HUMANOS E INUMANOS - ONDE COMEÇA UM E TERMINA O OUTRO?

 

Olá Escritores !!

 

Preparados para o artigo desta semana ??

 

Hoje, vamos refletir sobre a nossa Identidade Humana e como esta identidade nos fez virar as costas para tudo que não consideramos Humano, ao ponto de não nos reconhecermos mais como os animais que de fato somos; 


com esta visão de mundo antropocêntrica ao extremo, foi se legitimando, no decorrer histórico, a vontade do Humano em reinar sobre o que não é Humano e se sentir soberano.

 

O Humano teima em não se enxergar como um animal, baseado em sua diferença primordial; a racionalidade e o discurso, regido por esta visão de mundo, crê ser detentor de direitos inalienáveis e aponta a diferença como um defeito.

 

As principais vítimas deste pensamento antropocêntrico que reina em nosso modo de viver, a princípio, são os animais não Humanos e a Natureza de forma geral, mas esta suposta superioridade Humana acaba por se refletir em nossos semelhantes que, quando apresentam qualquer tipo de dessemelhança, logo são classificados como “Inumanos”e tratados como tal. 

 

Nosso tema de hoje é um assunto abrangido pela bioética, um assunto do qual muita gente torce o nariz; a ética com os Inumanos;

 

Afinal, devemos desenvolver uma ética que tanja os animais e a Natureza de forma geral e que os considerem como detentores de direitos à vida e a dignidade?

 

Ou,

 

devemos continuar no caminho em que estamos, explorá-los, torturá-los, mata-los por esporte ou sem motivo nenhum, destruir seus habitat sem qualquer tipo de consideração, usá-los como cobaias em experimentos cruéis e dolorosos, entre outras barbaridades?

 

...

 

Mesmo que a resposta se imponha como uma obviedade lógica, estamos longe, muito longe de uma ética que abranja a Natureza e todos os seus entes.

 

Em fato, estamos longe de ter sequer uma ética que abranja os seres Humanos e a nossa dificuldade em conseguir ter um comportamento que dê dignidade aos seres Humanos passa, diretamente, por nossa deficiência em considerar os Inumanos como iguais;

 

A ética com Humanos e Inumanos são temas que estão diretamente relacionados e, enquanto não formos capazes de abranger Humanos e Inumanos em uma única ética equidistante de fato, teremos animais e seres Humanos desassistidos por nosso comportamento ético.

 

Temos que ter em mente que o que separa o animal do Humano é uma frágil trama cultural, uma película tênue tecida no decorrer histórico, ser humano trata-se de uma identidade que subordina tudo que não é Humano e o afasta de sua natureza animal.

 

Não obstante, quando olhamos esta suposta identidade mais de perto urge perguntar; quem é o Humano quem é o animal?

 

No artigo de hoje vamos verificar que nossa indiferença, desprezo e crueldade com nossos irmãos animais acabam por se refletir em nossos semelhantes, começamos por desprezar os animais e, sem perceber, estendemos nossa indiferença, desprezo e crueldade à tudo que vamos classificando de Inumanos.


O tema é complexo e provavelmente não seremos capazes de abordar toda a sua complexidade em um artigo apenas, mas, considerando que daremos um bom pontapé inicial neste debate e contando com sua participação, esperamos que você tenha uma;      

   

 Boa Leitura e uma Boa Reflexão !!

 



 

Eu já perdi as contas de quantas vezes ouvi pessoas me dizendo que me preocupo mais com animais do que com gente;

 

Quase todas as vezes que me manifestei sobre alguma crueldade com animais em minhas redes sociais ouvi conversas do tipo;

 

- tanta criança passando fome e você se preocupando com um simples cachorro.

 

Certa vez, perguntei para um desses críticos:

 

- que bom que você se preocupa com as crianças desamparadas, o que você faz por elas?

 

Não obtive nenhuma resposta.

