MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE II - PLANOS PARA O FUTURO

 Olá Escritores !!


Preparados para o artigo desta semana?


Hoje vamos dar mais um passo nesta fantástica jornada.


Semana passada em nosso artigo MINHA FANTÁSTICA JORNADA FILOSÓFICA - PARTE I - O DESLUMBRAMENTO COM O MUNDO ACADÊMICO, conversarmos sobre o início de uma longa caminhada que durou anos, mas que finalmente chegou ao fim e que, me atrevo a dizer; teve um final feliz! 


Hoje, vamos dar mais um passo abrangendo o ano de 2014,um ano de muitas agitações como a Copa do Mundo no Brasil e as conturbadas eleições daquele ano. 


Naquela época, estavam fervilhando várias agitações políticas e eu, esmagado pela imediatez da história, não tive as condições para perceber os movimentos que estavam acontecendo bem diante dos meus olhos, em minha inocência e esmagado pelas tarefas que se acumularam naquele ano, só pensava em formas para cumprir minhas obrigações.


Lentamente e com o passar dos anos, fui percebendo a gravidade da situação em que o país mergulhava, mas não em 2014, neste ano eu voltei os olhos para a minha situação particular, acachapado pela rotina e pelas obrigações a que me submeti.


É sobre esse ano cheio de ocupações  que vamos conversar em nosso artigo de hoje.


Então, sem perder mais tempo, vamos começar mais esta etapa?


Desejamos para você uma Boa Leitura!! 


A vista da Caixa D'Água.



SEMESTRE 2014/1


Como vimos semana passada, o ano de 2013 foi uma ano de muitas emoções, fiquei realmente deslumbrado com tudo aquilo que estava vivendo naquele ano de 2013, marcado pelas amizades, pelas movimentações políticas e pelos novos desafios. 


No entanto, apesar do deslumbramento com todo aquele admirável mundo novo, Já no final do ano de 2013, percebi que minha passagem pela universidade não seria um mar de rosas, as cobranças eram sérias, já havia uma certa pressão no ar a respeito da formação, colegas fazendo cálculos frenéticos para descobrir os caminhos para se formar o mais rápido possível, logo percebi que avançar na vida acadêmica seria uma demanda complexa, que  envolveria pressões, internas e externas, além de muita labuta. 


O ano de 2014 foi um ano para colocar os pés no chão, todo aquele encantamento com o mundo acadêmico havia passado, a turma 2013 começou a dispersar, com cada um fazendo seus próprios caminhos, montando suas próprias grades, quanto a mim, comecei a ver as coisas de forma mais realista e menos romantizada.


Percebi que não conseguiria completar o curso no tempo ideal de 5 anos, recalculei minha rota e considerei que não iria demorar tanto assim, um ano e meio a mais, talvez dois anos... na época, não estava considerando as influências externas na minha formação, toda aquela situação política em que o país (e o mundo) estava mergulhando. 


As peças do grande tabuleiro geo político, que em 2013 fez alguns lances importantes, estavam se mexendo novamente e seus desdobramentos iriam ter influência direta em minha jornada, mas em 2014 eu não sabia de nada disso, nunca tinha ouvido falar de Bolsonaro até então, a extrema direita estava escondida e eu não sabia que a eleição daquele ano iria ter tantos desdobramentos. 


De volta ao meu mundinho acadêmico, para não correr riscos de me apertar com matérias difíceis e ter segurança para completar as tarefas assumidas como estudar para provas, trabalhos e seminários, no semestre 2014/1 me matriculei em 3 matérias somente, assim estava mais seguro de que conseguiria cumprir os compromissos e estudar com mais afinco para passar nas matérias, além de ter mais tempo para fazer atividades fora do mundo acadêmico (meu sobrinho Miguel, filho de minha irmã Luana nasceu neste ano) e mais tempo para participar de atividades complementares que, cedo ou tarde,  eu teria que fazer.

  

Meu grau de empolgação diminuíra bastante naquele ano, percebi que fazer 5 matérias, como eu estava fazendo até então, seria extremamente desgastante e complicado, as dificuldades que enfrentei em Teoria do Conhecimento e Lógica, no semestre anterior, me fizeram notar que, dali em diante, as coisas só iriam ficar mais difíceis, percebi também, a duras penas, que professores universitários não estão ali para pegar na mão de ninguém.


