MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE I - O DESLUMBRAMENTO COM O MUNDO ACADÊMICO
Olá Escritores !!
Preparados para o artigo da semana?
Em nosso artigo de hoje gostaríamos de dividir com vocês as emoções de uma jornada que durou anos, mas finalmente chegou ao fim, hoje vamos conversar sobre como foi a minha fantástica jornada no curso de Filosofia da UFES.
O dia 17/3/2023 marca uma data muito especial para mim; trata-se da data oficial em que finalmente estou colando grau, o "ponto final" nesta extensa jornada, que começou lá no distante ano de 2013.
Entre deslumbramentos, pressões, angústias, medos, alegrias e tristezas está se encerrando um projeto de longo prazo que exigiu luta, resiliência e uma força que nem sequer eu sabia que existia em mim.
Quando terminei meu Segundo Grau em 1995 a universidade era uma realidade distante, havia uma concepção geral dos estudantes de escola pública daquela época, uma certa consciência, onde estava implícito uma regra geral, não dita, mas tácita, de que a universidade não era ambiente para pessoas pobres.
Caso um estudante de escola pública pretendesse entrar em uma universidade pública deveria fazer um cursinho pré vestibular caríssimo, estudar a ponto de praticamente refazer todo o Segundo Grau e tentar um vestibular extremamente complexo, muito diferente do ENEM - o ENEM foi criado em 1998, inicialmente para avaliar a qualidade do Ensino Médio, só foi servir como acesso às universidades em 2004, no primeiro mandato do Presidente Lula.
Isso só foi mudar com as políticas públicas voltadas para o acesso de pessoas mais pobres as universidades.
As cotas raciais - tão criticadas por alguns - trouxeram a reboque outros cortes além da raça e foi em um desses cortes que pude pleitear para mim o direito de ter acesso a um sonho que sempre esteve adormecido dentro de mim.
Com muito orgulho, eu digo que sou um cotista! Encaixado no corte de estudante de escola pública, um exemplo vivo de que as políticas de afirmação mudam a vida de pessoas que, historicamente, sempre foram negligenciadas pelo Estado.
Exite uma universidade pré-cotas; voltada exclusivamente para pessoas abastadas, vindas de escolas particulares com um ensino de qualidade e existe uma universidade pós-cotas onde é possível para pessoas humildes o direito de estudar, mesmo que encontre muitas dificuldades no processo, em uma universidade pública.
Mesmo que se reconheça que há muito a se fazer para além das cotas unicamente, é inegável que as cotas raciais e seus vários cortes é uma política pública vitoriosa de acesso a espaços historicamente negados para certas camadas da sociedades.
Além das cotas, que me ajudaram a realizar este sonho, não posso deixar de registrar aqui o apoio da minha família e amigos nesta jornada, sem eles eu não teria conseguido me sustentar, tanto financeiramente quanto emocionalmente, para realizar este projeto de longo prazo, espero um dia poder retribuir tanto apoio que recebi de forma incondicional.
Por isso, resolvi sistematizar a minha experiência pessoal de forma testemunhal nesta sequência de artigos que estamos começando hoje, fazendo do testemunho uma categoria filosófica a fim de demonstrar, empiricamente, que a universidade é possível para qualquer um e não é um sonho impossível.
Ressalto o viés testemunhal de meu relato por 2 motivos principais; primeiramente, porque em minhas conversas com jovens estudantes e outras pessoas em geral, persiste a ideia de que a universidade é inacessível, como se fosse uma realidade impossível de ser conquistada quando se é uma pessoa humilde e/ou de estudo defasado e isso é uma inverdade que precisa ser combatida.
Em segundo lugar, porque passamos por um período de 4 anos sob um governo nazifascista onde, a educação foi relegada a atrasos e a ideologia contaminou o debate de tal forma que levaremos anos para recolocar o país no caminho de uma educação de qualidade, gratuita e para todos.
Faço, portanto, do meu testemunho, uma ferramenta para dizer para todos a quem este texto alcance que a universidade está lá a sua espera, não vai ser fácil, isso eu posso garantir e vai ter muita gente dizendo que isso não é para você, direta ou indiretamente, mas, se você continuar a alimentar a chama que arde aí, dentro de seu coração, nada pode te parar!
...
Eu tinha a intenção de contar esta história em um artigo somente, mas, conforme comecei a escrever percebi que seria impossível relatar esta jornada em apenas um artigo, assim, imaginei realizar um empreendimento ousado, talvez, o mais ousado de nosso espaço até aqui ...
Vamos dividir esta história em 10 artigos, 10 partes, cada parte abrangendo dois semestres, um ano por artigo.
A diligencia é audaciosa, mas, depois da obra pronta, com os 10 textos publicados, teremos um importante documento testemunhal com uma mensagem muito singela e igualmente poderosa:
Se eu consegui, você também consegue!
Então, dito tudo isso, vamos dar o nosso primeiro passo nesta incrível jornada filosófica.
Desejamos para você uma Boa Leitura !!
