MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE VII - A CHEGADA É SÓ O COMEÇO...

 Olá escritores !!


Preparados para o artigo desta semana?


Eu nem acredito que chegamos tão longe nesta incrível jornada! Hoje dando o nosso sétimo passo!!


Quando comecei este empreendimento não tinha ideia que iria desenterrar tantas lembranças, sentimentos, sensações e revisitar estes fatos com um olhar tão apurado e crítico.


Hoje, depois de revisitar tantos acontecimentos, percebo que para muito além de todas as dificuldades postas em uma graduação há inúmeros fatores que envolvem uma empreitada em uma universidade pública, principalmente quando você ingressa nesta jornada cercado de dificuldades.


Lá em nosso primeiro encontro, na parte I de nossa incrível jornada, conversamos abertamente sobre as minhas dificuldades ao ingressar em uma universidade; em uma idade mais avançada, em recorrentes dificuldades financeiras e com toda aquela carga emocional.


Gosto sempre de lembrar, com o coração cheio de gratidão, que, sem a família e os amigos, eu não seria capaz de suportar toda essa pressão.


Além de toda a bagagem emocional com a qual ingressei na universidade, tenho que reconhecer que toda a efervescência política da última década influenciou bastante em minha jornada; foram episódios tão grandiosos e importantes que tiveram influxo direto no meu psicológico.


Como estamos verificando, artigo por artigo em nossos encontros, cada ano de minha incrível jornada ficou marcado por acontecimentos políticos e sociais que, somados a minha carga emocional e as dificuldades inerentes ao curso em si, afetaram profundamente meu desempenho acadêmico.


Eu tenho realmente muito o que comemorar ao concluir um projeto de longo prazo, como uma graduação em uma universidade federal, com uma bagagem emocional tão grande e em um período tão conturbado de nossa contemporaneidade;


Dos mega protestos de 2013, passando pelo golpe contra Dilma, a gestão desastrosa de Michel Temer as atrocidades da Lava Jato, a chegada da extrema direita ao poder, a pandemia até a reeleição de Lula na complicada eleição de 2018 somados as minhas perdas pessoais, as pressões, as dificuldades e aos meu estado emocional em geral, posso dizer que me saí vitorioso de tudo isso.


A década correspondente aos anos de 2013 até 2023 foi um período que, certamente, demandará muito estudo antropológico, social e filosófico nas próximas décadas e, concomitante a tudo isso, a minha jornada pessoal, que agora torna-se a "a nossa jornada" depois de meu testemunho, um registro íntimo entre eu e vocês.


Mas a nossa jornada ainda não acabou e temos um longo caminho pela frente antes do fim.


...


Em nosso último encontro, no qual abordamos o ano de 2018, o ano da aproximação nazifascista, conversamos sobre como foi difícil para mim verificar mês a mês, dia a dia, a possibilidade real de Bolsonaro e todo o seu ideário golpista chegar ao poder, ironicamente, por meios democráticos.


A democracia enfrenta muitos desafios nesta complexa era que atravessamos, conversamos sobre isso em nosso artigo DEMOCRACIA, PARADOXOS E DESAFIOS, publicado em 22/10/2022.


Mas aquele ano de 2018 trouxe outra tragédia sobre a qual gostaria de conversar com vocês em nossa reflexão de hoje...


No dia 26 de dezembro de 2018 se foi um de nossos companheiros de jornada; Bruno "Miranda" Simmer, por suicídio...


A morte prematura de Bruno foi um verdadeiro trauma para toda a comunidade acadêmica e em especial para o curso FilosofiaUFES, com repercussão na vida de muito de meus companheiros, um fato de tamanha relevância que nos deixou em uma estado de suspensão por muito tempo.


Eu tenho que confessar que hesitei ao falar sobre um tema tão delicado e fui tomado por sentimentos contraditórios assim que escrevi as primeiras linhas deste texto, ao mesmo tempo em que me sentia inseguro e com medo de ofender alguém com meus relatos, sentia que ignorar este fato tão contundente em minha jornada, nessa conversa tão franca que estamos tendo até aqui, seria um ato de covardia de minha parte. 


