JOGOS DE GUERRA E A CRISE NA IMPRENSA
Olá Escritores !!
Preparados para o artigo desta semana ??
Semana passada foi o carnaval, nossa manifestação cultural mais popular, mas este não foi um carnaval como outro qualquer, o carnaval do ano de 2022 vai ficar marcado tanto pela pandemia do novo coronavírus, que ainda está entre nós com uma média móvel de 753 óbitos em 24h, quanto por uma guerra de proporções gigantescas envolvendo países com arsenal nuclear.
Este conflito tomou o noticiário no mundo todo e a internet e seus milhões de comentadores internacionais estão em polvorosa, mas neste turbilhão de comentários e análises temos visto muita coisa sem sentido sendo aventada, inclusive pela imprensa convencional.
A nossa primeira impressão é de que o espírito de nossa era reflete nas análises, ou seja, há uma tendência à uma polarização intensa, colocando os atores do conflito em lados diametralmente opostos; um é do bem o outro é do mal, em um maniqueísmo perigoso.
Existem inúmeras variantes que precisamos considerar para entendermos minimamente o que está em curso no Leste Europeu, há muito mais do que simplesmente uma luta do bem contra o mal.
No artigo de hoje vamos questionar alguns fatos que são ignorados pelas análises que estamos vendo na mídia e no debate geral.
Antes de começarmos vamos esclarecer alguns pontos;
De fato, vivemos em uma época singular onde acreditamos ser necessário fazer um pontuamento prévio logo aqui na abertura, afinal, em nossa realidade atual, onde, cada um de nós, empoderados pelas tecnologias e pelas bolhas que elas nos proporcionam, somos cooptados à dar uma opinião sobre tudo, muitas vezes, sem qualquer embasamento e, quando encontramos eco para as nossas convicções, geralmente, ficamos presos à elas.
Por isso vamos deixar às claras que o artigo que você está prestes a ler não foi escrito por nenhum especialistas em política internacional, é justamente o contrário disso, trata-se de nada mais do que uma pessoa comum como você que pode sim se distanciar das opiniões descoladas da realidade que estamos presenciando por aí e fazer um esforço sincero para enxergar a realidade dos fatos.
Estamos unicamente expressando a nossa opinião e passando longe das análises da mídia convencional que refletem o espírito de nossa era e aderem à uma polarização radical que se nega a ver o quadro todo e pré julga sem considerações mais aprofundadas.
Há também de se reforçar mais uma obviedade -característica de nossa era; explicitar o óbvio - Consideramos Putin um autocrata, que beira o ditador e condenamos veementemente sua atitude de invadir um país soberano, repetindo, NÃO APROVAMOS OS ATOS DE GUERRA DE PUTIN E O CONSIDERAMOS UM AUTOCRATA, APEGADO AO PODER E QUE, POR CONTA DISSO, TOMOU INÚMERAS ATITUDES, NO MÍNIMO, DUVIDOSAS.
Tente se lembrar deste posicionamento durante toda a sua leitura para que não se confunda, em nenhum momento estaremos defendendo Putin, no entanto, somos intelectualmente compelidos à analisar esta situação dentro de um contexto histórico muito mais amplo, existem minudencias que não devem ser ignoradas, justamente o que vem acontecendo nas análises convencionais, parece que as paixões guiam as análises em certas emissoras pontuais por aí.
Feito estes breves esclarecimentos vamos tentar entender de fato o que está acontecendo no Leste Europeu, fatos que podem mudar a configuração geopolítica que conhecemos.
Tenha uma boa leitura!!
Eu não irei entrar nos detalhes históricos do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que é antigo e complexo, alem disso, a guerra está em andamento e precisamos esperar o desenrolar dos fatos.
