O MEDO EM NÓS

 Olá Escritores !!


Preparados para o artigo desta semana ??


Depois de semanas maravilhosas falando sobre a educação, hoje, nossa reflexão se volta para o MEDO.


Cientificamente falando, o Medo é uma reação involuntária que sentimos quando estamos vivenciando uma situação estressante, quando estamos nestas condições, o cérebro libera substâncias químicas que fazem nosso corpo reagir ao perigo; 


aumento dos batimentos cardíacos, respiração mais rápida, contração dos músculos, descargas de adrenalina, entre outras reações corpóreas acontecem quando sentimos Medo.


Mas existe muito mais coisas sobre o Medo do que nossas sensações imediatas com ele, existe também a manipulação do Medo alheio e a sua forte ligação com a política, os Medos coletivos e individuais, o Medo em nossa estruturação psíquica, o Medo diferente que sentimos do desconhecido ...


E ainda sobre as inúmeras facetas do Medo, também existe o intrigante fato de que nós procuramos o Medo deliberadamente, quando assistimos a um filme de terror, por exemplo, ou quando andamos em uma montanha russa, quando praticamos esportes radicais entre tantas outras formas de sentir Medo, um Medo "controlado" por assim dizer.


Por que procuramos formas de sentir Medo? 


...  


O Medo é um daqueles assuntos que tratam do que todos nós, como seres humanos que somos, compartilhamos entre nós, é um tema ontológico, ou seja, que faz parte da estrutura humana, em outras palavras, se você é um ser humano, de um jeito ou de outro, você será afetado pelo Medo, pois o Medo é inerente a todos os seres humanos. 


Tratamos de outros temas ontológicos aqui no Blog, temas que falam do que todos nós, seres humanos, compartilhamos; em "ARTE PARA NOS TRANSFORMAR" falamos da arte, de sua necessidade para a nossa saúde mental/física/espiritual e em "...E VOCÊ TEM SAUDADE DE QUÊ ?" tratamos do tema saudade, um sentimento do qual todos nós sentimos os efeitos além de ser outra característica demasiada humana na participação humana na totalidade do Ser.


Outro artigo que vai complementar a sua leitura sobre o Medo é o artigo A MANIPULAÇÃO DA MASSA, lá refletimos sobre como o Medo é utilizado por alguns líderes inescrupulosos como uma ferramenta de condução da massa.


Hoje, voltamos nossa atenção para refletir sobre mais esta característica humana, a nossa relação com o Medo em suas diferentes facetas. 


Tenham uma boa leitura !!




Aqui temos um recorte de "O Grito", Eduard Munch, (1893)



O MEDO COMO UMA FORÇA POLÍTICA 


Um dos autores que se debruçaram sobre o Medo e que pode ser um bom ponto de partida para as nossas reflexões é Thomas Hobbes(1588-1679), é dele a obra o Leviatã, escrita em 1651, um tratado que pode ser considerado um dos primeiros exemplos da teoria do Contrato Social, a importância dessa obra é incomensurável, é ele que constitui a base para a existência do Estado, como conhecemos hoje;


O Leviatã (1651), o livro de Thomas Hobbes que fornece as bases teóricas para a instauração do Estado, como conhecemos hoje.
 


Com Hobbes vamos compreender como um Medo que todo ser humano compartilha; o Medo da morte - principalmente da morte violenta - foi a motivação para a implementação de uma instância superior que medeie as relações humanas, o Estado.


E assim vamos percebendo que, desde muito cedo e por um Medo coletivo, temos implicações políticas em nossa relação com o Medo.  


O raciocínio de Hobbes parte de imaginar como seria a conduta do ser humano em um  estado de natureza, ou seja, uma sociedade desprovida de um Estado, com os seus indivíduos vivendo um estado de  liberdade plena, podendo fazer tudo que lhes apetecessem; 


como seria o comportamento dos indivíduos em uma sociedade assim? 


Segundo Hobbes, não seria nada legal ...