O PERÍODO PRÉ UNIVERSIDADE
Oficialmente, entrei na universidade no dia 9/5/2013, com a minha aula inaugural no dia 16/5/2013, com a fantástica professora Barbara Botter que nos encantou com seu entusiasmo ao falar sobre Filosofia, lembro vividamente de suas palavras naquele meu primeiro dia; é preciso educar as paixões como se educa um filho, assim a razão pode se fazer escutar ... uma verdadeira aula de humildade em um curso que lida com muitas vaidades intelectuais.
Mas a minha história na universidade começa bem antes da sensacional aula inaugural de Barbara Botter, ela tem início quando eu decidi que queria entrar na universidade e passei a determinar minha vontade para isso e, acredite, foi uma decisão que aconteceu subitamente; em um belo dia, frustado com minha vida até ali, tomei a decisão, pensei em voz alta "amanha vou pedir demissão e me dedicar aos estudos integralmente", um colega de trabalho que estava perto e ouviu meus "pensamentos altos" não me levou a sério, achou que era só uma reclamação sem maiores consequências, mas, no dia seguinte, lá estava eu conversando com o patrão e pedindo para sair da empresa.
Foi uma decisão ousada esta que tomei lá no distante ano de 2010, eu conclui meu Segundo Grau em 1995 e, como muitos alunos, eu não queria mais estudar, tinha uma verdadeira aversão ao ambiente escolar e pensar em um curso universitário era uma realidade distante para mim, na minha cabeça o plano era o seguinte; trabalhar com afinco para ganhar a vida e, quem sabe, ganhar a confiança do patrão conseguindo, por meus méritos, um cargo de confiança e uma certa estabilidade.
Nunca pensei em ser rico, isso nunca me ocorreu, mas esperava que teria uma vida estabilizada, onde, poderia ajudar meus familiares e amigos e viver uma vida sem dificuldades financeiras, mas a vida foi me decepcionando nesse sentido e fui percebendo que a realidade de um trabalhador sem especialização é uma vida de muitos sacrifícios, dificuldades e frustrações, nunca passei fome nem dificuldades extremas, mas sempre foi minha realidade viver em constantes dificuldades financeiras.
É importante dizer que sempre direcionei minha vida para a redução máxima de situações de estresse ou, como dizem por aí; "levo a vida numa boa", sempre fui um "observador das relações humanas" e, para mim, ficou evidente desde muito cedo que as relações humanas, em qualquer nível, são complicadas e geram bastante desgaste aos envolvidos, por isso fui desviando de relacionamentos complexos, todas as vezes que um namorico ia ficando mais sério e, por consequência disso, iam aumentando as cobranças, os jogos emocionais iam ficando mais elaborados, as discussões mais acaloradas, as crises de ciúme mais efusivas e as DR's mais frequentes, eu sempre arrumava formas de sabotar esse relacionamento para voltar ao prazer que a minha solidão sempre me proporcionou.
Com amigos, familiares, colegas de trabalho, desconhecidos com os quais tenho que lidar no cotidiano, também administro as tensões, quando a relação se esgarça dou logo um jeito de me recolher ao barulho ensurdecedor de meus pensamentos e ao aconchego de minha companhia, sei fazer o jogo social e sou um bom jogador, mas dou valor mesmo é para meus momentos individuais.
Não me entenda mal, não tenho a pretensão de dizer que sou um ser iluminado e elevado, que não precisa se envolver com ninguém e que sou autossuficiente, muito pelo contrário, preciso dos amigos, dos familiares, dos amores e me realizo nas poucas relações significativas que consigo manter com minha família e com alguns amigos, reconheço que minhas escolhas cobram um preço e, às vezes, a solidão pode até machucar... nessas horas sou tomado por uma nostalgia perigosa e retorno minha consciência para minhas Grandes Histórias de Amor, vocês conhecem uma dessas grandes histórias quando conversamos no artigo OI, LEMBRA DE MIM?, publicado em 15/1/2022, lembram?
Revisito meus grandes amores com aquela quimérica vontade de mudar as coisas, mas logo o peso da realidade me traz de volta ao frio chão da contingência, aquela pérfida nostalgia se vai e a solidão me abraça outra vez.
Não possuo propriedades, nem bens, nunca casei, não tenho filhos para educar (mas tenho que confessar que, às vezes, sinto a falta da figura do "pupilo" aquele jovem aprendiz que considera o que o mestre tem a ensinar), meu grupo de amigos é seleto e, mesmo que tenha com cada um deles, uma relação muito pessoal e momentos de muita significatividade, nunca senti um entrosamento real com nenhum deles, nunca senti que sou realmente compreendido por ninguém, por isso esta sensação de que estou só em minha existência.
Veja bem, não estou falando de solidão no sentido de ficar isolado sem ninguém por perto, aliás, isso raramente acontece, estou sempre cercado de amigos e familiares, estou falando sobre uma sensação de solidão, é difícil de explicar, mas eu posso tentar ilustrar um exemplo:
Imagine que você tenha visto uma temporada inteira de uma série que mexeu com você, certamente você vai querer conversar isso com alguém, aí você começa um trabalho prospecção em busca de alguém com quem conversar, mas ninguém que você conheça viu a série, você tenta conversar com um amigo sobre a série, mesmo que este seu amigo não tenha visto, você começa a falar da série com entusiasmo, mas seu amigo não está nem aí para o que você está falando, enfim, você fica com seus sentimentos sobre a série borbulhando em sua cabeça, sem ninguém para dividir seus sentimentos.
