Olá Escritores !!
Que saudades de vocês !!
Como estão as férias, as festividades de fim de ano, curtiram bastante ?
Estão preparados para o ano que se inicia, com seus velhos e novos desafios?
E para o nosso artigo da semana, estão prontos?
O Ano de 2022 foi um ano cheio de emoções, não é mesmo? Tivemos eleições, Copa do Mundo, muita luta política e desafios que, certamente, vão continuar em 2023.
O ano que se inicia promete ser mais um ano de muita luta e reflexões nesta era conturbada que atravessamos e, por aqui, estaremos sempre propondo "novos olhares" para "velhos problemas".
Sempre foi nossa proposta fomentar uma visão mais crítica sobre nossa realidade, promover um debate claro de ideias, despido de preconceitos, resoluções simplistas e aberto para novos pontos de vista, desde que, inseridos em uma visão democrática da realidade, afinal, o tempo do nazifascismo e da intransigência está ficando para trás, oxalá!
Certamente, o ano que se inicia será de muita luta política, muita consideração com as questões econômicas, ambientais, culturais, educacionais entre outras, aliás, vale a pena citar que estamos trabalhando em um artigo sobre as questões ambientais e em breve vamos refletir sobre estes desafios sob o prisma da ecosofia e da ecologia profunda, temas que abordamos em artigos como ÉTICA VERDE - A TEIA DA VIDA, publicado em 31/7/2021 e O ULTIMATO DO IPCC - MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O PESO DA REFRIGERAÇÃO, publicado em 14/8/2021.
De todos os temas que teremos que tratar neste ano que se inicia a questão ambiental é, sem dúvidas, um dos mais preponderantes, isso porque as mudanças climáticas estão no centro do debate mundial na atualidade, tangenciando todas as outras áreas, até mesmo a questão econômica.
Além disso, as mudanças climáticas não são mais um problema distante, do qual ouvíamos falar, elas estão entre nós, todos nós estamos sentindo na pele os efeitos e temos a plena consciência que estes desiquilíbrios são causados pela ação irresponsável e sem planejamento da humanidade, são as nossas ações no mundo que estão causando as mudanças que estamos sentindo em nosso dia a dia e não há como negar isso.
Aqui mesmo no Espírito Santo, nos meses de novembro e dezembro do ano de 2022, passamos por um período de chuvas bem desregulado e incomum, foram mais de 20 dias de chuva intensa e ininterrupta que causaram muitos estragos em rodovias, em casas e, em alguns casos, verdadeiras tragédias.
E tudo indica que o verão deste ano será salpicado por tempestades periódicas, a ver.
Houve registros de outras anomalias climáticas por todo o globo; nevascas nos EUA, enchentes em Portugal, na China enfim, o planeta está dando sinais de que as nossas ações estão influenciando os ciclos climáticos.
Mas este tema é um assunto complexo, do qual falaremos em nossos próximos encontros.
...
Em nosso artigo de hoje, iniciando nossos encontros neste ano que está começando, vamos relaxar com um artigo da série IMPRESSÕES, analisando uma obra cult que, para muitos, é considerada uma obra prima do gênero Sci-fi, mas que, como veremos em breve, é uma obra com muito mais camadas do que poderíamos supor.
Hoje é dia de revisitar o clássico ROBOCOP - O POLICIAL DO FUTURO,(RoboCop) filme de 1987 com a direção de Paul Verhoeven, Peter Weller dando vida ao policial Alex Murph/Robocop e a carismática Nancy Allen interpretando a amiga de Murph, Anne Lewis.
Robocop costuma a ser lembrado pela experiência visual marcante, a começar pela armadura ciborgue que entrou para a cultura pop como um verdadeiro ícone, passando pelo clima oitentista e toda a sua violência gráfica, presente nos filmes da época, que, em Robocop, é retratada não de forma gratuita, mas contextualizada na mitologia do mundo distópico retratado no filme, até chegar ao conjunto da obra, onde, a fotografia, aliada ao excelente trabalho de maquiagem, efeitos visuais, roteiro criativo e a trilha sonora inesquecível nos legaram uma história instigante em diferentes níveis, além de personagens que ficaram marcados na cultura pop, como o Enforcement Droid Series ou simplesmente ED-209 que ficou cravado na memória de muita gente.
Mas, para além das escolhas visuais que atravessaram as décadas e são uma excelente experiência estética até hoje, podemos verificar camadas mais densas de crítica social temperadas com muito sarcasmo.
Por debaixo do visual encantador e futurístico dos ciborgues e droids, da estética distópica/futurista e da violência, estão temas como; o papel da polícia, autoritarismo, privatização, transhumanismo, ganância, natureza humana, gentrificação entre outras camadas que vão muito além do esplendor visual.
Então, sem nos alongar mais, vamos revisitar esta sensacional obra dos 80's que nos diz bem mais do que seu visual encantador mostra.
