MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE IX - UMA DOSE DE ESPERANÇA

Olá Escritores!


Preparados para nosso artigo da semana?


Há quanto tempo hein!


3 meses e 7 dias para ser mais exato, e nesse tempo, muita coisa aconteceu, não é mesmo? 


Em nosso último encontro, lá no distante 28 de julho de 2023, conversamos sobre o ano de 2020, o ano em que entramos na pandemia do novo coronavírus, um período complicadíssimo, em que toda a humanidade teve que colocar as diferenças de lado e seguir rumo a um objetivo em comum; mitigar os efeitos de uma doença que estava atingindo a todos nós.


A pandemia do novo coronavírus foi um evento canônico na história da humanidade, um acontecimento de proporção global que fez toda a humanidade unir forças em torno de um objetivo em comum.


A pandemia do novo coronavírus também expôs muitas verdades sobre as desigualdades sociais em nosso mundo, adiantou alguns processos sobre a nossa relação com as novas tecnologias e mudou inúmeros hábitos.    


E se, por um lado, a pandemia foi um evento único, que forçou uma união entre povos, por outro lado, apenas três anos depois, estamos mergulhados na mais profunda desunião, uma era onde não se consegue chegar a nenhum assentimento.


Em um período curtíssimo de tempo, passamos de uma cooperação sem precedentes na história entre povos para, duas guerras de consequências mundiais, conflitos com potencial para um desfecho nuclear.


Tanto a guerra Rússia/Ucrânia, iniciada em 2022 com a invasão russa ao território ucraniano, quanto o conflito Hamas/Israel, que se iniciou com a invasão terrorista ao território judeu no último dia 7 de outubro, são contendas complexas, que não se iniciaram agora e se estendem por anos a fio.


Em assuntos intrincados, como as duas guerras em curso, devemos exercitar mais um olhar apurado, que coloque todas as reivindicações na mesa e considere o contexto em que se dão as agressões, do que apenas uma "escolha de lado", como se estivéssemos escolhendo um time de futebol para torcer.


Há muita informação e reflexões sobre estes conflitos dos quais precisamos escarafunchar, com profundidade e rigor, na busca de uma tentativa sincera para entender todas as demandas envolvidas.


Nestes dois conflitos, que estão chamando a atenção do mundo dado o seu potencial, e em todos as outras guerras travadas mundo afora, dos quais falamos tão pouco, infelizmente, temos muito mais do que uma simples luta do bem contra o mal.


O que temos, na verdade, é um conflito de interesses e, se você prestar bem atenção, vai perceber que quase todas as demandas são legítimas; os lados têm um ponto que convém considerar. 


E nunca é demais lembrar que atitudes terroristas, fora do escopo democrático, não devem ser sequer consideradas, devem ser severamente repudiadas por todas as democracias que tentam mediar os conflitos.


Enfim, a humanidade segue com todas as suas complexidades e paradoxos, certamente, em algum momento em um futuro próximo, vamos abordar melhor toda esta conjuntura que atravessamos em nossa contemporaneidade em uma de nossas reflexões.


...


Outro assunto que gostaria de tangenciar em nossa abertura de hoje é sobre os atrasos em nossos encontros.


Nosso propósito sempre foi manter um texto por semana, mas, como vocês estão observando, estamos falhando miseravelmente nisso, não é mesmo?


Por isso me sinto na obrigação de dar algumas satisfações para aqueles poucos que fazem questão de ouvir o que tenho para dizer:


Em fato, tudo se resume a necessidade de trabalhar para ganhar uma graninha e poder sobreviver no mundo em que vivemos.


O que ocorre é que, mesmo depois de formado, eu ainda não estou exercendo a profissão de "professor" e, já que estou formado, não tenho mais motivos para não entrar na máquina de moer subjetividades chamada "capitalismo", para produzir e consumir, como todo o bom cidadão.


Em outros termos, enquanto não conseguir exercer a carreira pela qual me preparei nesses últimos 10 anos, tenho que trabalhar no que der para me sustentar, eis a vida!