Tomado por estes sentimentos conflitantes e me decidindo entre falar sobre este fato de extrema importância em minha caminhada ou ignorar tudo isso em meu testemunho, acabei por encontrar alguns relatos da mãe de Bruno, Viviane Simmer, uma mulher forte, que encontrou motivos para seguir o fluxo inexorável da vida, mesmo depois de uma tragédia como esta.


Foram os seus relatos e a sua força que me convenceram de que todos que tiveram suas vidas tocadas pela vida de Bruno, em maior ou menor grau, deveriam sim dar o seu testemunho, mesmo em um tema assim tão complexo, envolto em mistérios, preconceitos e desinformação como é o suicídio.


Incentivado por esses relatos marcantes de Viviane, sua força, coragem e resiliência, eu decidi deixar aqui registrado a minha experiência pessoal com Bruno, para assim, celebrar a sua vida.  


Nosso artigo de hoje, todo ele, é uma celebração à vida de Bruno, um lembrete vívido, para todos os afortunados que tiveram a chance de conhecer este ser de luz, sobre a rara oportunidade de ter a existência iluminada por uma breve presença.


Também é dedicado a Viviane Simmer, a mãe de Bruno, uma mulher forte como poucas vezes vi na vida, uma luz que brilha quando todas as outras luzes se apagam. 


Viviane, se, um dia, este testemunho chegar até você, gostaria que soubesse que me emocionei muito com a coragem de seus depoimentos e com a força que emana de cada palavra que você diz.


...


Então, com as emoções pululando a flor da pele, vamos seguir em nossa incrível jornada, mas antes de desejar para você uma boa leitura, como é a praxe aqui em nosso espaço, devemos avisar que, como vamos lidar com assuntos delicados e que podem gerar certos gatilhos em algumas pessoas, temos que acender nossos !!!ALERTA AMARELO!!!, avisando que vamos falar sobre o suicídio, portanto, só embarque nesta etapa de nossa jornada se você estiver bem e não tenha receio em procurar ajuda se você estiver passando por um momento difícil.


Estamos torcendo por você!


Agora sim, vamos desejar para vocês uma Boa Leitura!!       





A convivência iluminada ...

A minha história com Bruno começa lá no Cafil, vocês se lembram do Cafil? Aquele aconchegante quartinho, com um sofá quentinho onde todos os estudantes de Filosofia e muitos amigos de outros cursos se encontravam?

Falamos sobre o Cafil lá na parte I de nossa incrível jornada e, como vimos lá, o Cafil tem tanto uma esfera política, voltada para a organização participativa dos estudantes na estrutura burocrática da universidade, quanto uma parte voltada para a convivência dos alunos.

Todos os dias, antes e depois das aulas, íamos ao Cafil conversar e socializar, o Cafil era um grande ponto de encontro para todos nós, um quarto de uso coletivo onde passamos muitos momentos marcantes.

Em ocasiões festivas, organizávamos festividades e fizemos muitos eventos por lá que ficaram registrados nos anais do curso.

Era quase sempre no Cafil o meu contato com Bruno, infelizmente, não tive tempo para desenvolver com ele uma amizade mais profunda, certamente, isso seria uma questão de tempo, mas nós dividíamos aquela camaradagem natural que surge de quem está dividindo uma jornada, além disso, tínhamos tantos amigos em comum que era natural que uma intimidade surgisse entre nós todas as vezes que nos encontrávamos.

Conversamos inúmeras vezes naquele sofá aconchegante do Cafil, sobre os mais variados assuntos, logo nas primeiras conversas percebi a sensibilidade, a inteligência apurada, a revolta com as injustiças do mundo se destacando em sua personalidade.

Era claro também que Bruno carregava em si muitos demônios, mas até então, eu achava que ele era apenas mais um de nós, afinal, não é incomum achar pessoas atormentadas por espectros no curso de Filosofia.