E, antes que eu me esqueça, um breve aviso; apesar do filme ser antigo, pode ser que você ainda não tenha visto, então lembre-se que a partir de agora você está entrando em zona de !!!SPOILERS!!!, se quiser seguir é por sua conta e risco.
Agora sim, vamos desejar para você uma boa leitura e divirta-se!!
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Parte homem, parte máquina, todo policial.
A TRAMA CENTRAL
Robocop marca seus espectadores por diferentes motivos; seja pela música tema incisiva, trabalho primoroso de Basil Poledouris, seja pelo capricho no desenvolvimento do design dos personagens, tanto do Robocop quanto de ED-209, trabalho de Robin Bottin ou pelo roteiro criativo, apresentado por Edward Neumeier e Michael Miner ou ainda pela direção "viseral" Paul Verhoeven que conseguiu tirar o melhor do seu elenco, o fato é que assistir Robocop é uma experiência marcante.
Robocop é um filme que não se leva a sério, trata-se de um filme caricato em alguns sentidos, que nos apresenta droids incapazes de descer escadas e gangues de rua com vilões sem nenhuma profundidade nem grandes motivações, que só querem roubar dinheiro e nada mais, não é, portanto, uma obra filosófica que visa levar seus telespectadores a questionamentos profundos e abstrações contemplativas, mas, não convém menosprezar esta obra, pois há muitas camadas interessantes por debaixo de toda esta galhofa.
Basta lembrar que, mesmo com estes elementos de filme "b", Robocop marcou toda uma época e está vivíssimo na cultura pop até os dias atuais, deixando para trás outros personagens que vieram depois dele e dos quais ninguém lembra mais.
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| Com um visual ciborgue marcante que impressiona até hoje, Robocop entrou definitivamente para a cultura pop e é constantemente lembrado, deixou pelo caminhos outros personagens que, mesmo com orçamentos milionários, não conseguiram entrar no imaginário das pessoas. |
Robocop é um filem memorável, seja pelas frases de efeito:
- Vivo ou morto, você vem comigo.
- Eu pago um dólar por isso!
- You have 20 seconds to comply!
Seja pelas cenas icônicas, muitas delas imitadas no cinema, seja ainda pela violência oitentista, marca da filmografia dos 80's que, neste filme, ficou
devidamente encaixada a serviço do roteiro.
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| A violência oitentista está presente no filme, mas não está colocada na obra de forma gratuita, é por meio da violência gráfica que percebemos o estado de degradação profunda em que se encontra a sociedade apresentada em Robocop. |
Este filme vai muito além das características marcantes que ficam em sua camada mais superficial, Robocop trabalha em suas subtramas elementos que tangenciam temas complexos como o papel da polícia, busca pela identidade humana, gentrificação, privatização, o poder das mega corporações, a indiferença da mídia, a banalização da violência entre outros.
A premissa de Robocop, a trama central que vai ser o fio condutor da narrativa e guiar o telespectador na história é a busca pela identidade humana e o que é ser um bom policial em uma cidade corrompida e decadente como a Velha Detroit.
Mesmo o mais aleatório espectador vai perceber, sem nenhuma dificuldade, que a história de Robocop é a história de um homem preso em uma prisão tecnológica, um homem que busca a sua própria identidade, é a história de um homem que quer deixar de ser Robocop e se tornar Alex Murph.
Logo depois que Murph é brutalmente assassinado se inicia a negação de sua identidade humana, sua "coisificação", quando a megacorporação Omni Consumer Products, a OCP, na figura de seu acionista Bob Morton - interpretado por Miguel Ferrer - se apropria dos restos mortais de Murph e inicia o programa RoboCop.
Outro elemento central na história de Robocop é a questão sobre o que é ser, de fato, um policial, principalmente na sociedade corrompida de Detroit, aliás, a temática sobre o que é ser um policial está circunscrita no título da obra assim como no slogan do filme.
É por meio da questão do que é ser um policial e qual o melhor modelo de uma força policial para uma sociedade extremamente violenta e decadente que podemos identificar um conflito dentro da própria OCP entre o projeto RoboCop de Bob Morton, que representa uma força mais "humanizada" da polícia, contra o ED-209, projeto de Dick Jones - interpretado por Ronny Cox - que é um verdadeiro tanque de combate, completamente desumanizado que, apesar de extremamente forte e imparável, apresenta falhas risíveis como, por exemplo, não saber descer uma escada.
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| ED-209, apesar de imponente e poderoso, foi derrotado por uma simples escada; por essa ninguém esperava! Este é um artifício de roteiro simples, mas que surpreende o telespectador, além de demonstrar, nas entrelinhas, que a completa militarização das forças policiais idiotiza a polícia, o filme vai destacando a importância de se humanizar uma sociedade completamente desumanizada. |
Se por um lado temos o ED-209, que representa a militarização extrema da força policial, oferecendo para a sociedade um droid que segue ordens sem questionar e faz cumprir lei à risca, sendo extremamente violento com os transgressores, por outro lado temos Robocop que, apesar de forte e subordinado às ordens, assim como o ED-209, apresenta traços mais "humanos" e resolve os problemas de forma mais criativa.
