MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE V - A NOITE MAIS DENSA ...
Olá Escritores!
Preparados para o artigo desta semana?
Nem acredito que estamos na metade de nossa caminhada! Publicando hoje, a parte cinco desta incrível jornada!!
Estou vivendo muitas sensações relembrando todos estes momentos, e vocês, estão se divertindo tanto quanto eu?
Espero que sim!
Em nosso último encontro vimos que o ano de 2016 ficou marcado como o ano em que entramos bem no olho de um furacão político, um ano onde eclodiram grandes acontecimentos que estavam fervilhando desde o ano de 2013, orquestrados por uma extrema direita já atuante no país.
Foi no ano de 2016 que se deu o golpe brando contra a presidente eleita do país Dilma Rousselff que, sem ter cometido nenhum crime, foi sumariamente deposta do poder, abrindo caminho para a ascensão da extrema direita xucra, representada por Bolsonaro, cujo a ignorância, dispensa apresentações.
Com o golpe brando consolidado estava aberto o caminho para o golpista Temer enfiar goela abaixo todas as reformas que ele tinha a intenção de implementar no país.
Foi o governo desastroso e golpista de Michel Temer que abriu caminho para a chegada ao poder de Jair Bolsonaro e todo o seu ideário violento, ignorante, reacionário, nazifascista e golpista.
O governo Temer iniciou uma fase de destruição das políticas publicas voltadas para as pessoas mais humildes, demonizando o PT e as esquerdas em geral, Temer também será lembrado por suas desastrosas tentativas de reformas estruturais.
Michel Temer implementou uma série de reformas como a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, que foram muito contestadas por sindicatos e movimentos sociais.
Ele também adotou medidas de austeridade fiscal, como o congelamento dos gastos públicos por 20 anos.
Além de Temer e seu governo desastroso a Operação Lava Jato seguia seu caminho de desmandos, arbitrariedades e abuso de poder no ano de 2017, contribuindo para a pavimentação da via que traria ao poder a extrema direita.
Em 2017 a Operação Lava Jato continuou sua "caça as bruxas" com prisões, delações premiadas e várias operações deflagradas, a operação Patmos, inclusive, acabou por investigar o próprio Michel Temer por suspeita de corrupção.
SEMESTRE 2017/1
Comecei aquele ano de 2017 completamente perdido, já não tinha mais o Estágio Remunerado nem o Pibid e, com isso, estava completamente desprovido de recursos financeiros.
Passei o mês de janeiro em Pontal do Ipiranga, uma praia ao norte do estado onde tenho laços emocionais fortes e me diverti um pouco lá, mas, assim que retornei e comecei minhas obrigações acadêmicas percebi que aquele ano não seria fácil, pela primeira vez em toda a minha caminhada, cogitei abandonar o curso e voltar para os empregos intermediários.
Além dos fatos políticos, outros acontecimentos influenciaram a minha rotina no ano de 2017; em 3 de fevereiro estourou a "greve" da Polícia Militar, que gosto de chamar de "Motim da Polícia Militar", ou crise da segurança pública no Espírito santo, já que greves de militares são inconstitucionais no Brasil.
O motim foi desmobilizado em 23 de fevereiro, nesses 20 dias, o Espírito Santo viveu um inferno na terra com atos de violência, furtos, saques, veículos incendiados, agressões e 215 homicídios.
A UFES estava em recesso durante o motim, mas é comum irmos para a universidade no período de recesso, para usar a biblioteca, o campus, marcar grupos de estudo ou usar o RU, enfim, a universidade não para totalmente no recesso, mas, nesse ano, teve que parar.
Depois que o motim foi desfeito, mesmo embasbacados com tudo que aconteceu no estado do Espírito Santo, voltamos para a nossa rotina acadêmica;
A ideia de abandonar o curso era forte nos primeiros meses de 2017, mas o apoio da família e a força dos amigos foram desanuviando minha mente dessa ideia e logo voltei aos trilhos, colocando minha mente no lugar e determinando minha vontade.
