O CAMINHO SOLITÁRIO NA BUSCA PELA SABEDORIA E A IMPORTÂNCIA DA AMIZADE

Olá Escritores!!


Preparados para o artigo desta semana ?


Conforme esclarecemos em nosso último artigo, O POPULISMO E A PARUSIA POLÍTICA NA AMÉRICA LATINA, publicado em 01/08/2022, lá no encerramento, demos uma breve pausa em nosso espaço para que pudéssemos nos dedicar integralmente à última fase do curso e apresentar o TCC.


No final, deu tudo certo e podemos dizer, com todas as letras, que concluímos esta longa e extenuante jornada, pois é justamente nesta fase de nossa caminhada, passando por tantas histórias, perrengues e sentimentos que resolvemos retornar dessa breve pausa refletindo sobre temas, no mínimo, interessantes:


AMIZADE, SABEDORIASOLIDÃO.


Afinal, quem, na busca pelo conhecimento, não se sentiu solitário? 


Somos nós que nos afastamos dos amigos ou são eles que se afastam de nós? 


Será que é realmente necessário este afastamento?


Estas são as principais questões que vão nos guiar em nossa reflexão de hoje.


É natural que, quando necessitamos nos dedicar aos estudos, precisamos, automaticamente, de muita concentração e, consequentemente, de solidão.


Com isso notamos um afastamento natural de nossas amizades e, quanto mais aprofundada é esta busca pelo conhecimento, mais solitário será o caminho.


Afinal, uma coisa é se afastar dos amigos para estudar para uma prova, adquirindo um conhecimento específico, fazer a prova e depois voltar à normalidade, outra coisa é se dedicar a um estudo mais sério, assumindo um compromisso de muitos anos, como uma faculdade, por exemplo, e existe ainda uma outra possibilidade que é fazer dos estudos um "estilo de vida" na busca de uma sabedoria de vida, um auto conhecimento mais elevado, como uma filosofia de vida;


Quanto mais compromisso com a busca pela sapiência, mais solitário será o caminho.


No entanto, mesmo que a busca pelo conhecimento seja um caminho solitário, as amizades são fundamentais nesse processo, são nossas amizades verdadeiras que vão avivar em nós a chama ardente que nos guia no caminho reto, são nossas amizades que indicam o que procurar na busca pela sabedoria de vida.


Nossas amizades autênticas estão presentes conosco em nossos momentos de solidão nos estudos. 


É sobre esta complexa correlação entre solidão, conhecimento e amizade que vamos refletir em nosso artigo de hoje e, para nos auxiliar em nossa análise de hoje, vamos nos valer do confucionismo, a filosofia oriental, tão ignorada por nós no ocidente.


Desejamos para você uma;   


Boa Leitura !







A busca pelo conhecimento pode ter variados motivos;


Seja a busca motivada por razões estritamente pragmáticas, como passar em um concurso e melhorar de vida, por exemplo, seja para ganhar aquela tão sonhada promoção no trabalho, seja para escapar da recuperação, para conseguir um diploma universitário ou pela busca em se tornar um sábio em uma jornada pessoal de autoconhecimento e crescimento espiritual, seja qual for o seu motivo na busca pela sabedoria, uma coisa é certa:


O caminho na busca pela sabedoria é solitário.


Toda a pessoa que busca o conhecimento e faz disso uma demanda séria, levada a cabo por meio de esforço e disciplina, em algum momento, vai olhar em volta de si e se perceber em um estado solitário.


Mas afinal, por que será que isso acontece?


...


Antes de nos aprofundarmos mais nessas questões é preciso pontuar algumas minudências:


Como dissemos há pouco, existem vários motivos para a busca do conhecimento, algumas vezes são motivos profundos como uma busca pelo auto conhecimento, por um aprofundamento nas grandes questões da humanidade, às vezes, é para garantir o sustento da família e a busca por uma melhor colocação no mercado de trabalho, muitas vezes é só para salvar o ano e não reprovar na escola, enfim, a busca pelo conhecimento pode ter incontáveis fontes e tem várias significações e sentidos distintos.


Aqui, a título de nossa investigação, estamos nos referindo a busca de um conhecimento mais aprofundado e filosófico, ou seja, estamos nos referindo a busca de uma "sabedoria de vida" que abranja certa religiosidade, aquele sentido mais profundo e transcendental que visa um autoconhecimento e um crescimento espiritual.


Mas que fique claro que todo tipo de busca por um  conhecimento é um caminho solitário, a diferença se dá na consistência da busca, ou seja,  quanto mais aprofundado for sua busca mais solitário será sua trajetória.


