Olá Escritores!!
Preparados para o artigo desta semana?
Hoje, estamos encerrando nossa série Nova Antropologia Filosófica com a parte 3 de nosso empreendimento.
Nas últimas semanas estamos tentando pensar juntos uma nova antropologia filosófica que seja mais abrangente e menos indiferente da antropologia que vige nos dias atuais.
Para esta difícil diligência é necessário refazer nossos passos históricos em uma linha retrocedente que nos ajude a entender como chegamos ao ponto em que estamos, por isso, esta série de artigos tem como intenção, em um primeiro momento, trazer para o foco de nossa atenção o fato de que estamos enfrentando uma crise não-convencional, ou seja, uma crise que não tem medidores ou dados concretos com os quais podemos lidar com isonomia.
Certamente, o leitor vai notar uma série de crises em curso, muito das quais estamos metidos até o pescoço, assim, poderemos notar uma crise financeira, crise política, crise sanitária e até mesmo uma crise de valores, mas aqui, para o propósito de nosso empreendimento, gostaríamos de chamar a atenção para um tipo de crise que não se mostra como uma evidência dada, esta crise em particular se encontra nas entrelinhas e vem se estendendo por muitos séculos.
A crise a que estamos nos referindo aqui é o que estamos chamando de uma crise antropológica, que começou juntamente com o nascimento de nossas civilizações ocidentais e encontrou, na Modernidade, as condições ideais para se intensificar e se elevar à patamares superiores.
A crise é "antropológica" porque se trata de problemas que se estruturaram em nossa formação cultural e se enraizaram em nosso ethos ocidental, estes problemas são baseados em uma supervalorização dos atributos humanos como a razão e, por conta disso, fizeram o ser humano ter um trato cada vez mais individualista, tanto em suas relações sociais quanto, e, mais ainda, com a Natureza.
Para tentar esmiuçar toda esta situação complexa começamos uma jornada lá no dia 04/06 com nosso primeiro artigo da série NOVA ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA - PARTE I - OS PILARES DA MODERNIDADE E A ASCENSÃO DO INDIVÍDUO RACIONAL, neste artigo de estreia estabelecemos as condições para que o individualismo se instaurasse como um pensamento dominante em nossas sociedades, sustentado pelo liberalismo político que, por sua vez, foi apoiado pelo capitalismo como uma força emergente da época, assim sendo, os pilares que se estabeleceram na modernidade sempre favoreceram o individualismo, favorecendo assim certos grupos privilegiados e deixando para trás qualquer consideração comunitária, dividindo a sociedade em classes, cada vez mais apartadas e desiguais.
Na sequência, no dia 11/06, foi publicado a parte 2 de nossa reflexão com o artigo NOVA ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA - PARTE II - O PENSAMENTO DE DIREITA - DE CUNHO INDIVIDUALISTA - COMO A ESCOLHA DO OCIDENTE , neste artigo, continuamos a escrutinar as consequências políticas das escolhas que fizemos como sociedade e que primaram por teorias que favoreceram grupos individuais em detrimento da sociedade.
Na segunda parte de nosso artigo, adentramos na organização sócio/político de nossas sociedades, em outros termos, como o liberalismo político se atrelou ao emergente capitalismo e, como desta configuração política, se estabeleceu as condições que foram se organizando na história da modernidade e definindo uma hegemonia do pensamento liberal de direita como o paradigma dominante do ocidente.
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Hoje, chegamos ao fim (por enquanto) de nossa jornada com a parte 3 da série Nova Antropologia Filosófica, no artigo de hoje, vamos tratar do pensamento de esquerda, um pensamento que surge como uma contradição do próprio capitalismo e da configuração social que estava se formando nas sociedades modernas.
Também vamos pensar no papel deste tipo de pensamento nos dias de hoje, um mundo dominado por políticas de cunho liberal/direitista, tomado pelo individualismo, consumismo, indiferença, injustiças sociais, má distribuição de renda , acúmulo de capitais, disputas desiguais, entre outros problemas que se estenderam séculos afora.
