MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE III - A TEMPESTADE ESTÁ VINDO

Olá Escritores !


Preparados para o nosso artigo da semana?


Estão gostando desta incrível jornada?


Antes de mais nada, gostaria de registrar aqui mais um pedido de desculpas por mais um atraso... minha intenção sempre foi manter um texto por semana, mas a contingência da vida não permite a dedicação necessária então vamos escrevendo nas brechas que conseguimos arrumar.


Aos trancos e barrancos vamos seguindo em nossa jornada; um passo de cada vez.  


E por falar em passo, já demos 2, dos 10 programados para falar sobre esta caminhada que, como dissemos lá em nosso primeiro encontro, tem um importante valor testemunhal, hoje estamos prestes a dar nosso terceiro passo nesta incrível jornada.


Com este testemunho espero poder demonstrar que a universidade federal pode ser uma realidade para qualquer um, desde que se tenha os pés no chão, sabendo das dificuldades que existem pelo caminho.


Eu mesmo bati muita cabeça antes de entrar na universidade, acreditando que a UFES não era uma realidade alcançável para mim, um estudante de escola pública, foram 15 anos, desde que terminei meu Segundo Grau até aquela decisão da qual falamos lá em nosso primeiro encontro MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE I - O DESLUMBRAMENTO COM O MUNDO ACADÊMICO, publicado em 18/3/2023, é inacreditável como, às vezes, sabotamos a nós mesmos, não é mesmo?


E se você se lembra dessa conversa, o ano de 2013 não foi um ano fácil, apesar do deslumbramento inicial com tudo aquilo que eu estava vivendo, todas as amizades significativas, os novos pontos de vista sobre antigas certezas e os acontecimentos políticos que estavam fervilhando na vida política do país e do mundo, no início da minha vida acadêmica o que eu estava vivendo era uma fase de muitas dificuldades.


Já no ano seguinte, em 2014, eu estava mais consciente de que a vida acadêmica era hostil, um ambiente de muitas vaidades intelectuais, cobranças e dificuldades que, na maioria das vezes, você tem que enfrentar sozinho.


Vimos detalhes de tudo isso no segundo passo de nossa jornada com o artigo  MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE II - PLANOS PARA O FUTURO, publicado em 25/3/2023.


O ano de 2014 foi marcante por 2 motivos principais; primeiramente, porque desfez aquele estado de suspensão em que eu me encontrava até então, aquele deslumbramento que me fez ver a universidade com um certo olhar "romantizado", foi um ano para colocar os pés no chão e perceber que em uma universidade, é necessário se dedicar profundamente aos estudos para se conseguir avançar. 


Em segundo lugar o ano de 2014 marcou pela a agitação política no país que começou em 2013, com os grandes protestos e foi escalando, ano após ano, influenciando diretamente em minha trajetória acadêmica.


Não custa lembrar que a famigerada Operação Lava Jato começou em março de 2014, com a deflagração da primeira fase da operação pela Polícia Federal, naquela época eu estava tão acachapado pelas obrigações acadêmicas, compromissos de estágio e pessoais que nem percebi a tempestade se aproximando. 


Foi só em 2015 que comecei a perceber que toda esta fervilhação política iria ter consequências em minha vida acadêmica.


Hoje vamos continuar nossa jornada, abrangendo o ano de 2015, neste ano eu continuava com meus compromissos; Estágio Remunerado no Rômulo Castelo e Pibid no Maria Ortiz, continuava me esforçando para seguir na vida acadêmica, mas a agitação política começou a chamar a atenção e não dava mais para ficar enfurnado em obrigações acadêmicas indiferente às movimentações políticas, havia uma verdadeira tempestade chegando e era impossível ignorar a sua aproximação. 


É sobre isso que vamos falar em nosso artigo de hoje.


Então, vamos lá, dar mais um passo nesta incrível jornada?


Boa Leitura!!





 

SEMESTRE 2015/1 


O ano de 2015 foi bem agitado para mim na academia, peguei 4 matérias o que significa dizer que os meus trabalhos acadêmicos e estudos haviam sido multiplicados por 4, isso tudo somado as tarefas de sempre; o estágio, o pibib, o grego, os estudos e os compromisso pessoais.  


Minha grade do semestre ficou da seguinte forma: Educação e Inclusão com Hiram Pinel, Tópicos Especiais no Ensino de Filosofia com o professor João Assis, Atividade Prática - Pesquisa I ou Extensão I com Filício Mulinari e Psicologia da Educação com o professor Ruy Anderson. 