Apesar das supostas diferenças, tanto Robocop quanto ED-209 são facetas da mesma moeda, ambos representam um tipo de polícia militarizada e desumanizada que, sob o pretexto de estar mantendo a lei, só estão servido aos interesses corporativos.
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| Ed-209 representa a máxima militarização das forças policias, retira por completo o fator humano o que, em tese, elevaria sua eficiência no cumprimento da lei, no entanto, sem o fator humano o que temos é um droid extremamente poderoso, mas idiotizado. |
Vale a pena contextualizar, para quem não viu o filme ou para quem viu há muito tempo, que o mundo apresentado em Robocop é um futuro distópico, ambientalizado na cidade de Detroit em Michigam, uma cidade tomada por gangues violentas, consumo de drogas, crise financeira e decadência moral.
Neste cenário, com as forças policiais em ruínas, é feito um acordo com a empresa corporativista OCP que assume o controle das forças policias prometendo acabar com a violência, depois que a OCP assume o controle da polícia a mortalidade de policias dispara, os policiais não gostam nada dessa situação e ameaçam fazer uma greve, a OCP então investe pesado no programa de droids e ciborgues que visa, a médio/longo prazo, substituir os policiais.
Robocop e ED-209 são os protótipos apresentados para o Programa PolicialRobô ( RoboCop Program), com o desastre da apresentação do ED-209, que mata um dos membros do conselho por uma falha de interpretação, o Presidente da OCP decide adotar o projeto RoboCop de Bob Morton.
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| Dick Jones e seu projeto Enforcement Droid Series, ou simplente ED-209, um pouco antes da desastrosa apresentação que vai abrir o caminho para o projeto Robocop de Bob Nortom. |
A partir daí vemos Robocop limpando as ruas de Detroit; socando assaltantes, dando tiro em saco de estuprador, atravessando sequestradores pela parede, enfrentado traficantes fortemente armados.
Robocop é eficiente na luta contra o crime, mas toda esta eficiência e tecnologia do traje de Murph, que lhe permite enfrentar a criminalidade violenta daquele mundo é na verdade uma prisão cibernética que encobre a humanidade de Murph.
Robocop se move como um típico robô, seus passos são lentos e cadenciados, seus movimentos são robóticos e precisos, é justamente esta movimentação limitada, lenta e cibernética que vai demonstrando para o telespectador que o traje tecnológico é na verdade uma prisão para Murph.
Aliás, sobre esta movimentação única de Robocop, vale a pena trazer uma curiosidade de bastidor, devemos dar o devido crédito para Peter Weller que, em um trabalho primoroso de preparação para seu personagem, estudou vários meses com um mímico pesquisando formas para interpretar um ciborgue convincente.
Como resultado de todo este empenho o que tivemos foram efeitos visuais realizados com competência e que se aproveitaram da teatralidade oferecida por Weller, com ênfase nos movimentos.
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| Efeitos práticos bem executados, maquiagem primorosa, muita teatralidade nos movimentos além de uma história criativa com profundidade e crítica social temperados com sarcasmo e ironia resultaram em uma obra cinematográfica que atravessou as décadas e segue sendo lembrado até hoje. |
Nos dias atuais pode até parecer inverosímel que um robô lento e enrijecido seja, de fato, eficiente em combates urbanos, principalmente se considerarmos que de 1987 para cá o conceito de ciborgues, robôs, droids e homens em armaduras mudou radicalmente, hoje eles são extremamente ágeis, fazem qualquer tipo de movimentação e, praticamente, não têm limitações de movimento.
Este novo padrão está inclusive no reboot de Robocop, lançado em 2014, com a direção de José Padilha, onde vemos um Robocop cujo a movimentação mais se assemelha ao Homem de Ferro do que com o antigo Robocop.
Na minha humilde opinião, este reboot é uma coleção de escolhas erradas, vai desde a escolha pela armadura preta, ignorando a clássica e icônica armadura prateada, passando pela movimentação exageradamente ágil até chegar ao final com uma resolução de problema sem nenhuma solução criativa, sem emoção ou grande revelação.
Robocop de 2014 pode até encantar com seus efeitos visuais modernos, ele nos faz imaginar o que Paul Verhoeven teria feito se tivesse a sua disposição os efeitos atuais, mas este reboot não conseguiu captar a essência do original, é raso, sem nenhuma subtrama interessante e, apesar de ser um bom filme de ficção/ação, dificilmente será lembrado no futuro com o mesmo peso que o Robocop original, não há nada de "marcante" nesta nova versão.