Obviamente, estou agradecido por ter condições de prover um sustento digno para sobreviver neste mundo, mas um fato concreto é que o trabalho em horário comercial consome todo o meu tempo livre e energia, com isso, estou displicente em relação as minhas atividades intelectuais.


Há meses não consigo ler adequadamente, escrever então é praticamente impossível, dado o grau de dedicação que é preciso aplicar para um texto autoral. 


O artigo que você está prestes a ler só saiu porque no feriado de finados deste ano consegui uma folga de 4 dias e, somente assim, consegui tempo para me dedicar à escrita.


Estou contando que tudo isso seja uma fase e que, no tempo em que houver de ser, eu consiga realizar aquilo para o que me preparei durante tantos anos.


Aconteça o que acontecer, no futuro, exercitarei sempre a minha gratidão.


Por conta disso, não posso garantir que nossos encontros serão semanais, como eu gostaria que fossem, mas sim esporádicos, sem data definida, sem aquele comprometimento, considere apenas que, em um sábado qualquer, sai mais um texto.


Um dia, oxalá, encontrarei uma forma de conciliar este compromisso tão importante para mim em manter com o meu leitor/escritor este estreito fio entre os meus mais profundos pensamentos e receber de volta os dele, dividir com ele aqueles fragmentos de mim, espalhados aqui e acolá.


...


Dada as devidas satisfações, vamos enfim retomar a estrada e voltar para a nossa Incrível Jornada, que tal?


Hoje, vamos dar o nosso penúltimo passo nesta longa caminhada, vamos conversar sobre o ano de 2021, mais um ano complicado, para o mundo e para mim.


O mundo em 2021 estava uma loucura, por toda a parte, no Brasil, com a ajuda inconteste de Bolsonaro, a pandemia seguia em sua plenitude.


Quanto a mim, em 2021 seguia batendo cabeça para escrever minha monografia final, as dificuldades acumulavam-se sobre os meus ombros, as pressões, os prazos, os desencontros, o bloqueio criativo e muitas outras dificuldades iam assomando-se.


As incertezas eram muitas no ano de 2021, até então, não existia vacina e nem tratamento para a doença que seguia contagiando em números assustadores.


Aquele clima generalizado de paranoia que reinou absoluto por todo o ano de 2020 continuou nos primeiros meses de 2021, todo mundo com medo de se infectar, algumas pessoas perdendo parentes e amigos, enterros feito às pressas, covas coletivas, cemitérios colapsando.


Para mim em particular, foi uma terrível fase, marcada por angústias das mais diversas, dúvidas sobre a minha formação na academia e uma perene solidão.


Esse climão pesado só foi começar a mudar em março de 2021, com o passar do tempo e a nova realidade imposta, houve uma certa adaptação das pessoas para novas posturas e protocolos rígidos. 


E todo mundo levava a sério esses protocolos, a maioria das pessoas ignoravam as sugestões insanas de Bolsonaro, máscaras, álcool, distanciamento e todas as recomendações eram levadas a sério pela população.


Seguindo todos os protocolos a risca as pessoas se sentiam seguras para começar a diminuir o isolamento social e foram encontrando formas para seguir com seus compromissos além de rever seus parentes e amigos.


Foi neste contexto que eu comecei a furar meu isolamento e reatar algumas relações que fizeram a diferença em minha jornada.


O primeiro semestre de 2021 foi um semestre de adaptação, com jeitinho as pessoas encorporaram novos hábitos a sua rotina e foram seguindo a vida, a partir do segundo semestre a vacina começou a circular, isso melhorou o humor das pessoas e ajudou a normalizar a vida.


Minha situação na academia estava terrível... 


Meu TCC estava enorme, com 60 páginas e mais de 23 mil palavras, além de enorme estava sem foco e mal escrito, Wander, o meu orientador, se esforçava bastante para me indicar as falhas, mas eu estava enfrentando um tipo de "bloqueio" que me dificultava mexer em um texto que eu considerava pronto.


Contando mais uma vez com a ajuda de meus companheiros de jornada, superei mais esta dificuldade.  


É sobre mais este ano conturbado que vamos conversar em nosso texto de hoje.


Todos prontos para mais esta etapa?


Então, só nos resta desejar uma para vocês


Boa leitura !!




