ÉTICA JORNALÍSTICA NOS DIAS ATUAIS

 Olá Escritores !!


Preparados para o artigo desta semana ??


Em nosso último artigo falamos um pouco sobre a crise na Imprensa que se destacou na cobertura da guerra Rússia/Ucrânia; 


neste conflito, a Imprensa está unicamente servindo para alimentar um ambiente anti Rússia irracional sem nenhum aprofundamento nas questões que permeiam este conflito, sem nenhuma discussão séria e sem nenhuma análise isenta, muito pelo contrário, as análises são rasas e cheias de paixões, além de serem profundamente tendenciosas, resultado das opiniões disfarçadas de notícias que falamos semana passada;


aliás, como um dos principais motivos desta crise na Imprensa podemos citar este "jornalismo de opinião" que se instaurou na Imprensa e se fixou de tal forma no modelo dos jornais que fica praticamente impossível para um cidadão comum distinguir o que é fato do que é a interpretação de um fato. 


Dado esta situação, de crise na Imprensa, um órgão importantíssimo para qualquer regime democrático, sentimos que devemos nos aprofundar um pouco mais neste assunto e esmiuçar esta crise generalizada na Imprensa;


por isso, no artigo de hoje vamos continuar falando dos problemas da Imprensa moderna, devemos reforçar que a Imprensa é uma força democrática poderosa e importante, verificar que as suas estruturas mais elementares se encontram fragmentadas não é uma constatação agradável de ser feita, mas extremamente necessária.


Portanto, no artigo de hoje vamos debater os motivos mais salientes da descredibilidade que vem sofrendo a Imprensa tradicional nos dias atuais, começando por falar sobre a suposta "imparcialidade" agregado à Imprensa, na maioria das vezes por ela mesma;


Será que Imprensa é imparcial em suas análises?


Na sequência vamos nos aprofundar um pouco mais no jornalismo de opinião que falamos semana passada;  


Será que somos capazes de distinguir uma opinião de uma notícia? 


Nos aprofundando nestas questões pretendemos abordar este delicado tema para trazer para a discussão mais uma crise que vivemos em nossas sociedades; a crise da Imprensa tradicional.


esperamos que a sua leitura seja esclarecedora e esperamos também o seu feedback e, claro, desejamos à você uma; 


Boa Leitura !!











Já faz algum tempo que estamos observando que a sociedade em geral não está mais dando credibilidade para os meios de comunicação tradicionais, são inúmeros os sinais deste descontentamento que podemos verificar, seja pela proliferação de sites de informação alternativos, seja pela força das fake news, por mais absurdas que elas sejam, ou seja pelas vozes nas redes sociais que externam este descontentamento, entre outras demonstrações o que observamos é que a reputação dos meios de comunicação, nos dias de hoje, passa por uma séria crítica;


por isso não é nada incomum observarmos em reportagens ao vivo algum tipo de manifestação contra a Imprensa, muitas vezes, em protestos nas ruas os meios de comunicação tradicionais são expulsos com palavras de ordem, equipamentos são destruídos e, em casos mais extremos, os repórteres são agredidos fisicamente. 


Mesmo sendo um pilar importantíssimo da democracia, com um papel fundamental em qualquer sociedade minimamente democrática, não podemos ignorar que a Imprensa tradicional está em crise e a sua reputação, nos dias atuais, se equipara a reputação do meio político, ou seja, de total descrédito.


A ética jornalistica está profundamente abalada e precisamos falar sobre isso por 2 motivos principais; primeiramente, porque a Imprensa, por si só, tende a não fazer nenhum tipo de autocrítica e, em segundo lugar, porque a crise na Imprensa abre caminho para a proliferação das notícias falsas já que com a credibilidade arranhada as pessoas tendem a buscar formas alternativas de informação que não possuem nenhum critério e nem sempre são confiáveis. 


portanto, o que devemos fazer é por sobre a mesa o incômodo fato de que estamos, há algumas décadas, com um problema sério na Imprensa tradicional, em outros termos, a confiança na ética jornalística está tão ruim quanto a reputação dos políticos e dos partidos políticos, mesmo que ambos, políticos e jornalistas, sejam fundamentais para a nossa vida em sociedade.


A SUPOSTA IMPARCIALIDADE DA IMPRENSA  


Toda vez que um meio de comunicação qualquer falar de si mesmo vai reforçar que faz um "jornalismo imparcial", que apenas verifica os fatos e os reporta sem nenhum tipo de influência o que é uma inverdade, em fato, a suposta imparcialidade da Imprensa constitui, ao meu ver, o pontapé inicial dos motivos da crise nos meios de comunicação que estamos levantando.


