A ESTRUTURA PSICOLÓGICA HUMANA


 
Olá Escritores !!


Preparados para o artigo desta semana ??

Semana passada, em nosso artigo O PENSAMENTO CRÍTICO PARA O PÚBLICO INFANTO JUVEENIL, colocamos sob questão a suposta "verdade" que supões ser nossas crianças e adolescentes indivíduos desprovidos de capacidade crítica.

Como vimos, isso não é verdade e as crianças, já na primeira infância, são capazes de reconhecer e lidar com situações do cotidiano, tomando decisões baseadas em seu próprio julgamento.

Não obstante, estamos todos sob a edge de uma estruturação psíquica que forma os indivíduos calcados, por sua vez, em uma cultura vigente. 

No artigo de hoje vamos falar um pouco sobre esta nossa  estruturação psicológica:

Qual é a dinâmica do desenvolvimento psicológico e as implicações sociais deste desenvolvimento?

Como uma criança se torna um indivíduo autônomo, complexo e único, se formando no seio de uma estrutura familiar? 

...

Estas são algumas das questões que vão nos guiar em nossa reflexão de hoje.

Vamos lembrar que, cada um de nós, precisamos ter uma estruturação psíquica saudável para lidarmos com as situações que se apresentam em nosso cotidiano.

Uma estruturação psíquica saudável é condição necessária para uma boa estabilidade emocional, ela está diretamente relacionada com uma organização mental que permite ao indivíduo lidar de forma estável com situações laborativas, ou seja, relações sociais interpessoais em diversos níveis. 

Esta estruturação psíquica é construída em nossas relações em sociedade e na cultura a qual estamos inseridos e,  principalmente, no núcleo base da sociedade, a família.

As crianças estão em fase de construção desta estruturação e é a família a primeira responsável por esta inserção, é ela que "guia" as crianças por meio de suas relações diretas.

Antes de adentramos em nosso assunto de hoje cabe uma breve observação:

O artigo de hoje segue a linha Freudiana de pesquisa o que nos serve apenas como um referencial teórico, nunca como uma verdade absoluta.

É sempre bom lembrar que respeitamos todas as opiniões e visões de mundo diferentes da nossa, desde já, você está convidado a vir escrever um artigo sobre o tema em qualquer outra perspectiva ou autor que lhe convier.

Feita esta breve observação desejamos para você uma; 

Boa Leitura !! 






A CULTURA, A PALAVRA, A FAMÍLIA 


Como uma criança, que é pura vontade e nenhuma racionalidade, passa de seu estágio inicial para se tornar um indivíduo autônomo, complexo e único? 


Qual é a dinâmica do desenvolvimento psicológico e quais são as implicações sociais deste desenvolvimento?


Na base das respostas que procuramos nesta intrincada, complexa e sistemática investigação podemos citar a cultura como um bom "ponto de partida";


cultura aqui entendida como uma forma das conquistas humanas passarem de geração a geração, revelando um extraordinário “acúmulo de forças” no qual uma geração pode desfrutar dos feitos das gerações precedentes, não só no que diz respeito às conquistas materiais, mas também de valores e condutas. 


É a partir da cultura que vai se estabelecendo os valores válidos para um tipo, vai se fixando a conduta moral de um povo.


Um ser humano somente se formará como uma "pessoa humana" se estiver inserido no contexto de uma "cultura humana". 


Pois, a nossa racionalidade, a pérola que nos distingue dos animais não humanos, é o resultado direto da cultura humana, da aglomeração, das sociedades, do conjunto das realizações humanas efetuadas no decorrer histórico, sendo impossível para um individuo se formar como tal longe da cultura humana;


e, atrelado à cultura de forma intrínseca e inseparável, está a palavra, a capacidade humana para a fala. 


A palavra constitui o alicerce fundamental da racionalidade humana, ela estrutura uma intrincada rede simbólica usada por cada um de nós para dar sentido ao mundo que está à nossa volta. 


Portanto, é a palavra que está na base elementar da cultura que, por sua vez, nos serve de alicerce para que possamos nos estruturar psiquicamente em nossas vivências diárias.


Toda esta dinâmica que, no decorrer histórico, foi nos distinguindo dos outros animais e nos tornando cada vez mais humanos é uma "herança humana" que recebemos por meio da cultura. 