 

Muitas e muitas vezes passei por situações semelhantes e, em quase todas as ocasiões, o padrão se repete; pessoas que não fazem NADA pela causa Humana criticam quem se manifesta pela causa animal.

 

Este é um comportamento corroborado pela suposta superioridade dos Humanos frente a tudo que não é Humano, a suposta superioridade do ser Humano o faz tratar o dessemelhante como um defeito;

 

começamos por desprezar os animais e a Natureza, julgando que por uma suposta superioridade, corroborada pela razão e pelo discurso, podemos fazer o que quisermos com tudo que não for Humano, sem nenhuma preocupação ética/moral, por consequência, estendemos a nossa “superioridade” aos nossos semelhantes, quando estes apresentam qualquer aspecto que consideremos defeituosos. 

 

O Inumano, portanto, não é somente o animal ou o ente da Natureza que olhamos de cima, mas também o Humano rebaixado ao posto de Inumano por uma suposta superioridade de quem detém o discurso.

 

A causa animal não é um tema em separado dos assuntos Humanos, trata-se de uma visão holística da realidade, uma compreensão de que somos todos habitantes deste planeta e a suposta superioridade Humana é uma construção cultural muito mais do que uma realidade em si, em outros termos, ela não existe, trata-se de uma tautologia; uma verdade posta na história pela própria ação Humana. 

 

...

 

Não vamos aqui negar o fato incontestável de que o ser Humano não é um animal como os outros, sem embargo, a racionalidade e o discurso lhe possibilitou a produção da cultura e fez ter com a Natureza uma relação diferenciada, mas, a despeito de qualquer consideração biológica, o ponto que estamos levantando aqui hoje trata da relação biopolítica que institui o outro como um ser inferior e, sob este aspecto específico, indefere a característica Humana da racionalidade e da fala.

 

Acreditar nesta suposta superioridade biológica, pura e simplesmente, como uma verdade dada e imutável é viver no preconceito sem se dar conta.

 

Nunca é demais lembrar que somos seres racionais/falantes, ou seja, todas as nossas “verdades” são elementos construídos simbolicamente dentro de uma trama cultural fomentada na história, o que abre um espaço para uma classificação baseada no discurso, em outros termos, é por meio do discurso que decidimos a quem pertence os tais direitos, pois, segundo a nossa perspectiva, podemos falar sobre nós mesmos, coisa que os Inumanos não podem fazer, inferimos assim a nossa persuasão.

 

Na medida em que o ser Humano se identificou como tal por meio do discurso, socializando esta visão de mundo com seus semelhantes, foi se petrificando no senso comum o convencimento para que esta certeza se consolidasse.

 

A partir de então passou a ser o Humano o único detentor do poder, materializando este poder por meios violentos e cruéis e, por consequência, hierarquizando a Natureza.      

 

Esta mentalidade hierarquizadora acompanha o ser Humano em praticamente toda a história, mas na modernidade ela se intensificou bastante, afinal, foi com o pensamento cartesiano que o ser Humano se pôs como centro das representações simbólicas, foi na modernidade que começamos a verificar na Natureza algo com o qual o ser Humano, por meio de sua ciência, poderia medir, manipular e moldar a seu bel prazer; 

 

Foi a matematização da Natureza que construiu o muro que separou de vez, o ser Humano da Natureza. 

 

Na Idade Média, a Natureza era um presente de Deus, dado ao ser Humano para que este se utilizasse, obviamente, que havia exploração dos recursos naturais, maus tratos com os animais e indiferença a tudo que não fosse Humano, mas era uma relação entre Humano e Natureza muito diferente da modernidade;

 

Na modernidade o Humano se coloca em um papel central, retirando Deus do centro das representações simbólicas o que, por consequência, muda o tratamento e intensifica a indiferença. 


