ÉTICA VERDE - A TEIA DA VIDA

Olá Escritores !


Preparados para o artigo dessa semana?


Hoje, vamos falar de uma nova visão de mundo que poe sob julgo a visão de mundo estabelecida, como sabemos, estamos tutelados por uma visão de mundo cartesiana, de crença incondicional na ciência e no método científico.


Principalmente nos dias atuais, com a pandemia ainda em curso, tem-se  reforçado bastante a importância da ciência como fundamento basilar da sociedade.


Mas, além desta crise sanitária que nos assola, também enfrentamos outros desafios em nossa contemporaneidade, são desafios em várias frentes diferentes; econômicos, sociais, éticos, morais entre vários outros.


Reconhecendo estes desafios, surgem questionamentos:


Como enfrentá-los?


Seria possível isolar cada um desses desafios e resolve-los individualmente?


Basicamente, o artigo que você está prestes a ler se aprofunda nestas questões;  


e, como fundamento teórico, vamos nos valer das considerações de Fritjof Capra e sua obra A TEIA DA VIDA - UMA NOVA COMPREENSÃO CIENTÍFICA DOS SISTEMAS VIVOS (1996), que nos servirá de base para que possamos embasar e validar nossa reflexão, longe das opiniões sem fundamento que vem dominando o debate atualmente.


A obra de Capra visa estabelecer uma nova concepção de mundo, uma nova forma de lidar com a realidade que se desvencilha da noção que vige atualmente, uma visão mais "ecológica", integralista e agregadora e menos mecanicista.


Por isso você vai precisar desconstruir a imagem do senso comum sobre o tema "ecologia", aqui em nosso artigo, este termo vai ser re-significado de tal forma a se tornar o cerne de uma nova escola filosófica.  


O assunto é complexo e o artigo ficou com uma leitura mais densa, que requirirá maior concentração, tentei falar da forma mais clara possível e peço que você tenha paciência, tente entender a fundo esta concepção mais "ecológica" de mundo. 

   

Então, vamos mais uma vez exercitar nossa veia filosófica e questionar tudo que está dado? 


Boa leitura !!  







Nos encontramos em uma encruzilhada histórica muito peculiar e não é a toa que vemos discussões, no meio político, na imprensa e até em nossas conversas informais sobre as mudanças climáticas, poluição, novas tecnologias sustentáveis, meios para uma vida mais saudável ente outras discussões nesse sentido, estamos, de fato, no período de uma crise de percepção. 


É o fato de uma evidência que não se pode negar esta crise de percepção, todos nós, em maior ou menor grau, temos uma impressão tácita de que algo não vai bem, nosso mundo está em crise.


Mas que tipo de crise vivemos? Ecológica? Moral/ética? Econômica? Social? Sanitária? Cultural? enfim, qual é a crise que atravessamos?  


Na verdade, todas e ao mesmo tempo, e este é justamente o ponto.


Ao nos aprofundarmos nos problemas de nossa era, vamos percebendo a interligação dos fenômenos, a crise que sentimos em nossa vivência diária é uma crise que não pode ser considerada separadamente, não existe várias crises. 


fome, violência, superpopulação, desmatamento, poluição, violência urbana/policial entre tantos outros, se dão porque nossos governantes e nossos pensadores ainda estão presos a uma visão de mundo obsoleta. 


Algumas soluções são relativamente simples, mas esbarram na dificuldade de nossas sociedades em estabelecer uma disposição autêntica para rever nossos valores, não obstante, nos encontramos em uma era de um princípio de uma tomada da de consciência sobre a nossa situação real e uma nova forma de pensar, uma mudança tão revolucionária quanto foi a revolução copernicana, mas é sempre bom ressaltar que estamos no início destes novos tempos e a realidade de hoje implica em líderes e comunidade científica presos a paradigmas de séculos passados.


Contra esta visão de mundo engessada, somente um ponto de vista ecológico poderia nos fazer engendrar soluções sustentáveis para nossa atual situação e, por soluções sustentáveis, nos referimos a soluções que atendam nossas necessidades sem deixar dívidas para as gerações futuras.  