É importante pontuar que, a cultura não é uma manifestação única, ela vai se desenvolver de variadas formas dependendo de uma série de fatores, com características próprias que vão depender de componentes étnicos, culturais, políticos e territoriais, em outros termos, cada povo, de cada parte do globo, vai desenvolver uma cultura diferenciada e particular, todas sedimentadas na palavra. 


A cultura de um determinado povo tem a ver com o lugar, com a ancestralidade, por exemplo, um povo que vive perto do mar, que tira do mar o seu alimento, sente na pele suas intempéries, busca no mar suas respostas existenciais criando para si toda uma religião e uma explicação soteriológica baseada em coisas do mar, vai desenvolver uma cultura voltada para elementos do mar; 


assim como um povo que vive em montanhas altas e geladas vai formar uma cultura voltada para elementos da montanha; 


ou ainda um povo que vive em uma densa floresta vai elaborar uma narrativa mítica, religião, linguagem e cultura voltada para elementos das florestas e assim por diante. 


Ou seja, nossa cultura e a nossa forma de lidar com a realidade, desenvolvendo nossa cultura própria em nosso caminhar histórico está diretamente ligado ao pedaço de terra que habitamos.


Em todo este intricado processo, para além da importância da cultura e da sociedade na formação de uma individualidade, existe um núcleo social muito mais conciso, no qual gostaríamos de focar a nossa atenção nesta parte de nosso artigo de hoje: 


família


é a família a base fundamental na formação da psique humana individual, é ela a responsável por inserir em um mundo posto o indivíduo, introduzindo neste indivíduo os elementos fundamentais da cultura vigente.


A dinâmica familiar é extremamente complexa, composta de relações interpessoais muito intricadas, íntimas e confusas entre si.


Veremos, nas páginas a seguir, que a dinâmica familiar se dá em um cenário onde as emoções se confundem; 


amor e ódio, risos e choro, sexo e desejo perdem suas linhas fixas e se misturam em uma profusão de emoções com as quais temos que lidar.


São nestas relações complexas que se forma a personalidade dos indivíduos como veremos a seguir.  


AMOR E ÓDIO; ELEMENTOS FUNDAMENTAIS NA DINÂMICA FAMILIAR


A família constitui uma das principais instituições humanas na formação do sujeito, ela está na base, inserindo este indivíduo na sociedade civil, estabelecendo os valores aos quais se está submetido por um contrato tácito efetuado pelos membros de uma determinada comunidade. 


Neste ponto de nosso artigo é bom esclarecer, caso ainda não tenha ficado claro, que estaremos considerando aqui todos os tipos de constituição familiar e não unicamente a chamada “família tradicional” (homem, mulher e crianças); 


família são os elementos que vivem juntos e dividem a responsabilidade em inserir um indivíduo a uma sociedade posta, com sua cultura, regras de condutas e comportamentos ético/morais aceitáveis.


A nosso ver, seria um erro se não considerássemos o fato de que houve mudanças significativas no conceito de "família", sendo impossível e, até mesmo anacrônico, estabelecer uma meta de pesquisa considerando um modelo único de família.


Feito este esclarecimento e retomando nossa investigação, dizíamos que o amor está na base das relações familiares, no entanto, estamos longe do conceito de amor dos amantes apaixonados (o Eros grego) ou das concepções de amor romantizadas, com um objeto definido para onde o amante direciona o seu desejo, ou das várias formas de amor como a afeição por outra pessoa por laços amizade, admiração ou de consanguinidade ou ainda das demonstrações de adoração, zelo, veneração, dedicação e tantas outras formas de compreensão desde complexo tema. 


Aqui, sob o pretexto de nossa investigação, nos referimos ao sentimento “amor” como a energia motriz inconsciente, a pulsão fundamental individual que, mediada por um outro, moldará uma individualidade única e formará uma personalidade, um “eu” (Ego) calcada em uma cultura estabelecida. 


Além disso, no sentimento de amor com viés psicanalítico, que estamos tentando estabelecer aqui, fica impossível proceder uma diferenciação entre amor e ódio. 


Estas duas forças psíquicas são complementares e indissociáveis, uma existindo diretamente pela contraposição à outra, sendo uma diretamente complementar à outra, estas forças surgem na infância sob formas primitivas. 


