Olá Escritores!
Preparados para o artigo desta semana?
Hoje, vamos dar mais um passo em nossa série de artigos; Nova Antropologia Filosófica, com a parte 2 da série.
Esta série de 3 artigos tem como objetivo trazer para o escopo de nosso debate a crise antropológica sem precedentes em que se encontra toda a sociedade ocidental.
Iniciamos nossa jornada no dia 04/06 com o artigo; NOVA ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA - PARTE I - OS PILARES DA MODERNIDADE E A ASCENSÃO DO INDIVÍDUO RACIONAL, determinando a gênese da Modernidade e seus valores estabelecidos, uma época onde vão convergir os resultados de nossas escolhas na história, sempre priorizando o pensamento racional e, por consequência disso, valorizando o indivíduo e o individualismo, desprezando a coletividade.
Vimos também que a filosofia cartesiana e a filosofia Kantiana foram os grandes balizadores teóricos que ajudaram na estruturação do individuo racional como novo paradigma moderno, re-significando o papel do sujeito nas representações.
A Modernidade é, portanto, uma época de grandes mudanças estruturais, tanto na epistemologia, quanto na ética, assim como na política.
É nesta época em particular que procura-se afirmar o ser humano em suas múltiplas potencialidades, como o senhor absoluto de si e do mundo.
A Modernidade, dado toda a história conhecida, passa ser a época histórica onde tudo é centrado na subjetividade e toda esta conjuntura só se torna possível por meio do conhecimento científico e pela aplicação experimental desta técnica emergente que veio transformando o mundo, garantindo uma ciência puramente humana, não mais fundada na tradição ou em uma esfera da realidade transcendente, mas somente na razão humana autofundante.
O papel do cientificismo e do antropocentrismo são tão fortes na Modernidade, que sua adoção como novo paradigma civilizacional vai muito além da simples dominação do mundo por meio da ciência emergente, passa também pelo exercício da vida individual e da organização social, além das leis, costumes e valores que regem as sociedades modernas.
É exatamente neste ponto de organização sócio/político, proporcionado pelo advento da Modernidade e tudo que se desenrolou em seu encalço, que entramos no tema de nosso artigo de hoje propriamente dito.
Na parte 2 de nosso empreendimento, vamos adentrar na parte política desta conjunção, em outros termos, como o liberalismo político se atrelou ao emergente capitalismo, um servindo ao outro e, como desta configuração política, se estabeleceu as condições que foram se organizando na história da Modernidade, definindo como o paradigma do Ocidente uma condição estruturante da hegemonia do pensamento de Direita, liberal e progressista.
Sendo assim, vamos seguir em nossa diligência e tentar entender melhor nosso mundo para, quem sabe um dia, mudá-lo para melhor.
Desejamos para você uma Boa Leitura e uma Boa Reflexão !!
O PENSAMENTO DE DIREITA - DE CUNHO INDIVIDUALISTA - COMO A ESCOLHA DO OCIDENTE
O pensamento dito de Direita está diretamente ligado a um posicionamento político que aceita certa hierarquia social, este posicionamento político considera normal, justificável, aceitável e até mesmo inevitável que existam desigualdades sociais, baseada nas liberdades individuais de sujeitos livres.
Segundo este pensamento, a disputa livre entre indivíduos geraria esta hierarquia social.
Este posicionamento é baseado no Direito Natural e na Tradição e volta-se para direitos individuais tendo como base teórica o pensamento de Adam Smith.
Segundo Smith, cada indivíduo, cuidando de seus interesses pessoais em determinada sociedade, contribuiria para o bem social.
Isso se daria no que ele chamou de "mão invisível" - uma teoria de teor bem religioso, não é mesmo? - esta teoria diz que cada um deve ser livre para perseguir seus interesses egoístas, e assim, a mão invisível do Mercado operaria um "milagre", ajustando as contradições por meio de um "espírito escondido" - outra metáfora religiosa (?) - presente em todos os lugares e regulando tudo.