 Neste ponto de nossa caminhada vale a pena explicar rapidamente como é a grade curricular de um estudante de Filosofia/licenciatura/UFES; a grade curricular do nosso curso está distribuída da seguinte forma: 1875 horas de disciplinas obrigatórias (as aulas começam às 18 horas e vão até às 22 horas), 480 horas de aulas optativas, ou seja, aulas que os alunos escolhem, 400 horas de estágio supervisionado e 210 horas de atividades complementares que são palestras, cursos extras, participação em eventos etc.


2965 horas dedicadas ao curso de Filosofia ... 


Então, a vida acadêmica vai muito além das aulas unicamente, há uma série de atividades complementares, estágio e aulas extras que precisamos participar para conseguirmos o direito ao diploma.


Vamos falar brevemente sobre estas atividades fora das aulas convencionais que somos obrigados a fazer para conseguirmos o diploma.


AS ATIVIDADES COMPLEMENTARES


A princípio, 210 horas de atividades complementares podem parecer pouco, mas acredite em mim quando lhe digo que não é! 


É necessário participar de muita atividade para conseguir acumular esta quantidade de horas, por isso você precisa pensar nisso logo nos primeiros semestres. 


Durante toda a minha vida acadêmica participei de atividades complementares, dentro e fora da UFES, foram inúmeros seminários, encontros, palestras, artigos publicados, tertúlias, mesas redondas, apresentação de trabalhos, comunicações e várias outras atividades extras.


Das 210 horas necessárias eu consegui acumular 240 horas, veja alguns registros:


A primeira palestra que participei, logo em minha primeira semana de curso, foi a palestra do Professor Vladimir da USP: A CONSCIÊNCIA DA NOSSA FALIBILIDADE É A ÚNICA CERTEZA MORAL. 


 
Outro registro de uma palestra interna com a participação de Fábio Di Clemente, aí estamos; Wilson, Isabela, Jardel, Aline, Professor Fábio Di Clemente, bem ao centro, Maicom, André, Eu e Barone.



Conversinha de corredor depois da palestra ...




Mais um registro de uma, das dezenas de palestras que participei.



Gostaria muito que o leitor entendesse que a vida acadêmica vai muito além de frequentar aulas, fazer provas, apresentar trabalhos e seminários, a rotina acadêmica é um complexo de compromissos assumidos que englobam, além das aulas tradicionais, atividades complementares, aulas optativas e estágios supervisionados, outra coisa importante que está em jogo na formação do aluno universitário é o interesse, no meio desse monte de compromissos, temos que  encontrar formas de estudar por conta própria, organizando grupos de estudo com os colegas, se empenhando na leitura e no estudo individual, desenvolvendo a disciplina do corpo e da mente. 


Toda este empenho e disciplina se dá porque o curso FilosofiaUFES tem uma carga pesadíssima; são muitas matérias, obrigatórias e optativas, cada matéria com um professor exigindo o máximo em leitura e dedicação à sua matéria, atividades extra sala, estágios e, não podemos nunca esquecer, a pressão que existe, tanto da academia para com o aluno, quanto as pressões internas, vindas do próprio aluno e de sua conjuntura, pressões da família etc.


Uma vez, eu fiz um desabafo aqui em nosso espaço sobre a pressão acadêmica na vida estudantil em nosso artigo A PRESSÃO ACADÊMICA E SEUS RESULTADOS, publicado em 17/7/2022, quem participou desta conversa sabe que a pressão acadêmica é assunto relevante e, se não for levado a sério, pode acabar em verdadeiras tragédias.


Eu acredito ser importante falar abertamente sobre essas pressões acadêmicas que acontecem, pois, quando você vir estudar na universidade, não virá como eu, um inocente inveterado e deslumbrado calouro, sem nenhuma noção do funcionamento da instituição, achando que a universidade é somente uma extensão do Ensino Médio. 

 

E, lhe dizendo isto, não quero desestimular você, é justamente o contrário disso, quero que você ingresse na academia sabendo exatamente onde está pisando, visões romantizadas ou contaminadas por um moralismo exacerbado não vão te ajudar em nada, a realidade vai. 


Ninguém tem nada a perder com uma boa dose de honestidade, não é mesmo? 


Agora, vou resumir para você um pouco das minhas atividades complementares, elas vão te dar uma boa ideia do que se trata as Atividades Complementares e o que estudei fora das salas de aula e que ajudaram a formar minha "identidade filosófica":


Em 2013 participei de um estudo sobre Foucault na palestra A EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA FOUCAUTIANA, com o professor Dr. Sandro Dau.