Se reconhecer como um ser Humano, no contexto da modernidade, o faz esquecer de sua natureza animal, o faz esquecer que ele é um ente da Natureza, em outros termos, o ser Humano também é um animal, fruto das condições dadas deste planeta. 

 

Apoiado em seu diferencial e sem se dar conta de que é um animal tão semelhante ao animal que olha, o Humano se define como soberano, mas, de fato, não o é.

 

Toda a história do pensamento, inclusive, é voltada  para a criação e aprimoramento de uma ética humana, ou seja, voltada para resolver os problemas das relações dos Humanos com outros Humanos, nunca houve um pensamento voltado a pensar uma ética para os Inumanos, nem mesmo uma ética para com o planeta;

 

Somente a partir do século XX começamos a verificar alguns pensadores que, de forma individual, dedicaram-se a pensar numa ética para os Inumanos e para um tratamento mais justo para com o planeta, aqui mesmo em nosso espaço já abordamos os princípios de uma “ecologia profunda” em nosso artigo ÉTICA VERDE – A TEIA DA VIDA, ou seja, uma ética que deixe para trás o paradigma cartesiano, vigente em nossas sociedades atuais, e considere a ecologia sob um novo aspecto, muito mais abrangente;  

 

É justo citar também Peter Singer, filósofo australiano e professor da Universidade de Princenton nos EUA e Tom Regam filósofo e professor emérito de Filosofia na Universidade de Caroline Do Norte. 

 

Portanto, verificamos que críticas ao cartesianismo e a visão de mundo mecanicista sempre houveram, mas de forma individualista, nunca como uma escola filosófica séria e contundente o que demonstra nosso atraso na questão da ética com os Inumanos. 


...  

 

 

Como vimos até aqui, a suposta superioridade construída no decorrer histórico pelas características humanas da racionalidade e do discurso produziram uma hierarquia, na qual se justifica qualquer tipo de abuso aos Inumanos;

 

Assim sendo, é possível entender que a ordem do domínio social é objeto simbólico Humano que se auto identifica como aquele capaz de ocupar o topo da hierarquia do poder e, a partir daí, tratar o diferente como o "menos Humano", em uma posição hierarquicamente menor;


Esta suposta hierarquia humana baseada na razão e no discurso, faz os animais serem considerados criaturas hierarquicamente inferiores e justifica todo tipo de crueldade, indiferença, maltrato, violência e covardia.

 


Em última instância, o que temos aqui é que o outro, neste caso o animal, será comumente inferior, desprovido de discurso e, por conta disso, pode ser considerado como um objeto que pode ser usado de qualquer forma sem nenhum direito legal, moral ou preocupações éticas.

 


Mas esta relação deturpada que temos com os animais e com a Natureza, que consideramos entes inferiores aos Humanos e, portanto, suscetíveis ao nosso uso indiscriminado sem qualquer tipo de consideração ética, não fica unicamente no maltrato com os animais e a Natureza, ela se estende aos seres Humanos que, por qualquer dessemelhança, são considerados Inumanos. 


A história está cheia de exemplos de seres Humanos que foram considerados Inumanos, colocados nas mesmas categorias que os animais e tratados sem nenhuma consideração ética.

 


O próprio fato de se usar, até os dias atuais, o corpo indigente para estudos clínicos reflete essa indiferença com alguns grupos de seres Humanos que consideramos Inumanos.

 


E aqui vale ressaltar que não desconsideramos a importância do estudo clínico, trata-se apenas de uma observação que não pode passar desapercebida em nossa análise, afinal, o corpo de uma pessoa de família, abastada, trabalhadora, Humana, jamais seria dissecada como objeto de estudo, seria tratada com dignidade, enterrada com pompas e circunstâncias da qual todo ser Humano quer ser detentor.

 


No entanto, alguém desaparecido do quadro civilizatório, ou melhor dizendo, um Inumano, torna-se logo objeto da ciência, ser simbolicamente Inumano é viver sob a verdade do dominador.