Assim, como para os físicos do início do século foi um baque muito grande perceber uma nova realidade que afrontava as suas convicções e exigiam, destes pesquisadores, uma nova abordagem do que, até então, era considerado a realidade, assim também nos encontramos nos dias de hoje, em um novo desafio; 


desconstruir arcabouços de conhecimento considerados como estruturas de bases sólidas onde se confiaria construir elevados edifícios de conhecimentos (concepção cartesiana do conhecimento) e assim, passaríamos de uma visão mecanicista e newtoniana para uma visão ecológica e sistêmica, considerando a realidade como um intricado complexo de organismos e ambientes interligados.


O paradigma moderno se consolidou por séculos a fio este paradigma se calca na ideia de um mundo como um sistema mecânico composto por blocos, o corpo humano como uma máquina, a vida em sociedade como uma competição entre os indivíduos, progresso material ilimitado proveniente da tecnologia, além da ideia de que a mulher é um indivíduo inferior embasado em um reducionismo biológico. 


Este é o nosso mundo atual, são estes valores estruturados em nossas sociedades, perceber e questionar estes valores é a tomada de consciência que nos referíamos a pouco. 


O novo paradigma que vem despontando no horizonte pode ser chamado de visão de mundo holística pode também ser chamado de visão ecológica desde que se considere a palavra “ecológica” em um contexto mais amplo do que o normalmente usado, em fato, o termo ecológico abrange de forma mais completa o conceito do novo paradigma, pois, pressupõe uma visão que inclui os organismos em um contexto social/ambiental. 


Nesta nova concepção considera-se a realidade como um Todo integrado, onde as partes não podem ser isoladas e apreendidas separadamente, justamente o oposto do paradigma atual.


A visão ecológica, ganha uma importância ímpar, pois está ligada à uma escola filosófica específica conhecida como a ecologia profunda


sendo breve, esta escola foi criada no início da década de 1970 por um filósofo norueguês chamado Arne Naess, ele se divide em “ecologia rasa” e “ecologia profunda” (deep ecology)


A ecologia rasa é antropocêntrica, concebe a Natureza em separado do ser humano, a Natureza instrumentalizada reduzida a um valor pragmático e nada mais; 


a ecologia profunda concebe o ser humano junto à Natureza, o humano inserido na Natureza, um dos fios da teia da vida. 


Com esta visão mais integralista de conceber a ecologia, onde o humano se sente mais partícipe do Todo, pode-se concluir que esta visão de ecologia profunda é uma visão com mais “religiosidade”, onde emergem questões mais profundas, existências e menos pragmáticas, o aprofundamento nestas questões é parte essencial do processo de mudança de paradigma;


em outros termos, questionar os fundamentos sob os quais embasamos nossa visão de mundo é parte essencial desta nova concepção da realidade, fazer estes questionamentos sobre uma ótica ecológica, por assim dizer. 


Além da ecologia profunda temos outras escolas de pensamentos que visam uma integração maior com a Natureza como a ecologia social e a ecologia feminina todas estas forma de pensamento procuram uma integração tanto entre si como com a Natureza além, de certa resistência contra os atuais sistemas sociais que são excludentes e autoritários, o que Arne Naess vai chamar de sistemas dominadores; racismo, patriarcado, machismo imperialismo capitalismo são alguns exemplos destas estruturas dominadoras que fazem parte do atual paradigma e contra os quais resistem estas novas formas de pensamento.


É de bom tom reforçar que um dos valores mais estruturados em nossas sociedades é o valor patriarcal, em fato, nossas sociedades são estruturadas sob a égide de que as mulheres são seres inferiores, que existe certa hierarquia com a qual a Natureza, por si só, definiria o papel subserviente da mulher, assim sendo, toda a disposição das estruturas de nossas sociedades confere ao homem poder político e financeiro, esta estruturação sólida, construída desde a aurora de nossas civilizações, é mais um fator que dificulta a transição para um paradigma mais ecológico. 