Quem sabe, em um futuro próximo, teremos um reboot mais caprichado, a altura de Robocop... Eu pago um dólar por isso! E você?
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| Apesar do frisson que este filme causou na época de seu lançamento o resultado final não conseguiu chegar perto do impacto do filme original. No final, acabou sendo só mais um filme de ação datado com a pressa de nossa era, com efeitos de encher os olhos, mas uma história rasa, atuações frias e um final sem surpresas. Ainda não foi desta vez que vimos um reboot a altura do filme original, mas quem sabe um dia ... |
A teatralidade dos movimentos cadenciados do Robocop original é uma escolha acertada que visa transmitir ao telespectador a agonia de estar preso em um corpo robótico, além disso, está muito bem contextualizado ao roteiro e a mitologia da história;
Robocop é um "tanque de guerra humanoide" ele resiste a grande poder de fogo, tem uma mira infalível e é praticamente imparável, por isso ele não precisa ser ágil, sua eficiência não está em uma suposta agilidade para perseguir bandidos, mas sim em ser um máquina implacável que pode até chegar lentamente, mas que não para e não erra.
Uma cena que ilustra tanto a plasticidade dos movimentos teatrais de Weller, quanto o fato de que o Robocop não precisa ser ágil para ser eficiente é a cena do tiroteio na fábrica de cocaína, depois do aviso do Robocop e da recusa dos bandidos em cooperar o que vemos é uma verdadeira máquina de exterminar bandidos que não erra nem um tiro sequer, resiste a um intenso tiroteio e continua avançando.
As poses estilosas para atirar, a música tema de Basil Poledouris empolgando a ação vão construindo uma cena que evidencia um capricho em toda a produção, tanto na construção de personagem de Weller, que fez questão de apresentar um ciborgue convincente em seus movimentos, quanto na coerência com o roteiro que deixa muito claro que Robocop é um protótipo de policialRobô que não foi projetado para ser ágil, mas sim eficiente em matar.
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| Em uma cena de pouco mais de 4 minutos podemos ver toda a teatralidade dos movimentos de Peter Weller e a eficiência de Robocop que não está em uma suposta agilidade, mas sim na força bruta e na mira aguçada, uma das melhores cenas do filme e que deu muito trabalho para ser filmada, segundo Paul Verhoevem. |
Mesmo em sua prisão tecnológica Murph se recusa a ser mais um produto da OCP, em seu íntimo existe uma vontade latente em descobrir quem ele é, consciente e inconscientemente ele busca a sua verdadeira identidade, a humanidade de Murph resiste.
Seja por seus maneirismos, como rodar a arma antes de guardá-la, seja pela lembrança de sua mulher e filho ou mesmo pelos pesadelos que o atormentam, o que vemos é a humanidade de Murph escapar de sua prisão tecnológica.
Na luta interna que Murph trava dentro de sua prisão cibernética, Anne Lewis é uma importante aliada, foi por meio da humanidade latente de Murph, reconhecendo seu amigo pelos maneirismos que ele manteve apesar de tudo e seguindo seu instinto, que Lewis foi capaz de reconhecê-lo .
Mesmo por debaixo da armadura de titânio laminado e da atitude estoica, Lewis consegue "atravessar" Robocop e chegar a Murph, ela é a "boia de salvação" de Murph, aquele pontapé inicial que planta na consciência de Murph a dúvida sobre a sua própria condição.
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| Lewis foi uma amizade verdadeira que ajudou Murph em sua jornada na busca por sua humanidade perdida. |
AS VÁRIAS SUBTRAMAS
Enquanto Murph incia a sua jornada em busca da humanidade perdida, tentando descobrir quem ele realmente é e o que é ser um policial, outras camadas são trabalhadas na história, as várias críticas sociais vão surgindo na trama e nos atingindo como pequenas marolas, algumas críticas são evidentes outras demandam um olhar mais apurado, a ferramenta usada para trabalhar tantas críticas é o sarcasmo, o humor ácido e uma boa dose de metalinguagem.
A crítica à imprensa é uma dessas camadas trabalhadas nas subtramas.
A primeira cena do filme é um jornal que dá notícias sobre o mundo, que não está melhor do que Detroit, alternando para um rápido comercial que evidencia o consumismo e banalidade daquela sociedade e o retorno ao telejornal falando sobre a OCP e um atentado contra um policial.
Em pouco menos de 3 minutos, com uma metalinguagem afiada, o filme se inicia nos situando em um mundo distópico, dominado por mega corporações e consumismo indiferente.
Em Robocop podemos verificar desde a glorificação e a banalização da violência, com a brutalização das pessoas frente a episódios de violência extrema, que se utiliza com mestria da metalinguagem representado pelos comerciais e reportagens que salpicam no filme.
