PENSAMENTO CRÍTICO PARA O PÚBLICO INFANTOJUVENIL

 Olá Escritores !!


Preparados para o artigo desta semana ??


Hoje vamos tratar do desenvolvimento infantojuvenil e algumas de suas particularidades, afinal, é possível fomentar na educação de nossas crianças e adolescentes o advento de um pensamento crítico? 


As crianças e os adolescentes são indivíduos com uma personalidade própria ou são "tábulas rasas" esperando passivamente pela formação de uma personalidade que seja construída? 


...


É comum para muitos adultos pensar que as crianças são indivíduos sem personalidade formada e que não possuem a capacidade para a resolução de problemas complexos do dia a dia, como um dilema moral, uma tomada de decisão ou perceber as causas e as consequências dos fatos;


a ideia de que as crianças são "pedaços de barro" que moldamos a nosso bel prazer vigora em uma parcela considerável de nossa sociedade;


No artigo de hoje vamos ver que este pensamento não é verdadeiro e as crianças, já na mais tenra idade, têm a capacidade de aprender e aplicar o que aprenderam em problemas complexos do dia a dia, que envolvem uma capacidade extraordinária de raciocínio, dedução e pensamento crítico.


A Filosofia para crianças é uma ideia que ronda a Filosofia desde Platão que em sua obra A República, (conf. cap. VII) descreve como poderia ser um pensamento crítico voltado para crianças, entretanto, não havia em Platão um projeto específico que proporcionasse a efetivação do ensino filosófico voltado para às crianças.


Foi somente na década de 1960, com o filósofo norte americano Matthew Lipman(1923-2010)que se iniciou um método específico para ensinar Filosofia exclusivamente para crianças e adolescentes;


a  decisão de Lipman em trabalhar a Filosofia com crianças e adolescentes ocorreu por meio de sua própria experiência como professor na Universidade Columbia University onde Lipman constatou a dificuldade de seus alunos em assuntos que requisitavam pensamento lógico;


Lipman decidiu incluir a lógica nas séries iniciais, para realizar seu intento trocou a docência acadêmica pelo Segundo grau, saindo da Columbia University e indo para Montclair State College isso no ano de 1972;


neste mesmo ano criou o Institute For The Advancement Of Philosophy (IAPC), um instituto de abrangência internacional que visava introduzir o ensino de Filosofia para crianças, com métodos bem definidos.


O método de Lipman é relativamente simples, trata-se de criar histórias fictícias, que ele chamou de "novelas filosóficas", com dilemas éticos/morais entre os personagens das histórias que as crianças deveriam encontrar soluções, por meio da discussão em sala de aula, pensando em conjunto, aplicando o raciocínio e o pensamento lógico.


Se o leitor reparar bem, vai perceber que o método de Lipman resgata uma antiga forma de transmitir cultura e preceitos morais, trata-se da mesma função que tinham os contos e fábulas que eram a base da transmissão da cultura em gerações mais antigas, ou seja, quando a nossas avós nos contavam uma história havia muito mais do que somente a história em si, havia uma moral para ser aprendida, uma lição de vida. 


Esta forma de transmissão de cultura foi, paulatinamente e sistematicamente, sendo substituída pela interação com as tecnologias da era digital e é parte constituinte dos problemas que enfrentamos em nossa contemporaneidade. 


O método de Lipman para o acréscimo de uma cultura crítica nos jovens parece retomar a implementação de um pensamento crítico por meio de um linguagem acessível à eles.  


No artigo de hoje pretendemos desmitificar a ideia de que as crianças e adolescentes são incapazes possuir um pensamento crítico, que tratam as crianças e adolescentes como indivíduos desprovidos de personalidade;


aliás, como veremos em breve, trata-se justamente do contrário; crianças e adolescentes são "naturalmente críticos" são as nossas sociedades que abafam esta capacidade crítica.


Então, vamos nos aprofundar nessas questões?


Desejamos para você uma; 


Boa leitura e boa reflexão!! 