De forma bem simplificada, eis aí a minha vida; uma sensação de que tudo que vivo, vivencio só e de que meus interesses só dizem respeito a mim e a mais ninguém, sem nenhuma alma para dividir minhas elucubrações, talvez por isso esta compulsão em escrever, em colocar na branca página vários fragmentos de mim espalhados aqui e acolá, mesmo que, por toda a minha vida, tenha sido um escritor sem leitores.
O que para muitos pode ser considerado uma vida "fracassada", já que é uma vida solitária e modesta, dedicada a busca de um sentido que não está no que é normalmente considerado "normal" e "aceitável", como um emprego bem remunerado, um carro na garagem, uma família com mulher e filhos etc. é um estilo de vida que gera bastante burburinho, mesmo na família e com os amigos, pessoas que, em teoria, deveriam te aceitar do jeito que você é; dia desses fui "cobrado" por uma amiga da universidade sobre o fato de não estar em nenhum relacionamento amoroso com ninguém, ou seja, a cobrança vem até da onde menos se espera.
Então resumindo, sou estranho, solitário, pobre e introspectivo, mas também sou resiliente, desprendido de coisas materiais, emocionalmente forte, procuro manter uma mente aberta para o novo, dou valor para as relações que consigo manter e tento não julgar ninguém, procuro sempre achar o melhor das pessoas, mas, desde muito cedo em minha vida, percebi que o caminho para uma sabedoria de vida fora dos dogmas e do senso comum é solitário, mesmo que as amizades sejam importantes nesse processo.
Conversamos sobre essa complexa correlação entre solidão, amizade e sabedoria em nosso artigo O CAMINHO SOLITÁRIO NA BUSCA PELA SABEDORIA E A IMPORTÂNCIA DA AMIZADE, publicado em 20/8/2022.
Foram todas estas complexidades psicológicas em mim, as boas e as más, e a minha veia filosófica natural que, inconscientemente, foram me empurrando de volta às salas de aula, lá no distante ano de 2010.
Nesse ano me matriculei no Projeto Universidade Para Todos (PUPT), um cursinho pré vestibular gratuito e de muita qualidade que foi inaugurado no ano de 1995... sim, o ano em que me formei no Segundo Grau, ou seja, se eu tivesse a cabeça que tenho hoje, teria terminado meu Segundo Grau e ingressado diretamente no PUPT e já teria feito uma faculdade e blábláblá...
Claro que penso nisso, vez em quando, mas não gosto de me torturar com este tipo de abstração, afinal, aquele Rodrigo do ano de 1995 é outro cara, muito diferente do atual, além disso, a minha decisão só aconteceu por causa de minha experiência nesses 15 anos pulando de um emprego para outro, de alguma forma que escapa a nossa compreensão, as coisas acontecem no tempo delas e não no nosso.
Voltando ao assunto; retornei a uma sala de aula depois de 15 anos de afastamento e me senti edificado no ambiente escolar, foi uma gama de sensações difíceis de explicar o que senti depois de voltar a sentar em uma carteira escolar, uma coisa ficou muito clara para mim; eu não odiava tanto assim a escola como eu pensei que odiava, era legal estar ali, no meio de tantas mentes jovens e cheias de planos para o futuro, o ambiente escolar me fez muito bem.
Eu estava levando os estudos a sério naquele ano de 2010, mas o destino aprontou uma verdadeira provação na vida de toda a minha família com a doença inesperada de meu sobrinho Gabriel e tudo que se desenrolou depois que descobrimos a gravidade da doença, vocês sabem muito bem pelo que passei (passamos) entre os anos de 2010/11/12, conversamos sobre isso em nosso artigo MEU MELHOR AMIGO, publicado em 10/7/2021, foi uma fase terrível para os envolvidos e deixou marcas que ficaram cravadas em nossos corações.
Por conta de tudo isso eu não consegui passar em minha primeira tentativa de ingressar na universidade, abandonei o cursinho e não fiz o ENEM daquele ano, mas a minha determinação não se arrefeceu com toda esta provação de vida, ao contrário, ela se solidificou em meu espírito, obviamente, amarguei uma profunda tristeza que me acompanhou por muito tempo e meu coração carrega uma ferida aberta que nunca vai cicatrizar, mas, em nome do próprio Gabriel e de seu amor pela vida, eu tinha que continuar essa luta, por ele e por nós.
No ano de 2012 retornei ao PUPT, mais determinado do que da vez anterior, tentei me estruturar e estudar de forma produtiva, me dedicava bastante em casa, nunca faltava às aulas, organizei grupos de estudo com colegas do curso, enfim, foi um ano de dedicação integral aos estudos, com uma meta bem definida; eu queria entrar na universidade!