Isso porque, segundo este pensador, a chamada "natureza humana" , ou seja, aquilo que o ser humano é por si em seu estado natural, vivendo na natureza por conta de suas atitudes somente, não é boa;


veja o que Hobbes vai dizer:


A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo que o outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa, com base nela, reclamar qualquer benefício a que o outro não possa também aspirar, tal como ele. Porque quanto à força corporal o mais fraco tem força suficiente para matar o mais forte, quer por secreta maquinação, quer aliando-se com outros que se encontram ameaçados pelo mesmo perigo.(Hobbes, Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil, p. 78)


 Em outras palavras, os seres humanos são diferentes em força, astúcia, expertise e outras características, mas estas diferenças não são suficientes para que qualquer ser humano reclame para si algo que um outro, supostamente inferior, também não possa, em fato, mesmo não sendo iguais entre si os seres humanos são "tão iguais que" mesmo o mais forte, pela sua força somente, não pode garantir nada;


 e isso se dá porque mesmo o mais fraco dos seres humanos tem a capacidade de derrotar o mais forte, por engenho de um plano, pela maquinação de uma ação ou pela aliança com outros indivíduos, a força, simplesmente, em estado natural, não é garantia de nada.


 Em estado de natureza, o ser humano é possuidor do que os estudiosos do direito vão chamar de Jus Naturale, que nada mais é do que os direitos naturais, a liberdade para fazer o que for necessário para a preservação da vida e, assim sendo, fazer tudo que o seu próprio julgamento e razão julgue ser o "certo" para  a preservação de sua vida  e dos seus entes queridos.


 Nestas condições de vida, os indivíduos lidam com a desconfiança mútua buscando uma antecipação, aliás, a antecipação é a condição lógica para a vida nestes termos, sempre esperar de um grupo de pessoas um ataque, Hobbes vai dizer que estar sempre preparado para um ataque eminente é um ato de "sobrevivência"  e não se trata de um ambiente de pura trairagem e desconfiança gratuita, mas sim de uma adequação às regras do jogo, uma atitude lógica frente a esta condição natural de vida.


 A liberdade, na concepção hobbesiana, é a total ausência de obstáculos ao seu movimento natural e, sendo assim, é uma atitude lógica e natural do ser humano que, pela força ou pela astúcia, ele subjugue o máximo possível de pessoas para que não surja nenhum poder que o ameace, assim, segundo Hobbes, o ser humano garante a liberdade em estado natural.

 

O ponto dessa liberdade é que ela é insaciável, visto que nenhum ser humano, por mais forte e astuto que seja, encontrará segurança plena e será sempre necessário enfrentar diversos tipos de Medo.

 

As sociedades naturais, compostas de seres humanos em estado de natureza, lidam com o Medo constante por meio da antecipação permanente, em outros termos, estão sempre esperando serem atacados e vivem sob esta égide.

 

A consequência dessa liberdade plena é a total ausência de leis universais criadas por uma instância superior e soberana, sem estas leis o resultado é o conflito, causado justamente pela igualdade e pela liberdade plena entre os seres humanos.


 Não havendo uma instância mediadora, que impeça que 2 grupos distintos de pessoas, que queiram um mesmo bem ou local, como um rio, por exemplo, entrem em disputa para adquirir o bem, o conflito violento seria inevitável.


 Em suma, não haveria mediação nenhuma justamente pela igualdade e pela liberdade dos seres humanos em estado natural e o conflito seria resolvido pela violência.

 

Hobbes dirá:

 

Se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é impossível ser gozada pelos dois ao mesmo tempo eles logo se tornam inimigos. (Op. Cit., p. 78)  

 

Inimigos mortais, é bom reforçar.

 

Outro ponto importante no pensamento de Hobbes sobre a natureza humana diz respeito a honra e a glória são essas as características que isolam os seres humanos em grupos, pois, em estado natural, as relações humanas são marcadas pelo isolamento em grupos.


Nestas condições as ofensas pessoais são tratadas como um grave dano e o ofensor é passível de ser um exemplo para os outros membros do grupo, assim, o líder mantém sua honra. 