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| A imprensa em Robocop é tão corrompida quanto qualquer outro setor daquela sociedade, subverte seu papel primordial de informar e se converte em máquina de propaganda para a mega corporação OCP, além disso, ajuda na brutalização das pessoas frente a violência. |
Como tudo em Robocop, nada está colocado gratuitamente, assim sendo, tanto os comerciais, que entram muitas vezes de forma inesperada, quanto os boletins de notícias e, claro, não poderíamos deixar de citar, o programa de comédia que vários personagens assistem, com seu famoso bordão "Eu pago um dólar por isso!" nada é em vão ou gratuito.
Trata-se de uma inteligente estratégia do roteiro que tem a clara função de passar para o telespectador a futilidade daquela sociedade consumista e violenta, além do papel da imprensa que alimenta este estado de coisas e trabalha mais a favor das mega corporações do que para cumprir seu papel de informar.
Robocop é, portanto, uma contundente crítica à imprensa e ao consumismo vazio, sua crítica se evidencia tanto nos comerciais burlescos e absurdos que surpreendem o telespectador, quanto na parcialidade da imprensa, sempre a favor das mega corporações.
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"Eu pago um dólar por isso" No bordão simples e sem mostrar muito percebemos que a sociedade em Robocop é completamente alienada, mergulhada em entretenimento raso, consumista e indiferente à violência que a cerca. Um verdadeiro show de metalinguagem e ironia que raramente vemos no cinema.
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A gentrificação é mais um tema trabalhado nas subtramas do filme, isso se dá nos planos da OCP que visa construir uma metrópole chamada de Delta City que vai ser construída sobre as ruínas da Velha Detroit.
A gentrificação trata do impacto que certas comunidades sofrem quando grandes empreendimentos se instalam em determinadas comunidades e mudam radicalmente não só a estrutura física do lugar, mas também o modo de vida de determinada comunidade, alterando toda a dinâmica do lugar, prejudicando pequenos comerciantes, gerando diversos tipos de impactos.
Em Robocop a OCP quer fazer uma verdadeira "limpeza" nas ruas da Velha Detroit, tomada pelo crime e pela degradação e, construir sobre as ruínas da velha cidade um empreendimento de alto nível, voltado para milionários, chamado Delta City, a prefeitura de Detroit se vê emparedada pela OCP e tem que aceitar a construção do mega empreendimento em nome dos supostos empregos que a obra vai gerar.
Por se tratar de uma obra de ficção, que trata de um futuro distópico, tudo Robocop está colocado em uma certa "lupa de aumento" que amplia e distorce a realidade, ou seja, no filme os acionistas estimulam a criminalidade para que os pobres, bandidos e até mesmo os policiais da Velha Detroit se matem, dando espaço para que o novo empreendimento surja.
Ninguém poderia supor que aqui, em nosso mundo real, acionistas de mega corporações e empresários agissem dessa forma, ajudando a bandidagem em nome de seus empreendimentos e lucros (?), certo?
Mesmo assim, estamos cansados de verificar aqui, em nosso mundo real, mega corporações e seus empreendimentos que mudam radicalmente comunidades inteiras, em nosso artigo SHOPPINGS CENTERS - ESTRUTURAS SEGREGACIONISTAS DE NOSSAS SOCIEDADES, publicado em 25/5/2022, falamos sobre estes empreendimentos que mudam radicalmente o modo de vida de toda uma comunidade e que nem sempre são devidamente discutidos com a comunidade que sofrerá o impacto das mudanças.
Pode até ser que aqui, em nosso mundo real, não exista uma OCP com seus acionistas inescrupulosos que ajudam a bandidagem a"limpar"as ruas (?)
Mas, certamente, há megacorporações, empresários sem nenhuma consideração social e a busca por dinheiro sem limites, além claro, da total subserviência do Estado frente a estas megacorporações.
Em meio aos droids e ciborgues, dos tiroteios e da violência gráfica de Robocop somos convidados a refletir sobre o impacto de megacorporações no modo de vida de comunidades pobres, assim como somos igualmente convidados a refletir sobre as consequências de entregar tudo nas mãos da iniciativa privada.
Não custa lembar que em Robocop a OCP controla praticamente tudo, inclusive a polícia que é mais um de seus produtos, muito da decadência do mundo distópico de Robocop é resultado direto da gestão da OCP que põe o lucro acima de tudo, mesmo que em seus comerciais e na imprensa ela venda a imagem de pura eficiência.
Assim, podemos identificar mais uma crítica social posta em Robocop, desta vez sobre a iniciativa privada e sua suposta "eficiência em estado puro", a crítica feita sobre a iniciativa privada permeia toda esta obra como mais uma de suas subtramas, afinal, a iniciativa privada é aqui representada pela OCP e a OCP é praticamente onipresente em Detroit e completamente indiferente aos seus cidadãos.