 

Vamos ser sinceros aqui!


Do que se trata afinal o indigente que vira um cadáver na mesa dos estudantes de medicina se não o Inumano que, quando vivo, era sistematicamente ignorado por nossas sociedades?

 

Qual é a diferença que damos no tratamento dado ao cão de rua e a pessoa em situação de desamparo, que vive nas ruas?

 

Para ambos direcionamos apenas o nosso desprezo e a única coisa que queremos é que a figura desumana que nos perturba desapareça (não importa como) de nossa vista.

 

Ambas são criaturas Inumanas (uma de fato a outra simbolicamente), habitantes deste planeta que tiveram a sua dignidade subtraída por uma falsa ilusão de superioridade. 

 

 

O indigente Inumano, que vive como animal em nossas cidades, é um caso particularmente cruel e emblemático, pois, diferente do cão que é posto na condição Inumana pelos fatores que vimos há pouco, o indigente é detentor da palavra, pode falar por si, se expressar, mas a sociedade doentia em que vivemos simplesmente lhe vira as costas, sua condição Inumana fala mais alto do que suas palavras.

 

 No dia 29/03/2022, em Vitória, aconteceu um caso que ilustra bem do que estou falando:

 

Uma mulher começou a se afogar na Curva da Jurema, somente um homem em situação de rua viu a mulher pedindo socorro, ele tentou alertar as pessoas sobre o acontecimento, mas todas as pessoas a quem ele se dirigia viravam-lhe a cara e o ignoravam, policiais inclusive, e a mulher acabou morrendo afogada na praia ...   

 

São essas pessoas que comem o lixo produzido pelos seres Humanos ditos normais, que se aproveitam dos restos das pessoas capitalizadas, da mesmíssima forma que os cães abandonados nas ruas que reviram o lixo para sobrevier e são mau tratados por isso.

 

Ambos inocentes sobre sua situação;


Ambos ignorados por nossas sociedades;

 

Ambos Inumanos.

 

Os medos e angústias das pessoas que vivem nas ruas marginalizadas não importam para as pessoas ditas normais, assim como as aflições dos bichinhos que vivem à sua própria sorte, muitas vezes, abandonados por um ser Humano.

 

Não é por acaso que quase toda pessoa em situação de rua tem perto de si um cãozinho abandonado como única companhia.

 

Comove-me perceber que nosso semelhante, que nós como sociedade abandonamos à própria sorte, encontra acalento, companheirismo e humanidade, justamente, no Inumano cãozinho, em suma, muitas vezes, um cão de rua demonstra mais humanidade do que os Humanos.

 

Eu já vi isso acontecer muitas vezes; o dito Humano agir como um animal e o Inumano agir com humanidade, onde começa um e termina o outro?

 

São conceitos que precisamos rever.

 

...  

 

Além dos indigentes, temos outros grupos de pessoas que foram considerados Inumanos em algum momento histórico e tratados como animais, com indiferença e crueldade, os surdos são um forte exemplo.

 

Em épocas passadas, não muito distantes da nossa, os surdos eram considerados seres primitivos semelhantes aos homens das cavernas e, por este motivo, dignos de experimentação científica.

 

Na Paris do século XIX eram comuns experimentos com surdos que causava-lhes feridas, inchaços e cicatrizes em torno das orelhas;

 

muitos iam à óbito nesses experimentos em nome de uma pseudociência, ninguém nunca foi responsabilizado por tais atrocidades, é bom lembrar que o fato da não vocalização dos surdos foi um fator preponderante para a animalização dos surdos.

 


O direito à experimentação do ser Humano ouvinte ao corpo do surdo se deu porque os surdos eram considerados “menos Humanos” que os ouvintes, eram entendidos como seres primitivos, a suposta soberania dos ouvintes frente aos não ouvintes reduzia a vida dos surdos a um objeto de manipulação científica que em muitos momentos, anulava a vontade própria do surdo e retirava-lhe o direito de escolha.