 





A FASE DOS PORQUÊS


Qualquer pessoas que tenha, em seu cotidiano, um contato com uma criança na faixa etária de 5/6 ou 7 anos vai saber muito bem o que é uma criança na fase dos porquês;



Trata-se de uma curiosidade natural e praticamente insaciável; 


A criança, maravilhada com o mundo que vai se descortinando à sua frente e por uma relação direta de confiança com o adulto que ela tem contato, procura "investigar" a realidade por meio de perguntas;  


e, mesmo que você responda, da forma mais solícita possível, na sequência, sempre receberá um:


Mas porquê? 


e sempre que você responder a uma pergunta, da forma mais completa e sincera que você conseguir sempre virá um "mas porquê" e, mais uma vez você responde e vem outro "mas porquê";


e isso simplesmente não acaba! 


Muitos pais e mães (e tios ) são atormentados por seus pequenos na chamada "fase dos porquês", mas o que a princípio pode parecer uma coisa irritante para alguns adultos é na verdade uma das melhores fases da criança e uma excelente oportunidade para os adultos, desde que se saiba aproveitar esta fase com muita paciência, sinceridade e carinho.


As crianças nos bombardeiam com seus porquês justamente por estarem maravilhados com o mundo, buscando respostas para as coisas que elas apreendem, elas percebem que perguntando(investigando) conseguem respostas para as suas inquietações;


ora, esta não é uma essência humana, perguntar, investigar tudo aquilo que nos toca em nossa sensibilidade?


Ademais, nos bombardeando com seus "porquês", as crianças nos fazem refletir sobre os modelos de educação que estamos fornecendo para elas.


Pais e responsáveis que se rendem às novas tecnologias, "terceirizando" a educação de seus filhos e deixando que estes dispositivos eletrônicos respondam os porquês dos pequenos,  perdem uma excelente oportunidade de um estreitamento de laços e um fortalecimento das relações entre eles e seus filhos;


Crianças que são estimuladas a pensar desde cedo, em conversas calorosas com seus tutores, ouvindo fábulas, anedotas, contos e histórias reais, nem precisam que se pergunte qual a moral da história, instantaneamente, ela chega à conclusão por si só, exercendo a sua capacidade intrínseca de ponderar as diversas situações que se apresentam no dia a dia.


Além disso, a criança passa a ser mais crítica, passa a cobrar dos adultos uma postura mais ética, pois para uma criança não faz sentido fazer uma coisa errada sabendo que ela está errada. 


Com as crianças é 8 ou 80, justo ou injusto, certo ou errado, o "jeitinho" é por conta de nós, os adultos.


Sobre esta "excelência ética" das crianças, me permitam deixar de lado a objetividade de nosso texto, por uns breves parágrafos, para relatar uma experiencia pessoal que corrobora o nosso assunto de hoje: 


Certa vez, dentro de um ônibus, embarcou um senhor acompanhado de um criança de aproximadamente 5/6 anos, a criança estava devidamente uniformizada, imagino que o pai estava levando o pequeno para a escola;


em certo momento do trajeto, o adulto pegou uma bala do bolso, descascou, entregou a bala para o menino e jogou o papel de bala no chão, sem a menor cerimônia, imediatamente, foi repreendido pelo jovenzinho que disse:


- Pai! Não pode fazer isso, olha a lixeira ali!!   


O adulto, constrangido pelo pequeno, pegou o papel de bala e colocou em seu devido lugar.


Neste exemplo prático vamos percebendo que as crianças são perfeitamente capazes de reconhecer um comportamento errado, fazendo julgamentos por conta própria, certamente, não foi pelo pai que esta criança recebeu uma educação crítica, mas, por meio de outro contato adulto, talvez a mãe ou, quem sabe, por meio da escola, ela recebeu um estímulo ao pensamento crítico, colocando em prática o que aprendeu.


...


Para passar incólume pela fase dos porquês dos pequenos e ser capaz de educar uma criança no caminho do pensamento crítico e emancipatório é necessário partir de um pressuposto basilar:


Jamais subestimar a capacidade crítica de uma criança considerando a mesma um indivíduo sem personalidade e sem a capacidade de resolver dilemas éticos/morais. 