Assim, desejamos para você uma Boa Leitura e uma Boa Reflexão!!

A ESQUERDA COM RESULTADO DAS CONTRADIÇÕES DO CAPITALISMO E SEU PAPEL NO MUNDO MODERNO
Debruçamo-nos, nas últimas semanas, no pensamento liberal e como este pensamento se mostrou apto a atender as novas necessidades de uma sociedade que estava se formando.
percebemos que, um mecanismo com a lógica do sistema capitalista; de produção de bens e acumulação de patrimônios, com o máximo de lucro e com gasto mínimo, tende a provocar uma disparidade entre quem detém os meios de produção e quem entra nesta equação apenas com a mão de obra.
Pois, na lógica acumulativa do sistema, onde, quem detém algum capital vai querer manter este capital e, mais ainda, acumular, propende a gerar crises sociais de época em época por um motivo muito evidente.
Aquele que detém os meios de produção tem as condições para produzir bens de consumo e para acumular capital por meio da mais valia, ou seja, pelo LUCRO; a diferença entre o valor final de seu produto na cadeia de produção, descontando os custos dos meios de produção, considerando aí os custos com os funcionário (salário), gera o LUCRO, que também podemos chamar de VANTAGEM.
o LUCRO/VANTAGEM é a base nos sistemas capitalistas.
Com o lucro estabelecido o dono do capital entra no que Marx chamou de capital constante, ou seja, a parte do capital que se transforma em matérias primas, em meios de produção, a partir daí o sistema entra em um "círculo virtuoso de acumulação", pois a fração do capital despendida para pagar salários é a menor fração possível, é o que Marx chamou de capital variável.
Vendendo sua mão de obra para ganhar a menor fração possível do capital, sem ter as condições para a fabricação de bens de consumo e sem meios de produção, o proletariado não possui meios para acumulação de bens, em outros termos, as classes mais pobres não têm condições de acumular nada, quanto mais pobre mais se trabalha para sobreviver e nada mais.
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Na história do capitalismo, em uma de suas primeiras crises sociais, surge um contra-movimento que vai entrar para a história como um freio para a lógica de acumulação de bens, nos referimos aqui ao comunismo.
O comunismo, à guisa deste empreendimento, está vinculado a um pensamento de esquerda que, ao contrário da direita, que tem como axioma principal as liberdades individuais, o pensamento de esquerda está associado a uma preocupação com indivíduos que estão em desvantagem social.
Assim sendo, a esquerda tem como fundamento principal sempre uma visão social/socialista, ou seja, este pensamento observa e interage nas desigualdades, dando voz as minorias sociais, a princípio, esta intervenção social se daria pelo fortalecimento do estado, fortalecendo o estado este seria capaz de ser um mediador eficaz das relações entre indivíduos, resguardando os mesmos de injustiças causadas pelo sistema vigente de lucro absoluto.
O pensamento dito de esquerda, surge no seio do capitalismo em uma de suas primeiras crises quando trabalhadores começaram a perceber que a lógica acumulatória deste sistema estava dividindo a sociedade em classes desiguais.
Uma classe, a burguesia dona das fábricas e do capital, estava ficando cada vez mais rica, enquanto isso, a classe dos trabalhadores operários aprofundava-se cada vez mais na miséria absoluta.
Esta percepção pode ser considerada uma das primeiras crises do Capital e como resultados desta crise notamos uma antítese que vai resultar em movimentos anticapitalismo como o socialismo ou a anarquia, movimentos que estavam em plena atividade muito antes de Marx fazer a sua estruturação teórica.
Movimentos pró-operários já levantavam questões importantes como a saúde dos trabalhadores nos locais insalubres de trabalho, os baixos salários, a jornada de trabalho extenuante, a falta de diálogo entre patrão e empregado, entre outros problemas notados pela sociedade.