O que me proponho a fazer aqui hoje é fazer alguns apontamentos sobre características bem específicas dos fatos que estamos testemunhando e levantar alguns questionamentos;
em primeiro lugar, chamar a atenção para a velocidade da reação do Ocidente, rapidamente vimos um esforço de cooperação entre os países como nunca antes na história e note que não somente a adesão de Estados, mas também a adesão incondicional da iniciativa privada, empresas deixaram a Rússia, investidores retiraram suas reservas do país, houve também um estrangulamento das reservas internacionais da Rússia, a retirada do banco central russo do Sistema de Compensação Internacional, o SWIFT que, na prática, significa dizer que todos os bancos do mundo viraram as costas para a Rússia e não vão mais compensar os títulos o que deixa o país fragilizado, economicamente, isso sem falar na propaganda maciça vinculada na mídia internacional, boicotes no esporte, na cultura e em todas as instâncias da sociedades ocidentais;
Outras sansões duríssimas estão sendo aplicadas ao país e há ainda uma pressão velada (ou não tão velada assim) para que todos os países tomem o lado da Ucrânia e deixe a Rússia completamente isolada.
De fato, o que estamos observando é um novo tipo de guerra, neste novo modelo de guerra temos novos fronts além do campo de batalha onde pessoas perdem a vida de forma violenta;
nesta nova de forma de fazer guerra está a internet e a sua capacidade única de transmitir versões, enlatadas ao gosto do freguês, há também a guerra por narrativas, por informação (ou seria desinformação?) , em outros termos, a guerra está na internet, na tv e na mídia;
e por falar em mídia há de se pontuar a sua atuação desastrosa em tudo isso, há muito tempo venho falando que a mídia passa por uma crise, justamente por querer passar a imagem de "isenta" mesmo não sendo, foi por esta crise na mídia convencional aliada à popularização cada vez maior do acesso à internet que alimentou esta descrença na mídia convencional o que abril espaço para o avanço das fake news, a praga do das sociedades das multitelas.
na cobertura desta guerra em particular, o que estamos observando é uma verdadeira lástima, a ânsia por se tomar um lado está obnubilando o debate, parece que as pessoas perderam a capacidade de contextualizar os fatos, o jornalismo moderno se resume a tomar um lado e ficar nele, custe o que custar;
em alguns programas jornalísticos toda uma bancada de jornalistas se esforça em 1001 peripécias argumentativas para defender seus pontos de vista, deixando para trás qualquer lógica, qualquer pensamento crítico que um verdadeiro pensamento isento possa levantar.
Perdeu-se a capacidade de ver o quadro todo, de colocar sob uma visão prática e utilitarista os porquês do conflito, de contextualizar historicamente algumas situações.
De uns anos para cá a imprensa vem sofrendo mudanças significativas, a adoção desta estética americana em todos os canais de notícia, proliferou a participação do "jornalismo de opinião" todos os canais de informação têm em seu quadro uma bancada de jornalistas que opinam sobre tudo;
As opiniões, aliadas ao fato de que os veículos de comunicação têm interesses, está fazendo com que o jornalismo atual seja um porta-voz de certos pensamentos vigentes, não se analisa friamente os dois lados do conflito apenas se reforça as posições contrárias e se alimenta um ódio coletivo em sua audiência.
Outra característica deste jornalismo de opinião é que, muitas vezes, não se consegue distinguir o que é notícia e o que é opinião, não é incomum verificarmos opiniões travestidas de notícia, o que, certamente, confunde a audiência isso sem mencionar que é uma atitude altamente tendenciosa, desleal e ardilosa, joga por terra a suposta "imparcialidade" da imprensa.
Verificamos os efeitos nefastos deste jornalismo de opinião quando percebemos que existem pessoas que se informam unicamente por estes meios de comunicação ou pela internet, outro perigo em potencial.
...
Se sabemos que todo este conflito se iniciou por conta da expansão da OTAN ao Leste Europeu sabemos que há um interesse direto dos EUA na vitória da Ucrânia, por consequência, sabemos que há uma pressão dos EUA sobre seus aliados.
A Rússia está errada em invadir a Ucrânia?
Sim!
Isto é fato e ninguém poe dúvida sobre isto.
Sabendo disso, podemos desconsiderar as atitudes do Ocidente (Ocidente leia-se EUA) ?
O cancelamento rápido, brutal contra à Rússia são atitudes de paz ou de guerra ?
O Ocidente quer a paz?
Nos parece que não.