Quem pensa nestes termos; subestimando a capacidade crítica e a personalidade inata das crianças, parte para uma educação prejudicial.


É preciso conversar com as crianças mantendo um diálogo aberto e constante com elas, respondendo, da maneira mais sincera possível, aos incontáveis porquês que virão, sem jamais tratar a criança como um indivíduo sem pensamento crítico, incapaz de chegar à conclusões por si só; 


estas atitudes são excelentes pontos de partida para  passar pela fase dos porquês, fomentando uma educação emancipatória, que gera cidadãos críticos e questionadores.      


FILOSOFIA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 


A fase dos porquês das crianças irrita e assusta muita gente, mas, quando falamos de adolescentes, falamos de uma certa fase dos porquês, parecida com a das crianças, misturada com uma rebeldia gratuita.


Mesmo nestas condições estressantes - quem, de alguma forma, lida com adolescentes sabe bem do estresse e da rebeldia gratuita a que me refiro - é possível instigar nos jovens um pensamento reflexivo e crítico, voltado às diversas situações do cotidiano, tanto pelos pais e responsáveis quanto pela escola.  


Imagine uma sala de aula com alunos com média de idade entre 9 a 14 anos, onde problemas do dia a dia são pinçados e colocados para que os alunos resolvam;


problemas éticos, morais , reflexões sobre a democracia sobre a cooperação, amizade, política entre outros assuntos retirados do cotidiano dos jovens;


Nas escolas, cabe à Filosofia o papel de trazer para o cotidiano da sala de aula situações e problemas reais, problemas particulares, nacionais e mundiais, debatendo, discutindo e fomentando nos jovens a resolução de problemas reais, baseando-se no que os jovens consideram ser o certo, o eticamente e moralmente aceito, exercitando um pensamento crítico e ponderador, longe das emoções e debates sem fundamentação e das ações tomadas de forma afobada, sem a reflexão crítica e sem o debate;  


você acha que é muito para eles? 


Você acha que a Filosofia é uma matéria muito densa, que requer muito empenho e que o mundo infantojuvenil não comporta tais reflexões? 


Se a sua resposta foi sim, você não está sozinho, tem um grande contingente de pessoas, inclusive no meio acadêmico, que pensa exatamente isso: 


Que a Filosofia não é uma matéria apropriada para crianças nem para adolescentes.


De fato, a Filosofia não é uma matéria como outra qualquer, na Filosofia não há dogmas, nem verdades absolutas, nem decoreba, nem aplicação de fórmulas prontas, nem atalhos; 


e quem se propõe a estudar Filosofia de forma séria vai passar por muitas provações, privações e transformações; 


vai ter que ler muito e escrever muito, manter uma atitude de "mente aberta", exercitar a  disciplina, tanto para as leituras quanto para escrita, isso sem falar na solidão dos estudos, nas crises existenciais ao ter seu horizonte filosófico chacoalhado, suas visões de mundo postas em xeque, suas convicções destruídas, entre outros percalços que só os filósofos entenderão.... 



Mas não custa nada lembrar que todas estas dificuldades se darão para quem fizer da Filosofia um estilo de vida, para alunos de Segundo Grau e crianças é de bom-tom reforçar que a aula de Filosofia é muito diferente da Filosofia acadêmica;


O público infantojuvenil não vai se aprofundar nas teorias dos grandes filósofos, passa-se de soslaio por estas teorias, como uma forma de contextualizar um problema complexo, já trabalhado por algum pensador, mas a conclusão final é alcançada pelo exercício crítico dos próprios alunos, em sua curiosidade natural. 