Dirá Adam Smith:
O indivíduo só pensa em se dar maior segurança;
e, ao dirigir essa indústria de maneira a que seu produto tenha o maior valor possível, ele só pensa em seu próprio lucro;
nesse, como em muitos outros casos, ele é conduzindo por uma mão invisível a preencher um fim que de jeito nenhum está em suas intenções;
e não é sempre o pior para a sociedade que esse fim de jeito nenhum esteja em suas intenções.
Ao buscar apenas o seu interesse pessoal, ele ao mesmo tempo frequentemente trabalha de uma maneira bem mais eficaz para o interesse da sociedade como se tivesse como objetivo fazê-lo. (SMITH, A. A Riqueza Das Nações, IV, 2, 1776)
Vai notar o leitor, portanto, que o pensamento de Adam Smith, que serviu de base teórica para toda a estruturação político/social do Ocidente, considera imprescindível em uma sociedade que, cada indivíduo, cuide exclusivamente de seus interesses pessoais.
Agindo assim, segundo Smith, uma foça invisível traria a reboque uma ordem social.
Alicerçado na liberdade individual, esta base teórica opta pelo auto regulamento do Mercado, com pouca ou nenhuma intervenção do Estado, decorre daí que, o Mercado busca escapar de qualquer controle externo levando até as últimas consequências sua lógica interna individualista de maior produção possível, visando a maior abrangência de mercados, com o menor custo possível.
O Mercado, assim como o Capital, deve poder circular sem entraves, esta é a lógica capitalista que está inserida em suas estruturas básicas desde a sua gênese, baseado no individualismo proposto pela teoria de Adam Smith e por uma série de fatores históricos convergentes, muitos dos quais vimos semana passada.
Segundo a teoria de Adam Smith, agindo assim o Mercado estaria nos ajudando, por um lado, em uma incessante produção e distribuição de mercadorias, sempre na busca ávida por novos mercados, ampliando assim a sua extensão e fazendo chegar até a sua zona de influência as relações que, até então, eram regidas por outros vínculos.
Por outro lado, na busca pelo barateamento desta produção incessante, seja pela automação aliada à ciência aplicada, seja pela redução drástica de salários, ou mesmo pela marginalização de certa mão de obra.
Em um mundo liberal/progressista como é o nosso, o Capital, fomentado pelo Mercado e suas mercadorias (uma mercadoria para cada necessidade específica), não almeja territórios ou fronteiras, ao invés disso, quer seguir em fluxos de difusão e se dirigir para os mercados mais promissores, circulando sem entraves, se fixando ora aqui ora ali, indo e voltando ao sabor das especulações financeiras, sem interferências dos Estados ou de quem quer que seja.
O posicionamento político dito de Direita, clama por liberdades individuais, por uma valoração moral de cunho individual, onde, os interesses de cada um devem prevalecer em relação aos interesses de grupos ou do Estado, sendo de responsabilidade individual todas as ações e também os sucessos e fracassos.
Na história do Ocidente percebemos que foi este pensamento de cunho individual que prevaleceu, corroborado pela força do Capitalismo que crescia e apresentava novas necessidades, sendo a principal delas, a expansão cada vez maior dos mercados.
O Liberalismo entra como base teórico/político, como um apoio para estas novas necessidades mercadológicas, na transição do Mercantilismo para o Capitalismo, nos primórdios das sociedades modernas.
É importante perceber que o pensamento de Adam Smith, juntamente com o as escolhas feitas pelo Ocidente, nos levaram para uma economia de livre mercado, Capitalista e de cerne Liberal.
...
Na aurora do Modernidade, na mesma velocidade das novidades imprimidas pelas mudanças drásticas em curso, tivemos um “domesticamento” do projeto moderno pelo Capitalismo, e as consequências deste domesticamento reverberam em nossas sociedades até os dias atuais, como demonstra muito bem Souza Santos e Dany-Robert Dufour em um ponto de concordância no pensamento destes dois autores:
A hipercientificização do pilar da emancipação permitiu promessas brilhantes e ambiciosas.