Para Hobbes existem 3 causas principais de disputa que levam os seres humanos ao isolamento; a competição, a desconfiança e a glória


A competição insufla os grupos a lograrem os mesmos objetivos e traz à tona a violência, na disputa pelos bens; a glória está ligada a uma boa reputação, que afeta a influência do líder; e a desconfiança é a motivação para os seres humanos se armarem e estarem sempre em estado de alerta frente ao eminente ataque de outros grupos.


É justamente esta desconfiança mutuá o que Hobbes vai chamar de uma "guerra generalizada" ou, como ficou conhecida em sua máxima a "guerra de todos contra todos", na verdade, um estado de tensão permanente na qual, o "homem é o lobo do homem" não é uma situação marcada apenas pelo conflito em si, mas pela existência de um estado de guerra permanente, possibilitado por uma atmosfera hostil, uma guerra armamentista constante que rechaça a presença alheia.


A paz nestas condições é apenas um intervalo que há entre entre os conflitos violentos, mas ela é uma realidade distante como conceito, pois existe um permanente estado de guerra instaurado.


Em estado de tensão permanente, com pessoas separadas em grupos vivendo em perene tensão e desconfiança mútua torna-se impossível o desenvolvimento material, artístico, cultural, civilizacional ou qualquer outra forma de desenvolvimento que poderíamos conceber, a vida em sociedade como conhecemos hoje estaria completamente impedida, pois, em estado de natureza, impera a desorganização, o isolamento e a plena violência; 


Em estado de natureza não existe sequer um "povo" o que existe é uma multidão inorgânica, anárquica, desordenada e violenta. 


Os seres humanos gozam de total liberdade e igualdade, mas acompanhada de uma total insegurança, desconfiança e, principalmente, Medo. 


A igualdade dos seres humanos é a igualdade do Medo, principalmente o Medo de uma morte violenta.


O pensamento de Hobbes implica, necessariamente que, liberdade e igualdade plena levam à condições de vida embrutecidas, dada, justamente, a natureza humana que é violenta e é por isso que é preciso que se encontre formas de instaurar os limites que são determinados por um poder comum; o Estado.


Assim os seres humanos renunciam a liberdade, alienando parcialmente ao Estado que, em troca, garante a segurança, o contrato social se firma com a submissão das vontades a um soberano que tem a sua legitimidade estabelecida, desde que, cumpra com seu papel de progressiva urgência, garantindo a paz e a ordem social.


Hobbes denomina o seu Estado absoluto de leviatã em menção a um monstro bíblico cruel e invencível, ele também vai chamar o Estado de "Homem Artificial" e "Deus mortal", entende-se assim que o Estado deve estar sempre presente em todos os lugares, ou seja, ser onipresente; ter a consciência do que está ocorrendo e, deste modo, ser onisciente e ser o detentor da força, sendo assim onipotente, como o Deus cristão, mas composto de seres humanos mortais e, em sendo assim, da mesma forma que foi criado pelos seres humanos pode também ser destruído pelos seres humanos, por isso um Deus mortal. 


Assim, vamos percebendo nesta breve introdução de nosso tema de hoje que, o Medo que todos nós compartilhamos, a saber, o Medo da morte, foi a nossa maior motivação para que instaurássemos uma instância mediadora de conflitos para aplacar o Medo natural que todos nós compartilhamos de uma morte violenta, causada por nós mesmos, os seres humanos.


Não deixa de ser curioso pensar que o nosso Medo coletivo da morte violenta tenha como causa nós mesmos, os seres humanos ...


Tememos a morte, mais ainda a morte violenta e a violência vem justamente das pessoas, de nossos semelhantes que, segundo Hobbes, são "naturalmente violentas".


Fica no ar este questionamento:


O ser humano é "naturalmente" bom ou mau?

  


O MEDO NA PSIQUE HUMANA 


Sigmund Freud (1856-1939) refletiu sobre o Medo na estruturação psíquica dos indivíduos.