O nosso Miranda (era como ele se apresentava no curso) era uma pessoa que emanava gentileza e amor por todos os poros do corpo, era legal ver a interação dele com as pessoas, fazendo todo mundo rir com suas histórias, dando presentinhos feitos por ele mesmo para as pessoas que considerava seus amigos, iluminando tudo com sua presença.

Era um lugar reconfortante perceber como era querido pelas pessoas que o conheciam, quanto mais amigo dele, mais aquele envolvimento com a sua pessoa iluminada.

Na época eu não me dei conta, mas hoje eu percebo que Miranda era um príncipe das alturas, uma criatura feita para voar, com asas muito grandes que o impediam de andar, por isso aquela intensidade nas relações, por isso aquele amor solar que aquecia todos ao redor, eu mesmo senti isso intensamente porque, como disse há pouco, havia uma intimidade natural entre nós que surgia sem nenhum esforço, eu ficava realmente confortável com a sua presença e, mesmo com toda a minha introspectividade, me sentia a vontade perto dele e demos boas risadas juntos.

No meio de tanta fraternidade, regadas a companhias agradabilíssimas e uma boa conversa, naquele aconchego do Cafil e com Miranda iluminando tudo com a sua presença, ninguém foi capaz de perceber os dias sombrios que atravessaríamos.


No aconchego do Cafil, momentos inesquecíveis com a presença marcante do nosso Miranda...



A negação ...

Minhas lembranças são confusas quando tento rememorar aquela semana quando a notícia do ocorrido começou a circular, tenho flashes sobre uma agitação geral, telefone tocando a todo momento, a notícia se espalhando como um rastilho de pólvora, atingindo um por um.

Em um dado momento foi a minha vez de ser atingido pela notícia, minha primeira reação foi a negação, havia estado com ele dias antes no Cafil e tudo parecia normal; clima de natal no ar, aquela atmosfera de fim de ano, todo mundo conversando descontraído, festividades, férias.

Com o passar das horas e as informações circulando, ficou difícil negar a realidade.

Eu fiquei realmente perdido e desorientado nesses dias, minhas lembranças desse período são confusas isso porque, conforme estamos conversando enquanto avançamos em nossa incrível jornada, eu também não sou assim uma "rocha" quando se trata de emoções, eu sinto profundamente as perdas pelas quais tenho que passar, mesmo que não demonstre, e encontro formas de carregar comigo o pesado fardo de todas essas perdas, isso sem falar nas minhas questões internas, com as quais tenho que lidar. 


Eu sempre estive em uma gangorra de emoções, ora me mantendo firme frente às pressões, internas e externas, lutando o bom combate para não sucumbir e sendo exemplo de firmeza para os outros, ora recolhido a minha perene solidão, imerso no silêncio de meus barulhentos pensamentos, sendo atormentado por monstros que vêm das mais profundas fendas de uma mente, lá onde tudo é um grande lodaçal.

A partida prematura de Bruno foi um grande baque para mim, um fato relevante que me atormenta e soma-se ao grande panteão de almas que se foram cedo demais, sempre ávidos em minhas lembranças.

A triste despedida ...

 Depois desses dias em que fiquei entorpecido e confuso, veio o triste dia da despedida...

Ver tantos rostos distorcidos pela tristeza naquele velório foi outra lembrança com a qual tenho muitas dificuldades em lidar; por um lado, o regozijo alegre ao constatar o quanto Miranda era querido por todos e como a sua presença era importante para nós;

por outro lado, a tristeza indescritível, a dor excruciante, o nó na garganta, sufocante, a vontade de gritar o mais alto possível para botar para fora toda aquela frustração, aquela culpa, aquela revolta.

Karol e Natália me acompanharam neste dia cinza, íamos andando, combalidos e apáticos, acompanhando a procissão de desgraçados.

Seguíamos o fluxo dos procedimentos protocolares, cambaleando, escorados uns nos outros, a voz embargada, os olhos vermelhos, aquela tristeza sem fim...