Em 2014 participei do ENCONTRO DE FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS HUMANAS (REFOCH), um encontro com vários professores e palestrantes tratando do tema "Educação Básica" nos currículos, no cotidiano e na formação dos professores envolvidos. 


Ainda em 2014, participei do II SEMINÁRIO DO PIBIB-UFES, um grande encontro com professores de todos os estados do país para discutir o cotidiano escolar e a integração dos conhecimentos na formação de professores. 


Em 2015 participei da TERTÚLIA DO PIBID - FILOSOFIA: FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO; A TRANSIÇÃO DA ACADEMIA PARA A ESCOLA. 


Em 2016 participei da XIII SEMANA DE FILOSOFIA, uma semana inteira com comunicações, minicursos, tertúlias e mesas redondas discutindo várias teses filosóficas em várias áreas diferentes. 


...


Participar das Atividades Complementares é um excelente acréscimo ao que você está estudando no curso, abre novas perspectivas de aprendizado, apresentando vários ramos da pesquisa filosófica, também proporciona contato com vários estudantes, professores e pesquisadores de outras cidades e estados com os quais podemos ter uma troca proveitosa de experiências.  


O ESTÁGIO SUPERVISIONADO I


O Estágio Supervisionado I é, ao mesmo tempo, uma matéria obrigatória e uma atividade extra, é uma matéria exclusiva da modalidade "Licenciatura", voltada para quem está estudando para ser professor, quem está fazendo Filosofia na modalidade "Bacharelado" está dispensado dessa matéria.


Meu professor no Estágio Supervisionado era João Assis, nesta matéria é necessário frequentar as aulas e cumprir uma carga horária de 400 horas fora da universidade, participando da rotina escolar.


João Assis em ação.

 

Este estágio tem a intenção de apresentar ao futuro professor a rotina de uma sala de aula, o ambiente onde ele estará depois de se formar,  colocando o aspirante a docência no centro da atividade a que ele está se preparando.


Me matriculei nessa matéria somente no Semestre 2016/1 e 2016/2, mas usei minha experiencia no Pibib e no Estágio Remunerado, que iniciei em 2014/1, para cumprir minha carga horária. 


Em 2014 eu estava participando de 2 programas educacionais; o Pibib, e o Estágio Remunerado, o primeiro era da esfera federal o segundo da esfera estadual.  



No Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, o Pibib, iniciei em 19/3/2014 na Escola Maria Ortiz em Vitória e foi uma experiência sensacional que me ensinou muito sobre o que é ser um professor e os desafios que envolvem esta carreira;


 lá, eu e meus amigos de jornada, desenvolvemos vários projetos vitoriosos, preparamos e demos aulas em um período inteiro e aprendemos muitos com alunos e professores, mas vocês já conhecem muito bem como foi esta incrível experiência, afinal, conversamos detalhadamente sobre esta agregadora experiência em nosso artigo A IMPORTÂNCIA DOS PROGRAMAS EDUCACIONAIS - CONSIDERAÇÕES SOBRE O PIBIB publicado em 13/11/2021.


Já sobre o meu Estágio Remunerado, que foi realizado na Escola Rômulo Castelo na Serra, estou devendo um artigo detalhado sobre esta marcante experiência que abrangeu os anos de 2014 até o final de 2016; 


2 anos maravilhosos onde vivi a rotina escolar intensamente, participando de vários estágios da vida escolar e tendo contato com professores empenhados e alunos dedicados.


O Estágio no curso de Filosofia, ou qualquer outro curso da modalidade Licenciatura, é fulcral na vida estudantil, é o estágio que vai lhe dar a exata noção do que é a rotina escolar, abrangendo aí tanto as características positivas quanto as negativas. 


É por meio do estágio e sua vivência real na vida escolar que o aluno percebe que há uma diferença gritante entre as teorias educacionais e a prática do dia a dia escolar, também se percebe as várias realidades das comunidades onde as escolas estão inseridas. 


No meu caso, tanto no Maria Ortiz em Vitória quanto no Rômulo Castelo em Serra, não tive grandes problemas, enfrentamos algumas dificuldades como assaltos, violência, alunos problemáticos, famílias desestruturadas, professores desestimulados entre outros desafios, mas, apesar das dificuldades, houve muita coisa boa também e considero que o saldo final foi positivo, proveitoso e producente.