Quando nos aprofundamos nas justificativas do Ocidente para as sanções e ataques indiretos à Rússia o que percebemos é uma hipocrisia do Ocidente;
afinal, quantos países soberanos os EUA invadiram nos últimos anos em nome de levar uma suposta paz ?
E não se trata de justificar a invasão russa, pois, partimos da premissa de que a atitude russa foi errada e criminosa, mas, nos chama a atenção o fato de que ninguém levanta essas questões, em nenhuma análise.
Ninguém sequer cita estes fatos.
Salta aos olhos o fato de que neste conflito há um interesse direto dos Estados Unidos o que significa dizer que há igualmente uma pressão dos Estados Unidos para que seus aliados tomem o seu lado.
Participar da OTAN significa ceder à todas as vontades dos EUA.
O Ocidente quer paz?
Nos parece que não.
Em todas as justificativas que vemos o Ocidente dar sobre a
questão Rússia/Ucrânia podemos encontrar paralelos na história recente:
Diz-se que as justificativas para as sanções sem precedentes à Rússia se dão “personalizando” a guerra, dando nomes e rostos para o conflito;
de um lado temos Putin,
reencarnação de Hitler mal em pessoa, criminoso, covarde etc e, do outro lado, está Zelensky, o
corajoso líder que está lutando contra um grande império bélico composto de
forças do mal que querem invadir o seu país.
A imprensa está encucando nas pessoas o conflito como uma simples luta do bem contra o mal, ou se escolhe o lado do
bem ou sofre-se junto com lado do mal.
Mas não custa perguntar ao nosso leitor se as coisas são
realmente assim; o bem contra o o mal(?)
Putin é um autocrata criminoso, mas será que se houvesse outro governante em seu lugar ele assistiria inerte ao avanço da OTAN sobre Leste Europeu?
Vamos de fato adotar este caminho, não vamos dar uma chance para os motivos da Rússia?
Vamos desconsiderar o avanço indiscriminado da OTAN rumo ao Leste Europeu?
Vamos ignorar os ativos históricos envolvidos neste
caldeirão?
Vamos ignorar o tratado de Misk do qual a Ucrânia simplesmente virou as costas sem sofrer nenhuma sanção?
Vamos ignorar as incontáveis invasões feita pelos EUA mundo
afora sem nunca ter sofrido nenhuma punição?
Vamos ignorar o apoio dos EUA à uma ditadura violenta, me
refiro aqui a ditadura de Al Saud em curso na Arábia Saudita que bombardeou o Iêmen e
nunca respondeu por isso?
Enfim, quantos fatos vamos ignorar em nome de um
pré-julgamento rápido e covarde?
Putin é um autocrata criminoso e a Rússia está errada em sua
invasão, considerações que temos que lembrar a todo momento, mas adotaremos este cancelamento frenético sem sequer ouvir os dois lados?
Todas estas sanções feitas no calor do momento certamente vão se voltar contra o Ocidente muito em breve, além disso, não me parece inteligente deixar acuado um país que detém o arsenal que a Rússia tem.
Nós precisamos de paz;
mas, infelizmente, ninguém quer paz.
E Aí gostaram do artigo dessa semana ?
Hoje, ainda tomado pela imediatez da história que pulsa à nossa frente, resolvemos fazer um texto cheio de questionamementos, isso porque estamos presenciando tantos absurdos, vindo de lugares que deveriam ser de segurança;
a imprensa, a internet e as pessoas estão em um frenesi coletivo que as impedem de ter um pensamento lógico;
estamos todos sendo levados pelas emoções unicamente.
Por isso nosso texto de hoje foi feito com o intuito de plantar nas consciências um pensamento crítico para que se observe a situação de forma mais contextualizada.
Afinal, a invasão da Ucrânia pela Rússia não foi um fato que aconteceu da noite para o dia, existe uma história , um contexto ali.
Nós precisamos voltar para os livros e virar um pouco as costas para as telas, deixar os opinadores falando sozinhos e buscar informações em fontes mais seguras e isentas e contextualizar essas situações de forma histórica/crítica.
Vamos abandonar de vez esta era de ignorância que atravessamos;
Só depende de nós.
Aguardamos vocês aqui semana que vem;
Até lá e cuidem-se.







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