O novo paradigma ecológico não considera as relações dentro desta hierarquia, na verdade, uma figura que representa de forma muito mais fidedigna este novo pensamento é a figura de uma rede, pois esta representa uma sociedade mais igualitária, longe da hierarquia que supõe serem certos seres humanos melhores e mais merecedores do que outros.


A questão dos valores é central nesta nova concepção de mundo, obviamente, não se propõe renegar todos os valores vigentes, muitos serão aproveitados, mas precisamos ter em mente que os valores vigentes são valores antropocêntricos em sua essência; 


e estes valores, calcados no orgulho antropocêntrico, dão ao ser humano a falsa impressão de que este se encontra à margem da Natureza, capaz de conhecê-la e manipulá-la sem sofrer seus efeitos, justamente o oposto da visão ecológica que visa estruturar a sociedade em valores ecológicos dando ao ser humano um papel não central, mas sim participativo e igualitário; 


o planeta como um Todo, como o centro de nossas considerações, no lugar do ser humano como o centro de nossas representações. 


Com esta nova concepção, muda por completo o agir humano no mundo, cria-se uma ética que abranja os seres não humanos, assim reconhecendo todos como elementos iguais de uma grande rede planetária, onde, não existem hierarquias, onde, o ser humano não está posto em posição de superioridade, aqui, nos referenciamos a este novo comportamento mais respeitoso com todo o planeta como Ética Verde


Esta nova visão de mundo se faz urgente nos dias de hoje!


A ciência, trabalhando em seu atual modelo de atuação, age não a favor da vida, mas sim o contrário disso; 


e por isso vemos físicos trabalhando para construir armamentos, biólogos produzindo vírus que não existem no mundo natural, químicos produzindo matérias de alto poder poluente, veterinários torturando animais e assim por diante, todas estas aberrações se dão porque o ser humano se enxerga em separado da Natureza, por todas estas evidências, salta aos olhos a importância de uma nova estruturação social de cunho mais ecológico. 


Valores e ciência andam de mãos dadas, não é possível separá-las, os fatos científicos emergem das ações humanas em determinadas épocas e, essas ações, por sua vez, geram valores que regem nossa vida cotidiana.

 

TORTUOSO CAMINHO

 

Apesar de estar em franca evidência a inevitável necessidade de mudar nossa forma de lidar com o mundo, do modelo mecanicista vigente para uma visão mais ecológica, esta discussão vem se arrastando pelo último século de forma lenta, caótica e irregular, oscilando como um pêndulo que nunca se estabiliza, ora este pêndulo oscila para o reforço da visão mecanicista atual e ora cambia para uma visão ecológica ou sistêmica. 


A visão sistêmica ocorreu no início do século XX quando biólogos perceberam que os organismos vivos estão sempre integrados em sistemas maiores, assim sendo, um organismo vivo pode ser chamado de uma totalidade integrada, ou seja, organismos complexos sempre estão em conjunto com outros sistemas de organismos vivos, igualmente complexos, integrados harmoniosamente entre si.


No século XVII o pêndulo oscilou novamente, deixando para trás a visão aristotélica do mundo que dava o suporte teórico desde a antiguidade até o início da modernidade, a visão mecanicista que matematiza o mundo e divide-o em partes voltou a dominar o debate, grandes descobertas científicas da época, a chamada Revolução Científica, com nomes como, Descartes, Galileu, Newton, Copérnico, Bacon reforçaram o otimismo nesta visão de mundo atomística, de uma realidade dividida em partes, particionada.  


Dividir e considerar somente o que for possível analisar, esta tem sido a premissa da ciência moderna.  