A promessa da dominação da Natureza e do seu uso para benefício comum da humanidade, conduziu a exploração excessiva e despreocupada dos recursos naturais, à catástrofe ecológica, à ameaça nuclear, à destruição da camada de ozônio, e a emergência da biotecnologia, da engenharia genética e da consequente conversão do corpo humano em mercadoria última.
A promessa de uma paz perpétua baseada no comércio, na nacionalização científica dos processos de decisão e das instituições, levou ao desenvolvimento tecnológico da guerra e ao aumento sem precedentes do seu poder destrutivo.
A promessa de uma sociedade mais justa e livre assente na criação de riqueza tornada possível pela conversão da ciência em força produtiva conduziu à espoliação do chamado Terceiro Mundo e a um abismo cada vez maior entre o Norte e Sul.
Neste século morreu mais gente de fome do que em qualquer dos séculos anteriores e mesmo nos países desenvolvidos continua a subir a porcentagem dos socialmente excluídos, aqueles que vivem abaixo do nível da pobreza. (SANTOS, S. 2007, Pg. 56)
E Dany-Robert Dufour completa:
Apenas gostaria de observar que efetivamente chegamos a uma época que viu a dissolução e até mesmo o desaparecimento das forças da qual a “modernidade clássica” se apoiava.
A este primeiro traço do fim das grandes ideologias dominantes e das grandes narrativas soteriológicas acrescentam-se paralelamente, para completar o quadro, a desaparição das vanguardas, depois de outros elementos significativos tais como:
o progresso da democracia e, com ela, o desenvolvimento do individualismo, a diminuição do papel do Estado, a supremacia progressiva da mercadoria em relação a qualquer outra consideração, o reinado do dinheiro, a sucessiva transformação da cultura, a massificação dos modos de vida combinado com a individualização e a exibição das aparências, o achatamento da história na imediatez dos acontecimentos e na instantaneidade informacional, o importante lugar ocupado pelas tecnologias muito poderosas e com frequência incontroladas, a ampliação da duração de vida e a demanda insaciável de plena saúde perpétua, a desinstitucionalização da família, as interrogações múltiplas sobre a identidade sexual, as interrogações sobre a identidade humana [...] a evitação do conflito e a desafetação progressiva em relação ao político, a transformação do direito em um juridismo procedimental, a publicização do espaço privado ( que se pense nas webcams), a privatização do domínio público...
Todos estes traços devem ser tomados como sintomas significativos dessa mutação atual da modernidade.
Eles tendem a indicar que o advento da pós-modernidade não deixa de ter relação com o advento do que hoje evocamos com o nome neoliberalismo. (DUFOUR. R. 2005, Pg. 25).
Tendo a Razão como fundamento basilar a sociedade moderna pretende uma grande “humanização” do mundo, ou seja, aplicando a lógica humana ao mundo a utopia moderna tem como projeto a certeza de que todas as misérias humanas serão resolvidas, de que todas as necessidades humanas estarão, ao seu tempo, sanadas.
Há uma confiança cega na ciência, uma crença de que a ciência aplicada e seu tentáculo tecnológico prático elevará o potencial humano ao nível máximo do próprio humano, assentido pela razão, o Sujeito moderno se emancipa do existir concreto e vive em um estado de torpor perene e, nesta condição, iludido pelas promessas de emancipação da modernidade e mergulhado neste “otimismo vulgar”, a sociedade moderna almeja a busca constante pela felicidade sobre esta busca cega pela felicidade dirá Bauman:
Esta busca pela felicidade é o mote do sujeito moderno, fundada na razão pura e completamente, a sociedade poderia esperar realizar o direito à felicidade.
A busca da felicidade e a esperança de sucesso dessa busca tornaram-se a motivação principal do indivíduo moderno, um dever, um princípio ético (BAUMAN, 2003, Pg. 76).
A busca da felicidade é a marca das sociedades ocidentais, há uma busca incessante pelo preenchimento de um vazio, busca-se o Um sentido no ter e não no ser.