E o resultado dessa dedicação veio, fiz o ENEM daquele ano e passei!
Fiz uma prova de ENEM mediana, nada de extraordinário, fui bem em Ciências Humanas e Suas Tecnologias, onde fiz 634,8 e Linguagem, Código e Suas Tecnologias, com 566,9 em Ciências Da Natureza e Suas Tecnologias consegui 549,1 e, só para variar, em Matemática e Suas Tecnologias amarguei minha pior nota com 515,9.
Já na Redação fui muito bem, conseguindo uma nota 700.0, o tema da RedaçãoEnem2012 foi:
O MOVIMENTO IMIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI
Como eu queria ler o que escrevi nesse texto ...
Ver meu nome no quadro dos "aprovados" na tela do meu computador naquela tarde prosaica de quarta feira foi uma alegria ímpar, uma sensação de leveza, como se tivessem sido tirado das minhas costas todo o peso do mundo, muita coisa passou pela minha cabeça naquela tarde, uma sensação edificante, salpicado com doses extremas de muito orgulho de mim mesmo, eu lembro de ter ido dormi sorrindo na noite daquele dia inesquecível.
Anos antes, eu havia experimentado sentimentos parecidos na formatura de minha irmã Luana; uma sensação de orgulho extremo, de leveza, de alegria.
Na formatura da minha irmã eu estava tão realizado quanto ela, a conquista dela era a minha conquista também, fiquei com cara de bobo em todas as fotos, mas vou poupar vocês dessa visão, era como se eu mesmo estivesse me formando, pois é... 8 anos depois, aqui estou eu, me formando de fato.
Passado as emoções dos anos pré-universidade, estava enfim à hora de se iniciar minha fantástica jornada.
A JORNADA FILOSÓFICA
SEMESTRE 2013/1
Gosto de chamar meu período na universidade de "jornada filosófica", primeiramente, porque o termo "jornada" remete a uma viagem longa, com muitos percalços, desventuras, imprevistos, perrengues, mas também com muito companheirismo, beleza, aprendizado e crescimento espiritual.
Já o termo "filosófica" remete ao prêmio que se busca, aquilo pelo qual toda esta jornada se destina; sair nesta jornada filosófica, eu e outros espíritos incautos, para aprender a conhecer, a fazer, a viver junto e, principalmente aprender a ser, em busca de um crescimento pessoal para ampliar o próprio horizonte filosófico, algo que dê um sentido à existência, longe dos dogmas, das opiniões formadas, das convicções, formando um conhecimento que se queira o mais franco possível.
O primeiro passo dessa jornada filosófica começou lá no dia 16 de Maio do ano de 2013 e, como já mencionamos em vários artigos aqui em nosso espaço, o ano de 2013 marca um período de muita efervescência política, tanto no Brasil como no mundo, foi um período de mudanças radicais em minha vida e, ao mesmo tempo, um período onde as peças do grande tabuleiro geo político estavam se movendo em lances importantes.
Só para ilustrar o que digo, um mês depois que estava na universidade, ainda me adaptando ao novo tipo de ensino universitário, eclodiu por todo o país os grandes protestos de 2013, se até hoje não se sabe direito o que foram aqueles movimentos, imaginem eu, um calouro, recém chegado à universidade, mas, mesmo sem ter a consciência plena do que eram aqueles movimentos, eu e meus colegas de curso participamos ativamente dos protestos.
Passado a euforia dos protestos de 2013 era hora de estudar. No meu primeiro semestre, que aqui vamos chamar de 2013/1 (ano 2013, semestre 1), estava matriculado em 5 matérias: Sociologia com a professora Elaine de Azevedo, Filosofia Política I, como o professor Jorge Augusto da Silva Santos ou Bento, Introdução a Filosofia, com o professor Fábio Di Clemente, História da Filosofia Antiga com a professora Barbara Botter e Metafísica I com o professor Gilmar Francisco Bonamigo.
O semestre 2013/1 foi muito tranquilo, hoje eu sei que os professores pegaram leve com os calouros naquela época, lembro que a aula de Sociologia apresentamos um trabalho interessante sobre as fases da vida, do nascimento até a morte, cada membro do grupo ficou responsável por falar de uma fase da vida, a minha parte era falar da morte (sério, alguma surpresa?) e, modéstia à parte, fiz uma apresentação de gala, ganhei elogios públicos da professora e dos colegas, achei que o curso todo seria assim; comigo "flutuando" em sala de aula, mandando bem nas matérias e ganhando elogios dos professores, ai ai...
As outras matérias não foram tão fluídas quanto a aula de Sociologia, na aula de Metafísica I, ministrada por Bonamigo, fomos "convidados" a ler A REPÚBLICA, de Platão, O ENTE E A ESSÊNCIA, de Tomás de Aquino e O QUE É A METAFÍSICA, de Martin Heidegger, livros extremamente densos e filosóficos, também tínhamos que ler dúzias de biografias, assistir dezenas de filmes e escrever sobre tudo isso, nessa aula comecei a sentir o peso da pressão acadêmica e a importância do embasamento para desenvolver uma filosofia que se queira sua.