 

Argumentos semelhantes foram usados no tratamento de pessoas com problemas mentais nos procedimentos sub Humanos de séculos passados.

 

E não podemos deixar de citar as pessoas que eram anatomicamente defeituosas e, por esse motivo, viraram atrações de circo na Europa do século XIX, muitos casos ficaram famosos como Sarah Baartman, a mulher hotentote, um ser Humano como eu e você que foi desprovida de si e exibida em feiras da mesma forma que fazemos, até os dias de hoje,  com animais em zoológicos, em nome de uma suposta superioridade de quem se julgava “perfeito” frente a esta mulher. 

 


A própria ciência do início do século XX classificou como “monstruosidades humanas” vários seres Humanos que tinham algum tipo de deformação como gêmeas siamesas, anões, mulheres barbadas, homem elefante, mulher camelo entre outros seres Humanos que foram desprovidos de sua autonomia Humana em nome desta superioridade falsa.

 

Os negros no Brasil escravocrata, os homossexuais, pessoas que sofrem de doenças incuráveis, Hitler e seu Estado ariano, fascinado pela “raça Humana pura” que enxergava nos judeus, nas pessoas com deficiências, nos ciganos, nos estrangeiros, nos homossexuais entre outras categorias, seres “Inumanos”, indignos de vida, uma degenerescência da espécie;

 

todos rebaixados a categoria de “animais” em algum momento histórico e, em alguns casos, até os dias atuais, desprovidos de sua humanidade, os exemplos de seres Humanos Inumanos são inúmeros, nossa tecnologia pode até nos dar um falso verniz de uma suposta “evolução”, mas, a verdade é que estamos longe, muito longe de uma ética abrangente que considere o planeta nossa casa, que dividimos tanto com os animais quanto com outros seres Humanos diferentes de nós.

 

...

 

Enfim, o que vamos percebendo, já nos encaminhando para o final de nosso artigo de hoje, é que pensar uma relação hierarquizada com os entes da Natureza implica, necessariamente, uma relação antiética com nossos semelhantes.

 

O que vamos verificando, portanto, é que é problemático o valor deste autodeclarar Humano e, em nome desta identidade, comete atos completamente antiéticos e covardes contra aqueles que julgamos ser inferiores indignos de vida, podemos até começar com os animais que não produzem cultura nem linguagem e não vão reclamar nem se vingar, mas vamos paulatinamente passando dos animais não Humanos para os Humanos diferentes e tratando ambos, animais e Humanos, com extrema covardia e uma falta de empatia doentia.

 

É perigoso se considerar um ser Humano quando não se vê no espelho do planeta a semelhança animal que há entre nós e todos os habitantes deste planeta.

 


Por toda esta reflexão que fizemos até aqui vale a pena citar São Francisco de Assis que no século XII se relacionava com tudo que emanava vida e considerava como irmão tudo que era vivo.

 

Se considerar ser Humano racional falante inteligente justifica qualquer ato naqueles que não consideramos Humanos?

 


A modernidade e todas as mudanças ocorridas nesse período pioraram muito a relação ética com os outros seres do planeta e com os seres Humanos considerados, por alguma razão, Inumanos; 



em muitos momentos justifica-se qualquer tipo de atrocidade em nome de uma suposta superioridade Humana, destrói-se florestas inteiras, chacinam-se animais em nome de uma superioridade baseada na racionalidade.

 

 

Sobre aquele que não é Humano decide-se sobre a vida e a morte sem qualquer tipo de consideração e com vários requintes de crueldade, total discriminação contra aquilo que é considerado inferior na escala Humana de valores.

 

Na verdade, esquece o ser Humano que ele é um animal como aquele que ele despreza, somos habitantes de um planeta onde todos os indivíduos têm um papel primordial;

 

os resultados dessa nossa indiferença com os outros entes da Natureza estão aí para quem quiser ver e, se continuarmos nesta trajetória, destruiremos a todos;

 

Humanos e Inumanos.