Imagine o constante estado de frustração em que vive este indivíduo uma vez que coisas não melhoram as relações interpessoais, no entanto, todos são levados a crer que as relações humanas são pautadas por padrões semelhantes as dos consumidores e seus objetos de consumo.
Assim, vivemos como pessoas transformadas em bens de consumo, isso tudo aliado a uma massiva e agressiva estratégia de marketing, somadas a facilidade de crédito, faz os ideais de consumo se imiscuírem fundo em todas as instâncias de nossos relacionamentos, a busca incessante de um estado de felicidade está diretamente ligada ao consumo “coisificando” pessoas.
Para se tornar Sujeito, antes é preciso “ser” mercadoria para um outro, neste mar de mercadorias é difícil não se misturar e, neste misturar-se, nasce este consumismo impulsivo, descontrolado, irresponsável e irracional.
Nas sociedades ultra liberais busca-se o prazer a todo custo e em tempo integral, isso instigado por uma estrutura de mercado aliado à propaganda que incute na cabeça das pessoas que esta é a única forma de se viver e, quando as promessas da modernidade não se cumprem, temos indivíduos frustrados, mas, mesmo nesta situação de decepção, o Sujeito moderno não desiste de sua utopia de idealização, na verdade, o sistema está tão bem estruturado que a responsabilidade sobre o fracasso recai sobre o próprio indivíduo.
Consumo e felicidade estão intimamente conectados na mentalidade do Sujeito moderno e, sendo assim, este Sujeito está completamente aberto às pressões consumistas, constantemente mergulhado em um vazio existencial que somente outro bem de consumo pode aplacar e, ipso facto, não aplaca!
O império do Mercado em nossas relações desemboca em um dualismo perigo;
Produtor e consumidor são as facetas da mesma moeda neste intrincado dualismo antropológico, este conflito traz consigo um fenômeno de dupla personalidade, conflito este instaurado dentro do próprio Sujeito;
de um lado, sendo o produtor na busca frenética por trabalho e pelo cumprimento de metas impossíveis e, por outro lado, no papel de consumidor em busca da felicidade sem fim.
Deste conflito interno temos homens e mulheres mergulhados na lógica do para si, desprovidos de valores como comunidade, solidariedade, colaboração, empatia.
Quem não consome está à parte nesta sociedade.
Seguindo os rastros históricos deixados por esta lógica, percebemos a Pessoa Humana transformada em mercadoria que consome mercadoria, acabando por consumir-se a si mesmo, trabalhando cegamente para consumir o que o Mercado apresenta como o bem de consumo da vez.
Este comportamento acaba por objetificar os indivíduos e este é o terreno fértil perfeito para uma existência doente.
O Sujeito moderno está doente porque nega a facticidade inerente à existência e, em tudo que pensa e faz, busca o consumo aliado a felicidade sem fim.
Para este Sujeito a morte é um tabu, a velhice um castigo, a pobreza um atestado de incompetência.
Com sua visão turva pelo prestígio dado à razão em sua trajetória histórica, este Sujeito só enxerga uma realidade enviesada, onde nada é o que aparenta ser.
O Sujeito moderno pensa ser livre, mas na verdade está preso em uma conjunção mercadológica, corroborado pela mentalidade moderna este Sujeito grita aos quatro cantos que é autônomo, livre e detentor de direitos, mas é incapaz de reconhecer sua real condição, não percebe que seu comportamento é conduzido por uma estrutura massificante que o empurra para uma existência vazia, diluída nas massas.
O problema da modernidade é a conjuntura, em sua gênese o projeto moderno almeja coletivizar o destino da humanidade em um plano superior que substituísse a velha ordem já esfacelada e desgastada por uma nova mais abrangente, para isso seria preciso a busca incessante pelo principio de “um Estado, uma Nação” e com isso a negação de identidades étnicas para, em última análise, invocar um caráter comum;
uma língua nacional, um calendário, uma narrativa padrão, uma cultura, uma memória histórica, em outras palavras, busca-se uma essência humana despojando o ser humano de todas as particularidades, esmaga-se as identidades étnicas em nome de uma massificação, em nome de um suposto bem maior.