![]() |
| "O vivido atualiza a potência" "A emoção é o que perturba, dá emoção ao existente" "Primeiro as pessoas, depois as coisas" "O outro é metafísico (indomável)" Prof. Bonamigo |
Já na aula de Historia da Filosofia Antiga, ministrada por Barbara Botter não tínhamos tantas tarefas para fazer como na aula do professor Bonamigo, mas a aula da Barbara era tão densa, tão cheia de conteúdo e paixão que ela se sentiu no direito de cobrar uma prova extremamente complexa de seus alunos, por isso, quando Barbara Botter marcou sua primeira avaliação entramos em desespero, havia a possibilidade de escolher entre uma prova oral ou escrita, em ambos os casos era desesperador a possibilidade de ter seus conhecimentos testados por uma professora que entrega tanto em suas aulas.
Esse medo da prova de Barbara nos fez organizar rapidamente grupos de estudo para nos preparar para as provas, os dias que antecederam as provas foram terríveis, uma angústia generalizada, mas no fim deu tudo certo, passei por essa matéria com a incrível nota de 9,5 e escolhi fazer a prova de forma oral.
![]() |
| Nada como uma boa dose de desespero para se organizar rapidamente um grupo de estudo. |
![]() |
| ...E, depois de tanta tensão e um dia inteiro de estudos, aquela foto para registrar o momento. |
Havia também a aula de Introdução a Filosofia, dada por Fabio Di Clemente, outro professor que dava aulas por puro prazer, não sei se comentei antes, mas tanto Barbara Botter quanto Fabio Di Clemente são italianos, não sei se isso tem alguma relação, mas podemos encontrar vários pontos em comum em suas aulas; ambos davam aulas com paixão, ambos aproveitavam todas as 4 horas de aula (e, às vezes, até um pouco mais) ambos davam aulas muito densas com muita informação, conteúdo e várias referências bibliográficas.
Uma aula em particular de Fabio Di Clemente ficou marcada para mim, foi uma aula em que, orientados pelo professor, destrinchamos o quadro O Grito (1893) de Edvard Munch, foi incrível como, com uma série de informações e análises eu mudei por completo minha forma de enxergar a arte, falei brevemente sobre esta experiência marcante na aula de Fabio Di Clemente no artigo ARTE PARA NOS TRANSFORMAR, publicado em 28/8/2021.
Vamos falar de mais de outras marcas das aulas de Fabio Di clemente, Bonamigo e Barbara Botter, afinal, tivemos outras aulas com eles em outros semestres, infelizmente, a professora Elaine só deu a aula de Sociologia e seguiu seu caminho, mas antes de passarmos para o semestre 2013/2 eu não posso deixar de falar da aula do Jorge Augusto, o professor Bento.
Aula de Filosofia Política I com prof. Bento, homem culto que entrava em sala de aula com dezenas de livros embaixo do braço e usava-os em suas aulas.
Respondia as pergunta com profundidade, uma vez vi ele respondendo uma pergunta provocativa feita por Rafael sobre Tomás de Aquino e a resposta foi tão completa que foi retrocedendo até Aristóteles, a fonte de Tomás de Aquino, em outra ocasião, eu estava tão concentrado em uma explicação que Bento estava dando em aula que, em certo momento, fui pego na emoção, fiquei comovido com a história e o jeito que história foi contada e deu aquele nó na garganta.
Senti isso somente outras 2 vezes no curso inteiro; em uma aula de Barbara, com aquela paixão que lhe era peculiar expressa pela cultura grega antiga e seu jeito performático de dar aula, em uma dessas performances ela me laçou na emoção e, em uma aula de Bonamigo, quando estava falando sobre os ciclos da natureza e a dinâmica do planeta, mas fez isso usando uma linguagem mais poética do que técnica, discorreu sobre a a abundância da natureza quando ela nos dá algo e outras coisas do tipo, foi tocante.
Bonamigo atiçou bastante minha consciência sócio/ecológica, eu tive vários insights em suas aulas que renderam frutos como o artigo O NEOLIBERALISMO E A CONSEQUENTE PRODUÇÃO DA INDIFERENÇA NO SUJEITO MODERNO, publicado na Revista Filosófica São Boa Ventura, em 2016, além de vários artigos com a temática sócio/ambiental publicados aqui em nosso espaço.
...
Asim terminou o Semestre 2013/1, tudo era novidade e excitação, desde o começo eu estava percebendo que aquele ambiente iria mudar minha concepção de mundo e que eu iria construir relações significativas.
Estávamos eufóricos, todo mundo se dedicando, chegando cedo para as aulas, conversando sobre carreira acadêmica, querendo mudar o mundo, a turma de 2013 toda unida estreitando os laços de amizade e camaradagem, alguns desses laços estão firmes até hoje, outros foram desfeitos pela contingência da vida ...
No Semestre 2013/2 as coisas começaram a mudar e aquele mundo tão colorido do primeiro semestre foi ganhando tons de cinza ...