Foi comovente dividir com os outros aquela dor em comum, não havia diferenças entre ninguém ali e, pelo momento que durou esta triste despedida, estávamos todos em perfeita comunhão, unidos pela mesma dor.

Que triste dia foi aquele...

Depois que a última pá de terra cobriu o caixão e as pessoas lentamente foram indo embora eu, Karol e Natália ainda ficamos muitas horas por ali, andando sem rumo pelas lápides e, em vão, tentando encontrar explicações para o que aconteceu.   

É confuso perder alguém amado para o suicídio e a culpa é praticamente inevitável. 

Conversando com as meninas, revisitávamos todos os momentos que tivemos com Bruno e a questão sempre surgia; "como pode eu não ter notado nada...", continuávamos a tentar entender o que havia acontecido e a culpa nos corroía novamente;  "e se eu tivesse conversado mais com ele..." tentávamos nos consolar mutualmente, mas a verdade é que não tínhamos condições de consolar uns aos outros. 

Imagino que este sentimento de culpa tenha afligido a todos nós; os enlutados pelo suicídio. 

Certamente, teríamos toda a boa vontade do mundo para dizer uma palavra de conforto e incentivo para um companheiro que estava sempre com a gente, dividindo seus planos para o futuro, suas angústias, conquistas, alegrias e tristezas, mas, como lutar contra um inimigo invisível?

Ninguém poderia ter feito nada, ninguém poderia ter tido controle sobre uma situação como esta, ninguém poderia prever nada. 

Aceitar a nossa impotência frente uma situação tão íntima e tão complexa faz parte do processo, assim como encontrar uma forma de nos perdoar.

Uma das declarações que a mãe de Bruno deu me marcou profundamente, Viviane disse que; se existe alguma explicação que nos ajude a compreender os motivos de Bruno esta explicação se foi com ele, e não há nada que possamos fazer para, sequer entender, o porquê de tudo isso.

Viviane Simmer é um farol em meio a tanta escuridão.

Foi ela a grande vítima de tudo isso, ela perdeu tudo! Ela foi a mãe que perdeu o filho para este inimigo íntimo e sorrateiro e, mesmo assim, segue sendo um exemplo de superação e apego pela vida.

Enquanto eu me decidia se iria abordar este fato tão marcante para mim fiquei surpreso com a quantidade de material que existe na internet falando sobre Bruno e sobre o processo de superação de Viviane.

Foi no esporte que Viviane encontrou motivação para vencer sua batalha e não se deixar vencer pela tristeza.

Eu me identifiquei muito com esta forma que Viviane encontrou para enfrentar seus demônios, isso porque também gosto de me exercitar e sei que o esporte nos exige não só no físico, mas, principalmente, no mental, o esporte é um ato de superação em si.

Viviane sempre foi uma esportista, mesmo  antes de toda esta tragédia acontecer, e Bruno era um de seus maiores incentivadores, certa vez, em uma maratona que participou, lá estava Bruno na linha de chegada, com um cartaz em mãos com a frase "a chegada é só o começo" que, depois de tudo que aconteceu, acabou por se tornar o lema da vida de Viviane.

Viviane tem se dedicado bastante em ajudar outras pessoas que passaram por traumas semelhantes, pessoas que tiveram que se despedir de seus entes queridos muito antes da hora e que sofrem por essas tragédias.

Se você tiver interesse, faça uma busca na internet e conheça o trabalho maravilhoso que Viviane vem fazendo, dando o seu relato e falando com propriedade e estudo sobre o suicídio, este tema tão complexo.

Com trabalho e dedicação Viviane vem desfazendo os inúmeros preconceitos, desinformações e estereótipos que cercam este assunto tão complexo.

Tem muito conteúdo sobre o assunto que você mesmo poderá conhecer com uma pesquisa rápida na internet, mas, para lhe dar um bom ponto de partida, eu vou citar aqui 3 referências das que mais me impactaram, começando pelo documentário; LAÇOS E NÓS: TECENDO HISTÓRIAS DO LUTO PELO SUICÍDIO.