A sua contribuição para a nosso empreendimento de hoje se dá pela percepção de nossa fragilidade, como indivíduos, frente as intempéries e contingências da vida e de nossas relações sociais, em outros termos, daquilo que escapa ao controle do ser humano.


Em sua obra "O Mal Estar da Civilização(1930)" Freud vai discutir o fato de que a cultura, entendida aqui como a civilização, produziu um "mal-estar" nos indivíduos, pois, em nome da civilização, os indivíduos sublimam muito de seus impulsos naturais.


Esta conjuntura vai resultar em um choque entre "o desejo da individualidade" e "a expectativa da sociedade", gerando indivíduos recalcados em diversas camadas de sua psique, entre elas em sua lida com os Medos que naturalmente temos que enfrentar.  


Nesta obra Freud vai elencar 3 Medos que, supostamente, nos privam da "felicidade" e da vida "sem sofrimento":


O 1º Medo trata da impotência do ser humano frente às forças da Natureza;


ainda que vivamos em uma era de "orgulho antropocêntrico" onde a tecnologia nos proporcione certos confortos, avanços no tratamento de doenças e prolongamento da expetativa de vida, além de ferramentas para a prevenção de certos desastres naturais, ainda assim, somos débeis frente à força da Natureza.


Não obstante, a questão ambiental tem se tornado cada vez mais evidente no debate mundial em nossa contemporaneidade, temos Medo do que possa nos acontecer caso não tomemos atitudes para mudar nosso destino frente a força incontrolável da Natureza e muito tem se discutido sobre os efeitos do clima relativos à nossa sobrevivência como espécie no planeta, certamente, o leitor vai perceber, mais uma vez, o "Medo da morte" como um pano de fundo para nossas ações coletivas.


Escassez de comida, elevação dos níveis dos oceanos, aumento das temperaturas e até mesmo a preocupação com meteoros em rota de colisão com a Terra entram no escopo de "Medos" dos quais não temos nenhum controle.


Em suma, o "descontrole" é o Medo em comum do ser humano moderno, encontrar algo que não se possa controlar, mesmo com toda a sapiência e tecnologia disponível e, este Medo em particular, está diretamente ligado com a incapacidade frente à realidade da Natureza que Freud pontua.


O 2º Medo apontado por Freud diz respeito a nossa  finitude, ao fato de que, não importa o quanto a nossa tecnologia e medicina avance e retarde a nossa morte, invariavelmente, nossas células vão envelhecer, adoecer e morrer.


Nosso corpo, portanto, é uma instância fraca e mortal frente ao avanço do tempo o que constitui um Medo que compartilhamos todos, mas note o leitor que, diferente do Medo que vimos há pouco, referente a  uma coletividade, aqui o Medo é do indivíduo, trata-se do Medo particular da morte que todos nós temos, afinal, a descoberta de nossa finitude é uma das primeiras imposições da vida de que temos consciência, já na infância.


Todos nós tememos a nossa morte, mas lidamos de forma diferenciada com este fato; para algumas pessoas o assunto é tão temerário que é um tabu, do qual a simples menção é um ato de puro Medo, já outros escrevem verdadeiros tratados sobre a morte e administram melhor este Medo, mas o fato é que todos nós tememos a nossa finitude.  


E o 3º Medo que enfrentamos trata de nossa lida com o outro, ou seja, nossas relações sociais;


Aqui o Medo tem uma relação íntima com o sofrimento.


Quando somos obrigados a viver em determinada sociedade não podemos evitar nos relacionarmos com os outros, aliás, é uma condição sine qua non da humanidade viver em sociedades, somos "obrigados" a conviver com diferentes tipos de personalidades, amigos e inimigos, ambos com possibilidade de nos causar sofrimentos.  


Diferente do Medo da Natureza ou do Medo de nossa finitude, que estão diretamente ligados ao Medo em comum que sentimos da morte, tanto uma morte coletiva (1º Medo) quanto uma morte individual (2º Medo), quando falamos do Medo das relações sociais além da morte existe também o "sofrimento" envolvido, pois, um outro indivíduo pode, além de matar, machucar, não só fisicamente como também emocionalmente.