Abaixo, trago uma sequências de alguns registros em fotos e um pequeno vídeo da minha passagem pela Escola Rômulo Castelo em meu Estágio Remunerado, momentos que guardo com muito carinho no coração.



Aqui, temos um sarau promovida pela professora de português onde os alunos eram instigados a apresentar trabalhos autorais.



Aqui, temos um protesto organizado pelos próprios alunos em resposta ao grande número de assaltos nas adjacências da escola.
 



Aqui temos uma encenação da peça O MÁGICO DE OZ. Simplesmente maravilhoso!!



Aqui temos uma interação com o Pibid Matemática em uma divertidíssima gincana com perguntas de matemática no estilo "torta na cara" errou, levou tortada!!



Mais um registro da participação do Pibid Matemática em meu Estágio Remunerado! Olha Eu ali de "animador de auditório"!!





Mais uma porque esse dia foi muito legal !!!





Tá bom, é a última, juro ...










Outro registro de nossas atividades extra sala de aula, uma estratégia frequentemente usada pelo Corpo Escolar; envolvia toda a escola e engajava os alunos nas atividades.
Aqui estamos professora Camila, a diretora Sandra e Eu. 



Uma parte da equipe de professores com os quais pude trocar muita experiencia e aprender com quem já está no front desta guerra contra a ignorância.
Uma verdadeira honra para mim ter participado desta experiencia. 


Meu Estágio Remunerado na Escola Rômulo Castelo em Serra foi uma daquelas experiencias marcantes, uma experiência que transforma a vida da gente por meio da vivência real e sem filtros.


Lá eu senti na pele as dificuldades que a carreira da docência traz; a falta de reconhecimento, o estresse, as injustiças, o salário baixo, a pressão, vinda de todos os lados e a depressão, companheira de muitos professores, mas vi coisas boas e promissoras também, conheci professores com verdadeira vocação para a docência, um verdadeiro sentimento altruísta e sincero de pessoas que se realizam no sucesso dos outros.


Se não me policiar, bate uma certa nostalgia daquele tempo ... 


Fiz o Estágio Remunerado e o Pibid juntos, encontrando formas para conciliar os horários entre um e outro, cumprindo as obrigações inerentes a ambos, estudando grego com Barbara Botter, frequentando as matérias que tinha me matriculado, participando das atividades complementares sempre que possível e administrando meus compromissos extra acadêmicos.


O ano de 2014 estava bem agitado para mim, nem sei como fiz para administrar tantos compromissos, nos intervalos dos estágios estudava para as matérias da universidade, nos dias que não tinha aula procurava uma atividade complementar para fazer, fui levando essa rotina esmagadora com um sorriso no rosto, pois, apesar das dificuldades e da correria sem fim, havia"esperança" no futuro, uma sensação de que meu esforço me traria frutos.


...


No semestre 2014/1 fiz as matérias; História da Filosofia Moderna, com jorge Luiz Viesenteiner, Ética I, com Jorge Pedro Luchi e História da Filosofia do Brasil I com Donato.


Viesenteiner é um professor com um curriculum "intimidador", nietzschiano, fluente em vários idiomas, com vários títulos acadêmicos, traduções de livros, participação em Grupos de Estudos, um curriculum Lattes invejável e outras peripécias acadêmicas impressionantes.


Em sua aula História da Filosofia Moderna estudamos profundamente Descartes e sua obra MEDITAÇÕES, com sua "dúvida cética", Hume e sua crítica da razão e da subjetividade e Imanuel Kant, nos debruçando sobre a obra  CRÍTICA DA RAZÃO PURA.


Viesenteiner dava aulas muito performáticas, com muita energia e as famosas "pausas dramáticas", sua prova veio na mesma proporção de suas aulas, ou seja, foi uma prova difícil onde eu só consegui a nota 6,80.


Não custa lembrar que neste ano eu estava com muitas atribuições; estágio, grego, Pibib, e não consegui estudar como deveria para fazer uma prova do Viesenteiner.


Na aula de Luchi tive o mesmo problema, não consegui estudar a contento para uma aula no padrão "Luchi".