A solidão no caminho pela sabedoria ocorre por um princípio bem evidente:


A vontade em ser mais sábio, seja pelo motivo que for, parte do "eu" e não do outro, mesmo que o outro tenha um papel fundamental nessa busca, como vermos em breve.


É uma decisão estritamente pessoal querer saber mais, afinal, quem, além de nós mesmos, seria capaz de conhecer profundamente as próprias limitações?


Portanto, a consciência de nossas falhas parte de nós, no entanto, esta "consciência de si", de nossas imperfeições e deslizes vêm de nosso convívio social, de nossa relação com os outros.


É olhando o outro como um espelho de nós mesmos que compreendemos a nossa situação no mundo.


Então, note o leitor que, apesar de ser um caminho pessoal e individual, a busca pelo conhecimento parte, pelo menos em princípio, de nossa convivência com os outros, existe aí uma dinâmica que vai do social para o individual.


É em nosso convívio social, com nossos amigos, familiares, colegas de profissão que tomamos conhecimento de nossas limitações, em nossas relações interpessoais, observando as características particulares das pessoas que nos cercam, seus defeitos e qualidades, em um movimento reflexivo, tomamos a consciência de nossas falhas e, procurando melhorá-las, buscamos o conhecimento.


Confúcio, um grande pensador da China, expoente da filosofia oriental, da qual temos pouco contato infelizmente, voltou seus pensamentos para esta questão da solidão na busca pela sabedoria e o papel do outro nesta busca.


Dirá ele no Lunyu (ou "Diálogos"):


- Coloca-me na companhia de duas pessoas escolhidas ao acaso e elas invariavelmente terão algo para me ensinar. 

Poderei tomar suas qualidades por modelo e seus defeitos como alerta.


Assim, nós somos definidos por nossas relações com nossos amigos, não por uma imposição, mas sim pela via do exemplo e da conduta deles e, nesta relação, não visamos mudar os outros, mas buscamos mudar a nós mesmos incitando em nós o que há de melhor em nossas relações.


Por isso o sábio - ou melhor dizendo, aquele que busca ser sábio - busca nas suas amizades retirar um extrato do que for "o melhor" de suas relações, em outros termos , o sábio busca nos outros a realização do seu eu.


Se tendemos escolher nossos amigos por laços de afinidade, exemplos, companheirismo, amor, admiração entre outros laços benéficos à todas as partes podemos concluir  que nós e nossos amigos somos companheiros de uma mesma jornada chamada "vida" e, como tal, somos compelidos a nos ajudar mutualmente sempre auxiliando àqueles que consideramos nossas amizades verdadeiras extraindo uns dos outros sempre as melhores e mais produtivas características.


Esta ajuda mútua, altruísta e verdadeira que naturalmente existe entre amigos é o que, na filosofia de Confúcio, vai ser chamada de "Ren" - humanidade (altruísmo) -  somente dentro deste espírito de altruísmo sincero e ajuda mútua pode haver uma amizade autêntica, por interesse ou por puro pragmatismo é impossível haver uma amizade verdadeira, logo é impossível uma busca genuína pela sabedoria cercado de falsa amizades.


Ironicamente, cercado de falsas amizades na busca pela sabedoria, o postulante jamais ficaria só, pois as falsas amizades sempre estarão a rondar aquele que serve aos seus propósitos, em nome de benefícios pessoais.


Por isso Confúcio vai dizer que existem 3 tipos de amizades que devem ser fomentada e 3 tipos que devem ser evitada:


- A amizade com os retos, os dignos de confiança e os sábios é benéfica.

A amizade com os desviantes, os nefastos e os eloquentes é nefasta.  (Lunyu, 16)   


Assim sendo, por motivos vis não pode haver amizade sincera, nem agregação muito menos união, pois, é da natureza da falsa amizade desagregar, desunir. 


Na amizade baseada em motivos egocêntricos como poderia haver uma amizade sincera e, mais ainda, uma autêntica busca pela sabedoria?


infelizmente, esta sabedoria de vida que busca um crescimento pessoal por meio de amizades sinceras em nosso tempo e lugar (modernidade-ocidente) é muito raro, é lugar comum verificarmos a associação de indivíduos unidos por laços estritamente utilitaristas e ególatras, que visam um bem ou uma vantagem pessoal em detrimento da genuína busca pela sabedoria de vida. 


Nossa mentalidade ocidental/capitalista coloca os indivíduos como simples meios para um fim e, por consequência, estamos cercados de falsas amizades, meramente pragmatistas.