SEMESTRE 2013/2
No primeiro semestre a universidade ainda cuida do aluno um pouco, ela te matricula automaticamente nas 5 matérias, você recebe um livrinho com as boas vindas e as dicas de sobrevivência no curso, com o sugestivo título MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DOS ALUNOS DE FILOSOFIA, avisam para você estar preparado para ler muito, falam da organização do curso, além disso, os professores pegam mais leve, quase ninguém reprova.
A partir do Segundo Semestre o cordão umbilical da universidade com o aluno se rompe, a partir daí, o aluno passa a ser responsável pela sua graduação, tem um tópico inteiro lá no Manual de Sobrevivência para conscientizar o aluno sobre a autonomia que agora ele detém sobre sua vida acadêmica, veja o tópico "você é responsável pela sua formação!" logo abaixo:
Lembre-se: não é a universidade que forma o aluno. É o próprio aluno! Não adianta ficar "empurrando com a barriga", mesmo que você consiga ser aprovado nas matérias. Você precisa estudar por conta própria fora da universidade (...) Não é suficiente esperar que o departamento ou o colegiado montem a grade para você; é de sua responsabilidade se planejar para concluir o curso na data desejada (...). Não adianta esperar que os professores lhe entreguem tudo de mão beijada. E nem se iludir achando que saberá tudo de Filosofia depois de quatro anos - a Filosofia existe há 27 séculos, você não vai aprender tudo sobre o assunto com um curso universitário.
Toda essa autonomia na vida do estudante pode iludir alguns, afinal, tem muita coisa acontecendo na vida universitária além de aulas e estudos, isso porque a universidade é um lugar de efervescência cultural e política, com gente jovem, inteligente, em vários ramos do conhecimento interagindo entre si há, portanto, várias convenções sociais para se estreitar os laços entre os alunos, há festas, há os relacionamentos em diferentes níveis, há o sexo, há o álcool e há também a escolha.
Vamos deixar uma coisa muito clara por aqui! Principalmente nesses tempos de nazifascismo que estamos atravessando em que se ouve as mais absurdas e surreais afirmações sobre a vida acadêmica.
Primeiríssimo lugar; a universidade não é uma igreja ou alguma outra instituição onde se comungue de dogmas ou regras rígidas sobre vestimenta, conduta, moral etc. e não estou desmerecendo as igrejas, só estou dizendo que universidades não são igrejas e o decoro que se exige em uma igreja não é necessário na universidade.
Em seguida, o aluno é responsável por sua formação e por suas escolhas, você pode passar um curso inteiro escolhendo ficar nas festas ou vadiando pelo campus sem estudar, mas se você escolher essa vida você não consegue fazer boas provas, não consegue frequências nas aulas e, consequentemente, não se forma.
Na universidade pública quem não estuda não se forma! É simples Assim!!
Portanto, este discurso moralista que supõe ser a universidade um lugar de estudo rigoroso sem espaço para festas ou qualquer tipo de manifestação de alegria, onde, não se pode haver festividades ou qualquer outra manifestação de divertimento e comunhão entre as pessoas, ignorando por completo o fato de que existem seres humanos (jovens, em sua maioria) se relacionando neste ambiente é maldoso e mentiroso, todo mundo que conseguiu se formar em uma universidade pública é porque se dedicou às tarefas e aos estudos sendo merecedor de seu diploma, mesmo indo a festinhas vez em quando.
Obviamente, não se nega que existe a possibilidade de que um exagero na participação em festividades pode atrapalhar seus estudos e seu desempenho acadêmico, mas isso é um fator que entra no escopo da autonomia do aluno e das escolhas que cada aluno tem o direito de fazer em sua jornada particular, é preciso administrar isso também, como é necessário administrar outras inúmeras situações que surgem na jornada de cada um na universidade e que podem atrapalhar o desempenho acadêmico.
Eu ouvi muita besteira sobre a dinâmica da universidade nesses 4 anos de nazifascismo que atravessamos, mentiras tão absurdas que chegavam a ser risíveis; orgias intermináveis, plantação de maconha, professores doutrinadores entre outras balelas de gente que, claramente, nunca colocou os pés na universidade, mentiras que, infelizmente, causam estrago e alimentam um estado de coisas que já anda bem complicado.
Então, aproveitando que o nazifascismo foi parcialmente derrotado, democraticamente, vamos desfazer esta visão moralista ao extremo que pretende transformar a universidade em um mosteiro da idade medieval e ver na universidade o que ela realmente é; lugar de estudo sério e de encontros com o universal.
Eu mesmo participei de uma ou duas festinhas em minha caminhada e não aceito nenhum moralista boca aberta colocar minha capacidade em dúvida por conta disso.
Eu sou merecedor da minha conquista!
