MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE IX - UMA DOSE DE ESPERANÇA
Olá Escritores!
Preparados para nosso artigo da semana?
Há quanto tempo hein!
3 meses e 7 dias para ser mais exato, e nesse tempo, muita coisa aconteceu, não é mesmo?
Em nosso último encontro, lá no distante 28 de julho de 2023, conversamos sobre o ano de 2020, o ano em que entramos na pandemia do novo coronavírus, um período complicadíssimo, em que toda a humanidade teve que colocar as diferenças de lado e seguir rumo a um objetivo em comum; mitigar os efeitos de uma doença que estava atingindo a todos nós.
A pandemia do novo coronavírus foi um evento canônico na história da humanidade, um acontecimento de proporção global que fez toda a humanidade unir forças em torno de um objetivo em comum.
A pandemia do novo coronavírus também expôs muitas verdades sobre as desigualdades sociais em nosso mundo, adiantou alguns processos sobre a nossa relação com as novas tecnologias e mudou inúmeros hábitos.
E se, por um lado, a pandemia foi um evento único, que forçou uma união entre povos, por outro lado, apenas três anos depois, estamos mergulhados na mais profunda desunião, uma era onde não se consegue chegar a nenhum assentimento.
Em um período curtíssimo de tempo, passamos de uma cooperação sem precedentes na história entre povos para, duas guerras de consequências mundiais, conflitos com potencial para um desfecho nuclear.
Tanto a guerra Rússia/Ucrânia, iniciada em 2022 com a invasão russa ao território ucraniano, quanto o conflito Hamas/Israel, que se iniciou com a invasão terrorista ao território judeu no último dia 7 de outubro, são contendas complexas, que não se iniciaram agora e se estendem por anos a fio.
Em assuntos intrincados, como as duas guerras em curso, devemos exercitar mais um olhar apurado, que coloque todas as reivindicações na mesa e considere o contexto em que se dão as agressões, do que apenas uma "escolha de lado", como se estivéssemos escolhendo um time de futebol para torcer.
Há muita informação e reflexões sobre estes conflitos dos quais precisamos escarafunchar, com profundidade e rigor, na busca de uma tentativa sincera para entender todas as demandas envolvidas.
Nestes dois conflitos, que estão chamando a atenção do mundo dado o seu potencial, e em todos as outras guerras travadas mundo afora, dos quais falamos tão pouco, infelizmente, temos muito mais do que uma simples luta do bem contra o mal.
O que temos, na verdade, é um conflito de interesses e, se você prestar bem atenção, vai perceber que quase todas as demandas são legítimas; os lados têm um ponto que convém considerar.
E nunca é demais lembrar que atitudes terroristas, fora do escopo democrático, não devem ser sequer consideradas, devem ser severamente repudiadas por todas as democracias que tentam mediar os conflitos.
Enfim, a humanidade segue com todas as suas complexidades e paradoxos, certamente, em algum momento em um futuro próximo, vamos abordar melhor toda esta conjuntura que atravessamos em nossa contemporaneidade em uma de nossas reflexões.
...
Outro assunto que gostaria de tangenciar em nossa abertura de hoje é sobre os atrasos em nossos encontros.
Nosso propósito sempre foi manter um texto por semana, mas, como vocês estão observando, estamos falhando miseravelmente nisso, não é mesmo?
Por isso me sinto na obrigação de dar algumas satisfações para aqueles poucos que fazem questão de ouvir o que tenho para dizer:
Em fato, tudo se resume a necessidade de trabalhar para ganhar uma graninha e poder sobreviver no mundo em que vivemos.
O que ocorre é que, mesmo depois de formado, eu ainda não estou exercendo a profissão de "professor" e, já que estou formado, não tenho mais motivos para não entrar na máquina de moer subjetividades chamada "capitalismo", para produzir e consumir, como todo o bom cidadão.
Em outros termos, enquanto não conseguir exercer a carreira pela qual me preparei nesses últimos 10 anos, tenho que trabalhar no que der para me sustentar, eis a vida!
Obviamente, estou agradecido por ter condições de prover um sustento digno para sobreviver neste mundo, mas um fato concreto é que o trabalho em horário comercial consome todo o meu tempo livre e energia, com isso, estou displicente em relação as minhas atividades intelectuais.
Há meses não consigo ler adequadamente, escrever então é praticamente impossível, dado o grau de dedicação que é preciso aplicar para um texto autoral.
O artigo que você está prestes a ler só saiu porque no feriado de finados deste ano consegui uma folga de 4 dias e, somente assim, consegui tempo para me dedicar à escrita.
Estou contando que tudo isso seja uma fase e que, no tempo em que houver de ser, eu consiga realizar aquilo para o que me preparei durante tantos anos.