Quando falamos de Imprensa tradicional falamos de enormes conglomerados de empresários aliados à poderes de Estado que recebem do governo o direito para o uso de uma concessão pública que, em teoria, teria um papel bem definido de fomentar a cultura local, fortalecer os laços nacionalistas de linguagem, arte e cultura local.


No entanto, por se tratar de conglomerados empresariais o que realmente interessa para estes grupos é o que interessa a qualquer tipo de conglomerado empresarial; lucro absoluto.   


Em seu agir teórico a Imprensa pressupõe a possibilidade de seus funcionários, os jornalistas, fazerem o seu trabalho sem nenhum tipo de coerção em nome de um jornalismo imparcial e verdadeiro, mas, na prática, o que observamos é que a suposta liberdade jornalística não existe, afinal, qual é a probabilidade de que, em um grupo enorme de profissionais, todas as opiniões convirjam sempre para o mesmo lado?


Coincidentemente, o lado que vai beneficiar os interesses da empresa.


Seja por motivos econômicos ou por motivos políticos a suposta "isenção" da Imprensa simplesmente não existe, o jornalista, mesmo imbuído de uma forte vontade de fazer seu trabalho como deveria ser, com isenção e responsabilidade, não será capaz de seguir neste propósito, os macro interesses sempre vão prevalecer e os grandes conglomerados têm as ferramentas para adequar os comportamentos de seus funcionários, seja por meio de uma forte coerção (assédio moral, mesmo que velado) ou por meio de uma máquina de destruição de reputações que arrasaria a carreira de qualquer um que ousasse ir de encontro à interesses dos conglomerados, os  jornalistas recém formados são os mais impotentes frente a esta realidade.    


...



Se voltarmos um pouco no tempo, ao ano de 1964 precisamente, e observarmos o comportamento da Imprensa neste período vamos perceber algumas diferenças em relação aos dias atuais, nesta época, a própria Imprensa sofria uma coerção externa vinda do Estado; 


outra característica da Imprensa da época da ditadura, além da coerção estatal, era a descentralização da Imprensa, com a circulação de vários folhetins alternativos que dividiam a atenção do público e serviam como alternativas de informação, para pôr sob julgo o stato quo  vigente naqueles tempos sombrios; 


nesta época a Imprensa não estava centralizada em grandes conglomerados jornalísticos como ocorre nos dias atuais, o que só foi acontecer com o fim da ditadura, com a informação pulverizada em vários meios de comunicação diferentes a liberdade jornalística estava melhor assegurada apesar da repressão estatal contra a Imprensa.


Com o fim da ditadura e a instauração dos grandes conglomerados jornalísticos a informação ficou centralizada nas mãos de grandes corporações,coincidência ou não,o fim dos vários meios de comunicação alternativos e a centralização da informação nos grande conglomerados ajudou empresas como o Grupo Marinho, este aliás, para demonstrar total apoio à ditadura publicou um editorial em apoio à ditadura militar e só se retratou em 2013 motivado pela forte pressão popular das manifestações ocorridas naquele ano.  


Com fim da ditadura acabou a coerção estatal, a partir de então a Imprensa ganhou certa liberdade de ação, a  liberdade da Imprensa se deu em códigos de ética e em manuais de liberdade pública garantidos, inclusive, por meio da constituição, mas toda esta liberdade não impediu que coerções internas, próprias da dinâmica de um universo social específico e relativamente autônomo como é a Imprensa, se fizessem presente nesta reformulação; 


depois das liberdades angariadas pela Imprensa com o fim da ditadura o que observamos é um imperativo ético limitante desta suposta Liberdade deliberativa dada ao jornalista.


Em fato, o que ocorreu na prática é que os grandes meios de comunicação garantiram a sua liberdade de expressão, mas, ao mesmo tempo, passaram a ser eles os limitadores da liberdade de expressão dos indivíduos/jornalistas que se viram coagidos a moldar as suas opiniões pessoais ao formato dos grupos empresariais, detentores de poderes exclusivos depois das reformulações ocorridas com a redemocratização do país. 


Com o fim da ditadura e o novo status da imprensa passamos para um "jornalismo de interesses" que, em nome de metas pré determinadas e interesses próprios, não encontra obstáculos éticos que os impeçam de manipular a realidade dos fatos ao bel prazer de interesses.