![]() |
| Desculpa aí pela qualidade da foto, mas esse foi uma de nossas primeiras festinhas, todo mundo com cara de novinho ... Aí estão, Marcelo, Eu, Sandra, Solange e Yahrley. |
![]() |
| Aqui uma reunião no Centro Acadêmico de Filosofia, o CAFIL, em breve vou explicar melhor o que é o Cafil ... |
![]() |
| Aí estamos Solange, Eu e Rafael em uma comemoração de festa junina que entrou para os anais do curso de Filosofia UFES. |
![]() |
| Nesta foto cheia de energia estamos Thiago, Eu, Marcelo, Lander, Marcos Caran e Pablo. |
O CAFIL
Cada curso da UFES tem um C A (centro acadêmico) o de Química, por exemplo, é o Caqui, o de Matemática é o Camat, o de Física é o Cafís e o de Filosofia é o Cafil.
E, já que estamos falando de distrações e festas, o Cafil pode ser tanto uma coisa boa na vida acadêmica quanto uma fonte de muita distração.
No papel, o Cafil é um elo de ligação entre os alunos e os professores, tem um viés político, pois é estruturado em 5 coordenadorias, cada qual composta por 2 alunos que entram por meio de eleição direta, o Cafil organiza assembleias periódicas com os estudantes para levantar os problemas e discutir soluções.
São os representantes do Cafil que participam de reuniões departamentais (reuniões entre alunos e professores), levando as demandas dos alunos para serem discutidas pelos professores, a cúpula do Cafil muda a cada 2 anos e a intensidade política da gestão depende muito do engajamento dos estudantes, afinal, a autonomia dos alunos também é sentida na organização coletiva.
Além de todo este viés político o Cafil também é, na prática, um grande "quarto comunitário" um cômodo com alguns móveis, um grande e aconchegante sofá, geladeira etc. de uso coletivo de todos os alunos do curso, é lá o ponto de encontro onde todos os alunos do curso se juntam para conversar, cantar, ler poesias, fazer festas, jogar xadrez, é lá que se fortalecem os laços de amizade, onde se dá a convivência entre todos os estudantes.
Se você não se policiar, pode acabar passando tempo demais no Cafil, se distraindo com conversas e trivialidades.
No Semestre 2013/2 eu me envolvi bastante na parte política do Cafil, é bom ressaltar que a turma de 2013 chegou incendiando tudo no curso de Filosofia que andava meio borocoxô até então, foi nossa turma que realizou uma mega reforma no Cafil, que organizou recepções calorosas para os calouros (nossa turma praticamente não teve nenhuma recepção dos veteranos da época), que correu atras de equipamentos como computador, freezer, tv.
![]() |
| Chegamos incendiando tudo no curso de Filosofia, promovendo reformas, arranjando novos móveis, organizando tarefas, a turma de 2013 foi um marco no curso de Filosofia UFES. |
![]() |
| Aqui temos um registro de uma reunião entre os estudante, aquela vontade de mudar o mundo. |
![]() |
| Muitas lembranças aconchegantes do Cafil povoam a minha memória, um lugar onde sempre me senti em casa. Na foto, Pablo, Aline, Bianca, Marcelo, Yahrley, Lander, Eu, Thania, Rafael,Peter e Thiago. |
![]() |
| Fraternidade em estado puro ... foi bom ter tido essas inefáveis sensações lá no Cafil. |
O Cafil é, portanto, uma moeda de 2 faces, pode servir tanto para o engajamento político dos alunos, servindo de base de apoio para a mobilização política como pode ser um quartinho onde se procrastina seus afazeres, como sempre, tudo depende das escolhas do próprio aluno.
...
No Semestre 2013/2 eu estava com muito gás, estava ativo na vida política do curso, participando das reuniões departamentais, estudava bastante e cheguei até a me matricular nas aulas de grego antigo, ministradas por Barbara Botter, ainda estava sob o efeito da euforia do primeiro semestre, achando que as matérias seriam fáceis de passar, que os professores continuariam pegando leve nas avaliações e que eu daria show nas aulas.
Me matriculei em 5 matérias; Teoria do Conhecimento I, com Maurício Abdalla, Lógica I, com Donato, História da Filosofia Medieval, com Bento, História da Filosofia da América Latina, também com Donato e Psicologia com Arielle Sagrilo.
Neste semestre as coisas começaram a ficar sérias e foi muito diferente da vibe do primeiro semestre, enfrentei um pouquinho de dificuldade em Teoria do Conhecimento I e muita dificuldade em Lógica I, passei nessas matérias com notas medianas e se não fosse pela ajuda de minha amiga Bianca, que me carregou nas costas em Teoria do Conhecimento, talvez eu nem tivesse passado.
![]() |
| Eu e minha amiga Bianca que me carregou nas costas na aula de Teoria do Conhecimento I. |
Maurício Abdalla tem uma estratégia de aula, no mínimo, interessante; no primeiro dia de aula ele te dá uma folha contendo as perguntas sobre as quais teremos que discorrer no final do semestre, ou seja, desde o primeiro dia de aula, você já sabe exatamente como será a prova.
A princípio, pode parecer uma ventagem saber o que vai cair na prova antes mesmo da prova em si, mas não é bem assim ...
Abdalla é mais um professor apaixonado por sua profissão, dá aulas com entusiasmo, gosta de debater suas teorias com qualquer um que tenha um ponto discordante, em suas aulas é comum a participação de alunos de outros cursos que, por serem de fora da Filosofia tendem a debater teses, vi muitos embates acalorado nas aulas de Abdalla e aprendi que quando se debate uma tese é necessário conhecer tanto o que se defende quanto o que se critica.