Todos nós precisamos ter em mente (todos nós, mas principalmente os críticos) que fomos crianças um dia, todos nós passamos pela fase dos porquês e, de certa forma, todos nós fomos filósofos um dia;


Afinal, os filósofos e as crianças têm em comum a capacidade de se maravilhar com o mundo e o que a Filosofia pode fazer no mundo infantojuvenil é manter viva a capacidade de se encantar com o mundo e com as relações que mantemos com o mundo o que, invariavelmente, envolve o pensar o sentir o dizer e o fazer.



A capacidade inata de questionamento, que faz de todos nós "naturalmente filósofos" vai se arrefecendo com o passar dos anos, em muito, esmagado pela configuração de nossas sociedades que vão triturando as individualidades, massificando as pessoas e os moldando sob valores de pragmatismo, utilitarismo e consumismo.


numa sociedade assim, ter um individuo crítico e questionador torna-se um incômodo.


Os adultos de nossa era, acachapados pela vida de obrigações massificantes e distrações alienantes, muitas vezes, não se dão conta do que significa o maravilhamento das crianças frente ao mundo, este maravilhamento está em nosso dia a dia, pode se expressar por meio da curiosidade das crianças em entender o significado das palavras, em compreender o sentido das ações e em descobrir as relações entre as coisas no mundo e mesmo em uma atitude auto reflexiva, pensando sobre a sua própria existência.


Outra semelhança que existe entre as crianças e os filósofos é que ambos nunca param de fazer perguntas e se aprofundar, cada vez mais, nos questionamentos levantados, em suma, as crianças têm uma essência de uma postura filosófica natural que pode ser abafada por nosso estilo de vida;


por isso é importante dar oportunidade para as crianças fazer Filosofia ao seu modo, conceder à elas a chance de que digam e pensem sobre as ideias, sobre as descobertas e que continuem a fazer perguntas e não ser silenciadas pela própria sociedade em que vivem.


Para os adolescentes também os ganhos em incentivar um pensamento crítico e questionador são imensuráveis, a Filosofia é uma aula que ajuda o aluno a pensar e, pensando, aprende a refletir antes de agir.


A proposta de ensinar Filosofia para o público infantojuvenil está na prática do desenvolvimento do pensar, ou melhor dizendo, do pensar bem e no desenvolvimento das habilidades cognitivas que todos nós temos, mas que devido a conjuntura de nossas sociedades, não são trabalhadas adequadamente.


As histórias aparentemente simples revelam na verdade problemas complexos da humanidade e requerem dos alunos que reflitam sobre a resolução de tais problemas exercitando nos alunos sua veia crítica cognitiva, de resolução de problemas, pensando no outro e pensando na sociedade como um todo, desfazendo assim as intrincadas conjunções individualistas das quais estamos todos inseridos como a sociedade problemática que somos.


Assim como hoje em dia está em voga a questão de pensar na saúde, buscando alimentos mais saudáveis e a prática de esportes para que se tenha uma saúde relativamente boa, temos que ter em mente que exercitar um pensamento mais crítico e menos automático em nossas crianças vai nos desprender deste consumismo excarcerado do qual elas estão inseridas; 


é uma chance singular para desenvolver um cuidado especial com aquilo que pensamos e com aquilo que expressamos, tornando assim a Filosofia uma matéria popular, desfazendo os inúmeros estereótipos a que ela está tutelada e aproximando as pessoas do pensamento crítico e questionador, nos tornando uma sociedade melhor. 


Afinal, a Filosofia, desde o seu princípio, sempre foi uma matéria popular, estava com Sócrates nas ágoras, na praça pública, a Filosofia é o diálogo é uma expressão oral é a tradição mais antiga do povo é o costume de contar causos, é debater e discutir sobre inúmeros assuntos e temas que nos inquietam.


A Filosofia é importante justamente porque dá oportunidade para os alunos de exercitarem uma nova opinião a respeito do mundo e possibilita que se vejam as coisas de uma nova perspectiva, justamente, pela justaposição de ideias e pelo debate sadio guiado pela lógica e pelo rigor do pensamento; 


nas séries iniciais, para crianças e adolescentes, a Filosofia tem um ligação estreita e natural com a história, não uma história como simples arrolamento de fatos, mas sim a história crítica, uma história "viva" por assim dizer, que influencia, de fato, as nossas vivências. 