O método cartesiano visa dividir um fenômeno em partes menores e estuda-los a partir de suas propriedades, desconsiderando todo o contexto sob o qual está situado o fenômeno em si, a famosa divisão, res cogitans res extensa (mente e matéria) que vai separar a Natureza e hierarquiza-la é a visão hegemônica de nossas sociedades, pelo menos até o final do século XVIII e século XX quando pela arte, filosofia e literatura começa a despontar uma contundente crítica ao paradigma mecanicista cartesiano, Goethe, um dos principais expoentes deste movimento, vai dizer: 


- cada criatura, é apenas uma graduação padronizada dentro de um todo harmonioso; 


ou seja, considera-se um sistema de relações intercaladas, umas dentro das outras, em um Todo harmonioso e este é o cerne do pensamento sistêmico contemporâneo, neste pensamento busca-se um entendimento qualitativo das relações, esta visão abrangente e integralista da Natureza, de um grande Todo harmonioso, fez muitos cientistas estenderem suas pesquisas em direção a uma visão mais abarcante de um Todo harmonioso, em outros termos, ver a Terra como um organismo vivo.


Esta visão da Mãe Terra não é recente,  ao contrário, encontramos esta concepção nas mais remotas civilizações do planeta, ela floresceu, inclusive, por toda a Idade Média até ser substituída pela visão matematizável de Descartes. 


Na atualidade, a ideia do planeta como um ser vivo tem respaldo nas teorias da Hipótese de Gaia é interessante notar que muitos dos conceitos da Terra Viva de cientistas do século XVII são pontos chave da teoria contemporânea; 


rios e mares como sistemas sanguíneos, o clima como uma força unificadora, todos os habitantes do planeta em co-dependência, entre si e com o meio ambiente, são alguns pontos mais abrangentes da Hipótese de Gaia.


Em meados do século XIX novas descobertas, como o microscópio, por exemplo, fizeram o pêndulo oscilar novamente para o mecanicismo, as pesquisas em microbiologia abriram todo um novo campo de estudo que fez os cientistas da época voltarem seus esforços para o mecanicismo. 


Louis Pasteur é um importante expoente dessa fase, foram seus estudos que indicaram a relação entre microrganismos e doenças, no entanto, os avanços alcançados por Pasteur trouxeram também um reducionismo que eclipsaram as descobertas feitas por Claude Bernard que diziam existir uma íntima ligação entre um organismo e seu meio ambiente, além de salientar que dentro de cada organismo existem outros organismos, ou seja, um meio ambiente interno dentro de cada organismo. 


Esta nova oscilação do pêndulo no século XIX foi reforçando uma relação mecanicista de explicação do fenômeno vida pelos biólogos da época, no entanto, a própria concepção humana constitui um bom exemplo para entendermos os problemas de uma visão unicamente mecanicista da realidade, pois como sabemos, depois da união dos gametas a concepção humana se dá com a formação de uma única célula que vai se multiplicando na proporção de duplicidade - de 1 para 2, de 2 para 4, para 8, 16, 32, 64 ... e assim por diante - compartilhando o mesmo material genético e o mesmo DNA, assim, perguntamos:


Como vai surgir células especializadas de diferentes maneiras, células sensíveis a luz, células sanguíneas, musculares e assim por diante? 


Apontado esta falha evidente na visão reducionista de conceber a vida vamos percebendo a dificuldade em tentar reduzir a vida a processos físicos e químicos unicamente, pode-se até aplicar as leis da física/química em organismos vivos, mas não é possível explicar o fenômeno vida por meio desta linguagem unicamente.


...


No século XX, surge o pensamento sistêmico, a palavra remete a sistema que vem do grego, σύστημα (synhistanai) e quer dizer colocar junto, grosso modo, o pensamento sistêmico visa substituir a noção de função, agregada ao mecanicismo, por organização entendida aqui como relações ordenadas”; 


um pensamento sistêmico é, portanto, um pensamento onde compreende-se um fenômeno sempre junto a um contexto de um outro fenômeno maior, é característica elemental de todo organismo vivo se organizar formando sistemas dentro de sistemas, assim, células se organizam para formar tecidos, posteriormente, os órgãos, os organismos vivos, estes por sua vez,  estão inseridos em um sistema social e ambiental, ou seja, sempre um sistema inserido em outro maior e de complexidade e leis próprias.


O paradigma vigente, cartesiano, compreende que seja possível entender o Todo analisando a propriedade das partes de forma analítica, isola-se a parte e a estuda de forma separada do Todo, qualquer nova dificuldade, isola-se mais uma vez até reduzir a uma parte analisável e assim tem se desenvolvido a ciência no ocidente. 