Aconteça o que acontecer, no futuro, exercitarei sempre a minha gratidão.
Por conta disso, não posso garantir que nossos encontros serão semanais, como eu gostaria que fossem, mas sim esporádicos, sem data definida, sem aquele comprometimento, considere apenas que, em um sábado qualquer, sai mais um texto.
Um dia, oxalá, encontrarei uma forma de conciliar este compromisso tão importante para mim em manter com o meu leitor/escritor este estreito fio entre os meus mais profundos pensamentos e receber de volta os dele, dividir com ele aqueles fragmentos de mim, espalhados aqui e acolá.
...
Dada as devidas satisfações, vamos enfim retomar a estrada e voltar para a nossa Incrível Jornada, que tal?
Hoje, vamos dar o nosso penúltimo passo nesta longa caminhada, vamos conversar sobre o ano de 2021, mais um ano complicado, para o mundo e para mim.
O mundo em 2021 estava uma loucura, por toda a parte, no Brasil, com a ajuda inconteste de Bolsonaro, a pandemia seguia em sua plenitude.
Quanto a mim, em 2021 seguia batendo cabeça para escrever minha monografia final, as dificuldades acumulavam-se sobre os meus ombros, as pressões, os prazos, os desencontros, o bloqueio criativo e muitas outras dificuldades iam assomando-se.
As incertezas eram muitas no ano de 2021, até então, não existia vacina e nem tratamento para a doença que seguia contagiando em números assustadores.
Aquele clima generalizado de paranoia que reinou absoluto por todo o ano de 2020 continuou nos primeiros meses de 2021, todo mundo com medo de se infectar, algumas pessoas perdendo parentes e amigos, enterros feito às pressas, covas coletivas, cemitérios colapsando.
Para mim em particular, foi uma terrível fase, marcada por angústias das mais diversas, dúvidas sobre a minha formação na academia e uma perene solidão.
Esse climão pesado só foi começar a mudar em março de 2021, com o passar do tempo e a nova realidade imposta, houve uma certa adaptação das pessoas para novas posturas e protocolos rígidos.
E todo mundo levava a sério esses protocolos, a maioria das pessoas ignoravam as sugestões insanas de Bolsonaro, máscaras, álcool, distanciamento e todas as recomendações eram levadas a sério pela população.
Seguindo todos os protocolos a risca as pessoas se sentiam seguras para começar a diminuir o isolamento social e foram encontrando formas para seguir com seus compromissos além de rever seus parentes e amigos.
Foi neste contexto que eu comecei a furar meu isolamento e reatar algumas relações que fizeram a diferença em minha jornada.
O primeiro semestre de 2021 foi um semestre de adaptação, com jeitinho as pessoas encorporaram novos hábitos a sua rotina e foram seguindo a vida, a partir do segundo semestre a vacina começou a circular, isso melhorou o humor das pessoas e ajudou a normalizar a vida.
Minha situação na academia estava terrível...
Meu TCC estava enorme, com 60 páginas e mais de 23 mil palavras, além de enorme estava sem foco e mal escrito, Wander, o meu orientador, se esforçava bastante para me indicar as falhas, mas eu estava enfrentando um tipo de "bloqueio" que me dificultava mexer em um texto que eu considerava pronto.
Contando mais uma vez com a ajuda de meus companheiros de jornada, superei mais esta dificuldade.
É sobre mais este ano conturbado que vamos conversar em nosso texto de hoje.
Todos prontos para mais esta etapa?
Então, só nos resta desejar uma para vocês
Boa leitura !!
SEMESTRE 2021/1
Depois de ficar o ano de 2020 todo enclausurado dentro de casa, isolado e apreensivo, vendo Bolsonaro e seus correligionários sabotar todas as tentativas de conter o vírus, no ano de 2021 as coisas começaram a mudar um pouco, mas pioraram bastante antes de começar a melhorar.
Os primeiros meses de 2021 foram bem intensos, depois de um ano inteiro de isolamento, as pessoas já estavam estafadas e irritadiças, ninguém aguentava mais aquele isolamento e as pressões começaram a vir de todos os lugares.
Todo aquele medo e paranoia coletiva começou a naturalmente ir se arrefecendo, as pessoas começaram a adotar a prática do "novo normal", ou seja, novas atitudes no comportamento público.
As pessoas começaram a se reencontrar pessoalmente, seguindo inúmeros procolos, sem os tradicionais beijinhos e abraços, nem os apertos de mãos, sem ficar juntos, em grupos de pessoas menores, encontros em lugares abertos, ao ar livre e álcool, muito álcool nas mãos.