SEMESTRE 2021/1


Depois de ficar o ano de 2020 todo enclausurado dentro de casa, isolado e apreensivo, vendo Bolsonaro e seus correligionários sabotar todas as tentativas de conter o vírus, no ano de 2021 as coisas começaram a mudar um pouco, mas pioraram bastante antes de começar a melhorar.


Os primeiros meses de 2021 foram bem intensos, depois de um ano inteiro de isolamento, as pessoas já estavam estafadas e irritadiças, ninguém aguentava mais aquele isolamento e as pressões começaram a vir de todos os lugares. 


Todo aquele medo e paranoia coletiva começou a naturalmente ir se arrefecendo, as pessoas começaram a adotar a prática do "novo normal", ou seja, novas atitudes no comportamento público.


As pessoas começaram a se reencontrar pessoalmente, seguindo inúmeros procolos, sem os tradicionais beijinhos e abraços, nem os apertos de mãos, sem ficar juntos, em grupos de pessoas menores, encontros em lugares abertos, ao ar livre e álcool, muito álcool nas mãos. 


Eu me lembro de uma confraternização que fizemos na antiga casa de Karol em março de 2021, a primeira resenha desde o início do isolamento mais severo, lá estávamos Karol, Natália, Bruno, Mariana, Alam, Roberto e eu, e era estranho reencontrar os amigos, depois de tanto tempo, e não poder se abraçar nem se tocar, ter que ficar distante, passando álcool nas mãos e em tudo, em todo lugar o tempo todo...


Revisitando as minhas anotações para escrever este texto, percebo que, já em janeiro de 2021, cansado do isolamento e querendo reagir, me senti revigorado para voltar aos livros e retomar meus estudos, lá em meu velho caderno de estudos em Nietzsche encontrei registrado um enorme resumo comentado da obra HUMANO, DEMASIADO HUMANO - I, obra fundamental para o tema que estava trabalhando em meu TCC. 


Em 23/2/2021, outro registro no caderno que denota o meu esforço para retomar os estudos de forma mais séria naquele ano, trata-se de um fluxograma, esquematizando toda a estrutura da monografia, como eu estava concebendo a mesma até aquele momento, com o título; A crítica de Nietzsche a subjetividade moderna enquanto construção metafísica.


Apesar de estar retomando os estudos no início de 2021, ainda estava longe do ideal, minha escrita continuava confusa, meu texto continuava enorme, com muitos problemas levantados sem grandes aprofundamentos eu estava enfrentando severas dificuldades e críticas para reformular o que havia escrito até então.


Sentava-me frente ao texto, abria as recomendações do meu mestre, lia e relia aquelas 60 páginas, ininterruptamente, uma vez e outras mais e, simplesmente, não conseguia ter avanços significativos.


Fazia o trabalho descompromissado e esdrúxulo de apenas cortar partes do texto para enxugá-lo, então, trabalhava em frases de ligação, para dar uma mínima fluidez para o texto e nada mais.


Obviamente, eu não enganava ninguém fazendo um trabalho tão displicente assim, mas, naquela época, era o que eu conseguia fazer, estava realmente estafado, mas havia em mim uma vontade sincera de mudar aquele clima de derrota. 


Resolvi entrar em contato com um amigo de jornada e humildemente pedir ajuda.


Wilson Onofri é um dos gênios da turma 2013, um daqueles que se destacam pela inteligência aguçada e foco nos estudos, com uma língua afiada e dono de uma personalidade elétrica, Wilson já era advogado quando ingressou com a gente nesta jornada, lá no distante ano de 2013.


Em uma velocidade impressionante Wilson galgou os degraus da carreira acadêmica mais rápido do que o Berry Allen (piadinha para outro fã de quadrinhos), passou pela graduação, pelo mestrado e pelo doutorado praticamente em uma tacada só!


Foi com esse cara que eu tive alguns encontros que me ajudaram bastante. 


Além das explicações técnicas como, por exemplo, citar como deveria ser a estrutura do trabalho, onde usar melhor as referências e as notas, como manter o foco no assunto entre outras dicas, houve também uma certa injeção de ânimo em meu espírito, uma nova forma de olhar para o trabalho aconteceu.