A OCP é extremamente ineficiente e burocrática, responsável direta pela decadência daquela cidade e voltada exclusivamente para o lucro de seus acionistas, estende seus tentáculos corporativistas para todos os setores da cidade; prefeitura, polícia, imprensa, dominando tudo e passando uma imagem de "eficiência", justamente o oposto do que ela é na verdade.
Estado refém de mega corporações e a ilusão do senso comum de que a iniciativa privada é a solução para problemas complexos é mais um dos paralelos que esta obra faz com nossa realidade e que, desde 1987 até os dias atuais, praticamente não mudou nada;
Até hoje, existe no senso comum a crença de que a iniciativa privada é a solução para problemas sociais complexos como a violência urbana, por exemplo, periodicamente, vemos gente propondo que se entregue até mesmo a gestão dos presídios para a iniciativa privada por, supostamente, gerir com uma eficiência infalível qualquer tipo de empresa.
Para muita gente não seria assim tão incomum que se privatizasse, inclusive, as forças policiais, como no mundo distópico de Robocop.
Esta fé cega na iniciativa privada, tão bem trabalhada em Robocop, é uma ilusão muito bem enraizada em nossas sociedades, falamos sobre este tema no artigo O MITO DA EFICIÊNCIA DA INICIATIVA PRIVADA, publicado em 18/9/2021.
Em linhas gerais, o transhumanismo trata de uma corrente filosófico intelectual que visa um aperfeiçoamento da humanidade por meio da tecnologia em todas as instâncias da vida humana, pretende assim um melhoramento da raça humana por meio da tecnologia através do uso responsável e racional que visa, em última análise, deixar para trás a evolução biológica.
O transhumanismo é uma subtrama de muito destaque em Robocop, afinal, estamos falando de um homem que foi trazido dos mortos pela tecnologia, mas, como estamos verificando desde o início de nossa reflexão sobre esta obra, o suposto "benefício" ofertado a Murph está repleto de dilemas éticos/morais;
Murph voltou dos mortos com um corpo cibernético praticamente indestrutível e tecnológico, em contrapartida, suas vontades, seu arbítrio e até mesmo a sua humanidade se perdeu no processo, será que se Murph soubesse das condições para ser ressuscitado ele aceitaria retornar dos mortos?
Afinal, o corpo tecnológico de Murph é na verdade uma prisão onde ele não é o dono de suas vontades.
Você aceitaria ter uma vida imortal, por meio de um corpo cibernético, mesmo que esta imortalidade custasse a sua humanidade e seu arbítrio fosse controlado por outros?
Este foi o questionamento que Alex Murph não teve a chance de refletir sobre.
Certamente, a ideia de viver eternamente em um corpo tecnológico indestrutível é uma ideia que seduz muita gente, afinal, somos uma sociedade regida por tecnologia e caminhamos cada vez mais para o uso imersivo em aparatos tecnológicos, isso sem falar na utopia moderna que enxerga na tecnologia a resposta para todos os dilemas humanos.
No entanto, devemos também considerar que todo avanço tecnológico traz a reboque questões éticas/morais, Robocop é um excelente exercício imaginativo para considerarmos as implicações éticas no uso indiscriminado da tecnologia.
Afinal, o mundo de Robocop é extremamente tecnológico e, mesmo sendo uma sociedade capaz de ressuscitar os mortos por meio da tecnologia, é uma sociedade completamente degradada e corrompida, então perguntamos; de que adianta tanta tecnologia em uma sociedade assim tão desumanizada?
Em nossas sociedades modernas somos facilmente convencidos de que a tecnologia é a solução para tudo, inclusive para dilemas éticos e morais, Robocop e suas reflexões sobre o transhumanismo nos convida a refletir melhor sobre o uso indiscriminado da tecnologia, afinal, toda a ação humana é uma ação ética, em Robocop percebemos isso claramente.
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| Apesar da virtual imortalidade e do corpo indestrutível Murph não é dono de si e não tem arbítrio, a OCP pagou milhões para que Murph voltasse dos mortos e cobrou a fatura. Em um mundo onde a tecnologia pode até mesmo trazer pessoas da morte, quem teria direito ao acesso a esta tecnologia? Certamente, não os moradores da Velha Detroit, mas sim os moradores de Delta City. Este é apenas um, dos muitos questionamentos que esta obra nos traz sobre o transhumanismo. |
ROBOCOP, UMA OBRA ATEMPORAL
Robocop foi criado para ser uma obra prima do gênero Sci-fi e para este fim cumpriu seu papel com maestria, teve um orçamento de 13 milhões e rendeu um pouco mais de 53 milhões, foi um sucesso de público, crítica e bilheteria, foi considerado melhor filme de 1987, ganhou o Oscar na categoria "efeitos sonoros" e vários outros prêmios em disputas pelo mundo.