Outra característica da Filosofia para estudantes em séries iniciais, diz respeito a sua abrangência, é possível tocar em uma diversidade praticamente infinita de assuntos; ética política, estética, sexo, religião, amizade entre tantos outros, sem dogmatismo ou fanatismo, apenas com o rigor do pensamento e muito debate, o que contribui para a formação da "pessoa humana".


A Filosofia para séries iniciais está em total concordância com a pedagogia de Paulo Freire, que nos aproxima da proposta do ensino de Filosofia como uma ferramenta emancipadora, capaz de formar indivíduos que pensem por si mesmos e não se deixem levar por líderes inescrupulosos e manipuladores, tomando em suas mãos, como uma sociedade de emancipados, os destinos de sua nação. 


O MÉTODO DE LIPMAN


Como vimos até aqui, é vital para a mudança que todos queremos em nossas sociedades o fomento de um pensamento crítico o mais cedo possível, e é a Filosofia, juntamente com a Sociologia e as Artes, as matérias destinadas à esta tarefa.


E esta mudança passa diretamente pelo método que vai se adotar para a implementação de um pensamento tão complexo e desafiador;


por isso, já nos encaminhado para o final de nosso artigo de hoje, gostaríamos de detalhar melhor a Filosofia de um pensador que dedicou a sua jornada a pensar um mundo melhor e de mais esperança, partido justamente de nossos jovens.


Aqui devemos deixar muito claro que não basta simplesmente aplicar o método Lipman de ensino nas escolas brasileiras e esperar que os problemas se resolvam;


devemos ter me mente que a escola brasileira apresenta características próprias e o Brasil é um país grande e de problemas complexos que exigem um engajamento de todo o corpo educacional, políticas públicas eficiente em âmbito nacional, estadual e municipal além de um envolvimento maciço da sociedade em geral;


de qualquer forma, é válido conhecer e adaptar o método Lipman à realidade brasileira para estabelecer um caminho para o ensino de Filosofia nas série iniciais.   


A motivação de Matthews Lipman para desenvolver seu método partiu de sua própria experiência como professor da Columbia University;


ele percebeu em seus alunos uma extrema dificuldade em matérias que exigiam um raciocínio lógico, notando esta falha ele julgou que o problema estava na base, nas séries iniciais, por isso, decidiu trocar a universidade pelo Segundo Grau cambiando da Columbia university, para o Montclair State College, uma escola de Segundo Grau, isso em meados de 1972; 



Lipman encontrou uma saída muito original, na verdade, o que ele fez foi trazer para o mundo dos jovens, usando uma linguagem acessível à eles, os problemas filosóficos que assolam a humanidade desde sempre, ele encontrou uma pedagogia para trabalhar com os jovens; 


A sua comunidade de investigação desenvolveu e escreveu histórias infantojuvenis com temas e problemas de Filosofia que ele chamou novelas filosóficas em um trabalho primoroso em reconstruir os problemas filosóficos em uma linguagem das crianças e dos adolescentes; 


os nomes das novelas filosóficas são de crianças que são os próprios personagens das histórias e cada respectiva história tem problemas trabalhadas para cada faixa etária especifica; 


para alunos das 1ª e 2ª série temos Guga, para os estudantes da 3ªe 4ª séries temos Pimpa, para os alunos da 5ª e 6ª série vamos encontrar a Luísa e para os alunos da 7ª e 8ª série, já adolescentes, temos a historinha Rebeca;


Todos estes títulos têm tradução para o português e são facilmente encontrados. 


Ao ler as novelas filosóficas os alunos se deparam com os grandes problemas da filosofia traduzidas para linguagem que eles podem entender se deparam também com estilos de pensamento dos personagens e com uma comunidade de crianças e adultos investigadora; 


deparam-se com estilos diferentes do texto, com a diversidade da leitura que podem ser proporcionada sobre o texto, deparam-se  com um campo amplo de experiências, temas, problemas e personagens que intrigam e se tornam objeto de reflexão.


