O PAPEL ÉTICO/MORAL DA INTERNET NAS SOCIEDADES DIGITAIS
Olá Escritores
Preparados para o artigo desta semana?
Hoje vamos refletir sobre uma característica bem marcante de nossas sociedades atuais; o papel da Internet na composição de nossas sociedades, o nosso orgulho tecnológico e o peso existencial que tem esta entrega incondicional aos avanços tecnológicos.
Vale mesmo a pena entregar nossos destinos cegamente aos avanços tecnológicos, unicamente?
É a Internet a solução de todos os nosso dilemas éticos/morais?
Qual é o papel da Filosofia nesta "sociedade da informação" que está se formando nas últimas décadas?
...
Estes são os questionamentos centrais que guiam a nossa reflexão no artigo de hoje.
A Internet e a tecnologia nos trazem facilidades, isso é um fato incontestável, também é um fato evidente por si só que o futuro da humanidade passa, impreterivelmente, pelo avanço digital e este avanço vai balizar nossas questões éticas/morais daqui para frente.
Nestes termos, devemos pôr sob o julgo de uma crítica contundente toda a conjuntura que esta nova sociedade digital nos impõe, por isso, decidimos escrever este pequeno artigo que nos traz reflexões gerais sobre as implicações éticas/morais do advento desta nova sociedade digital que está se consolidando.
Esperamos que a nossa breve reflexão seja a faísca que lhe faça enxergar que a nossa evolução não deve ser desprovida de um olhar crítico, que considere todas as implicações de nossas ações no mundo.
Seguir na esteira da História, sem nenhum tipo de visão crítica, simplesmente aceitando tudo que é empurrado goela abaixo pelos conglomerados, nos leva a uma sociedade doentia, onde os indivíduos são igualmente doentes, apáticos e indiferentes, inclusive, ao seu próprio destino.
Por isso é bom ter você aqui conosco para debater melhor o que estamos fazendo de nossa vivência, em nome de um suposto "bem estar social/digital", esperamos que você tenha uma;
Boa Leitura e uma boa reflexão!!!
A INTERNET COMO UM PROBLEMA ÉTICO
A Internet é parte constituinte de todos nós, é praticamente impossível encontrar uma pessoa que não se utilize da Internet, direta ou indiretamente, somos todos usuários desta imensa rede, mas, você já parou para pensar o que é a Internet?
A Internet é um sistema global de redes de computadores que estão interligados e se utilizam de um conjunto próprio de protocolos com o intuito de servir progressivamente usuários do mundo inteiro.
As origens da Internet remontam à década de 1960, quando o exército americano encomendou uma rede de computadores que fosse robusta e a prova de falhas.
Para esse trabalho a equipe americana se aliou ao Reino Unido e a França, mas o resultado final não foi satisfatório, no entanto, foi esse o estudo que serviu de base para o projeto inicial do qual surgiu a Internet moderna em meados da década de 1980.
Durante a década de 1980 a Internet era amplamente usada pela academia e pelas forças armadas, na década de 1990 começou a sua comercialização e expansão para o público geral, com a sua popularização a Internet passou a incorporar todos os aspectos da vida moderna.
Todos os meios de comunicação tradicionais, o entretenimento, a cultura, o comércio entre outros, foram remodelados e redefinidos pela Internet, recentemente, estamos presenciando novas redefinições ocorridas pelo avanço da Internet 5G, que promete uma nova configuração para a TV, nos protocolos de Internet de televisão e nos novos protocolos de Internet de voz, entre outros novos protocolos.
A informação também se remodelou ao sabor da Internet; jornais, livros publicações impressas, artigos e a própria imprensa, estão todas adaptadas à Internet;
Enfim, a Internet possibilitou novas formas de interação humana através das mensagens instantâneas, fóruns de discussões, velocidade da circulação de informações e das redes sociais.
A Internet e a tecnologia nos trazem facilidades e informações, isso ninguém nega, mas, você já parou para pensar sobre o que estamos trocando em nome de toda essas facilidades e informações?
A nossa privacidade, ou melhor dizendo, a falta de nossa privacidade nos parece um tema irreversível, afinal, é difícil imaginar um mundo sem Internet, não é mesmo?
Em nosso mundo atual é a Internet que controla tudo; dinheiro, comunicação, entretenimento, comércio, informação ...
Absolutamente tudo!
Todas as instâncias da vida moderna passam, direta ou indiretamente, pela Internet.
Isso é bom ou ruim?
... 🤔
Aí está uma pergunta difícil de responder...
Mas é curioso pensar que a Internet é um sistema em aberto, sem um controle central e, mesmo assim, tem acesso a todas estas informações.
A Internet está em todos os lugares, mas não está em lugar nenhum.
A Primavera Árabe,aquela onda revolucionária de protestos que ocorreu em 2010 no Oriente Médio e no norte da África, é um bom exemplo de como nem mesmo governos autoritários e controladores podem conter, por completo, o poder de disseminação da Internet, afinal, foi com a ajuda da Internet que os grupos revolucionários conseguiram uma mobilização maciça e instantânea para seus protestos.
Aqui no Brasil também temos um exemplo claro do poder de mobilização da Internet, nos protestos de 2013 que vieram na esteira da Primavera Árabe, assim, nestes e em outros exemplos do poder de mobilização via Internet, vamos percebendo uma forte influência política da Internet no cotidiano das pessoas, será que a Internet pode ser considerada um novo meio para as expressões democráticas?
De fato, a Internet tem sido uma espécie de "ícone da liberdade" dado a sua abrangência e a sua falta de um controle central.