Marx é importante não por ter sido o criador dos conceitos anticapitalistas, haja vista, estes conceitos já existiam, mesmo que de forma difusa e sem uma estruturação teórica organizada e metodológica, mas existiam, na forma dos movimentos anticapitalistas que atuavam na época.
Sendo assim, o grande feito de Marx foi teorizar de forma organizada os conceitos que já existiam, sistematizando estes conceitos em uma teoria clara e bem organizada, é Marx que vai criticar de forma embasada o pensamento que surgia na Europa e justificar a lógica capitalista detalhando os processos de criação e circulação do capital, é ele que vai estruturar conceitos como da mais-valia, que vimos há pouco e nada mais é do que o lucro, a diferença do valor final da mercadoria e do trabalho e a soma dos valores dos meios de produção e do trabalho, estudo importante para compreendermos a gênese do lucro capitalista.
Para o pensamento de esquerda, voltado para o social, Marx tem um papel tão importante quanto o de Adam Smith para o pensamento de direita, ambos são responsáveis por estruturar a base teórica de seus respectivos pensamentos; um para a esquerda outro para a direita.
Marx tinha um pensamento revolucionário, sua intenção, ao organizar os ideais do comunismo era, de fato, substituir o sistema capitalista pelo comunismo, passando por fases sendo o socialismo a fase final, antes da substituição propriamente dita, ele sabia que o capitalismo tinha fortes raízes e uma contundente base teórica e, por este motivo, Marx falava em revolução como um movimento dialético natural na história;
Dirá Marx:
Não é a consciência dos homens que determina seu ser;
ao contrário é o seu ser social que determina sua consciência.
Em uma certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido.
De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas.
Ocorre então uma época de revolução social. (MARX. K. 2008, Pg. 47)
Segundo Marx, em determinado momento histórico, o próprio explorado perceberia sua condição desfavorável e a revolução seria a única forma possível de se alcançar a mudança, pois, o capital possui formas de autoproteção, e, além disso, para Marx, o estado serve às questões mercadológicas e naturalmente, no caso de uma sublevação, este estado ficaria do lado da burguesia.
Este estado partidário, para Marx, corrobora a ação violenta na revolução, exemplos históricos como a Revolução francesa, a inglesa e a norte americana reforçam sua posição.
Apesar destas palavras fortes seria um erro grave considerar que Marx cita uma revolução como a primeira medida contra a exploração do capital, atrelando à imagem de Marx a ideia de um guerrilheiro ou de uma pessoa violenta, é preciso compreender que a teoria marxista trata de projeções e descrições históricas que se baseiam em eventos históricos como as supracitadas Revoluções inglesa, americana e francesa onde, querendo ou não, tivemos desfechos violentos.
Todo pensador paga um tributo ao tempo em que vive, com Marx não foi diferente e, talvez por isso, Marx não tenha notado que apesar da importância de suas considerações, seria muito difícil suplantar o sistema capitalista pelo comunismo ou por outro qualquer, isso se dá quando hoje, com o devido distanciamento histórico, percebemos que o capitalismo foi uma escolha natural do ocidente, nutrido pelas transformações e pelas novas necessidades que se apresentavam à sociedades em franca mudança, em uma soma de fatores que convergiram para o estabelecimento do sistema que aí está.
Marx, esmagado pela imediatez da roda dos acontecimentos históricos, não percebeu o real propósito de seus estudos:
ser um freio para a lógica de acumulação indiferente e absoluta, além de ser o um olhar social para uma fria racionalidade mercadológica que põe o lucro acima de tudo e esquece as questões humanitárias nas relações.