Os Estados-nações e suas democracias são os exemplos mais evidentes destas forças massificadoras que adotamos com a promessa de uma sociedade melhor, grosso modo, o que fizemos foi trocar uma relação de distanciamento e dependência das Grandes Narrativas (como Deus, Natureza etc.) por uma autonomia jurídica e liberdade econômica.
Assim sendo, o Sujeito moderno, mais ainda o pós moderno, é o Sujeito que é auto-referencial, ou seja, ele não é mais o Sujeito de Deus, ou Sujeito do Rei, mas é Sujeito de si mesmo.
Por meio das instituições jurídicas vão se fortalecendo os Estados-nações, mas estes Estados, em conflito permanente uns com os outros, conflitos que resultaram em 2 guerras mundiais, além do desastre civilizacional de Auschwitz, acabaram por se agarrar à democracia como um náufrago se agarra à uma boia.
Não obstante, foi depois das I e II Guerra Mundial e, principalmente, depois do ocorrido em Auschwitz, que os mais poderosos Estados-nação instituíram suas democracias, já que Auschwitz em particular marca um período de ocaso civilizacional e de total desconsideração ética para com a pessoa humana.
Ocorrido, em grande parte, pela decadência das grandes narrativas vindas da Modernidade clássica que, deturpadas história afora, acabaram por culminar na narrativa enviesada e aterrorizante da raça pura, o que resultou em Auschwitz.
Dado tudo que vimos até aqui, é necessário reconhecer que no decorrer histórico o Ocidente optou por uma política Liberal/capitalista e, sendo assim, a história do Ocidente é formada por políticas de livre mercado.
Nações ricas entram nesta equação como produtoras de tecnologia e mão de obra especializada (cara), já os países pobres são fornecedores de matéria prima e mão de obra não-qualificada (barata), é nesta balança desigual que se dá as relações entre as nações.
Obviamente, existem muitos outros fatores a serem considerados aqui, como por exemplo, a capacidade do Capitalismo em se adaptar as contradições geradas pelo próprio sistema, já que ele baseia-se na lógica do para si, desprovido de preocupações sociais e que provoca, de época em época, algumas crises.
Como exemplo destas peripécias adaptativas no decorrer histórico podemos citar aqui a virada neoliberal na década de 1970, onde, os EUA - a nação que pode ser considerada o arauto dos ideais liberais em nossa contemporaneidade - romperam unilateralmente com o padrão ouro e estabeleceram a taxa de câmbio flutuante baseada no crédito, deixando de lado o lastro.
Este fato marca um reforço dos ideais liberais o que se convencionou chamar de neoliberalismo e nos mostra a capacidade de adaptação do Capitalismo em momentos de crise profunda.
Estas adaptações demonstram uma realidade incômoda:
Elas tornam mais ricas e reforçam o poder de quem detém o poder e mantém um stato quo baseado na exploração de nações pobres.
Se voltarmos nossos olhos para a história do continente africano ou mesmo da América Latina perceberemos que nunca foi de interesse dos países ditos “primeiro mundo” uma reformulação social, mesmo que a própria história comprove que boa parte da miséria nestes lugares é resultado direto das ações de culturas que, em algum momento histórico, se consideraram superiores aos outros, mesmo assim, as relações entre países são sempre pautadas por considerações de quanto se ganha ou quanto se perde, em outras palavras, por lucro (vantagem).
Acreditamos que estamos no meio de mais uma crise do sistema Capitalista.
A crise no sistema se dá em um de seus pilares centrais; o trabalho.
Sendo a Modernidade fundada na produção de coisas o trabalho é a chave para os problemas que iam se descortinando nas sociedades pré modernas, é o trabalho que resolve a questão da identidade pessoal socialmente aceitável, da posição social segura, da sobrevivência individual e coletiva e da ordem social, em outros termos, para ser inserido como um membro responsável da sociedades era necessário ter um trabalho.