 

Em um novo passo para uma humanidade melhor precisamos estabelecer uma ética que abranja todos os entes do planeta; Humanos, Bichos e Plantas, não dá mais para tratar seres magníficos e sencientes com tanto desprezo e crueldade, no final, toda esta maldade acaba por nos atingir também.
Animais não são "coisas", são nosso irmãos, somos todos filhos da Mãe Terra, nosso Lar.  


 

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E aí, gostaram do artigo desta semana ??

 

Este é um tema que acerta, em cheio, a minha sensibilidade, justamente porque sempre me saltou aos olhos a nossa completa indiferença com os animais e com a Natureza.


Nunca me pareceu certo o desprezo que temos pela vida dos animais que exploramos, tanto os que exploramos de forma mais direta e covarde como os animais que criamos para matar e comer, quanto os animais que deixamos sofrer bem embaixo de nossos narizes sem nada fazer, como os cães/gatos de rua e os equinos que sofrem em nossas cidades.

 

Mas, como vimos em nosso artigo de hoje, nossa indiferença e crueldade com estes entes sempre acaba por nos atingir;

 

Seja pela reação do planeta às nossas sandices, seja pela nossa projeção de nossa suposta superioridade frente as outras espécies que se estendem até nossos semelhantes, não tem jeito de tanta maldade, crueldade e indiferença não retornar para a fonte;

 

Há muito sangue inocente e urros de desespero em nossas mãos para podermos ignorar simplesmente.

 

Em minha “utopia particular” acalento um mundo onde se alimentar da morte de um ser ciente será considerado uma barbaridade, assim como foi um dia considerado escravizar um semelhante, mas tenho os pés no chão e sei que eu, pessoalmente, não verei estes dias chegarem, mas consigo vislumbrar uma nova consciência planetária que considere que até mesmo os animais que criamos para nossa alimentação devam ter dignidade.

 

Há quem pense que uma galinha ou um boi não tem nenhuma dignidade possível.

 

Nosso Código Civil Brasileiro em seu artigo 82 reflete bem este pensamento retrógrado, considerando os animais como seres semoventes, bens de propriedade e “coisas”. 


Definitivamente, animais não são coisas!

 

Eles sentem dor, alegria, sofrem o luto por quem amam, têm personalidades diferentes e mesmo aqueles animais que estão longe de nossa compreensão humana não podem ser classificados como coisas.

 

Uma volta em qualquer cidade, em qualquer parte do mundo vai nos revelar a nossa crueldade com os animais, as vezes, passamos por cães que sobrevivem com patas quebradas, doentes em sofrimento e não fazemos nada, cavalos torturados por carroceiros inescrupulosos, cães e gatos confinados em espaços pequenos, pássaros em gaiolas retirados da pouca Natureza que resta, a indiferença sempre vence a empatia.

 

E se engana quem pensa que toda esta indiferença não retorna;

 

Como vimos hoje, acabamos por tratar como animais alguns grupos de seres Humanos, isso ocorre porque não existe nós e eles, quem pode negar  que uma pessoa que é má com um animal não será má com uma pessoa e da mesma forma quem poderá negar que uma pessoa que se importa com a causa animal igualmente não se importe com qualquer injustiça humana?

 

A suposta superioridade humana não existe, nunca existiu.

 

Então, para terminar nossa reflexão de hoje, gostaria de citar uma frase de Aristóteles que, desde que ouvi pela primeira vez, nunca mais saiu de minha cabeça e que resume bem o espírito do que estamos tentando transmitir em nossa reflexão de hoje:

 

Tudo na Natureza, por mais insignificante que possa parecer é, por si só, uma pequena maravilha.

 

...

 

Semana que vem nos encontramos aqui novamente;

 

Até lá e cuidem se!!

 


 

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