Um pensamento tão importante quanto o de Marx, ganhou vida própria e como tal foi estudado, revisto, reinventado e aplicado no decorrer histórico de várias maneiras, sempre com o intento de substituir o capitalismo, no entanto, é importante ressaltar que em nenhuma das experiências de aplicação do comunismo tivemos o mesmo como foi imaginada por Marx sendo, cada uma das experiências, uma adaptação do marxismo a contextos bem pontuais, assim, podemos falar em um comunismo chinês, um comunismo russo, um comunismo cubano, vietnamita, laosiano, norte coreano e assim por diante, sem uma uniformidade, como observamos no capitalismo, este podendo ser chamado inclusive de “sistema” o que demonstra sua organização de modo que várias partes trabalham para o funcionamento de um todo de forma regular, metódica e organizada.
Na história, o comunismo entra como a crítica ao sistema capitalista, um produto do capitalismo que deve ser considerado, não aplicado.
No mundo liberal/democrata(direita) em que vivemos desde o advento do capitalismo, foi justamente por conta do pensamento Social/democrata(esquerda) que muitas conquistas dos trabalhadores mundo afora como férias, sindicatos, direitos trabalhistas, jornada de trabalho, piso salarial, entre outras conquistas foram adquiridas, todas estas conquistas que visam um olhar "social" nas relações, são frutos direto do pensamento de esquerda, este pensamento coloca um olhar “humano” em relações que seriam frias demais se seguíssemos apenas a lógica do Mercado.
Convido o leitor a fazer um exercício de imaginação e conceber um mundo onde apenas a lógica do lucro/vantagem imperasse, sem nenhum tipo crítica interna, em outras palavras, como seria o mundo sem o advento do comunismo; do pensamento de esquerda que deixa de lado o individual e tenta reparar as injustiças, corriqueiras nas relações do mundo humano?
...
Não é exagero constatar que o pensamento de esquerda é um olhar humano, em relações frias demais.
Longe de ser perfeito (como tudo que humano) a esquerda entra na história para sacudir as estruturas de um sistema forte e impessoal, seria um erro muito grave não perceber a importância de uma crítica como a que o comunismo fez ao capitalismo.
CONCLUSÃO
Já nos encaminhando para o final de nossa jornada gostaríamos de chamar a atenção do leitor para a nossa era em particular, sem dúvidas, um momento singular onde, sem grandes dificuldades, vamos percebendo que nos encontramos em um momento de transição.
A velha hegemonia do pensamento liberal/democrático, que rege nossas relações desde os primórdios da modernidade, está ruindo como nunca antes na história, os alicerces de um velho mundo estão se deteriorando e um novo mundo está surgindo.
No entanto, é de bom tom reforçar que esta mudança não significa uma evolução, no sentido de uma melhoria, nem de longe significa dizer que estamos passando de um estágio para outro melhor, pois a história nos mostra que às vezes o ser humano regride em termos morais, mesmo que a ciência e a tecnologia nos dê a falsa impressão de que sempre evoluímos para melhor.
O momento é insólito e, para os contemporâneos desta época, é como estar nas páginas de um livro vivo, vendo e sentindo a história pulsar.
O capital está em crise e, sendo este o sistema que rege nossas relações, estamos todos em crise, mas não é apenas um colapso financeiro é muito mais do que isso, é uma dessimbolização niilista, uma crise de valores como nunca se viu antes.
A cupidez de nossa mentalidade capitalista, que põe o lucro acima de tudo, está nos levando ao maior conflito de nossa era e não é por acaso que sentimos a violência como uma força que parece nos cercar e nos sufocar.
O ódio em nossa era tornou-se uma força motriz para os indivíduos, para grande parte de nossos contemporâneos os problemas da violência se resolvem com mais violência, não obstante, em nossa história recente aumentou consideravelmente o lobby das armas e o lobby farmacêutico.
Isso indica uma sociedade doentia e violenta, em relação às armas, verificamos um efetivo aumento de produção, venda e uso, assim como também notamos o aumento considerável de indivíduos com dependências nas mais variadas drogas; para dormir, para se manter acordado, para comer, para ser feliz, enfim, nos parece muito evidente que nossa sociedade está em franca decadência, os mostradores indicam isso.