Daí a relevância do pensamento sistêmico que não desconsidera o Todo.


Seria possível isolar uma parte para estudar suas propriedades, mas jamais sem considerá-la no contexto de um Todo maior. 


Este pensamento troca a relação da parte com o Todo, pois, muda a relevância da parte em relação ao Todo, ou seja, não sendo possível analisar as partes, estas perdem sua condição de blocos de pensamentos fechados e passam a ser organizações básicas, que não podem ser pensados fora de um Todo contextual.


Os impactos causados pela nova ciência do século XX também foram sentidos na física quântica. 


Na física tradicional sempre houve a certeza de que qualquer objeto sólido pudesse ser reduzido a partículas, por menores que elas fossem, mesuráveis e sólidas, na década de 1920, foram obrigados a rever seus conceitos, pois, em nível subatômico, as partículas sólidas deixam de apresentar uma unidade e praticamente se dissolvem, não podem ser medidas e perdem sua solidez, em nível subatômico o que existe é uma rede de interconexões captada nos processos de medida. 


A lição deixada pela física quântica é a de que o mundo não pode ser decomposto em blocos isolados.


Houve impactos do pensamento sistêmico também na psicologia, e na ecologia; 


na psicologia, a Gestalt foi o maior destaque, psicólogos da Gestalt formularam a ideia de que existe um Todo no horizonte das percepções, os seres vivos não percebem as coisas de forma isolada, mas sim em um contexto de totalidade organizada, a Gestalt contribuiu muito para psicologia de forma geral. 


Já na ecologia, o pensamento sistêmico se adequou muito bem formando todo o arcabouço de suas ideias centrais ao ponto de sistêmico e ecológico se tornarem sinônimos.   

 

 São pontos chave do pensamento sistêmico saltar da parte para o Todo. 


Considerar a complexidade dos elementos vivos que não são isoladas e não podem ser particionadas em porções menores sem se considerar sua relação com o ambiente, mas sim como unidades de um Todo maior esta é a condição sistêmica de todo ser vivo, particionar um sistema é, automaticamente, anulá-lo.


Outro ponto chave do pensamento sistêmico é sua perspectividade, sua capacidade de compreender níveis sistêmicos diferentes; 


por considerar o Todo, tem a capacidade de compreender que certos fenômenos só acontecem em determinados níveis de ação, assim, um fenômeno que acontece no mundo macroscópico, por exemplo, não vai ocorrer em nível subatômico. 


O pensamento mecanicista acredita que se pode compreender o funcionamento de um sistema complexo isolando suas partes e analisando-as separadamente, justamente o oposto do pensamento sistêmico, onde, só é possível analisar as partes dentro de um contexto maior, em outros termos, só é possível compreender uma coisa qualquer se se considerá-la em seu ambiente.


Analisar as partes no contexto de um ambiente (um Todo maior) faz do pensamento sistêmico um pensamento ambientalista, que considera de forma cabal o ambiente onde se encontra determinado fenômeno. 


Percebam que, no advento do pensamento sistêmico, a relação entre o Todo e as partes é invertida


para o mecanicista o mundo é um amontoado de objetos em relação uns com os outros, no entanto, estas relações não são importantes para ele, somente os objetos o são, já para o sistêmico as relações entre os objetos são cruciais, aquilo que se pode discernir, a saber, os objetos, não pode ser percebido sem se considerar sua relação com o seu ambiente.


É comum no pensamento mecanicista usar metáforas arquitetônicas onde se constrói um pensamento com embasamento;


a ciência deve ser um edifício com alicerces fortes, no decorrer dos séculos e com as revoluções cientificas ocorridas os alicerces fortes da ciência foram sacolejados várias vezes. 


No pensamento sistêmico usa-se a metáfora de uma rede, uma rede não possui alicerces, está "solta no ar sem fundamentos fixos, o mundo é uma rede de interconexões com eventos interconectados, são as interconexões que definem a estrutura da rede, não os objetos. 