Na sequência, vou citar a página de Viviane no Instagram (@vivi_vivendo) um lugar onde ela organiza suas atividades esportivas, falando sobre seu projeto "Do Luto ao Ironmam" um projeto organizado por Viviane, uma forma de usar o esporte como uma importante ferramenta de superação.

E, para terminar, gostaria de indicar uma entrevista de Viviane para o EStúdio 360, lá ela fala sobre as suas batalhas diárias, como se tornou uma esportista vitoriosa e a história do seu lema de vida; "a chegada é só o começo". 

A partir dessas recomendações você vai poder achar muitos outros materiais, tanto do Bruno, quanto de Viviane.




Viviane, Bruno e o lema de uma vida: a chegada é só o começo!

     
Também vale a pena citar que, em outubro de 2022, houve uma campanha chamada PRESENTE! para a escolha do novo prédio do CCHN, no campus da UFES, essa votação contava com o nome dos alunos mais lembrados pela comunidade acadêmica, nossos companheiros de jornada que, infelizmente, não estão mais entre nós.

O nome de Bruno foi um dos mais lembrados para a votação, foi feito um resumo da vida de Bruno e de todos os alunos homenageados.

Faço questão de citar o nome de todos eles:

 Bruno Simmer - Filosofia;
 Hudson Ribeiro - Filosofia;
 Luisa Lopes - Oceanografia;
 Miguel Marvilha - Letras;
 Misael Fernandez - Geografia.

Você pode conferir a biografia de todos eles lá no arquivo PRESENTE!.

O nome escolhido foi o de Luisa Lopes, morta no dia 15/4/2022 enquanto andava de bicicleta na praia de Camburi por Adriana Felisberto Pereira, uma irresponsável criminosa que dirigia bêbada e causou a morte precoce de Luisa, este foi um caso que gerou muita comoção, tanto na comunidade acadêmica, quanto na população em geral.



Bruno, Luisa, Hudson, Miguel, Misael e tantos outros companheiros que se foram de forma tão injusta... vocês jamais serão esquecidos!

...

SEMESTRE 2019/1

O primeiro semestre do ano de 2019 não foi um período fácil...

Era impressionante como lembrávamos do Bruno o tempo todo no Cafil, isso porque a presença viva dele estava em tudo lá; nas paredes do Cafil havia um desenho enorme com a temática mangá (Naruto eu acho... ) Bruno é quem havia feito.

Nas prateleiras do Cafil, vários objetos como  cinzeiros, bonequinhos, copos e outros objetos artesanais feitos por ele.

Na parte externa, um frondoso pé de maracujá, plantado por Bruno, crescia imponente, cobrindo tudo com suas ramificações, desenhando um teto verde por sobre um banco.

Enfim, a presença de Bruno estava impregnada no Cafil, em cada tijolo daquele lugar e na lembrança de todos nós.

Mas, o mundo não para e as cobranças acadêmicas então, essas, nunca falham.

Além disso, sou constrangido a lembrar que, no tabuleiro político, continuavam-se os lances, indiferente a nossa perda e indiferente a nossa tristeza; o ano de 2019 foi o primeiro ano do nazifascismo no Brasil, um período conturbadíssimo com Bolsonaro e seus correligionários destruindo todas as políticas de suposto viés esquerdista e a flagrante cooptação da máquina estatal para um projeto de poder autoritário.

Não vou me aprofundar na política deste ano depois de falar da belíssima trajetória de Miranda em nossas vidas, em nossos próximos encontros voltamos a falar sobre esse esgoto bolsonarista.

No semestre 2019/1 juntei meus caquinhos e, para tentar superar mais esta perda, me dediquei aos estudos de corpo e alma.

Me matriculei em 2 matérias nesse semestre; Projeto de Monografia, com Wander e Metafísica IV com Fernando Pessoa. 

Em Projeto de Monografia continuei enfrentando problemas, mesmo me dedicando mais para a matéria neste semestre, meu tema ainda não estava definido, eu não havia encontrado um professor com disposição para me orientar e continuava perdido e confuso sobre o meu TCC. 