Eu até poderia arrumar um emprego fichado, onde, trabalharia de 8h às 18h, de segunda a sexta, sair do trabalho, ir para a universidade, assistir a aula até às 22h, acordar novamente no outro dia, trabalhar até às 18h, voltar para a universidade até às 22h, fazer os trabalhos nos finais de semana, estudar para as matérias no horário de almoço e seguir nessa rotina massificante até conseguir me formar ou morrer tentando, eu sei que tem muita gente que segue em uma rotina dessas, mas eu não conseguiria estudar a contento para a exigência do curso, você pode até não acreditar, mas eu lhe garanto que o nível de exigência no curso Filosofia/UFES é altíssimo.
Então estava muito claro que; ou eu me dedicaria à universidade ou eu desistiria e voltaria para meus anos pré universidade, trabalhando em empregos intermediários.
Na família, encontrei apoio para não desistir e, com os amigos de jornada, encontrei meios para ganhar uns trocados e ir me mantendo, mesmo que de forma muito precária.
Meu amigo Shelton é proprietário de um quiosque e eu trabalhava com ele para ganhar uns trocados, Shelton, já esteve aqui com a gente quando publicou uma interessante reflexão sobre o tema "educação" com seu artigo OS CAMINHOS PARA SE ENSINAR FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO, publicado em 20/11/2021.
A ajuda de Shelton foi providencial para me auxiliar com minhas dificuldades financeiras, mas Shelton não foi o único amigo de jornada que me ajudou com isso, vez ou outra, eu também trabalhava com Rafael Lins como bar man no antigo Álvares Cabral em noites de shows, com esse trabalho tínhamos a oportunidade de assistir os shows em que trabalhávamos, era divertido!
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| Aqui, um registro de uma noite de trabalho com Rafael, show de Roberto Carlos. |
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| Eu, Lander e Rafael prontos para mais uma noite de trabalho! Bons tempos!! |
Outro amigo que não posso deixar de citar aqui e que me ajudou muito com meus problemas financeiros foi Marcelo Silva, Marcelo tem uma empresa que lida com manutenção de ar condicionado e sempre me chama para trabalhar com ele.
Marcelo também já esteve aqui em nosso espaço em uma super parceria intelectual com o artigo O ULTIMATO DO IPCC - MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O PESO DA REFRIGERAÇÃO, publicado em 14/8/2021.
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| Marcelo e sua empresa me ajudam até hoje em minhas dificuldades financeiras ... |
Neste semestre comecei a escolher as minhas matérias optativas, se vocês bem se lembam, além das matérias obrigatórias temos que participar de aulas optativas que, somadas, devem ter 480 horas.
Fazendo umas contas rápidas; 480hs divididas por 60hs é igual a 8, ou seja, temos que fazer 8 matérias optativas até o final do curso e, neste semestre, eu comecei com 2.
Ensino de Filosofia foi a única obrigatória que peguei neste semestre, a matéria era ministrada por Sérgio Schweder que misturava muito de sua experiência pessoal com a ementa do curso.
Esta aula era como participar de uma estimulante conversa que tinha como principal função caracterizar as especificidades do ensino de Filosofia distinguindo todas as características do pensar filosófico em detrimento ao ensino das matérias mais comuns, em outras palavras, era uma matéria voltada a nos ensinar a dar aulas de Filosofia, com todas as suas particularidades.
Como sempre, uma aula instigadora com muitos debates em sala de aula e leituras interessantes, no final, passei com uma nota 9,60.
Em Seminário de Filosofia Contemporânea II com Fernando Pessoa, minha primeira opcional, continuamos a estudar Nietzsche e Heidegger, nos aprofundando um pouco mais nestes grandes pensadores.
As aulas de Pessoa eram leves, curtas e cheia de pensamentos filosóficos misturados com poesia e arte, foi uma matéria tranquila de ser feita, muito prazerosa e produtiva, passei com uma nota 8,5.