Paralelo a todas estas situações podemos notar o enfraquecimento do estado e de suas instituições democráticas, implodidas de dentro para fora em um rearranjo da extrema direita que vem se organizando nas últimas décadas, todos estes fatores não são casos isolados, mas sim partes de um mesmo problema que se juntam em um contexto mundial e nos empurram para a situação periclitante em que nos encontramos hoje.
O sistema rui mais uma vez na história e, como em todas as vezes em que isto ocorreu, ele luta e se debate para permanecer.
Será que desta vez conseguiremos avançar nas questões existenciais, que realmente importam, ou sucumbiremos mais uma vez e o capitalismo sairá desta contradição histórica fortalecido, como nas crises anteriores?
Somente o tempo dirá ...
Não cabe a nós responder questões que estão fora de nosso alcance histórico, cada um de nós paga um tributo ao tempo em que vive, como dissemos há pouco.
Nossa tarefa, nesta era conturbada, é a de analisar o que temos em mãos e fazer uma leitura considerando a história não como um simples arrolamento de fatos, mas sim como um organismo vivo de aprendizagem para que possamos aprender com as atitudes daqueles que viveram em outras eras nesta jornada humana.
Importante ressaltar que estamos pisando em ovos aqui, de certa forma, é arriscado analisar um movimento histórico no pleno movimento histórico, é como estar no olho do furacão e ter que dizer quais são as casas que ficarão de pé depois de sua passagem, não dá para ter certeza dessa resposta até esperar o furacão passar, não obstante, é necessário uma leitura dos acontecimentos em tempo real, sem medo ou receios.
A este propósito se destina esta série Nova antropologia Filosófica que iniciamos lá no dia 04/06, além de trazer para as consciências uma visão mais realista do mundo, que abandone de vez as visões romantizadas e ilusórias de nossa realidade liberal/capitalista.
É preciso compreender que para ser rico e detentor de capital, necessariamente, será preciso haver exploração de força de trabalho, está tudo lá, nos meandros do sistema, é lá que está dito que para ser vitorioso, se deve produzir mais com o menor custo possível.
Mas é importante ressaltar que não se pretende aqui condenar quem quer enriquecer, na verdade, o que se tenciona aqui é que haja uma consciência de como as coisas funcionam de fato, pois, havendo este entendimento primordial, poderemos galgar uma sociedade onde haja menos indiferença e, aqueles que desejam enriquecer, que façam isso com um olhar mais social e menos indiferente ao sofrimento que o enriquecimento de poucos causa em muitos.
Consideramos um passo certo rumo à humanização das relações comerciais, um contraponto à frieza que impera no sistema como ele está.
O ocidente foi construído sob alicerces ilusórios e a cada crise instaurada temos a oportunidade de encarar a verdadeira face deste sistema desumano que escolhemos em tempos imemoriáveis.
O fascismo, realidade em nossa era nesta mais nova crise do capital, pode nos levar por caminhos dos quais nos arrependeremos no futuro.
Esta nova direita, este movimento sem precedentes na história, resultado direto da crise do capital elegeu como vilão o pensamento de esquerda, de cunho humanitário e social.
Tornou-se comum nos discursos de ódio desta direita deturpada inclusive na imprensa, há muito servindo a questões mercadológicas, acusar a esquerda de ser a culpada pela crise que vivemos e, qualquer um com um olhar ávido, perceberá que isso é uma inverdade.
Esta crise em particular, da qual atravessamos e sentimos seus efeitos na pele, nos fornece a oportunidade de darmos ao pensamento de esquerda o real valor de uma crítica a um sistema que privilegia o individual em detrimento dos sofrimentos que este tipo de mentalidade causa.
O lucro absoluto tem que deixar de ser nosso parâmetro, precisamos colocar a pessoa humana em seu lugar.
E assim, dar um primeiro passo rumo ao maior desafio de nossa era:
Como pensar uma Nova Antropologia Filosófica, de nossa época, do nosso mundo?