A física  tende a perder sua hegemonia no saber como fundamento último da ciência, nesta nova forma de perceber o mundo, os dados físicos são tão importantes quanto os dados psicológicos ou biológicos ou qualquer outra forma de conhecimento, são todos nodos desta rede na qual estamos todos interconectados. 


Outra tendência da visão sistêmica do mundo é a apercepção de que é impossível uma visão objetiva da realidade, como supõe o paradigma cartesiano, onde se acredita que seja possível separar a situação do pesquisador, sua situação sócio/econômica/ambiental da pesquisa, nas pesquisas sistêmicas leva-se em conta todo os contextos dos pesquisadores no resultados, pretende-se passar de uma ciência objetiva para uma ciência epistemológica, ou seja, uma ciência onde os métodos de questionamentos fazem parte integral da busca pelo resultado.


A visão de mundo como uma rede, com tudo interconectado, sem fundamentos e limites, sem alicerces e sem certezas gera um questionamento natural: 


como é possível conhecer em um mundo sem fundamentos fixos?


É preciso compreender que no conhecimento sistêmico admite-se, em princípio, que conhecer a totalidade do mundo é impossível. 


A ciência sistêmica age por conhecimento aproximado, todas as concepções, todas as teorias científicas são limitadas. 


O salto do pensamento sistêmico é deixar para trás a certeza cartesiana que, em fato, nunca existiu, a ditas “certezas cientificas” são na verdade conhecimentos aproximados da realidade, qualquer fenômeno se mostra para nós no contexto de infinitos fatores dos quais não temos a menor possibilidade de conhecer por completo.


Assim, deixar para trás nossas certezas sobre a realidade passa a ser um primeiro passo rumo a um conhecimento muito mais abrangente e participativo, ninguém duvida que estamos falando de um desafio grande, como nunca enfrentado na história do ocidente, mas inerente a este fato, estamos confiantes de que seremos nós em nossa era conturbada os responsáveis por este "primeiro passo" nesta caminha de 10 mil quilômetros do grande Mistério Humano e um dia teremos, enfim, uma só humanidade seguindo uma Ética Verde. 





Uma Ética Verde refere-se a uma nova forma de lidar com a Natureza, diferente do paradigma atual, esta nova forma de encarar a realidade concebe o ser humano como parte integrante da realidade mesma.
Se sentindo partícipe do mundo atuaria com uma sensibilidade diferente, uma nova forma de sentir e valorar.
 





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E aí, gostaram do artigo dessa semana??


Foi denso? 


Eu também achei, mas a urgência de nosso tempo pede seriedade e rigor.


Nossa era não está para brincadeira ... 


O mundo está em frangalhos e muita gente simplesmente não se dá conta;


e são tanto problemas milenares, que em algum momento histórico teríamos que revisitar, como também problemas "novos" como a ascensão dessa extrema direita que chegou no poder no Brasil e em muitos países do mundo. 


são muitos fatores de preocupação, parece que calhamos de cair justamente em uma daquelas "encruzilhadas históricas".


Por isso, torna-se crucial procurarmos formas de mudar o mundo e aqui não estamos usando nenhuma figura de linguagem ou visões "romantizadas"  da realidade, falamos em mudar o mundo de fato!


Mudar tudo!


E, esta mudança só vai ocorrer se nós, como indivíduos, mudarmos, temos que abrir a mente para novas formas de lidar com a realidade, conhecer e se informar sobre novas formas de viver nossas vidas, longe deste consumismo desenfreado e dessa relação dicotômica com a Natureza. 


Se nossas sociedades continuarem na trajetória atual avançamos para um colapso civilizacional devastador, os sinais estão aí, claros como a luz do dia. 


Só reclamar não adianta. 


Pense melhor no legado que você vai deixar para as futuras gerações ...


legado se trata disso, deixar o mundo melhor do que você o encontrou, legado não tem nada a ver com juntar tralhas.


Participe você também do debate, entra nos comentários diga o que você acha. 


Semana que vem retornamos !


Até lá e cuidem-se !!! 


   

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