Com tudo que aconteceu entre 2016 e 2017, comigo perdendo o Estágio Remunerado e o Pibib acabei ficando com mais tempo e, por conta disso, consegui me matricular em uma matéria de Barbara Botter que era à tarde, Tópicos Especiais de Pensamento e linguagem I começava às 16 horas e ia até às 18 horas.
Foi uma matéria super legal de fazer! Era diferente chegar na universidade à tarde, encontrar os amigos, conversar, se distrair um pouco e depois partir para aquela aula estimulante com a sensacional Barbara e toda a sua erudição sobre o pensamento grego.
Estudamos os gregos de forma aprofundada, principalmente Platão e Sócrates, foi legal fazer uma matéria com Barbara Botter que eu não via desde que abandonara o grego.
Apesar da alegria em estudar com Barbara novamente, sua exigência não diminuíra em nada e, no final, passei nessa matéria com a modesta nota 7,50.
...
Assim se foi a primeira metade daquele ano complicado de 2017; eu estava enfrentando muitas dificuldades, principalmente financeiras e, vez ou outra, batia uma vontade de abandonar tudo, foram meus amigos de jornada, a minha família e seu apoio incondicional que me deram forças para continuar.
Enquanto isso, Temer seguia sua destruição de políticas públicas vitoriosas, substituindo projetos promissores por uma roleta russa de políticas de viés liberal.
É notório que Temer estava gastando toda a sua energia para destruir a educação do país, já no primeiro semestre daquele ano, foram várias as ações voltadas para minar a educação brasileira, já em fevereiro daquele ano, tivemos a desastrosa reforma do ensino médio.
A reforma previa a flexibilização curricular, com a criação de itinerários formativos que os alunos poderiam escolher, mas também reduzia a carga horária de disciplinas como Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física.
SEMESTRE 2017/2
Eu estava completamente desanimado no semestre 2017/2 e peguei somente 2 matérias; Seminário de Filosofia Contemporânea III, com Fernando Pessoa e Filosofia Moderna III com Felipe dos Santos Durante, ambas optativas.
Com Fernando Pessoas mais Heidegger, mais Nietzsche, mais poesia e menos estresse; aula tranquila e, apesar de só estar cumprindo tabela nesse semestre, tomado por um desânimo inacreditável, fiz uma prova mediana e fiquei com uma nota final 7,50.
Já com Felipe Durante a coisa foi mais tensa...
Felipe é um pesquisador de Schopenhauer, um pensador que tenho muito interesse, foi legal nos aprofundar na obra O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO esmiuçando todos os pormenores desta obra na companhia de um grande estudiosos de Schopenhauer.
Minha empolgação foi tamanha na aula de Durante e eu estava lendo tanta coisa sobre Schopenhauer na época que fui tomado pela soberba, pelo dogmatismo e pelo entusiasmo e me propus a levantar grandes teses sobre a filosofia schopenhaueriana que não fui capaz de sustentar quando arguido sobre o tema.
Vou explicar melhor; O trabalho final dessa matéria consistia em escrever um artigo falando das concepções gerais da filosofia de Schopenhauer baseado no que vimos em sala de aula.
Eu acabei me empolgando, levado pela minha compulsão em escrever em profusão acabei por levantar várias teses que não encontravam eco na obra de Schopenhauer nem de nenhum comentador, na correção que recebi do professor fui arguido sobre as teses que levantei em minha análise e não consegui sustentar as teses que levantei.
Resultado: tive que refazer todo o trabalho do zero e fazer um trabalhinho mequetrefe só para não reprovar na matéria, apesar de ser um trabalhinho bem básico lembro-me perfeitamente de ter que ficar um fim de semana inteiro cercado de livros, concentrado em produzir o texto certo, no final de toda essa confusão, acabei com uma vergonhosa nota 5,00 a nota mínima para não reprovar em uma matéria.
Claro que aprendi com o episódio e me aprofundei bastante na filosofia Schopenhaueriana depois disso tudo, participei de várias aulas com Felipe Durante, de fato, um profundo estudioso da filosofia de Schopenhauer.