Podemos sofrer por uma discussão com um filho ou com um irmão, podemos sofrer por ter que terminar uma relação amorosa, sofrer por ter que se despedir de alguém, ao descobrir uma traição, enfim, são inúmeras as situações que nos geram um sofrimento, que por sua vez nos geram o Medo, relativo às nossas relações sociais.


Assim como tememos a morte tememos o sofrimento. 


DE ENCONTRO AO MEDO


Já nos encaminhando para o final de nosso artigo de hoje, vamos refletir sobre um aspecto do Medo muito intrigante ...

Por que vamos de encontro ao Medo?

Por que gostamos de sentir Medo?


Até agora vimos que o Medo - principalmente o Medo da morte - delineia as características de nossas sociedades, em nome do Medo mudamos o destinos de toda a humanidade história a fora.


Normalmente, procuramos evitar situações de estresses e Medo, situações assim nos deixam em extremo desconforto, mas é crucial entender que o Medo é um daqueles sentimentos que temos que lidar, não importa o que aconteça sempre haverá uma situação de Medo, real ou imaginada, o Medo é nosso companheiro constante.


É justamente nesta "relação obrigatória" que temos em sentir e lidar com o Medo que encontramos a explicação para algumas pessoas procurarem situações de estresse controlado evocando as sensações do Medo deliberadamente. 


Biologicamente falando, o Medo gera uma descarga de adrenalina, é esta descarga de adrenalina que nos impulsiona ao agir em uma situação de perigo, a famosa fórmula: "correr ou lutar". 


Pode ocorrer do Medo, nessas situações, deixar a pessoa paralisada, esta é uma situação de "colapso das funções cerebrais", a pessoa nestas condições nem foge nem luta e, dependendo do perigo, pode ser mortal.


Há também as "fobias", aquele Medo irracional no qual o indivíduo foca toda a sua atenção ao objeto fóbico e não consegue ordenar o seu agir frente ao objeto de seu temor.


Tanto a paralisia, quanto a fobia, são manifestações do Medo que atrapalham o indivíduo, minando a sua autoconfiança, sentir Medo nestas condições é prejudicial, passível de acompanhamento psicológico.


Numa relação, digamos, normal com o Medo o indivíduo vai fugir ou lutar e, quando o estresse passar, além da adrenalina, haverá também uma descarga gigantesca de endorfina e cortisol responsáveis por sensações de euforia e bem estar. 


Em uma situação de Medo controlado, como andar em uma montanha russa, por exemplo, são essas substâncias químicas as responsáveis pela sensações de prazer causado pela experiência.


O indivíduo sabe que não há um perigo real - assistir a um filme de terror - ou, há um perigo real que está sob controle - pular de paraquedas - então ele "enfrenta"o Medo e é justamente neste "enfrentar os Medos" que se enquadra a "relação obrigatória"que temos com o Medo que falávamos há pouco, afinal, como estamos percebendo, o Medo estará sempre conosco, de forma pessoal ou coletiva.


E, cá entre nós, enfrentar um Medo e vencer é uma sensação maravilhosa, não é mesmo? 


Enfrentar as inúmeras sensações, que o Medo nos traz; o amargo na boca, o estômago revirado, a ansiedade, a sudorese entre tantas outras sensações e fazer o que tem que ser feito, vencendo este inimigo interno é uma sensação inacreditável!


Talvez por isso nós procuremos situações controladas para sentimos esta sensação maravilhosa de "vencer o Medo" e nos superarmos. 


Eu mesmo adoro um bom filme de terror.

 😓 


O Medo, ou melhor dizendo, lidar com o Medo, está diretamente ligado a como agimos no mundo, uma pessoa que lida bem com seus Medos é uma pessoa autoconfiante e segura e uma sociedade que lida bem com seus Medos coletivos é uma sociedade próspera e sadia.


Nós temos que encontrar formas de enfrentar os nossos Medos e não deixar que eles nos paralisem, todos nós tememos algo - além de nosso Medo em comum, a morte - tem gente que tem Medo de barata, outros de altura e outros com Medos que nem podemos imaginar ...