As matérias Educação e inclusão e Tópicos Especiais no Ensino de Filosofia eram matérias voltadas para os alunos da modalidade Licenciatura, aquelas matérias específicas voltadas para os futuros professores, eram aulas empolgantes e motivadoras, com muito debate em sala de aula e teorias educacionais postas para as discussões, mas, na mesma proporção da empolgação e da motivação proporcionada, eram matérias maçantes e exigentes, principalmente com a frequência


Essas aulas iam até às 22 horas impreterivelmente e, depois de um dia inteiro de obrigações, se tornavam aulas exaustivas, isso porque eram aulas que tratavam de muitas teorias educacionais com as quais deveríamos lidar, dúzias de textos para ler e professores que exigiam participação ativa dos alunos, ou seja, nós éramos convidados a falar o tempo todo.


Nos dias em que eu estava mais disposto essas aulas decorriam de forma mais produtiva, mas, na maioria dos dias, eu estava cansado da rotina esmagadora, tinha que fazer um grande esforço intelectual para me concentrar nas aulas, outros amigos de jornada sentiam a mesma coisa, conversávamos sobre isso constantemente, era impressionante como as aulas voltadas para teorias educacionais sugavam a gente.


Há um fator crucial para este desgaste; o fato de estarmos teorizando sobre o tema  "educação", um tema complexo por si só, um problema sobre o qual todo o mundo ocidental se debruça na busca por um modelo educacional que seja eficiente, não em formar operários, mas sim em formar cidadãos.


O tema é de uma complexidade considerável e existe as particularidades do Brasil, um país com problemas sociais profundos, de muitas realidades distintas, assim sendo, debater este tema em um ambiente acadêmico é, sem dúvidas, uma demanda desgastante. 


A aula de Hiram Pinel era um debate sem fim, colocávamos as carteiras em círculo em todas as aulas e o professor sempre usava uma obra ficcional, geralmente um "filme cabeça" ou um livro para lançar uma questão, é importante dizer que essa aula não era frequentada apenas pelos estudantes do curso de Filosofia, havia alunos de todos os cursos de Licenciatura, isso aumentava ainda mais a confusão, afinal, cada curso tem o seu próprio ethos, sua forma particular de enxergar a realidade das coisas.


Em uma aula assim tão heterogênea, com tantas formas diferentes de enxergar o mundo as discussões eram bem acaloradas, não foi uma nem duas vezes que presenciamos discussões mais calientes, teve muito arranca rabo nessa aula, meodeus!


Mas era legal ver o circo pegar fogo em uma aula de debate com tanta gente diferente discutindo temas que, no final das contas, diziam respeito a todos nós, Hiram Pinel sempre assumiu uma postura neutra nos debates, deixando a discussão correr solta, sua formação era em psicologia e quando ele falava era sempre com o viés de sua formação, um dos assuntos mais debatido era o sexo, falamos abertamente sobre sexo, sobre sexualidade e sobre a importância que este tema tem na vida de um professor, afinal, estaremos lidando com adolescentes e, como conversamos em nosso artigo POR QUE O SEXO É TABU, publicado em 17/9/2022, o sexo é um dos maiores tabus postos em nossa sociedade. 


No final de toda essa confusão acadêmica, em meio aos calorosos debates, acabei passando na matéria com uma nota 10,0. 


Já na aula de Assis, apesar do cansaço, a aula decorria de forma mais calma, conhecia o professor ele também conhecia a turma então foi relativamente tranquilo, nessa matéria nos aprofundamos no gigante Paulo Freire, estudando alguns de seus textos, estudamos também outros autores e teorias educacionais.


Apesar da presença de meu companheiro inseparável; o cansaço, foi uma aula muito proveitosa, de conteúdo interessante que nos abriu os olhos sobre o complexo tema educação.


Passei com a nota 9,50.


Outra matéria que frequentei nesse semestre foi Psicologia da Educação com o professor Ruy, essa foi uma matéria super interessante, primeiramente porque era da área de "psicologia" que, como disse para vocês anteriormente, é um assunto pelo qual tenho muito interesse, e também porque foi nessa matéria que aprendi a fazer pesquisa de campo, isso sem falar que o professor Ruy deu muita referência para que estudássemos nessa matéria o que só enriqueceu nossa passagem.


Nosso trabalho de campo se deu da seguinte maneira; deveríamos fazer um paralelo entre alunos de escola pública e da escola privada, estabelecendo as principais diferenças de perspectivas dos alunos da realidade pública e privada, as perspectivas de futuro, os planos para o pós escola, as motivações.


