai se apartar das crenças inquestionáveis, até então internalizadas em si, indagando o que são essas crenças e sentimentos que surgem naturalmente em nossa existência, perguntando, de forma sincera, o porquê de cremos no que cremos.
Esta atitude de um questionamento autêntico aos valores que estão estabelecidos pelo senso comum é uma atitude filosófica.
ATITUDE FILOSÓFICA
A atitude filosófica vem para romper com senso comum.
A atitude filosófica vem, em um primeiro momento, causar um "estranhamento" diante da realidade dada e isso acontece porque, de forma geral, lidamos com o mundo usando os conceitos do senso comum, e assim, não temos atitudes de reflexão o tempo todo, muito pelo contrário, pensamos e agimos em uma espécie de "automático", acordamos, trabalhamos, comemos, nos divertimos, sem ter uma atitude reflexiva, somos esmagados pela rotina do cotidiano e pelo conhecimento do senso comum.
Existem pessoas que nunca saíram do conhecimento do senso comum, vivem uma vida inteira, sem se abstrair da rotina do dia a dia.
Trabalhar, criar os filhos, pagar as contas, se divertir nos finais de semana, conversar com os amigos, fazer compras, estas, entre outras ações do nosso cotidiano, nos acachapam e dificilmente pensamos em questões mais profundas, que demandam uma reflexão mais apurada como, por exemplo, o sentido da vida, da onde viemos, para onde vamos, morte/vida/ amizade/liberdade/amor/perdas...
Nos breves momentos em que estas reflexões surgem é preferível, para a maioria das pessoas, encaixar uma resposta qualquer do senso comum, considerar a questão resolvida e seguir, esmagado pela rotina, muitos hão de preferir esta vida deliberadamente.
Mas, quando somos "pegos de surpresa" pela vida, seja por uma situação limítrofe conosco ou com alguém que amamos e, temos nossa existência colocada em xeque, temos a oportunidade para uma atitude diferenciada sobre a realidade, uma atitude racional e autêntica que nos fará "estranhar" a realidade, colocando o senso comum em suspensão.
Este estranhamento pode igualmente acontecer de forma casual e despretensiosa é o desconforto perante a vida, o desconforto perante o cotidiano, perante o dado, são situações que exigirão um pensamento apurado, aprofundado e honesto consigo mesmo, neste estágio, as respostas prontas do senso comum já não satisfazem mais, é preciso uma atitude mais lhana, mais franca e menos enganadora.
Explicando melhor, você pode testemunhar uma atitude injusta e agir sobre isso, mas se por algum motivo você for instigado a pensar sobre o que é a justiça? Este será um empreendimento que exigirá de sua pessoa uma reflexão mais aprofundada para elaborar uma resposta, falar sobre o que é a justiça vai exigir uma reflexão mais apurada, mais sincera e de maior esforço, você vai precisar pensar sobre o que é a justiça para elaborar uma resposta, um esforço intelectual será demandado.
Este esforço intelectual sincero é o pequeno passo que nos tira do senso comum.
E é a Filosofia a manifestação humana que lhe dará as condições para uma atitude racional autêntica diante do senso comum, primeiramente, nos causa uma estranheza da realidade e, depois, nos conclama a pensar racionalmente sobre uma situação dada.
Desta feita, tudo, absolutamente tudo, pode ser colocado sobre a égide filosófica, nada na Filosofia está preso em dogmas ou verdades absolutas.
É a Filosofia a manifestação humana que visa criticar a realidade o tempo todo, criticar o stato quo de nossas sociedades, os valores que seguimos cegamente sem questionar, a Filosofia não aceita respostas simplistas e prontas, poe tudo sob o julgo da crítica rigorosa, inclusive ela mesma.
Mas a Filosofia é muito mais do que reconhecer a estranheza da realidade e pô-la sob o julgo da crítica, a atitude filosófica é mais abrangente, trata de uma atitude intervencionista no mundo, uma atitude pragmática no sentido de requerer para si uma resposta para os questionamentos levantados, ou seja, não basta à Filosofia apenas notar e dizer sobre um aspecto da existência, levantar um questionamento e criticar.
É necessário uma atitude de proposição, insinuar uma via para o questionamento levantado, pensar, de forma lógica e rigorosa, sobre este aspecto notado, se não for possível a solução completa do problema, ao menos uma indicação sobre o caminho a ser tomado, uma reflexão mais aprofundada que visa mudar o mundo.
fenece-se assim a imagem do senso comum da Filosofia como uma atividade inútil, o estereótipo do filósofo pensativo e inerte frente à realidade desaparece, aliás, se você está comigo até agora certamente há uma faísca filosófica em ti.
...
Agora, cá entre nós...
Concordamos que a Filosofia não é inútil, isso é certo! Mas temos que confessar que ela não serve para nada.
Não serve a interesses, não serve a ideologias, não serve a governos, assim como a arte não serve para nada, assim como a música não serve para nada, o amor não serve para nada...
Pois, só é realmente sublime, aquilo que não tem serventia, só algo realmente livre pode não servir a nada, a Filosofia não serve para nada poque ela não é serva de nada e nem de ninguém, é um conhecimento livre e para poucos, pois, sempre haverá o pássaro que preferirá ficar no conforto da gaiola, desdenhando da portinhola aberta e dos pássaros que ousam sumir na imensidão azul dos céus.
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
E aí, gostaram do artigo desta semana?
Descobriram afinal para que serve a Filosofia?
Exstem muitas respostas para esta pergunta, muitas definições...
Afinal, a Filosofia é crítica de si mesma;
e este é o espírito, questionar e criticar, tudo e todos, inclusive a si mesmo, sem medo do que venha a descobrir.
A atitude filosófica é uma atitude de coragem;
mas, anime-se!
Aqui, você não está sozinho!!
#SomosTodosFilósofos !!!
Então, semana que vem nos encontramos aqui novamente?
Até lá e cuidem-se !!!!









.jpg)


Comentários
Postar um comentário