Mesmo imerso nessas dificuldades eu estava mais centrado neste semestre, uma forma de enfrentar meu luto, com toda essa dedicação aliada à paciência de Wander, me ajudando a preencher as lacunas de minhas falhas, acabei conseguindo passar na matéria com uma modesta nota 5,3.

Em Metafísica IV com Fernando Pessoa as coisas correram de forma mais controlada, Pessoa trabalhou com a gente a "linguagem" em Heidegger.

Com o esforço que eu estava dedicando neste semestre, aliado a um pensador que eu já havia estudado bastante, fiz um excelente trabalho final e consegui passar com a nota 10,0.

Eu cheguei até a ajudar meu amigo Shelton, que estava tendo dificuldades nesta matéria, todos os dias, depois da janta, íamos à biblioteca estudar Heidegger; lendo, conversando e escrevendo sobre este pensador, isso foi bom tanto para Shelton, quanto para mim.

Com muita dificuldade, consegui chegar ao final daquele trágico semestre 2019/1, um semestre que não acabava nunca! Deixei para trás o fantasma da minha segunda reprovação e consegui uma nota 10, pode não parecer muito, mas, para mim, era uma pequena vitória e uma pequena vitória é um ato grandioso.

    Em uma noite qualquer, no final daquele semestre, eu fui para a área externa do Cafil, instintivamente, toquei as folhas do pé de maracujá, a noite estava quente e abafada, as estrelas salpicando o manto negro da noite, ainda pressionando as folhas entre os dedos, olhei para os céus e dediquei aquela conquista ao meu amigo Miranda, estivesse onde estivesse, ele deveria estar feliz com minha pequena vitória...

SEMESTRE 2019/2

Apesar de tudo que vivenciei no semestre anterior, tanto com a perda pesarosa que sofremos, quanto as dificuldades acadêmicas e, obviamente, toda a situação política e social do país que nunca dava trégua, estranhamente, no início do semestre 2019/2 eu estava "leve".

Já havia feito todas as matérias, obrigatórias e optativas, havia concluído o estágio supervisionado, minhas atividades complementares estavam em dia e, com tudo isto encaminhado, só me restava trabalhar na monografia final e finalmente me formar. 

Ainda no semestre anterior, vinha desenvolvendo com Wander uma considerável relação mestre/aluno e, como um caminho natural, ele acabou por se tornar o meu orientador. 

Minha afinidade com a filosofia de Nietzsche foi outro caminho natural para o meu TCC, conversando com Wander, decidi trabalhar a "subjetividade em Nietzsche"; Uma compreensão do conceito de subjetividade em Nietzsche a partir da fisiopsicologia (qualquer dia desses explico melhor do que se trata).

As coisas pareciam estar se encaminhando para a conclusão de toda esta incrível jornada no começo do semestre 2019/2, mas esta jornada estava ainda longe do fim.

Foi um desafio gigante me propor a trabalhar os conceitos de subjetividade em Nietzsche, primeiramente, dado a complexidade do tema e, por conseguinte, dado a minha condição já que nunca antes no curso havia pesquisado estes conceitos e teria que iniciar uma pesquisa complexa do zero. 

Ficava o dia inteiro lendo as obras de Nietzsche e, à noite, sentava-me para escrever sobre o que havia lido, com a cabeça cheia de conteúdo aliada a minha compulsão em escrever tinha como resultado páginas e mais páginas de elucubrações que iam longe.

A primeira versão da monografia que enviei para Wander tinha mais de 60 páginas e assustou meu mestre.

 A primeira orientação de Wander foi para que eu enxugasse o trabalho, pelo menos à metade das páginas e que falasse somente sobre o tema "subjetividade em Nietzsche", sem me estender em assuntos paralelos.

 Wander, com toda a paciência do mundo, ia me indicando onde eu estava errando e íamos moldando este TCC, mesmo com todas estas dificuldades.