Depois do filme lançado em 1987, tivemos mais duas continuações; em 1990 foi lançado Robocop 2 e em 1993 Robocop 3, fechando uma trilogia;
No ano de 1988 foi lançado um desenho, Chamado Robocop e em 1988/89 outra série animada chamada Robocop, Alpha Commando;
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| Robocop seguiu vivo na cultura pop no decorrer dos anos, aqui vemos a animação feita em 1988, chamada Robocop. |
Em 1994 foi lançada uma série para a televisão chamada Robocop, em 2001 foi lançada uma mini série para a televisão com 4 capítulos de 1 hora e 20 cada um, chamada; Robocop: Prime Directives;
em 2014 Robocop voltou aos holofotes com Robocop(2014) a adaptação de Padilha, revitalizando a franquia com um reboot, além dos filmes, séries e desenhos, Robocop também apareceu em adaptações para revistas em quadrinhos, videogames, brinquedos entre outras mídias.
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| Robocop penetrou em diferente culturas mundo afora, foi adaptado para várias mídias diferentes alcançando diversos públicos distintos, foi um sucesso mundial!. |
Ninguém vai poder negar que Robocop foi um sucesso na história do cinema, mas, apesar de ser uma franquia longeva e popular, nenhum outro filme, série, desenho ou qualquer outra adaptação conseguiu a densidade do Robocop original de 1987, Robocop 2 de 1990 foi o que chegou mais perto, mas muito se perdeu entre um filme e outro.
Robocop 2 sofreu muito desde a pré produção, com pressão dos acionistas da Orion para fazer um filme que fosse mais acelerado do que o primeiro, a equipe do primeiro filme foi toda trocada e mesmo com a direção do competente Irwin Kershner, que dirigiu Guerra nas Estrelas: Episódio V - O Império Contra-Ataca(1980) e o roteiro de Frank Miller, que dispensa apresentações, a história patinou bastante e perdeu muito da veia satírica de Paul Verhoeven.
Há uma notável evolução dos efeitos especiais de um filme para o outro e o roteiro centraliza mais em justificar as cenas de ação do que em se aprofundar nos conflitos.
O primeiro filme termina com Murph tendo que lidar com sua recém descoberta da humanidade e a continuação não consegue dar profundidade para este conflito.
No fim, Robocop 2 é um filme divertido para ver, mas longe, muito longe da densidade do primeiro que será sempre lembrado por ser uma história completa, com humor ácido, boas cenas de ação e complexas subtramas enredadas em um roteiro criativo e inteligente.
De qualquer forma, Robocop 2 de 1990 foi o que chegou mais perto da grandiosidade do original, com Peter Weller e Nancy Allen dando o seu melhor em meio as circunstâncias dadas, não deixa de ser um filme divertido que merece ser revisitado.
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Robocop foi de fato um grande vencedor sobrevivendo no imaginário popular, mas o seu maior feito foi construir um filme inesquecível, produzido com muito capricho nos detalhes e soluções criativas para os problemas que naturalmente surgem quando se quer contar uma história à frente do seu tempo, Robocop encanta porque, apesar de parecer um filme bobo em sua superfície, vai trazendo aos poucos para seu telespectador questões profundas, tanto em sua trama central, quanto nas diversas subtramas que se entrelaçam no roteiro.
Além disso, conseguiu cravar na cultura pop personagens memoráveis que vão atravessando as décadas, Robocop e ED-209 seguem firmes no imaginário popular como figuras icônicas volta e meia referenciados, não só na cultura nerd/geek como também na cultura pop em geral; do Globocop ao RobocopGay, Robocop está sempre a rondar o nosso imaginário popular, vivo na cultura como um ícone.
Legou para o mundo um verdadeiro marco na história da ficção científica que é lembrado com carinho até os dias de hoje, é uma obra atemporal muito à frente do seu tempo que, como vimos, tangencia temas complexos de nossa sociedade, mesmo que a primeira vista pareça só mais uma aventura futurística sem importância, faz críticas aprofundadas sobre nossas sociedades tecnológicas, consumistas, violentas e indiferentes a tudo.
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| Lançado na complexa década de 1980, o filme deve o seu sucesso ao roteiro inteligente e criativo, aos efeitos especiais esforçados e, principalmente, a direção de Paul Verhoeven, uma direção descrita por seus colegas como "visceral" que conseguiu tirar o melhor do elenco. |
Robocop é uma obra incisiva sobre a condição humana, os efeitos especiais podem até não ter envelhecido muito bem, principalmente para as novas gerações acostumadas com histórias de encher os olhos, repletas de efeitos visuais e, muitas vezes, vazias de conteúdo, mas a sua história é tão memorável que podemos assistir está obra sem nenhum tipo de preconceito.
Logo nas primeiras aparições de Robocop em tela notamos que Murph não pertence a si mesmo e percebemos isso não por efeitos visuais mirabolantes, mas sim pelo capricho do design dos personagens, que mostra sem falar.