Hoje, olhando para trás, percebo que aquele bloqueio criativo de 2021 ocorreu porque eu estava saturado daquele texto, estava trabalhando naquela monografia desde 2018, lendo, pensando e escrevendo sobre Nietzsche o tempo todo.


Mesmo que no ano de 2020 eu tenha ficado um ano inteiro sem ler e escrever sobre Nietzsche, trocando as angústias e incertezas da  academia pelas angústias e incertezas da pandemia, os anos de 2018/19/21 foram anos de hiper foco, estamos falando de 8 horas de estudo diário, e, perto da conclusão do TCC, 12 horas debruçado sobre os livros.


Nem nos meus tempos de enxadrista eu tinha um hiper foco tão grande assim, e eu levava o xadrez muito a sério nos anos de 2006 até 2012, eram horas de estudo e dedicação ao xadrez, mas nada que se compare a minha dedicação para escrever esta monografia. 


Em 2021 eu estava cansado de ler e reler o mesmo texto, por isso o bloqueio criativo, mas os encontros com Wilson deram um novo sopro de inspiração para mim.


Em janeiro de 2021, revigorado pela ajuda que Wilson estava me dando, entrei em contato com meu mestre, ainda não tinha nenhum material em mãos, mesmo assim, estava tão seguro que conseguiria escrever um novo material em breve que resolvi dar uma satisfação para Wander, era também uma forma de reforçar meu comprometimento.


Veja o que escrevi para Wander naquela ocasião:


Professor boa noite !!


Estou entrando em contato para atualizar a minha monografia; estou tendo uns encontros com Wilson Onofri que vem me ajudando a perceber as falhas da minha abordagem, agora, creio que conseguirei melhorar a estrutura do meu trabalho e me fazer entender de forma mais clara. 

Rapidamente explicando; o cerne do trabalho continua sendo o mesmo: a subjetividade em Nietzsche a partir da perspectiva psicológica, assim sendo, dividido em duas partes, primeiro o problema da subjetividade na filosofia moderna, iniciada em Humano, Demasiado Humano, englobando a recepção do problema da subjetividade por Nietzsche no período intermediário e, na segunda parte, o problema da subjetividade no período final trabalhando aqui o conceito de Vontade de Poder na constituição da fisio psicologia, aqui trabalhando os livros Genealogia da Moral e Além do Bem e do Mal.

Assim espero organizar melhor as ideias que, como você vem acompanhando, estão muito dispersas e desorganizadas. 

Pretendo escrever dez páginas para cada capítulo mais uma conclusão, tudo de forma sucinta, atado ao tema.

Em breve lhe envio um material para sua análise e desde já agradeço.

...

Com a ajuda de meu amigo Wilson a monografia começou a sair do lugar, até meu professor notou e elogiou uma certa mudança de postura e uma tentativa mais palpável de mudar as estruturas do trabalho, infelizmente, meus encontros pessoais com Wilson não foram mais possíveis.

A namorada de Wilson estava enfrentando problemas de saúde e ele, obviamente, tinha que ficar com ela, mesmo assim, continuamos mantendo contato por e-mail, eu escrevia uma nova versão do meu trabalho e enviava para ele dar uma lida quando lhe fosse possível, foram mais de uma dezena de e-mails trocados no ano de 2021, praticamente meu segundo orientador!

Com a ajuda de Wilson saí da estagnação e daquele maldito bloqueio, havia uma mudança significativa na escrita e na forma de pensar o problema, fiz avanços com essa ajuda e, considerando o contexto, me dediquei bastante em meu trabalho naquele semestre 2021/1.

Em 30/6/2021 tomei minha primeira dose da vacina (FIOCRUZ/ASTRAZENECA) e parecia que as coisas iam se acertar de de vez, mas, acreditem ou não, o destino colocou mais algumas pedras no caminho deste peregrino da alvorada que vos fala, e haveriam novamente percalços antes do fim desta Incrível Jornada.