O amor, nesta fase, começa por uma autoabsorção narcisista, ou seja, a criança fecha-se em si mesma, se nota, se vê, se admira, percebe seu corpo, inclusive os seus órgãos sexuais e concentra seus impulsos eróticos para assegurar um objeto de amor/ódio; 


em um primeiro momento, ela escolhe a si mesma como objeto de desejo, em um erotismo difuso, vencida esta fase, subindo uma complexa escala de desenvolvimento ligando-se aos instintos sexuais para proporcionar gratificações (prazer), a criança muda seu objeto de desejo para os outros, durante o amadurecimento as crianças passam por inúmeras e complexas modificações.


Numa dinâmica familiar estamos falando de relações entre sujeitos(egos) e objetos, nesta complexa relação o mesmo objeto do amor é também o objeto do ódio. 


Para uma criança, inserida no seio de uma família, o outro (os tutores) é aquele que cuida, que alimenta, que veste e dá suporte emocional e, concomitantemente, é aquele que diz "não", que proíbe, que castiga e constrange, em outros termos, o mesmo sujeito que é alvo do amor e da devoção da criança é, ao mesmo tempo, alvo do ódio, da insatisfação e da revolta da criança.  


A personalidade se forma de relações complexas e contraditórias nas interações diárias. 


Desde o nascimento, o sujeito está exposto a muitas influências vindas principalmente de seus tutores e, estas influências, no decorrer dos anos, tendem a aumentar e se complexar. 


Em anos de convivência com seus tutores a personalidade infantil vai tomando forma, movida pela influência e pela a ação de um outro. 


Seja pelo encorajamento ou pela resignação, pelo elogio ou pela censura, pelos exemplos e pelas ações, boas ou más, é inegável que o outro vai influenciando a personalidade em formação da criança, não a determinando, mas influenciando. 


O desenvolvimento psíquico da criança se dá por Pressões externas lutando permanentemente contra impulsos internos, uma dinâmica mental causada pelo outro na relação familiar.  


Quando dizemos na “relação familiar” estamos nos referindo a qualquer um (independente da quantidade de membros, sexo ou qualquer outra característica) que esteja se relacionando com a criança em suas fases de desenvolvimento. 


Reiteramos mais uma vez, que o conceito de família é abrangente, portanto, entenda aqui o conceito “família” como o núcleo social básico responsável por receber e inserir uma personalidade em potencial em um mundo posto.


A criança constrói sua personalidade não sobre o modelo de seus pais (ou tutores) propriamente dito, mas sim sobre o modelo do superego parental. 


Afinal, como vimos semana passada, mesmo que a criança dependa de seus responsáveis ela possui uma personalidade latente e a capacidade crítica para lidar com situações do dia a dia.


Precisamos ter em mente que a criança lida com estes dilemas no contexto de seu mundo infantil, ou seja, não é uma personalidade formada, como a de um adulto, mas uma personalidade "em formação" a qual não pode ser atribuída nenhuma responsabilidade e também não pode ser ignorada e tratada com um indivíduo sem capacidade crítica.


Trata-se de uma relação complexa, ambígua e paradoxal, como tudo que é humano.


No princípio, lutando com seus sentimentos ambivalentes, a criança deseja a si mesma, depois deseja o outro e posteriormente quer se colocar no lugar do outro, ser o outro. 


Tudo que forma uma personalidade; as visões de mundo, os conceitos éticos, a moral, os temores e toda a gama de possibilidades da individualidade humana, suas neuroses e vicissitudes transcorridas do início ao fim da vida, tudo isto, resultado de um conflito interno, centrado no amor e no ódio, o outro para uma personalidade em formação, é um ideal, um objeto, um auxílio, um protetor e um adversário.


Para a psicanálise, todas as características da personalidade de um indivíduo, sejam elas boas ou más, são formadas nas experiências obtidas na infância


Por isso reiteramos que esta fase da vida humana em seu desenvolvimento na sociedade deve ter uma atenção especial, tanto da sociedade civil organizada, como de nós, com indivíduos, assim como políticas publicas de Estado concisas e continuadas para a proteção da saúde mental dos  membros da sociedade.


Para que possamos implementar uma sociedade mais sadia mentalmente e menos neurótica.


O desenvolvimento do sujeito se dá de forma psicossexual, mas seria um erro grave comparar a sexualidade em formação de uma criança com a sexualidade de um adulto formado, as condições físicas e psicológicas da criança nunca permitiriam isto, devemos considerar que os desejos e emoções das crianças assumem formas muito variadas, nem todas de cunho estritamente erótico.