E isso não importa, porque grande ou pequeno, pessoal ou coletivo, real ou imaginário, todos nós temos que enfrentar os Medos que nos assolam; 


como você enfrenta os seus Medos? 

...


Enfrente seus Medos, se tiver coragem !


O Medo é nosso companheiro constante, talvez por isso tenhamos uma pulsão em provocá-lo com situações controladas, enfrentar nossos Medos é uma das chaves para uma existência autêntica. 


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E aí, gostaram do artigo desta semana?? 


Se me permitem, eu adoro esses artigos da série "ontologia".


Porque são nestas pesquisas que vamos descobrindo, aos poucos, a nossa "condição humana", aquilo que todos nós dividimos como espécie humana.


Hoje falamos um pouco sobre o Medo e, acredite, nós apenas aranhamos a superfície sobre este tema.


Tanta coisa ficou de fora, tantos pensadores ...


Heidegger, por exemplo, também se debruçou sobre esta característica humana;


para este pensador há uma diferença entre Medo e angústia;


o Medo é aquela sensação natural que sentimos perante um perigo real e que vai acarretar uma reação natural; fugir ou lutar.


Nos alienamos no Medo (da morte) vivendo na correria do dia a dia, nos entregando às circunstâncias e, principalmente, não pensando em nosso destino final.


Já a angústia é aquela sensação difusa que sentimos perante o desconhecido é a angústia que vai nos lembrar de nossa finitude, sem ser chamada ela se manifesta e nos lembra abruptamente que somos seres que vivem para morrer e que o mundo é completamente indiferente à nossa presença.


Além de Heidegger, muitos outros pensadores trabalharam este tema em suas considerações, como Schopenhauer (Medo de sofrer), Nietzsche (Medo da vida) Maquiavel (Medo para manter o poder) Kant (autonomia para vencer o Medo) Theodor Adorno e Max Horkheimer (o Medo tomado pela indústria cultural) e muitos outros pensadores e pontos de vista diferentes que, infelizmente, ficaram de fora de nossa pesquisa em um tema tão abrangente como este.  


Vale a pena também citar que a Banda RUSH tem uma sequência de 4 músicas voltadas ao Medo, são elas:


>Witch Hunt (part I of Fear)/Caça as Bruxas (parte I do Medo); trata do Medo irracional do desconhecido que faz as pessoas tomarem atitudes violentas contra o que não compreendem.

"🎵ignorância, preconceito e Medo andam de mãos dadas, somos rápidos para julgar, rápidos para odiar e lentos para compreender🎵🎶🎶🎶" 


> The Weapon (part II of Fear)/A Arma (parte II do Medo); trata do Medo coletivo e da corrida armamentista que vivemos em nome deste Medo irracional e coletivo.

"🎵Não temos nada a temer ... a não ser o Medo em si🎵🎶🎶🎶"  


> The Enemy Within (part III of Fear)/O Inimigo Interno (parte III do Medo); trata do Medo pessoal, que cada um de nós sentimos, aquele nosso Medo particular, as sombras que a nossa imaginação alimenta como um Medo perturbador. 

"🎵Um estranho com ar suspeito sorri repentinamente para você, sombras passando pela sua janela ou eram só as árvores ao vento?🎵🎶🎶🎶"   


> Freeze (part IV of Fear)/Frio Intenso (parte IV do Medo); trata do fato de não se poder fugir do Medo e ter que enfrentá-lo, haja o que houver.


"🎵A ameaça mete Medo, emfim, e eu estou congelando nas sombras. Eu não estou preparado para fugir, eu não estou preparado para lutar.🎵🎶🎶🎶"


 

...


O Medo é um assunto praticamente inesgotável e invariavelmente voltaremos a ele.


Por fim, esperamos que vocês tenham gostado de nosso artigo de hoje e esperamos encontrar vocês aqui, semana que vem;


Até lá e cuidem-se !!



 

 

 

 

 

 

 



 

   

 

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