Existe uma crise na questão do trabalho há muito instaurada.
Por alienar os sujeitos, o sistema reduz a principal fonte de inserção da sociedade, a saber, o trabalho a um tabu.
A exigência cada vez maior de capacitação dos indivíduos, além da técnica aplicada (tecnologia) que, aliada à lógica capitalista de “maior produção com gasto mínimo” esta criando um Sujeito indiferente com sua própria condição e muito mais indiferente à condição do outro.
Por restringir a principal fonte de inserção na sociedade, a saber, o trabalho o sistema produz um Sujeito des-simbolizado e o trabalho passa a ser um tabu, pois, ter um bom trabalho, para este Sujeito apático, é um privilégio para poucos eleitos e temos uma massa de pessoas que não consegue se qualificar.
Esta multidão de “desqualificados” está à margem do sistema, no entanto, como dissemos antes, o sistema Capitalista possui como uma de suas principais características a adaptabilidade, e como tal, ele transforma esta massa de desgarrados do sistema em seus principais defensores.
Este fenômeno se dá pela a absorção da massa pelo próprio sistema que transforma este contingente de excluídos em potenciais consumidores que, mesmo estando de fora das vantagens reais do sistema, se vêm na ilusão de que fazem parte do mesmo.
A produção e uso de tecnologias de massa aliada a uma incessante máquina de propaganda fazem as pessoas acreditarem que estão incluídas pelo simples fato de possuírem um celular, um carro novo, um computador de última geração ou qualquer outro aparato tecnológico quando, na verdade, mesmo empunhando seus brinquedos eletrônicos estes indivíduos estão muito longe da inclusão imaginada por eles.
E assim, protegido pela própria massa de excluídos, segue o sistema se adaptando mais uma vez na história.
Continua semana que vem >>>
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As circunstâncias históricas do Ocidente nos levaram a optar sempre por políticas de Direita, de cunho individualista. Na Modernidade e, mais ainda, na chamada Pós-Modernidade, observamos os resultados destas políticas de cunho individualista explodirem na forma de uma crise antropológica gravíssima. O Sujeito moderno se encontra indiferente a tudo, consome o planeta e a si mesmo em um espiral de violência, consumismo e indiferença doentia. |
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E aí gostaram do artigo desta semana ?
Hoje, demos mais um passo na discussão sobre nossas sociedades atuais e o que vamos percebendo, conforme avançamos, é que nossas sociedades estão mergulhando fundo na narrativa do Eu-absoluto.
A nossa subjetividade moderna simplesmente desconsidera o outro e desconsidera elementos sociais.
É lugar comum, na imprensa, na opinião pública e até mesmo na cultura moderna a ideia de que se pode vencer sozinho, de que não precisamos uns dos outros e que o indivíduo basta-se a si mesmo.
Em nossas cidades apinhadas de gente sabemos que não podemos contar com ninguém, é cada um por si e salve-se quem puder!
Está "solidão" nós a sentimos em nossos ossos tamanha é sua clarividência, sabemos que estamos sós em nossas existências e sentimos isso em nosso íntimo sentimento;
O moderno é este Sujeito que sente em si um vazio, mas não um vazio qualquer, dado por uma situação corriqueira que passa com o tempo, trata-se de um vazio ontológico que simplesmente não passa.
Paradoxalmente, estamos todos unidos nessa solidão perene, ombreados uns com os outros, rumo ao precipício do vazio existencial.
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Semana que vem vamos para a nossa parte 3 da série.
Lá, vamos ver que deste pensamento individualista que foi se arregimentando no Ocidente, nasceram alguns pontos de crítica como o pensamento dito de Esquerda, tão vilipendiado nos dias de hoje.
Então, semana que vem aguardamos vocês aqui para este enceramento desta série Nova Antropologia Filosófica.
Até semana que vem e cuidem-se!!
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