Luchi era outro professor "intimidador" era tipo uma lenda entre os alunos, conhecido por sua grande erudição, pelas piadas que ele contava e ele mesmo ria, era também conhecido por surpreender os alunos com uma pergunta vinda do nada, certa vez, eu fui uma de suas vítimas;


Luchi dava a sua aula normalmente, andando entre as carteiras com as mãos em campanário, do nada, ele parou na minha frente, apontou para mim e perguntou:


- O que é episteme? 

 

Eu fui pego totalmente desprevenido, mas depois do susto inicial respondi:


- Um conhecimento universal, científico ...


Ele virou a cabeça para o lado, deu um passo na direção do centro da sala e eu cheguei até a relaxar, distensionando os músculos achando que aquela situação havia acabado, mas ele se voltou para mim novamente e, me olhando nos olhos, mandou outra pergunta na lata:


- A episteme está em contraposição a ...


Ficou ali parado, me fitando nos olhos com aquele olhar penetrante, aguardando minha resposta, pensei mais alguns segundos e respondi:


- A episteme está em contraposição à doxa. 


- Ele deu um sorrisinho e disse "muito bem" então continuou sua aula normalmente, meu coração disparou e meus músculos estão tensionados até hoje, mas fiquei orgulhoso por ter respondido certo, era tipo um "troféu" poder falar que você passou por uma arguição surpresa do Luchi e acertou a questão colocada, depois disso, eu ficava me divertindo vendo ele fazer isso com outros alunos, era "o assunto" no pós aula.


 Luchi nos dava aula de Ética, passamos por vários filósofos nessa matéria; Descartes, Spinoza, Leibniz, Locke, Berkeley, Hume e muitos outros, mas o que ficou marcado foi, sem dúvida, Imanuel Kant, primeiro porque Kant é muito importante na história da Filosofia, mas também porque estávamos estudando Kant em História da Filosofia Moderna, com Viesenteiner. 


Então, estávamos estudando Imanuel Kant com 2 professores monstruosos no mesmo semestre, foi um período muito proveitoso neste sentido, um semestre para nos aprofundar em Kant; com Luchi estudávamos a obra CRITICA DA RAZÃO PRÁTICA, com Viesenteiner CRÍTICA DA RAZÃO PURA, foi um verdadeiro "mergulho profundo" na obra de Imanuel Kant, um semestre onde aprendi bastante.


Mas, assim como na aula de Viesenteiner , na aula de Luchi não consegui me dedicar como deveria e passei com a medíocre nota 6,00. 


Acho que Luchi merecia mais da minha parte...


Outra aula que fiz nesse semestre foi História da Filosofia do Brasil com Donato, uma daquelas matérias que atiçam a nossa curiosidade, afinal, não deixa de ser interessante pesquisar sobre à quantas anda o pensamento filosófico brasileiro.


Esta foi um aula tranquila, bem menos tensa do que as outras aulas que fiz neste semestre, passei com uma nota 8,00.


SEMESTRE 2014/2


Tinha muita coisa acontecendo fora do mundo acadêmico no ano de 2014; no meio do ano tivemos a Copa Do Mundo FIFA Brasil 2014 e em outubro tivemos as Eleições Presidenciais, 2 eventos de grande porte, que geraram tanto engajamento quanto distrações.


 A Copa do Mundo foi um evento que me atrapalhou bastante na concentração para os  estudos, afinal, já contei para vocês a influência de uma Copa do Mundo em minha vida, lembram? 


Conversamos sobre isso lá em nosso artigo COPA DO MUNDO FIFA DE FUTEBOL - POLÍTICA, PAIXÕES, ALEGRIAS E DECEPÇÕES, publicado em 19/12/2022.


E essa Copa em especial foi muito marcante porque era no Brasil e estávamos todos empolgados com a possibilidade de ganhar uma Copa do Mundo no país, como não poderia deixar de ser, eu e meus amigos da universidade marcamos para ver alguns jogos e torcer para o o Brasil. 



Aí estamos nós!! Assistindo aos jogos e nos divertindo pra valer lá na Caverna de Platão, um lugar secreto, para pouquíssimos talheres...

  

Depois do traumático 7 x 1 voltamos para a realidade das cobranças acadêmicas meio que na marra, 2 dias depois do massacre eu estava em sala de aula, focado na aula e em minhas obrigações acadêmicas.


Já em outubro, tivemos as eleições presidenciais disputadas em 2 turnos, este sim um evento sério, de consequências graves e diretas para a minha jornada na universidade.