Eu aceito o desafio!
E você?
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Karl Marx não é um santo homem canonizado, o comunismo não é perfeito, a esquerda tem suas falhas, mas, a despeito de tudo isso, desconsiderar um pensamento desta envergadura, sem ao menos conhecer seus preceitos é uma atitude que beira a estupidez. Muitos dos críticos do marxismo que vociferam seu ódio ao comunismo, usufruem de direitos que só foram conquistados por políticas da social/democracia. É preciso deixar o os preconceitos de lado e, ao menos, se esforçar em conhecer aquilo que se pretende criticar, mas, infelizmente, calhou de vivermos em uma era de uma "ignorância orgulhosa". Mas, graças a pessoas como você que seguiu conosco nesta jornada, resiste um fio de esperança pelo qual vale a pena acreditar e lutar na busca por um futuro mais justo. |
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E aí, gostaram do artigo desta semana?
Foram semanas maravilhosas onde pudemos verificar nosso contexto atual e, suas raízes mais profundas, verificar que, de fato, a modernidade é uma era insólita onde acabam por eclodir muitas das escolhas que fizemos história afora.
Na verdade, o que estamos testemunhando são as forças do capitalismo instaurando uma nova ideologia que pressupõe um novo ser humano dessimbolizado, convencionamos chamar esta nova fase do capitalismo de neoliberalismo e vamos observando seus efeitos no decorrer das décadas.
Ninguém vai precisar de muito esforço para reconhecer que nossa era é marcada pelo individualismo e pelo consumismo irracional, onde, a pessoa humana está reduzida a mera mercadoria.
Nesta conjuntura é justamente um pensamento de esquerda que vai nos fazer perceber que "algo não está indo bem", pois, muitos de nossos contemporâneos estão tão mergulhados neste contexto que, por si só, eles não têm as condições necessárias para perceber outra verdade que não seja a martelada nos instrumentos do sistema.
Por esta razão, decidimos lançar esta série de artigos que visa deixar registrado, para quem quiser buscar, uma nova concepção de mundo que seja mais justa e que, assim como foi o pensamento de esquerda nos primórdios das sociedades modernas, seja um freio para uma lógica fria e impessoal, que não se importa com questões demasiadas humanas em suas relações.
Se simplesmente deixarmos a ideologia vigente do neoliberalismo crescer e seguir sua lógica indiferente e acumulativa, onde vamos parar?
Será que não temos material crítico/histórico suficiente para deduzir que seguimos para a colapso total de nossa civilização se continuarmos em nossa atual trajetória?
São questões deveras contundentes que nos trazem à mente a consciência de que não podemos esperar que as coisas se ajeitem por si só, como em um "caminhão de abóboras" ou por meio de uma "mão invisível" que, milagrosamente, ajeita tudo.
Enfim, o assunto é complexo, demanda muita discussão e não vai mudar da noite para o dia, mas, como sempre dizemos por aqui:
É preciso dar aquele primeiro passo em uma jornada!
E por fim, vamos deixar disponível para os interessados a bibliografia que utilizamos para escrever esta série de artigos;
REFERÊNCIAS:
ARENDT, H. Sobre a Revolução. Lisboa: Relógio D’água, 1963.
DUFOUR, R. A Arte de Reduzir as Cabeças. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2011.
FORRESTER, V. O horror Econômico. São Paulo: Unesp, 1996.
BAUMAN, Z.. O Medo Líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
SANTOS, B. A Crítica da Razão Indolente. São Paulo, Cortez, 2008.
SANTOS, B. A gramática do tempo: para uma nova cultura política, São Paulo, Cortez, 2007.
Marx, K. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo, Ed. Expressão Popular, 2008.
SMITH, A. A Riqueza Das Nações, IV, 2, 1776
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Esperamos que nossa jornada nestas últimas semanas tenham sido proveitosa para vocês e esperamos encontrá-los aqui semana que vem;
Até lá e cuidem-se !!!
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