SEMESTRE 2021/2

Com a vacinação das pessoas acontecendo a rotina foi, aos poucos, voltando ao normal, a vida foi voltando a ser um arremedo do que era antes e, a princípio, isso parecia ser uma coisa boa, mas o semestre 2021/2 fica marcado por ser um período de total "paradeira", uma fração do espaço/tempo onde os meus projetos não andaram nada, uma nova estagnação se instaurou.

Em parte, isso aconteceu porque, como as coisas estavam voltando ao normal, surgiu a natural necessidade de arrumar uma ocupação remunerada para sobreviver e eu arrumei uma ocupação remunerada para sobreviver, naquele horário comercial; segunda à sexta (às vezes sábados) 7:30h às 18:00h.

Com a rotina do trabalho imposta eu não conseguia me dedicar como antes e, apesar dos avanços que fiz com a ajuda de Wilson, ainda estava longe do ideal, tinha muito o que fazer naquele texto.

Eu procurava conciliar o trabalho com minha necessidade de me dedicar ao texto, mas a verdade é que entrei em mais uma fase de estagnação e bloqueio criativo, em fato, eu não aguentava mais olhar para a cara daquele texto!

Para relaxar eu fazia pesquisas em outros temas, procurava mudar de ares e estudar sobre outros filósofos, outras escolas de pensamento, outras reflexões e abordagens.

Estava brigado com meu companheiro de existência Nietzsche e não queria mais ouvir o que ele tinha para me dizer sobre a subjetividade humana.

Em 2021 escrevi mais de 30 textos sobre os mais variados temas, aqui mesmo neste blog, e não somente pesquisas e estudos, como também, muita coisa pessoal que dividi com vocês.

Fiz o que pude para ir conciliando o horário do emprego com formas para me dedicar ao texto e até avançava, mesmo que em passos lentos.

Passei o semestre 2021/2 praticamente todo assim, "empurrando com a barriga" a minha monografia final, eu até avancei em alguns aspectos e continuava em contato remoto com Wilson e Wander, mas estes avanços não eram suficientes, eu tinha que me empenhar mais!

No dia 22/11/2021 recebi um e-mail preocupante...

O e-mail vinha com um documento em anexo e um texto sucinto, curto e direto, com os dizeres:
Notificação de Abertura de Processo de Desligamento

O e-mail me deixou apreensivo, abri o anexo de 4 páginas imediatamente, 1 página só de explicações, dizendo que minha situação acadêmica se encontrava em "situação de DESLIGAMENTO" (Art. 12 da resolução 68/2017).

As outras 3 páginas preenchidas com uma lista sob um título em letras destacadas em negrito com os dizeres; ALUNOS EM SITUAÇÃO DE DESLIGAMENTO, a conclusão era óbvia né, se o meu nome estivesse na lista eu estaria encrencado e, adivinhem... o meu nome estava lá, em letras garrafais! 

Estávamos em época de fim de ano, portanto, as secretarias da UFES estariam fechadas, os  professores, certamente, estariam em férias e eu não tinha com quem reclamar sobre aquele e-mail, tive de ficar com esta angústia só para mim, fritando em minha mente por alguns dias.

Depois que as festividades de fim de ano se encerraram entrei em contato com Fábio Di Clemente, o coordenador do curso, ele me explicou a minha situação, que era de fato delicada, e me indicou os caminhos para reverter o quadro.

A partir daí se iniciou um longo processo burocrático para salvar minha graduação. 

Depois que conversei com Fabio Di Clemente me recompus e voltei a ter um pensamento frio e calculista, sabia que agora estava lutando em duas frentes de batalha; em uma frente, manter o foco e continuar trabalhando na monografia, fazendo as mudanças que fossem necessárias, estudando e seguindo as orientações, em outra frente, a batalha burocrática para salvar a graduação.

Em janeiro de 2022, todo aquele marasmo do semestre anterior desapareceu! Em seu lugar, entrou uma disposição sobre humana para salvar uma graduação.

Em 17/1/2022 eu consegui concluir uma nova versão da monografia final, na qual havia me dedicado bastante, estava há um certo tempo sem ter contato com Wander, resultado do marasmo, do desânimo e da minha displicência no semestre anterior, mas agora, com a espada sobre a minha cabeça e o risco iminente de perder tudo, não havia outra opção a não ser a luta!