A proposta de Lipman também conquistou inimigos... 


Existem preconceitos generalizados sobre o trabalho deste filósofo que vão desde o fato do autor ser norte-americano até as queixas de se estar baixando muito o nível da Filosofia com as novelas voltadas para o público infantojuvenil; 


Como você deve ter notado, nós aqui do Blog não temos nenhuma crítica ao trabalho do Professor Lipman, muito pelo contrário, obviamente, como tudo que é humano, suas teorias não são perfeitas, mas se mostram como um esforço autêntico em acabar com o gueto do pensamento crítico/filosófico que faz Filosofia somente para os seus pares, com tratados densos, cheios de floreios e jargões e afastam as pessoas comuns do fantástico mundo da Filosofia. 


Ora, se almejamos construir uma sociedade mais justa, livre das influências mercadológicas que imperam hoje, nada melhor do que mirar nossos esforços em implementar, nos jovens, o advento de um pesamento crítico e emancipatório, além de uma visão de mundo mais socialista e menos individualista que se importe com as condições de vida de todos os seres humanos.   


Nada temos a perder em inserir nas séries iniciais o ensino de Filosofia e do pensamento crítico, assim vamos formar uma população muito mais criteriosa e mais crítica, no fazer, no pensar e no escolher


Não se trata de baixar o nível da Filosofia, mas sim de aumentar o nível crítico das pessoas, trazendo a Filosofia para todas as pessoas e eliminando as "castas filosóficas". 


A despeito das críticas ao método Lipman, aqui, reconhecemos o esforço autêntico de Matthew Lipman em trazer a Filosofia e seu pensamento crítico à todos os públicos, desfazendo os guetos da informação que compartimentam o saber em castas de "filósofos acadêmicos".
A Filosofia não é exclusividade da academia, muito pelo contrário, é mais uma manifestação naturalmente humana que as nossas sociedades recalcam, nós, como educadores que somos, temos a obrigação em devolver a Filosofia a quem lhe é de direito; à todo o ser humano. 



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E aí gostaram do artigo desta semana ??


Muito gratificante para mim fazer esta pesquisa, afinal, uma de nossas lutas e trazer a Filosofia para todos as pessoas e desfazer o estereótipo de que a Filosofia é coisa de gente inteligente demais ou doida demais, ou seja, uma coisa que não serve para pessoas comuns;


nada mais prejudicial para uma sociedade pensar desta forma, pois, se recalca o penamento crítico e questionador que todos nós temos, de forma inata e natural.


Antes de encerramos gostaria de falar mais algumas informações sobre Matthew Lipman que ficaram de fora de nosso artigo: 


Em 1960 Lipman criou um programa de Filosofia para crianças em todo mundo, 50 países se envolveram no projeto, entre eles o Brasil; 


Mas foi somente na década de 1980 que a proposta dele começou a ganhar corpo no Brasil, suas ideias chamaram atenção porque ele foi um dos primeiros filósofos pensar uma relação próxima entre as crianças e a filosofia;


Em 1972, quando trocou a universidade pelo ensino médio, criou o Institute For The Advancement Of Philosophy For Childrem (IAPC)  instituição de abrangência mundial que fomenta o ensino de Filosofia para crianças e funciona até os dias atuais.


...


Por fim, gostaríamos de celebrar todas as pessoas, conhecidas ou anônimas, que dedicam as suas vidas na emancipação de outras pessoas;


se dedicar ao outro é talvez uma das missões mais nobres da humanidade;


são essas pessoas que, muitas vezes, deixam de lado suas famílias, amigos e seus sonhos pessoais para se realizarem nas conquistas de seus semelhantes; 


em um mundo tão individualista como o nosso é preciso parabenizar esses heróis que salvam vidas da ignorância.  


...


e no mais, esperamos que vocês tenham gostado do artigo de hoje e esperamos encontrar vocês aqui para mais uma reflexão semana que vem;


até lá e cuidem-se !!












      



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