Depois das orientações do professor sobre a metodologia que deveria ser usada, montamos um grupo que se dividiria em dois; uma parte entrevistaria alunos de escola pública com perguntas específicas sobre estes temas e outra equipe faria a mesma coisa em escola privadas, depois nós cruzaríamos os dados para chegar ao resultado final.


Eu fiquei no grupo dos alunos de escola pública, afinal, estava completamente envolvido com esta realidade, graças aos estágios que estava fazendo.


Ao final da pesquisa, concluímos que a principal diferenciação entre alunos da escola pública e privada se dá na perspetiva de futuro, ou seja, o aluno de escola particular tem mais planos para o seu futuro e enxerga mais possibilidades para o seu período pós escola, enquanto no aluno de escola pública tem-se uma perspectiva curta, o aluno de escola pública, em sua grande maioria, não faz planos de longo prazo, tudo que ele quer é terminar o seu Segundo Grau e começar logo a ganhar a vida, seja como for.


Mapeamos várias situações que justificam este estado de coisas; o fato dos alunos de escolas privadas, pertencentes a classes mais abastadas terem uma vida ativa fora da escola, com  acesso a cultura, como teatro, cinema, aulas extra curriculares como idiomas, músicas entre outras, vão ampliando suas perspectivas em um futuro mais promissor, enquanto os alunos de escola pública só têm a escola e nada mais. 


Enfim, o tema é complexo e daria uma boa conversa aqui em nosso espaço, o que vocês acham? Foi instigador estudar estas peculiaridades dos alunos de realidades tão distintas, como disse há pouco, eu entrevistei os alunos da escola pública, aproveitando meu acesso a eles pelo estágio e pelo Pibib e, muitas vezes, me vi na pele daqueles alunos que só queriam terminar o Segundo Grau e partir para ganhar a vida, sem maiores planos para o futuro... 


A aula do professor Ruy foi intensa e proveitosa em diversos sentidos, corroborou a importância da escola ser muito mais do que somente uma transmissora de conteúdo, a importância do acesso a cultura e as atividades extra curriculares para fomentar nos alunos a vontade de planejar com mais carinho o seu próprio futuro, uma pena que o professor Ruy só ficou com a gente naquele semestre, no final, passei na matéria com uma nota 8,20.


Eu e o Léo dando os últimos ajustes em nossa Pesquisa de Campo. 


Terminei meu semestre participando da aula Atividade Prática - Pesquisa I ou Extensão I com o professor Filício Mulinari, fiz essa matéria no semestre 2015/1 e 2015/2 vou resumir tudo aqui, pois a matéria não muda quase nada de um semestre para o outro.  


Esta matéria tem o propósito de ensinar ao estudante a produzir um texto acadêmico, passando pela metodologia de pesquisa, norma ABNT e tudo que é necessário para a produção acadêmica no padrão da academia. 


Essa aula foi muito legal, primeiramente pelo professor Filício, que é um tipo de professor muito especial, com ele aquela formalidade entre aluno e professor se liquefaz, você conversa com o professor tão abertamente como se estivesse conversando com um colega de curso.


Me sentindo a vontade na aula de Filício pude me desenvolver bastante em minha escrita que era muito crua e sem nenhuma malícia acadêmica, apanhei bastante no início porque eu gosto de escrever e escrevo muito, em quantidade, mas para os padrões acadêmicos estava muito aquém de minhas possibilidades, foi com a ajuda de Filício que desenvolvi minha escrita, com seu jeito despojado de dar aula Filício me deixou muito a vontade e isso ajudou consideravelmente.


Eu usei um trabalho que tinha feito lá no semestre 2014/2, na matéria Filosofia e Educação com Sérgio Schweder sobre a educação em Nietzsche, lembram? Com esta matéria prima fiz uma mega pesquisa, aumentando a bibliografia e incrementando o que já havia trabalhado até então, acrescentando novas perspetivas, aumentando a profundidade dos argumentos e colocando tudo nas normas ABNT, tudo isso com a ajuda e supervisão de Filício.


O resultado foi um trabalho que, modéstia à parte, ficou muito bom! Ele ficou tão consideravelmente bem feito, que foi até aceito para a publicação em um periódico: 


A REFLEXÃO DE NIETZSCHE SOBRE EDUCAÇÃO: UMA ANÁLISE, publicado na Revista Reflexões, quando tiver um tempinho, passa lá e dá uma olhada. 


Eu tenho muita gratidão pelo jeito que Filício abordou as minhas várias falhas e me ajudou a extrair o melhor de mim com toda a sua simplicidade, afinal, em um ambiente eivado de vaidades intelectuais onde, com gestos e falas, sempre tem alguém para insinuar que o seu lugar não é ali é um verdadeiro alívio ser auxiliado por alguém que se importa com o seu sucesso. 