Passei por pouco nessa matéria, graças a ajuda de Bianca, com uma modesta nota 6,00, essa matéria também começou a me mostrar que a vida acadêmica é cruel.
Também enfrentei dificuldades na matéria Lógica I com Donato, costumava dizer que a lógica é uma espécie de "matemática com palavras", ou seja, todo o rigor dos preceitos matemáticos aplicado ao argumento, talvez por isso tenha tido tanta dificuldade nessa matéria.
Mas, apesar dos perrengues, foi uma matéria que me ensinou muito a analisar os discursos e identificar falácias e armadilhas argumentativas, no final, com muita dificuldade, consegui entender a essência da filosofia analítica e passei com uma nota 7,50.
Donato também nos dava a matéria História da Filosofia da América Latina e, nessa matéria, as coisas decorriam mais fluidamente, conheci muitos filósofos latinos e foi interessante tirar os olhos da Grécia e da Europa e filosofar em espanhol.
Li uns 3 livros inteiros em espanhol e estava afiadíssimo no idioma, adorei conhecer as teses de Enrique Dussel e seu livro O ENCOBRIMENTO DO OUTRO que, apesar de ter uma leitura pesada, tem excelentes pontos de reflexão, usei bastante dessas teses no artigo O POPULISMO E A PARUSIA POLÍTICA NA AMÉRICA LATINA, publicado em 1/8/2022.
Passei nessa matéria com a nota 9,00.
Em História da Filosofia Medieval com Bento outro "passeio no parque", aula fluída, sem nenhuma dificuldade, conteúdo interessante, professor dominando a matéria com aulas envolventes, foi minha maior nota no semestre com 9,50.
Houve também a aula de Psicologia com a professora Arielle Sagrillo que, assim como a Professora Elaine de Sociologia, só ficou com a gente um semestre.
Estudar psicologia em nível acadêmico foi um verdadeiro deleite para mim, isso porque eu sempre me interessei pelo tema e certamente vou encontrar uma forma de estudar psicologia mais profundamente no futuro, arranhei um pouquinho sobre psicologia aqui em nosso espaço com os artigos PENSAMENTO CRÍTICO PARA O PÚBLICO INFANTO JUVENIL, publicado em 29/1/2022 e A ESTRUTURA PSICOLÓGICA HUMANA, publicado em 5/2/2022.
As aulas de Arielle eram sempre regadas a muita discussão em sala de aula, muitas vezes ela trazia um convidado de uma área da psicologia para acrescentar novos pontos de vista e rolou também alguns seminários que nós apresentamos e que rederam muitos debates interessantes e histórias que são sempre lembradas quando reencontro os parceiros de jornada daquela época.
A professora Arielle era muito bonita, inteligente e interessante e, apesar de saber muito bem o meu lugar na relação professor/aluno, não pude evitar que rolasse uma "transferência" ... passei com a nota 8,40.
...
E assim se foi o ano de 2013, meu primeiro ano na universidade, uma época cheia de descobertas pessoais e novos desafios com os quais tive que lidar na marra, foi um ano de muitas novidades em um universo no qual eu nunca havia estado.
O contato com tantos pensamentos novos e estruturados que vão reformulando nossas certezas existenciais e chacoalhando nosso mundinho, nos fazendo perceber que o que pesamos saber, na verdade, não sabemos.
São tantas experimentações, com tanta significâncias que mudam o nosso horizonte e mexem forte com nossas certezas existenciais, presenciei pessoas entrando em crises brabas quando as suas certezas eram postas em xeque pelo poder do argumento lógico/filosófico, onde os dogmas não têm poder algum.
Outra coisa que me marcou bastante nesta incrível mudança foi a intensidade das relações que se dão em um ambiente acadêmico; as amizades que vão se formando são significativas em diversos sentidos, há uma sensação de que todos estamos no "mesmo barco" e que somos todos iguais ali, por isso há uma boa vontade em ajudar uns aos outros, as pessoas se importam umas com as outras e essa camaradagem sincera é bonita de se ver e de participar.
É claro que há falsidade como em qualquer ambiente humano, mas, de forma geral, há muita sinceridade nas relações e uma vontade genuína em ver o outro avançar.
Os 2 primeiros semestres a turma ficou super unida, participando das matérias todos juntos, depois, cada um segue o seu próprio caminho, trilhando as escolhas que decide fazer, afinal, a jornada é individual.
Cada um a seu próprio tempo...
O ano de 2013 foi, portanto, um ano de puro deslumbramento, foi o início de uma jornada que iria mudar a minha vida para sempre, com amizades significativas e uma nova forma de encarar o mundo.
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
E aí, gostaram do artigo desta semana??
Semana que vem voltamos com mais um passo nesta incrível jornada!
Até lá e cuidem-se !!
























.jpg)


Comentários
Postar um comentário