Quando falamos de sexualidade infantil estamos falando da busca por situações de prazer, uma mente em formação age pelo princípio do prazer, sendo assim, uma criança toma suas atitudes buscando a imediata gratificação, sem nenhuma restrição interna ou externa, evitando o que for doloroso ou desprovido de prazer, por isso as crianças pequenas são "pura vontade" e fazem qualquer coisa para prolongar uma situação prazerosa. 


Conforme a criança cresce e vai se desenvolvendo, entendendo melhor a dinâmica da realidade, o principio do prazer é substituído pelo principio de realidadeeste princípio é caracterizado pela antecipação da gratificação, onde se aceita o desconforto mediante a certeza da gratificação. 


Para o amadurecimento do indivíduo é preciso superar o princípio do prazer pelo princípio da realidade, isto indica uma “aceitação de  mundo", é quando as crianças começam a entender que suas vontades não podem ser todas realizadas. 


Vai percebendo o leitor que a sexualidade infantil passa longe da sexualidade de um adulto, de fato, este é mais um processo confuso e complexo na formação humana. 


Na esteira da sexualidade infantil, quando o indivíduo chega à puberdade e entra em cena as partes erógenas, propriamente ditas - pênis e vagina - as atividades sexuais envolvendo estas partes podem ser consideradas como o início da vida sexual dita “normal”.


As aspas na palavra normal indicam o entendimento de que a sexualidade humana abrange um escopo muito mais amplo do que concebe uma única definição. 


Vida sexual tange um domínio amplo e diferenciado de sentimentos conscientes e impulsos inconscientes, e não se refere unicamente ao coito. 


Devemos ter em mente que qualquer objeto pode servir para uma satisfação sexual, assim como qualquer parte do corpo pode ser uma zona erógena. 


O que vai ser considerado "normal" passa pelo crivo do que a sociedade vai considerar um comportamento aceitável, em outras palavras, a ação do Superego agindo no ID.


Conseguindo passar por todos estes conflitos internos em relativa saúde mental, temos o indivíduo; 


assediado por necessidades inconscientes, atormentado por sua incurável ambivalência, com seus amores e ódios primitivos, mal contidos por coerções externas e sentimentos de culpa internas;


aí está o sujeito dito “normal” produzido por nossa cultura. 


Como uma implicação social direta destes processos tem-se a formação deste sujeito neurótico, em outros termos, nós. 


Todos nós sofremos uma pressão vinda de uma mega estrutura (Superego), que suprime a nossa sexualidade e reprime nossos impulsos, muitos dos quais não conseguimos sequer falar, os chamados "tabus", aqueles temas que, inconscientemente, evitamos.


...



Nosso artigo de hoje tem a intenção de um aprofundamento na estrutura psíquica dos membros de nossas sociedades que, como vimos, produz muitos indivíduos neuróticos por não encontrarem formas de se expressar, tanto em sua sexualidade latente como nas pulsões, sentimentos complexos e cobranças internas que nos atingem, queiramos ou não. 


Por fim, tudo que podemos fazer em nossa limitada condição é reconhecer o estado em que nos encontramos para o fomento de uma sociedade que, ao menos, tenhas as condições para pôr sobre a mesa a gama de problemas que carregamos dentro de nós mesmos, tanto como uma sociedade doentia, assim como, indivíduos neuróticos, complexados e recalcados que somos. 



Em nossas relações interpessoais, principalmente na família, vamos construindo a nossa estruturação psíquica que nos ajuda na lida em um mundo caótico e fora de nosso controle, em outros termos, para sermos nós, primeiro precisamos ser um outro. 
esta é uma das incontáveis contradições do mundo humano. 



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E aí gostaram do artigo desta semana ? 


Nosso tema desta semana entra como um complemento do assunto que tratamos semana passada, já que continuamos falando do desenvolvimento infantil.


No entanto, desta vez, entramos no desenvolvimento psíquico que abrange o desenvolvimento dos indivíduos partindo da infância, onde nosso desenvolvimento psíquico começa, fomentado pelas nossas relações mais íntimas entre as pessoas que nos criam e nos educam.


Sem dúvida, um assunto muito complexo que, certamente, deverá ser melhor trabalhado em artigos posteriores.


Por ora, esperamos que você tenha tirado proveito de nossas reflexões. 


Semana que vem estamos de volta, contamos com a sua companhia;


até lá e cuidem-se!!  

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