Estava claro para mim que este TCC não seria fácil, se as coisas seguissem um fluxo, digamos, normal, mas parece que tudo em minha caminhada ganha contornos mais dramáticos do que o normal e, no final do ano de 2019, entramos na pandemia do novo corona vírus, que parou o mundo por 2 anos.

Com a universidade parada por conta de pandemia e com as dificuldades que eu estava enfrentando para sistematizar o meu TCC entrei na pior fase de toda esta caminhada.

E é Justamente sobre isso que vamos conversar semana que vem, em nosso próximo encontro.


Bruno "Miranda" Simmer marcou todos que tiveram a incrível oportunidade de conhecê-lo. 
Uma saudade que simplesmente não acaba... Um príncipe das alturas, com asas muito grandes para andar. 


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E aí gostaram de nosso artigo de hoje?

Foram muitas emoções que vivemos hoje, não é mesmo? 

A morte inesperada de Bruno, principalmente nas circunstâncias em que aconteceu, foi um choque para todos que o conheciam.

O suicídio é um assunto delicado, mas que deve ser trazido ao debate, pois, não falar só ajuda a alimentar os inúmeros preconceitos que este tema traz em si.

Aqui em nosso espaço tangenciamos este complexo tema em 2 ocasiões, nos artigos ALAIN DELON E O GATILHO PARA UMA REFLEXÃO, publicado em 4/4/2022 e A PRESSÃO ACADÊMICA E SEUS RESULTADOS, publicado em 17/7/2022.

Mesmo que, pessoalmente, você nunca tenha passado por um trauma como este, vale a pena se informar melhor sobre o assunto, afinal, estamos falando de uma verdadeira "epidemia" do mundo moderno, uma epidemia silenciosa.

Além disso, o suicídio é sempre envolto em muita desinformação e preconceitos, sempre haverá aquele que preferirá apontar o dedo para julgar e culpar, se informar sobre este tema nos ajuda a ser luz na vida das pessoas que passam por isso, e essas pessoas sofrem tanto...

Devemos também estar atentos aos vivos e levar a sério os sinais que as pessoas nos dão.

Jamais menospreze estados emocionais intensos, como depressão ou tristeza, o suicídio é um inimigo íntimo e silencioso de difícil detecção; ouça mais, julgue menos e, principalmente, converse.

...

Antes de nos despedimos, vamos recapitular nossa trajetória até aqui?
 

Começamos lá no dia 18/3/2023 com nosso primeiro passo; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE I - O DESLUMBRAMENTO COM O MUNDO ACADÊMICO;


Depois, lá no dia 25/3/2023, demos mais um passinho com o nosso artigo MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE II - PLANOS PARA O FUTURO;


Na sequência, vimos que as coisas começaram a mudar quando conversamos em nosso artigo MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE III - A TEMPESTADE ESTÁ VINDO, publicado em 7/4/2023;


Outro passo importante, nesta incrível jornada, foi o que conversamos lá em MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE IV - NO OLHO DO FURACÃO, publicado em 17/4/2023.


No dia 1 de Maio, dia do trabalhador, publicamos a nossa conversa sobre o primeiro ano do golpista Temer no texto MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE V - A NOITE MAIS DENSA...;


Depois, foi a vez de falarmos sobre aquele complicado ano de 2018, no texto MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA -PARTE VI - APROXIMAÇÃO NAZIFASCISTA, texto publicado em 30/6/2023;

E hoje, um texto muito especial onde relembramos a oportunidade mágica de conhecer uma criaturinha tão complexa e singular como o nosso amado Miranda e a sua mãe Viviane, uma verdadeira guerreira apaixonada pela vida, no texto MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE VII - A CHEGADA É SÓ O COMEÇO.

...

Semana que vem espero encontrar vocês aqui para mais um passo nesta incrível jornada.

Até lá e cuidem-se!  

Comentários

  1. Texto emocionante. Parabéns pela coragem de escreve-lo!

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  2. Valeu Karol !! Vivenciamos tudo isso juntos... vamos seguindo na maior jornada de todas; a vida! #TMJ

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    1. Tamo junto nessa life Rodrigo. Vida longa!

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