Desde essa reforma ocorrida no pós ditadura, a Imprensa trabalha por meio de recursos metafóricos que indicam uma certa correspondência com a realidade dos fatos, como um espelho que reflete a realidade, mas não exatamente como ela é, mas sim envolta em interesses que correspondem aos interesses dos grandes conglomerados.


Cultura do simulacro, técnicas de construção do verossímil e efeitos do real, assim trabalha o jornalismo nos dias atuais.


Obviamente que a verdade aparece, mas ela pode ser deliberadamente manipulada, seja pelo tempo dedicado a determinados assuntos, seja pela seleção do que será dito para a audiência (fragmentos da verdade) ou seja ainda pela forma como será apresentada determinado fato; com mais ou menos ênfase, o que manipula a emoção das pessoas;


em outros termos, a verdade aparecerá somente quando não se chocar com os interesses dos conglomerados.


O leitor certamente fará um excelente paralelo desta manipulação da Imprensa se recordar o papel preponderante da Imprensa na opinião pública nas eleições de 1989, com a eleição de Collor e, mais recentemente, em toda a situação da condenação do ex presidente Lula, o Golpe brando contra Dilma Rousseuff, o apoio incondicional com vasto tempo de cobertura da Operação Lava Jato entre outras situações onde a Imprensa não cumpriu seu papel de cobrir os fatos com imparcialidade, operando de tal forma a moldar a opinião pública em direção a interesses que lhe convinham.


O jornalismo moderno trabalha por meio da seleção de material, ao que interessa aos meios de comunicação ganha-se destaque na programação jornalística, já o que não interessa aos conglomerados vira nota de rodapé ou são deliberadamente negligenciados, destaca-se assim o papel seletivo das corporações.


Além de tudo isso que levantamos até agora não podemos deixar de citar outro problema de nossa Imprensa moderna; o "jornalismo de opinião" sobre isso falamos em nosso último artigo JOGOS DE GUERRA E A CRISE NA IMPRENSA, mas que gostaríamos de nos aprofundar um pouco mais em nosso artigo desta semana. 


O JORNALISMO DE OPINIÃO


Como dissemos semana passada, a Imprensa brasileira vem sendo fortemente influenciada pela propaganda americanizada em seus canais de notícia, existem alguns fatores que alimentam essas mudanças como a popularização dos canais fechados, o que aumentou a audiência dos canais exclusivos de notícia; 


dada esta popularização houve uma reformulação generalizada dos meios de comunicação para que a linguagem dos canais fosse acessível à todos os públicos;


o caminho escolhido para este acesso foi "americanizar" os canais de notícia, adotou-se a estética americana em praticamente todos os canais, desde o nome "news" em todos eles, passando pela tarja com um título de notícia e um newsletter em todos os canais.


Mas a estética americanizada dos canais de notícia não foi a única coisa importada dos canais americanos também se optou por adotar um estilo de jornalismo opinativo que foi pouco a pouco se imiscuindo em toda a grade jornalística. 


No jornalismo atual é difícil distinguir o que é jornalismo de fato (reportagem dos fatos) do que é a opinião de um jornalista/funcionário dos grandes conglomerados.


é necessário deixar muito às claras o fato de que o jornalismo de opinião em si não é um problema, na verdade, ele ajuda na formação da opinião pública sobre um determinado assunto, o problema é quando não se consegue mais distinguir a opinião de determinados jornalistas dos fatos;


o problema que estamos apontando, portanto, não é a mera opinião vinculada neste ou naquele programa jornalístico, mas sim a opinião disfarçada de notícia que é uma tendência que estamos observando em praticamente todos os programas jornalísticos.


Uma opinião disfarçada de notícia tem, ao meu ver, uma força tão devastadora quanto uma fake news, pois, ela engana as pessoas e moldam a opinião pública rumo a interesses que só dizem respeito aos conglomerados;


trata-se de um ardil sujo que tem em sua essência a mesma força devastadora de tudo que estamos enfrentando nos dias atuais.           


As categorias jornalísticas que imperam na imprensa atual são opinativa, informativa, interpretativa e seletiva


Sendo que na categoria opinativa está toda a atribuição de valor da Imprensa moderna, nas outras categorias estão apenas o que a Imprensa usa para dar ao seus veículos uma certa capa de credibilidade e imparcialidade, onde o mundo parece, ou deveria parecer, tal como é.