Com mais uma versão da monografia final em mãos disse as seguintes palavras ao meu mestre: 

Olá Professor!
Muito tempo que não nos falamos hein ...
Professor não sei nem por onde começo, dado que tanta coisa aconteceu nesse período que não nos vemos;
Tive muitos percalços no segundo semestre do ano passado, eis o motivo de meu "sumiço", mas não quero aborrecer você com estas histórias.

Falando objetivamente, este ano vou tentar um último fôlego para me formar, mesmo que meu tempo este ano esteja mais escasso do que no ano passado, pois tive que arrumar um emprego convencional que me "rouba" todo o tempo livre.

Trabalho de segunda à sábado o que toma tempo para uma dedicação ideal, é uma pena né, mas as obrigações não dão trégua e tive que me adaptar.

De qualquer forma, isso não pode ser motivo para que eu desista e, sigo tentando chegar ao fim desta extenuante jornada.

Estou lhe enviando uma última versão de minha monografia, esta versão teve a colaboração de Wilson que me ajudou a manter um certo foco no assunto e estruturar melhor meus objetivos.

Quando lhe for possível, gostaria de receber as suas impressões.

Por fim, torço para que você esteja bem nesta era confusa que vivemos e espero revê-lo em breve.

Forte Abraço Mestre !!

...

Quando escrevi este e-mail para Wander as minhas pendengas burocráticas não estavam resolvidas, minha matrícula ainda valia algum vintém, mas, de certa forma, estava subentendido que aquela seria a minha última tentativa de me formar, a frase - Falando objetivamente, este ano vou tentar um último fôlego para me formar - denota isso; era meu último tiro...

Se não conseguisse me formar teria que carregar comigo mais um fantasma, o fantasma da penitência, seria eternamente atormentado pela a culpa, por ter sido jubilado faltando apenas o Trabalho de Conclusão de Curso, carregando embaixo do braço um trabalho fracassado de 60 páginas, isso era um verdadeiro pesadelo!

A ideia de perder minha graduação com 99.9% do curso concluído me perseguia e eu não precisava de mais este encosto na minha vida, por isso me dediquei de corpo e alma, tanto para os estudos, quanto para a documentação para o colegiado.

Na minha frente de batalha judicial consegui uma vitória em 24/3/2022 quando recebi um e-mail de Fabio Di Clemente dizendo que a Câmara Central de Graduação acatou o meu não-desligamento, baseado em minha justificativa.

Com essa decisão eu consegui mais um semestre para tentar me formar. 

Vendo o copo meio cheio, pensei - que bom, ganhei mais uma chance para tentar... - , vendo o copo meio vazio, ponderei - agora é oficial, é a minha última chance...

Em minha frente de batalha acadêmica também consegui uma pequena vitória, a última versão que enviei para meu mestre finalmente foi digna de algum elogio, claro que estava longe de estar perfeita, mas eu finalmente consegui achar um trilho argumentativo onde consegui manter o foco no assunto, nada mal para quem estava sendo escorraçado a um bom tempo, não é mesmo?

Alguns dias depois, a fase dos elogios acabou e logo as críticas, os prazos e as pressões retomaram o seu lugar, o trabalho ainda tinha problemas estruturais, aquele ambiente acadêmico ficou mais opressivo ainda, pois, os prazos se tornaram derradeiros, não tinha mais "depois" cada novo compromisso, cada nova data de entrega era um verdadeiro ultimato.

Neste período a minha ansiedade em terminar tudo aquilo estava me consumindo, minha relação com Wander também esgarçou um pouco neste período.

O semestre que eu ganhei para dar meu último tiro foi o de 2022/1 que se iniciava 18/04/2022 e se encerrava em 18/8/2022, ou seja,  4 meses para me tornar um filósofo ou para passar o resto da vida como um "quase" filósofo... o tempo agora era meu maior inimigo e ele me pressionou como nunca antes durante toda esta jornada.

Mas tudo isso é um assunto que vamos tratar em breve, em um sábado qualquer, em nosso próximo encontro.

Wilson foi a "personalidade do ano" em 2021, me ajudou a clarear as ideias e a seguir com passos firmes nesta Incrível Jornada.
Valeu amigo!!
 