Como sabemos, o contexto em que se deu a EleiçãoPresidencial2014 foi completamente atípico; as eleições ocorreram um ano após os grandes protestos de 2013, com uma grave crise econômica internacional em curso, uma extrema direita já atuante, agindo em muitas frentes mundo afora e com uma polarização acirrada em andamento.


Dilma Rousself ganhou com mais de 54 milhões de votos (51%) contra mais de 51 milhões adquiridos por Aécio Neves (48%) na mais acirrada eleição presidencial até então. 


Aécio Neves, se aproveitando das crises, do desemprego, da impopularidade vertiginosa de Dilma, da crise econômica internacional, de um início de mandato complicado e de toda a conjuntura política nacional e internacional iniciou um processo de pôr em dúvidas o resultado das eleições que acabou por culminar no Golpe de 2016. 


Politicamente falando, as coisas estavam muito estranhas naquele ano de 2014, mas ninguém imaginava, até então, que daquela disputa acirrada nas eleições viria um golpe brando, assim como era difícil imaginar na época que se iniciaria uma polarização tão acirrada baseada na demonização irracional das esquerdas e do PT, crises de todos os tipos, a Lava Jato e todas as suas arbitrariedades e o conluio de Sérgio Moro e Deltan Dalagnol culminado na prisão sem provas de Lula e a ascensão de um nazifascista ao poder; ninguém imaginou tudo isso em 2014.


Até então, eu estava indiferente a tudo isso, mergulhado em minhas obrigações acadêmicas. 


No semestre 2014/2 me matriculei em 3 matérias; Estética I, com Fernando Pessoa, Filosofia da Religião, essa matéria seria com Antônio Vidal, mas o professor precisou se licenciar da matéria então ela foi assumida por Marcelo Barrera e Filosofia e Educação com Sérgio Schweder.  


Foi legal fazer Estética com Fernando Pessoa, isso porque ele estuda profundamente o tema e com isso tivemos uma aula bem "visceral", Pessoa sempre usou o projetor em praticamente todas as aulas que deu, assim acompanhávamos os textos na hora, isso era muito producente em suas aulas. 


Outra característica da aula de Pessoa era o tempo, suas aulas eram densas e com muita informação e leitura, mas bem mais curtas do que de outros professores, isso também era legal porque cansava menos do que uma aula de 4 horas ininterruptas.


Fui muito bem nessa matéria, passando com uma nota 8,50.


Em Filosofia da Religião eu tive outra matéria que prendeu minha atenção, isso porque gosto do tema, gosto de estudar a religião fora de seus dogmas, como um objeto de estudo sério e independente, para refletir de forma franca  sobre esta intrigante manifestação humana.


Barrera assumiu a matéria logo no início do semestre substituindo Vidal e foi uma aula interessante de participar, estudamos as "essência das religiões" com autores como Miercele Eliade e sua obra O SAGRADO E O PROFANO,  Ricoeur e sua obra FENOMENOLOGIA DA RELIGIÃO entre outros autores. 


Tenho várias dessas aulas gravadas em áudio que, vez ou outra, gosto de ouvir como um "podcast".


As reflexões que fiz nesta matéria renderam algumas conversas que tivemos aqui em nosso espaço com os artigos A RELIGIÃO COMO UMA ÉTICA RELIGIOSA DE CUNHO INSTITUCIONALIZADA, publicada em 13/2/2022 e RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE NA ESTRUTURA HUMANA, publicado em 19/2/2022.


Enfim, foi uma matéria gostosa de fazer que fluiu naturalmente, alimentada por meu interesse pelo tema e pela espontaneidade da aula de Barreira e seus bordões; "segura aí!", "o exemplo é sempre falho"... em Filosofia da Religião, passei tranquilamente com a nota 9,00. 


No primeiro dia da aula Filosofia e Educação, ministrada por Sérgio Schweder, depois de se apresentar para turma e dizer como seria a sua aula, ele distribuiu um papelzinho dobrado para cada um dos presentes, depois que cada um de nós estávamos em poder de um papelzinho ele disse que naquele papel, estava o nome de um filósofo qualquer e que nossa prova final seria produzir um trabalho escrito, que deveríamos apresentar em seminário, sobre o que o filósofo em questão produziu sobre o tema "educação".