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No dia 9 de outubro daquele ano eu me machuquei gravemente jogando basquete, tive um rompimento de tendão de aquiles e tive que passar 6 dias internado no São Lucas para operar.
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| ...passei por todo este calvário cumprindo minhas obrigações acadêmicas, tenho vívido na lembrança eu indo assistir a aula de Felipe Durante me arrastando de muletas, indo para o RU, biblioteca... |
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| ... Nesse período senti na pele as dificuldades que os eficientes físicos passam em uma sociedade que vira as costas para quem tem necessidades especiais de locomoção. |
Assim terminou o ano de 2017 para mim; andando de muletas, duro, chateado com os rumos que o país estava tomando e com uma clara impressão de que as coisas só iriam piorar, o ano de 2017 foi, definitivamente, um ano onde a noite se tornou mais densa...
E aí, gostaram do artigo desta semana?
Tirando o atraso (me desculpem mais uma vez por isso...) tudo correu bem, não é mesmo?
Aquele ano de 2017 foi complexo em diversos sentidos, para mim, foi um ano de verdadeiras provações; vivia duro e pensei em desistir de tudo muitas vezes, depois, no final do ano, me machuquei gravemente e passei pelo meu primeiro procedimento.
E no ano de 2018 as coisas não foram muito diferentes...
Mas isso é história para nosso próximo encontro.
Antes de nos despedirmos, não poderia deixar de lembrar que hoje, dia 1º de Maio, é comemorado o dia do trabalhador ou, dia do trabalho, se você preferir, e eu gostaria de registrar aqui umas palavrinhas sobre este dia que nos conclama a fazer muitas reflexões.
O Dia do Trabalho é uma data importante para refletir sobre a importância do trabalho em nossas vidas e na sociedade como um todo.
Infelizmente, em muitos casos, o trabalho é visto apenas como uma forma de obter dinheiro para consumir mais e mais, em uma cultura de consumismo desenfreado que muitas vezes nos faz perder de vista o valor do trabalho em si.
O trabalho não é apenas uma forma de ganhar dinheiro para consumir mais, ele é uma forma de contribuir para a sociedade, de realizar tarefas e atividades que são essenciais para o funcionamento de nossas comunidades.
Além disso, o trabalho pode ser uma fonte de realização pessoal, uma forma de desenvolver habilidades e competências, de encontrar um propósito ou, quem sabe, um significado para a vida.
Neste Dia do Trabalho, é importante refletir sobre como podemos valorizar mais o trabalho em nossas vidas e não apenas enxergá-lo como uma obrigação ou uma forma de ganhar dinheiro para consumir mais.
Podemos pensar em maneiras de tornar nosso trabalho mais significativo e gratificante e de contribuir de forma positiva para a sociedade através dele.
Também é importante refletir sobre como podemos criar uma cultura mais saudável em relação ao trabalho e ao consumo, uma cultura que valorize mais a qualidade de vida, o bem-estar e o equilíbrio entre trabalho e lazer.
Precisamos reconhecer que o trabalho é importante, mas que ele não deve ser o único foco de nossas vidas.
Portanto, neste Dia do Trabalho, vamos refletir sobre a importância do trabalho em nossas vidas e em nossa sociedade, e pensar em maneiras de valorizá-lo e torná-lo mais significativo e gratificante, sem perder de vista o valor do equilíbrio e do bem-estar em nossas vidas.
E vamos também ver nosso tempo ocioso com outros olhos, uma forma mais produtiva e menos consumista de aproveitar nossos momentos fora do trabalho, sobre isso fizemos uma profunda reflexão no artigo ÓCIO PARA CRIAR, publicado em 11/9/2021.
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Esperamos que você tenha se divertido tanto quanto eu e esperamos encontrar vocês por aqui semana que vem (?).
Até lá e cuidem-se!
















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