Eu me lembro de uma confraternização que fizemos na antiga casa de Karol em março de 2021, a primeira resenha desde o início do isolamento mais severo, lá estávamos Karol, Natália, Bruno, Mariana, Alam, Roberto e eu, e era estranho reencontrar os amigos, depois de tanto tempo, e não poder se abraçar nem se tocar, ter que ficar distante, passando álcool nas mãos e em tudo, em todo lugar o tempo todo...
Revisitando as minhas anotações para escrever este texto, percebo que, já em janeiro de 2021, cansado do isolamento e querendo reagir, me senti revigorado para voltar aos livros e retomar meus estudos, lá em meu velho caderno de estudos em Nietzsche encontrei registrado um enorme resumo comentado da obra HUMANO, DEMASIADO HUMANO - I, obra fundamental para o tema que estava trabalhando em meu TCC.
Em 23/2/2021, outro registro no caderno que denota o meu esforço para retomar os estudos de forma mais séria naquele ano, trata-se de um fluxograma, esquematizando toda a estrutura da monografia, como eu estava concebendo a mesma até aquele momento, com o título; A crítica de Nietzsche a subjetividade moderna enquanto construção metafísica.
Apesar de estar retomando os estudos no início de 2021, ainda estava longe do ideal, minha escrita continuava confusa, meu texto continuava enorme, com muitos problemas levantados sem grandes aprofundamentos eu estava enfrentando severas dificuldades e críticas para reformular o que havia escrito até então.
Sentava-me frente ao texto, abria as recomendações do meu mestre, lia e relia aquelas 60 páginas, ininterruptamente, uma vez e outras mais e, simplesmente, não conseguia ter avanços significativos.
Fazia o trabalho descompromissado e esdrúxulo de apenas cortar partes do texto para enxugá-lo, então, trabalhava em frases de ligação, para dar uma mínima fluidez para o texto e nada mais.
Obviamente, eu não enganava ninguém fazendo um trabalho tão displicente assim, mas, naquela época, era o que eu conseguia fazer, estava realmente estafado, mas havia em mim uma vontade sincera de mudar aquele clima de derrota.
Resolvi entrar em contato com um amigo de jornada e humildemente pedir ajuda.
Wilson Onofri é um dos gênios da turma 2013, um daqueles que se destacam pela inteligência aguçada e foco nos estudos, com uma língua afiada e dono de uma personalidade elétrica, Wilson já era advogado quando ingressou com a gente nesta jornada, lá no distante ano de 2013.
Em uma velocidade impressionante Wilson galgou os degraus da carreira acadêmica mais rápido do que o Berry Allen (piadinha para outro fã de quadrinhos), passou pela graduação, pelo mestrado e pelo doutorado praticamente em uma tacada só!
Foi com esse cara que eu tive alguns encontros que me ajudaram bastante.
Além das explicações técnicas como, por exemplo, citar como deveria ser a estrutura do trabalho, onde usar melhor as referências e as notas, como manter o foco no assunto entre outras dicas, houve também uma certa injeção de ânimo em meu espírito, uma nova forma de olhar para o trabalho aconteceu.
Hoje, olhando para trás, percebo que aquele bloqueio criativo de 2021 ocorreu porque eu estava saturado daquele texto, estava trabalhando naquela monografia desde 2018, lendo, pensando e escrevendo sobre Nietzsche o tempo todo.
Mesmo que no ano de 2020 eu tenha ficado um ano inteiro sem ler e escrever sobre Nietzsche, trocando as angústias e incertezas da academia pelas angústias e incertezas da pandemia, os anos de 2018/19/21 foram anos de hiper foco, estamos falando de 8 horas de estudo diário, e, perto da conclusão do TCC, 12 horas debruçado sobre os livros.
Nem nos meus tempos de enxadrista eu tinha um hiper foco tão grande assim, e eu levava o xadrez muito a sério nos anos de 2006 até 2012, eram horas de estudo e dedicação ao xadrez, mas nada que se compare a minha dedicação para escrever esta monografia.
Em 2021 eu estava cansado de ler e reler o mesmo texto, por isso o bloqueio criativo, mas os encontros com Wilson deram um novo sopro de inspiração para mim.
Em janeiro de 2021, revigorado pela ajuda que Wilson estava me dando, entrei em contato com meu mestre, ainda não tinha nenhum material em mãos, mesmo assim, estava tão seguro que conseguiria escrever um novo material em breve que resolvi dar uma satisfação para Wander, era também uma forma de reforçar meu comprometimento.
Veja o que escrevi para Wander naquela ocasião:
Professor boa noite !!
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| Wilson foi a "personalidade do ano" em 2021, me ajudou a clarear as ideias e a seguir com passos firmes nesta Incrível Jornada. Valeu amigo!! |

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