Educação é um tema recorrente na Filosofia e praticamente todos os pensadores já se debruçaram sobre este tema, mas acontece que alguns se debruçaram mais sobre o tema, tendo obras específicas sobre a educação, já com outros pensadores é necessário cavucar mais na obra para encontrar uma reflexão para o tema, então estava todo mundo torcendo para pegar um pensador onde seria mais fácil achar algo sobre o tema. 


Vagarosamente, eu abri aquele pequeno pedaço de papel azul contendo o nome do pensador sobre o qual deveria dedicar meus estudos naquele semestre, torcendo para que a sorte me dedicasse um pensador mais descomplicado possível neste tema.


Quando abri o papel, lá estava escrito:


Friedrich Nietzsche

O que ele entende por FILOSOFIA e por EDUCAÇÃO?


Foi meu primeiro contato mais aprofundado com a obra de Nietzsche, o início de uma relação intensa e conturbada entre eu e este grande pensador da modernidade que durou até o final do minha caminhada, como vocês vão ver no decorrer desta nossa incrível jornada.


O resultado desta aula, aquele trabalho de final de semestre que apresentei em um seminário para toda a turma, serviu de matéria prima para uma outra matéria que fiz no semestre 2015/1, chamada Atividade Prática I - Pesquisa ou Extensão que vamos abordar em nosso próximo encontro.  


Nietzsche falou muito sobre o tema "educação" escreveu uma obra completa sobre o tema chamada ESCRITOS SOBRE EDUCAÇÃO que me serviu de base para o meu trabalho, foi muito legal fazer esse trabalho em Nietzsche porque a minha afinidade com o pensamento nietzschiano foi imediato.


Desde este primeiro contato com Nietzsche, promovido pela sorte (ou pelos deuses da Filosofia(?)) minha relação com Nietzsche só se aprofundou e com tanta fluidez eu passei em Filosofia e Educação com a nota 9,00.


...


Assim se foi mais um ano nesta incrível jornada, como vimos, um ano bem agitado tanto em minha vidinha acadêmica, quanto no Brasil e no mundo. 


Apesar da agitação, dos compromissos e da perene pressão, havia também muita esperança, um otimismo de que o esforço nos levaria para algum lugar no futuro, o Estágio Remunerado e o Pibib ajudavam, financeiramente falando e os amigos se escoravam uns nos outros para ajudar a suportar as pressões .


Todas as conversas que mantínhamos entre nós eram conversas de otimismo, de planos para o futuro, de meios para nos tornarmos os melhores professores que pudéssemos ser, ninguém tinha a noção de que os acontecimentos em curso naquela época desembocariam no nazifascismo de Bolsonaro.


Era uma inocência bonita que vivíamos naquela época, apesar dos desafios, olhávamos para o amanhã com otimismo, mesmo naquela rotina acachapante, tínhamos motivos para sonhar.


O ano de 2014 entra nesta jornada como um ano de muita esperança, de planos para o futuro, mesmo que, em um plano maior, estivesse ocorrendo acontecimentos que iriam influenciar diretamente a minha jornada, conforme vamos ver em nosso passos futuros.


Gosto dessa época, eu estava envolvido com o mundo escolar e estava gostando muito da minha experiência, nem parecia que tínhamos que participar de tantas reuniões, preparar e dar aulas, apresentar os projetos, sair de casa de manha e chagar às 22 horas ou mais tarde...


Foram bons tempos, mesmo que sob os nossos pés a terra estivesse prestes a rachar e se partir, engolindo um país inteiro.


Vivendo o ambiente escolar intensamente, cansado, atarefado, feliz e cheio de planos para o futuro; assim eu estava no ano de 2014. 


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E aí, gostaram do artigo desta semana?


Segundo passo nesta incrível jornada que está fazendo me recordar de muitos detalhes e reviver muitas emoções.


Espero que vocês estejam se divertindo tanto quanto eu nesta caminhada.


Semana que vem, mais um passinho ...


Mas, antes de nos despedimos, eu não poderia deixar de registrar aqui um !!!FELIZ ANIVERSÁRIO!!! para o meu irmão Márcio que comemora o dia de seu nome, hoje, dia 25 de Março.


Então, como não poderia deixar de ser, vou dedicar o nosso artigo de hoje, o segundo passo de nossa jornada, para ele e desejar muitas felicidades neste dia tão especial.



Meu irmão e seu melhor presente; a sua família!
FELIZ ANIVERSÁRIO!!



...


Semana que vem estamos de volta! 


Até lá e cuidem-se !!


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