Dada esta realidade, passa a ser parte de nosso autoconhecimentos reconhecer e evitar este tipo de amizade perniciosa que tolhe nosso crescimento individual. 


Devemos desenvolver a capacidade de reconhecer em nossas relações aquelas que nos proporcionam um crescimento espiritual verdadeiro, amizades que nos fazem crescer como seres humanos melhores, nos depurando de nossos preconceitos atávicos.


...


Amizade é, portanto, amor verdadeiro. 


Um "compartilhamento" de sabedorias que trilham seus caminhos distintos e solitários e dividem com seus pares somente o que for virtuoso, é, portanto,  o ideal de uma busca em comum, não balizada em coisas ou em benefício pessoal, mas sim de uma sabedoria de vida, um trilhar o caminho da vida autêntica.


Uma verdadeira amizade vai muito além do simples prazer da companhia, ela nos incita a um olhar intimista, um voltar os olhos para dentro de si procurando reconhecer nossos erros e corrigi-los, em busca de uma excelência ética, reformulando nossa conduta íntima.


Na busca pela verdadeira sabedoria seria impossível não ter amigos, eles são a nossa ferramenta mais importante, é a amizade que nos dá o real sentido da fria solidão dos estudos, na busca por uma sabedoria de vida. 


Nossos amigos nos permitem um olhar "espelhado", no fundo de noss'alma, aquele olhar de terceiros que somente um outro seria capaz de realizar, ele nos molda rumo ao verdadeiro humanismo (Ren), um contraponto ao nosso extremado individualismo ocidental que vê nas relações apenas uma função pragmática.


Neste sentido, em uma era de redes sociais, engana-se redondamente quem pensa que ter muitos amigos(ou seguidores) é sinal de uma vida virtuosa, costuma a ser justamente o contrário disso, o sentido da verdadeira amizade não pode ser medido por aparência ou por quantidade, está no íntimo de quem conhece a verdadeira amizade e, para conhecer a amizade, é preciso sabedoria que, por sua vez, exige um esforço franco. 


Amizade, sabedoria e solidão se retroalimentam em um círculo virtuoso, dando um verdadeiro sentido para a busca e para a vida. 


O valor da verdadeira amizade não é medido por vantagens, mas sim pela possibilidade de nos fazer crescer como seres humanos melhores, é a amizade verdadeira que dá o sentido da solidão na busca por sabedoria e uma espiritualidade autêntica, ela nos transforma em pessoas melhores, mais corajosas e aptas a lidar com os grandes mistérios da vida.
Cercados de falsas amizades, tudo que se tem é ilusão, engodo e fuga dos reais problemas existenciais
.   



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E aí, gostaram do artigo desta semana ?


no artigo de hoje verificamos a importância dos amigos para nos tornamos pessoas melhores em um mundo extremamente individualista, indiferente e consumidor como o nosso.


Também foi legal tangenciar, mesmo que de forma superficial, um pouco da filosofia oriental da qual, quase nunca, ouvimos falar. 


Como fonte de pesquisa para o artigo desta semana  no valemos da tradução do livro Lunyu (ou Diálogos) disponível no Blog Projeto Orientalismo, além de artigos sobre o tema, anotações pessoais e uma pesquisa na net, disponível para qualquer um que quiser se aprofundar no tema.


Gostaria de exaltar a importância de todas as minhas amizades verdadeiras, aquelas pessoas que me fazem ser o melhor que posso ser e, em especial, gostaria de destacar uma dessas amizades, uma pessoa que é um farol na minha vida, sempre me guiando nos caminhos tortuosos e cheios de armadilhas da vida na direção do que é certo.


Hoje, dia 20/08, é aniversário de minha irmã Luana e como nossa temática de hoje abrangeu a importância da amizade em nossa jornada chamada "vida" gostaria de dedicar o artigo de hoje para a aniversariante do dia, sem dúvida uma grande amiga que me ajuda muito com sua conduta ilibada frente aos desafios que vão se apresentando.


Parabéns minha irma/amiga uma pessoa que está comigo em todos os dias da minha vida! 


Uma daquelas amizades verdadeiras que estimula o melhor do que posso ser, um exemplo de vida vitoriosa, um modelo no qual posso me espelhar, para deixar fluir, sem medo da vida, o melhor que posso ser.


Minha irmã, minha amiga até o fim ... 


Parabéns maninha !!!


A melhor amiga que eu poderia ter!!
Parabéns pra você Luana !!
  



...


No mais, esperamos encontrar vocês aqui semana que vem;


Até lá e cuidem-se !!    


   



 





 


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