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E aí, gostaram do artigo desta semana?


Inacreditavelmente, estamos a um passo de concluir a nossa Incrível Jornada, que longo caminho percorremos até aqui hein!

Vocês devem ter notado que em nossa conversa de hoje, eu praticamente não falei sobre a situação política do Brasil, dando enfoque somente aos meus dramas pessoais.

Eu fiz isso para destacar as dificuldades que tive em meu estágio final na academia, a fase do TCC foi, sem sombra de dúvidas, a pior fase de toda esta jornada e eu quis dar destaque para toda essa pressão.

Mas é claro que a situação política do país no ano de 2021 continuava complicadíssima e tudo isso influía em meu desempenho, de uma forma ou de outra, afinal, estávamos em plena pandemia, um dos maiores desafios da humanidade, regadas a muito medo e incertezas, sob o comando de um presidente da república que dispensa cometários quando o assunto é incompetência.

Em 2021 Bolsonaro insistia em minimizar a gravidade da doença, seguia promovendo tratamentos sabidamente ineficazes, como a cloroquina, por exemplo, e desencorajava, dia sim outro também, o uso de máscaras e o distanciamento social.


A vacinação também foi deliberadamente atrasada pela gestão assassina de Bolsonaro, sua distribuição sofreu atrasos e problemas na aquisição de doses e isso contribuiu para uma campanha de vacinação lenta que, certamente, custou muitas vidas no processo.

E não vamos esquecer que foi em 2021 que tivemos mais um resultado em mortes, graças a inoperância do governo Bolsonaro, a cidade de Manaus, no Amazonas, enfrentou uma crise devastadora no sistema de saúde devido à falta de oxigênio, com pacientes de COVID-19 morrendo por asfixia.

É evidente que toda essa situação político/sanitária, somada aos meus dilemas pessoas contribuíam para tudo que acabamos de ver em mais esta etapa de nossa Incrível Jornada, toda esta conjuntura política estava lá, como um pano de fundo aos meus dramas pessoais.

A questão política, tanto do Brasil como do mundo, nunca deixou de ter influência direta em minha trajetória, mesmo que, em certos momentos, a contingência da vida mundana sempre fale um pouco mais alto.

Nesses momentos, a gente esquece um pouco o universal e se foca no particular, e foi exatamente isso que fizemos em nosso artigo de hoje, mas considere que a situação política Brasil/Mundo assomava-se nesse grande cadeirão de emoções que foi essa graduação.

...

Semana que vem estaremos finalmente encerrando este audacioso empreendimento, mas, antes de dizer tchau, vamos recapitular nossa caminhada até aqui, que tal?


Lá no dia 18 de março, iniciamos nossa viagem com o artigo; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE I - O DESLUMBRAMENTO COM O MUNDO ACADÊMICO.

Depois, no dia 25 de março, demos o segundo passinho com artigo; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE II - PLANOS PARA O FUTURO.

Continuamos na estrada e, no dia 7 de abril, foi a vez do texto; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE III - A TEMPESTADE ESTÁ VINDO.

Os cães ladram, mas a caravana não para, no dia 17 de abril mais uma etapa vencida com o texto; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE IV - NO OLHO DO FURACÃO.

Em 1 de maio, colocamos os pés na estrada mais uma vez com o texto; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE V - A NOITE MAIS DENSA... 

Em 30 de junho, seguimos nossa diligência com o artigo; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE VI - APROXIMAÇÃO NAZIFASCISTA.

Em 15 de julho, a etapa mais emocionante de todo o nosso percusso com o texto; MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE VII - A CHEGADA É SÓ O COMEÇO... 


E hoje, inacreditavelmente, chegamos ao penúltimo passo de nossa jornada com o artigo MINHA INCRÍVEL JORNADA FILOSÓFICA - PARTE IX - UMA DOSE DE ESPERANÇA.

...

Mais do que nunca, estamos perto do fim, não vão desistir agora hein! 

Só mais um passinho e chegamos lá!! 

Aguardo vocês em nosso próximo encontro!!!

Até lá e cuidem-se!!!!
 

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