Tenho muita consideração por Filício e, mesmo que não tenha mais com ele aquele contato diário, estou sempre torcendo pelo seu sucesso; 


e se tem uma coisa que não falta na vida de Filício é sucesso! Ele mantém um canal no You Tube que vem ajudando na popularização da Filosofia para o público em geral, desfazendo os vários esteriótipos que a Filosofia sofre e  contribuindo para o debate público, sempre trazendo temas atuais para uma discussão franca.


Dá u pulinho lá no cana dele!! É o canal A FILOSOFIA EXPLICA certamente você não vai se arrepender!!


Passei com Filício com a nota 10,0!!

...


E assim se foi o semestre 2015/1 e, como vocês puderam verificar, foi um semestre bem agitado e desgastante, além das matérias de praxe eu estava estudando grego 3 vezes por semana, trabalhando no Estágio Remunerado e no Pibib e com muitos compromissos pessoais, nem sei como consegui conciliar tantos compromissos, mas consegui! 


Mas era somente a metade da correria daquele ano e havia uma tempestade se aproximando...


SEMESTRE 2015/2


O semestre 2015/2 foi bem mais tranquilo do que o semestre anterior, peguei 3 matérias nesse semestre e minha grade ficou da seguinte forma:  


Didática como o professor Edson Maciel, Atividade Prática - Pesquisa II ou Extensão II com Filício e Fundamentos da Língua Brasileira de Sinais com o professor Marcelo de Araújo Costa.


Didática é uma daquelas matérias para a galera da Licenciatura, então vocês já sabem como é né; dúzias de textos para ler, debates intermináveis em sala de aula e cobrança firme da presença.


Apesar do desgaste natural dessas matérias da área de educação foi muito legal o que estudamos em Didática, a investigação temática para verificar a habilidade dos alunos, a tematização para construir junto com o aluno o conhecimento e a problematização para se pensar o sentido do que se está aprendendo, entre outros conceitos que nos aprofundamos nesta matéria, ajudaram bastante em formas eficientes para trabalhar a docência . 


No final, passei com uma nota 10,0.


Outra aula que fiz nesse semestre foi Fundamentos da Língua Brasileira de Sinais, uma aula que, apesar de ser uma daquelas matérias exclusivas para os estudantes de Licenciatura era diferente das outras, esta aula não era esmagadora como as outras, muito pelo contrário, era uma aula leve e extrovertida. 


Sua proposta era a de nos ensinar os fundamentos de Libras, a Língua Brasileira de Sinais, nessa aula todo mundo se divertia bastante aprendendo a usar a linguagem de sinais, isso sem falar no conteúdo da aula, que desfazia vários preconceitos que geralmente carregamos sobre as pessoas com deficiência auditiva. 


Tínhamos que falar (em libras) o tempo todo e para a sala inteira e, passado este primeiro impacto de falar em público e em libras, o restante era só diversão, foi uma matéria muito diferente das outras onde havia uma pressão sempre no ar, a nossa prova final foi um texto fornecido pelo professor que deveria ser traduzido e interpretado em libras.


Logo abaixo, trago um breve registro de alguns momentos dessa aula maravilhosa e descontraída que participamos, lá no final da sequência tem o vídeo da minha prova final falando sobre aparelhos auditivos.

  

As aulas de Libras eram super divertidas, note o semblante das pessoas!! No centro da foto, com a mão no queixo, está o nosso professor Marcelo que é eficiente auditivo, um super profissional que nos ensinou muito mais do que somente os conceitos básicos da Língua Brasileira de Sinais, nos ensinou a reconhecer e se desfazer dos vários preconceitos que carregamos sobre o que não conhecemos



Aqui sou eu dando uma palinha para a turma (que vergonha !)



Aqui foi um dia muito especial, estávamos treinando no campus quando passou pela gente alguns alunos eficientes auditivos, eles pararam e nos ajudaram a fazer as posições certas e nós conversamos bastante com eles praticando o que aprendemos em sala de aula, eles são os que estão nas pontas os outros, além de mim, são Vinicius , Leandro e Giliard

  

E aqui está meu teste final falando em libras sobre a importância dos aparelhos auditivos


...

Com esta aula divertidíssima terminamos o ano de 2015 e, apesar do meu semestre 2015/2 ter sido um alívio, com aulas leves e divertidas, com os professores Marcelo e Filício a situação política do país começou a chamar a atenção.