Robocop é incrível porque desde a década de 1980 vem levantando a problemática da busca pela identidade humana e pessoal em um mundo tecnológico onde é fácil se perder em várias prisões tecnológicas.
Podemos até não estar presos em um corpo cibernético, mas somos prisioneiro das tecnologias de nosso tempo.
Robocop acerta em praticamente tudo, mas, principalmente, em sua trama central, afinal, se é possível falar em uma "essência humana", algo que nos defina como seres humanos que somos, a busca pela identidade é, sem dúvidas, uma essência humana primordial, todos nós queremos saber quem somos de verdade, mesmo que esta busca seja uma caminho tortuoso e doloroso.
A última cena de Robocop é o final da Jornada de Murph ( da nossa também), somente quando cai a última diretriz a humanidade de Murphy enfim resplandece, agora humano, Murph consegue enfim resolver um dos principais dilemas da história, posto na trama desde o início do filme, afinal, o que é ser um bom policial em uma sociedade completamente desumanizada como a Velha Detroit?
A resposta esteve bem embaixo do nariz de todos nós com aquela obviedade irritante que toda resposta de enigma tem, depois que se descobre a resposta, mas é preciso passar por toda esta tortuosa jornada juntamente com Murph para enfim descobrir que ser um bom policial é se manter humano, mesmo em uma sociedade completamente desumanizada.
Robocop é uma obra prima que tem muito a nos dizer até os das de hoje.
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| O que é ser um bom policial? O que nos define como humanos? Somente ao final desta tortuosa jornada temos as respostas para estes questionamentos. Do começo ao fim, Robocop é uma história sobre a identidade humana, a história de um homem que quer deixar de ser Robocop para se tornar Alex Murph, um policial dedicado, criativo e corajoso que, redescobrindo sua humanidade perdida descobre também como ser o melhor policial possível; não um PolicalRobô, um Robocop, mas sim um policial humano, Alex Murph. |
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E aí gostaram do artigo desta semana??
Robocop é uma obra com mais camadas do que poderíamos supor, não é mesmo?
Apesar de termos falado bastante sobre esta obra muita coisa ficou de fora; eu queria falar mais detalhadamente sobre as curiosidades de bastidores que descobri fazendo as pesquisas necessárias para escrever este artigo, queria falar da trilha sonora de Basil Poledouris, que, para quem não sabe, foi responsável pela trilha de Conan, o Bárbaro(1982).
Infelizmente, muita coisa ficou de fora, mas acredito que conseguimos esmiuçar bastante esta obra, refletindo sobre as várias críticas sociais que esta obra nos traz e que, muitas vezes, não percebemos.
Pessoalmente, este foi um filme que marcou bastante; na época de seu lançamento eu tinha 11 anos e me lembro que havia uma grande preocupação dos pais porque o filme estava sendo muito comentado, gerando uma curiosidade enorme, considerado muito violento.
Eu só fui assistir alguns anos depois de seu lançamento, em videocassete (alguém sabe o que é um videocassete?) e fiquei impressionado com o que vi.
Foi o filme mais "futurístico" que já tinha visto até então, o futuro projetado em Robocop era desolador; violento e fútil, mas havia algo de encantador no meio de toda aquele caos, talvez o esplendor tecnológico que sempre nos encanta ou o sonho enganador que querer ser aquele ciborgue indestrutível...
Obviamente, naquela época eu não era capaz de perceber as várias camadas e críticas sociais que o filme propunha, eu fui pego pelo que o filme nos mostra em sua superfície, mas Robocop é um filme tão memorável que, desde a primeira vez que o vi, eu sempre o revisitei periodicamente e, com o passar dos anos, fui percebendo sua várias subtramas e notei que havia muito mais do que somente uma história Sci-Fi.
Em 2014 fiquei super empolgado com o rebbot, mas logo depois veio a decepção quando percebi que o filme de Padilha é só mais um filme de ação com todos os clichês da nossa era.
Alias Robocop sofre esta "maldição" pois, apesar de ser um franquia que sobrevive até hoje, nenhum outro filme conseguiu a profundidade do primeiro, estamos ainda no aguardo de um filme a altura do original.
Enfim, Robocop é um filme marcante e inteligente, um filme como poucos que encanta a primeira vista e nos faz pensar quando o revisitamos.
Foi um verdadeiro prazer para mim falar de um filme que me marcou com tanta força, nos dias atuais este tipo de experiência marcante está ficando cada vez mais rara, certamente, eu trocaria efeitos especiais perfeitos por uma história inteligente e soluções criativas, e você?
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Foi um prazer reencontrar vocês aqui neste ano que se inicia revivendo o passado com uma obra como esta.
Esperamos que vocês tenham gostado e, em breve, nos reencontramos aqui novamente;
Até lá e cuidem-se!!
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