Muito se fala no combate as fake news e seu poder devastador, mas poucos param para pensar que o avanço das fake news em nossas sociedades se dão na mesma proporção da descrença das pessoas nos meios de comunicação tradicionais, em outros termos, foi por uma crise generalizada instaurada nos meios de comunicação tradicionais que as fake news avançaram e se tornara a praga que estamos vivenciando nos dias atuais.


Por fim, julgando que fizemos as críticas pertinentes à Imprensa moderna e nos encaminhando para o final de nosso artigo de hoje vamos fazer alguns breves apontamentos; 


primeiramente, vamos destacar o papel importantíssimo que tem uma Imprensa livre e atuante em uma democracia, aliás, nosso intento com o nosso artigo de hoje é justamente fortalecer este importante ator da democracia, democracia esta que todos nós prezamos tanto.


na sequência, vamos reforçar com o nosso leitor a importância de implementar a nossa cultura jornalística indo muito além dos jornais unicamente, falo isso porque em meu meio pessoal conheço muita gente que forma a sua opinião unicamente por meio da mídia o que atrapalha o fomento de uma personalidade crítica, capaz de por si só chegar à conclusões sobre determinados assuntos sem ser influenciado por esta ou aquela opinião unicamente;


como vimos, as opiniões travestidas de reportagens parece ser o novo padrão do jornalismo moderno e até que se consiga reverter este quadro maléfico torna-se cada vez mais pungente a necessidade de uma formação crítica dos membros de nossas sociedades e esta formação crítica só se dará por meio do próprio indivíduo que deve formar a sua opinião baseado numa visão histórica e crítica dos fatos.


e por fim, gostaria de registrar a importância do uso adequado da internet e suas ferramentas na busca por uma informação com qualidade e verdade, afinal, não é só de fake news que vive a internet.


A possibilidade oferecida pela internet do advento dos sites independentes que fazem jornalismo sério não poderia ficar de fora no assunto que estamos abordando esta semana vale a pena citar o papel que teve as denúncias do Intercept Brasil no desenrolar do caso Lula, no chamado "Vaza Jato" quando a imprensa tradicional seguia justamente no caminho oposto; 


mas, nunca é demais lembrar que, para um melhor aproveitamento destes sites independentes é necessário uma visão crítica da realidade, pois, há muita enganação na net também.  


nestes termos, o combate às fakes news passa, necessariamente, pela crítica à Imprensa moderna, fingir que está tudo bem com a mídia tradicional é uma atitude de avestruz que só vai fortalecer a mentira; 


tudo que não queremos. 






Tudo que não queremos é uma Imprensa parcial e interesseira; 
para termos a Imprensa que almejamos; livre, diversa e atuante, precisamos passar antes pelo crivo da crítica, primeiro passo; reconhecer o estado das coisas, sem recorrer à artifícios para, somente então, alcançar nosso objetivo.
 




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E aí gostaram do artigo desta semana ? 


Falar sobre a imprensa é fundamental, pois como estamos reforçando sem uma Imprensa livre e atuante não existe democracia;


em uma democracia saudável é papel da Imprensa, não somente informar como também cobrar do poder público que ele cumpra com as suas responsabilidades; 


no entanto, o que estamos observando é que a Imprensa, assim como nossas sociedades de forma geral, estão doentes e não cumprem seu papel como deveriam, por isso, estamos há duas semanas trazendo para vocês nossos apontamentos no que tange a Imprensa e sua função mais primordial. 


a cobertura da guerra Rússia/Ucrânia está escancarando, para quem quiser ver, que a Imprensa do ocidente não é nada imparcial e, dado que dificilmente haverá de sua parte uma autocritica cabe à nós, cidadãos comuns, gritar até que nos ouçam e dizer que do jeito que está não podemos ficar; 


precisamos por sob julgo a Imprensa e sua forma de atuação, queremos uma Imprensa livre, atuante e, na medida do possível, o mais isenta possível; 


uma Imprensa que possamos confiar e que nos represente, defendendo o que é de interesse de todos e não somente de grupos mercadológicos cuja a única meta é o lucro absoluto. 


o Estado, mesmo fragmentado como está, tem que ter as condições para cobrar uma Imprensa com estas características e isso só se dará com um envolvimento de todos nós; 


cada um ajuda da forma que pode, só não vale ficar parado reclamando, reclamando, sem fazer nada. 


... 


esperamos que você tenha gostado de nosso artigo de hoje e esperamos encontrar vocês aqui semana que vem;


até lá e cuidem-se !! 











  

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