Acompanhando o noticiário era possível perceber que a situação política do país estava fervendo; uma crise econômica se intensificou no ano de 2015, com o aumento do desemprego e queda significativa da atividade econômica, para contornar a situação Dilma Rousseff implementou medidas impopulares como corte de gastos e aumento de impostos.

Estas medidas aumentaram a impopularidade de Dilma Rousseuff que estava em queda desde as manifestações de 2013, enquanto isso, trabalhando nas sombras e inconformado com a derrota legítima nas urnas, Aécio Neves articulava nos bastidores a oposição ao governo de Dilma, Aécio liderou e defendeu o impeachment da presidente, foi signatário do pedido formal de impeachment apresentado na Câmara dos Deputados já em 2015, acusando Dilma de "crime de responsabilidade fiscal", também conhecida por "pedaladas fiscais", além disso, Aécio Neves liderou a bancada do PSDB na Câmara e no Senado que votou majoritariamente a favor do Golpe. 

A Operação Lava Jato estava em seu segundo ano de atividade, cometendo várias irregularidades, mas recebendo apoio incondicional de parte considerável da imprensa e alimentando na população a normalização da "caça às bruxas", ou seja, fazer qualquer coisa para prender criminosos, inclusive, cometer crimes e abusos. 

Em suma, o ano de 2015 marca por ser um ano onde ficou evidente que a situação política do país estava entrando em um turbilhão do qual mergulharíamos profundamente e tudo isso refletiria em minha trajetória acadêmica. 

Com o processo de Impeachment (golpe brando) baseado em um crime inexistente tendo se iniciando em 2015 e a Operação Lava Jato a pleno vapor, agindo ao arrepio da lei, o ano de 2015 fica marcado para mim por ser um ano onde, ao olhar para o céu, o que presenciei foi uma gigantesca tempestade se aproximando. 

 
Em 2015 eu tirei os olhos de meu mundinho acadêmico e comecei a perceber que aquela tempestade política que estava se aproximando iria me atingir em cheio. 

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E aí, gostaram do nosso artigo de hoje?

Mais um passinho nesta incrível jornada hein, mas, neste encerramento em particular, não temos nenhum motivo para alegria ... 

Eu gostaria de registrar aqui uma tristeza profunda pelas mortes sem sentido das crianças ocorrido no Vale do Itajaí, Blumenau, Santa Catarina na manha da última quinta feira, dia 5/4/2023, na cheche Cantinho Bom Pastor.

Me faltam as palavras para expressar o que sinto diante de uma brutalidade desta proporção, cometida por um monstro, que jamais poderá viver em sociedade.

Uma estupidez com a marca de nosso tempo, há poucos dias de outra tragédia ocorrida na Escola Estadual Thomazia Montoro em Vila Sônia, são Paulo no dia 27/3/2023 e ceifou a vida da professora Elisabete Tenreiro de 71 anos.   

Estes são fenômenos relativamente novos, que envolvem o papel da internet e sua suposta "liberdade", problemas com os quais ainda não desenvolvemos meios para lidar e que seguem sendo um problema cujo os frutos se dão nessas comunidades obscuras pregando ódio sem nenhum tipo de supervisão ou controle. 

Além da internet e suas "zonas cinzentas" onde não conseguimos estabelecer nenhum tipo de controle há de se destacar também a cultura de ódio que vem ganhando força principalmente no governo nazifascista de Jair Bolsonaro, certamente, os apoiadores deste governo da morte não encontrarão nenhuma relação entre a constante apologia às armas, os discursos violentos e a indiferença aos episódios de violência, ao que tem ocorrido nos últimos anos, mas há fatos concretos que corroboram que a apologia à violência produz violência;

em 21 anos o Brasil registrou 22 ataques à escolas, desses 22 ataques, 19 deles foram cometidos de 2019 para cá, uma evidência contundente de que no período de abrangência do governo Bolsonaro aumentou os casos de violência. 

Enfim, o problema é complexo e, dado a sua importância, certamente, nos debruçaremos sobre ele a fim de trazer para o debate formas de parar esta cultura violenta. 


Por fim, gostaria de expressar aqui a minha mais sincera compaixão com os pais, parentes, amiguinhos e todos que foram atingidos por esta tragédia envolvendo crianças, crianças que teriam toda uma vida pela frente... não há palavras para expressar aqui a minha tristeza com um caso tão brutal quanto este. 

Espero que os envolvidos de forma mais direta nesta tragédia encontrem forças para continuar vivendo, mesmo neste mundo tão injusto...

...

No mais, semana que vem estamos de volta.

Até lá e cuidem-se.

  


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