Os Estados totalitários demonstram preocupação por toda esta falta de controle e, não é incomum, os governos desses países controlarem como podem a circulação de palavras-chave, e-mails, redes sociais, entre outras formas de controle oficioso, em outros termos, governos bisbilhotam tudo que podem na vida dos cidadãos por meio da Internet.
Você deve se lembrar do embaraço do governo americano ao vazar a informação de que a Agência Nacional de Segurança (NSA- sigla em inglês) estava mantendo vigilância na troca de e-mails na gestão da então presidente Dilma Rousseff e, torna-se perspicaz perceber que, se eles fazem isso com uma Chefe de Estado, por qual motivo não fariam isso com um cidadão comum?
Em fato, nenhuma nação gosta da liberdade e do descontrole total da Internet, as redes proporcionam um agrupamento de pessoas que não se prendem a limites geográficos ou de tempo, em questão de poucas horas é possível mobilizar um número absurdo de pessoas, de várias localidades distantes entre si, ou seja, a Internet proporciona uma comunicação tão rápida e eficiente que pode ser considerada um "estado paralelo", fora do controle dos Estados convencionais.
Enquanto a Internet for livre sempre será uma ameaça para os Estados e suas Instituições, pois, a Internet é incontrolável.
No entanto, toda esta liberdade e descontrole estatal pode, a princípio, parecer uma coisa boa, mas esta conjuntura nos leva a vários dilemas éticos:
A Internet deve funcionar livre, se auto regulando, sem nenhum tipo de controle?
A informação na Internet pode seguir livre, sem nenhum tipo de "filtragem"?
As pessoas podem falar o que quiserem nas redes, em nome de uma suposta "liberdade de expressão"?
....
São questionamentos que nos fazem refletir...
A Internet, a despeito de toda as facilidades e avanços que nos proporciona, nos oferece um desafio descomunal em nosso futuro:
Equilibrar a liberdade na rede com o seu uso criminoso como uma justificativa para o seu controle.
Um fenômeno mundial que vem se aproveitando destas "zonas cinzentas" da nossa relação com a Internet é a extrema direita mundial - falamos da ascensão de grupos de extrema direita e seus estratagemas de ação em nosso Blog, nos artigos: A MANIPULAÇÃO DA MASSA e QUAL É O PREÇO DO NEGACIONISMO - este movimento mundial da ascensão da extrema direita mundial conseguiu tirar proveito do descontrole dos Estados sobre a Internet.
Foi justamente pela falta de legislação sobre a Internet, sua liberdade e desprendimento, que observamos a eleição de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil.
Ambos se elegeram utilizando a Internet e sua liberdade irrestrita, espalhando notícias notoriamente falsas, destruindo reputações, mobilizando manifestações de cunho fascistas e antidemocráticas e isso sem sofrer nenhum tipo de repressão; nem por parte dos governos - estes impotentes frente a situação - nem por parte dos gerenciadores das redes sociais que, em nome da liberdade da Internet, alegaram que não podem fazer nada.
Estes são exemplos, claros como a luz do sol, do que é possível acontecer em uma Internet sem nenhum tipo de controle; a eleição de líderes populistas que, se aproveitando do aparato democrático, atacam a Democracia por dentro, isso nos demonstra a importância da discussão sobre a liberdade irrestrita na Internet, aliás, para quem acompanha o debate sabe que existe uma discussão para uma responsabilização das redes sociais no que tange as chamadas "fake news", para que as aberrações que aconteceram nas eleições de 2018 não se repitam em 2022.
Algumas ações, no sentido de coibir certos abusos desta dita liberdade na Internet, foram tomadas, como o banimento de Trump do Twitter e a remoção de alguns vídeos do YouTube de Bolsonaro, mas são ações isoladas e pífias se consideramos o tamanho do problema e que não resolvem o dilema, são, quando muito, um "primeiro passo", um reconhecimento por parte da sociedade de que a Internet sem controle é problemática.
O que precisamos, e ainda não temos, é de uma "ética da Internet", um novo modo de usar a liberdade da rede que seja planetária, um grande acordo mundial do que pode-se ou não fazer na rede.
Mas, sinceramente, acredito que estamos muito longe dessa consciência coletiva, e o momento pede ações mais contundentes para que nós possamos aproveitar melhor os benefícios que a Internet nos traz evitando as complicações, que são muitas.
DOMÍNIO DIGITAL, VIGILÂNCIA A CADA CLIQUE.
Existem outras implicações de nossa dependência da Internet além dos problemas éticos que vimos há pouco, toda esta necessidade de tecnologia que sentimos nos faz ir perdendo, gradativamente, a nossa privacidade.
Qualquer um pode fazer uma pesquisa rápida na Internet e descobrir praticamente tudo da vida de uma pessoa, tendo em mãos apenas o nome de uma determinada pessoa.
Se nós, meros mortais, possuímos a nossa disposição este volume de informações é razoável pensar que donos de supermercados, de bancos, gerentes de grandes operadoras de celular, de sites de informação entre outros conglomerados, tendem a ter um volume imensamente maior de informações.
Isso sem falar em quem tem acesso à câmeras de vigilância, satélites, GPS's, Smartphones, identificadores biométricos e outras tecnologias das quais todos nós, invariavelmente, seremos usuários um dia.
O que vamos percebendo é que na chamada "sociedade digital", que vem se consolidando nas últimas décadas, troca-se, deliberadamente, a privacidade por mais e mais tecnologia.
Existe no senso comum uma certa "fé cega" na tecnologia e seus feitos, nesta "utopia" acredita-se que a tecnologia será para todos os seres humanos, que toda a raça humana será detetora dos "benefícios" que a suposta tecnologia nos trará, acredita-se até mesmo que o nosso desenvolvimento ético e moral está calcado no avanço tecnológico e, em nome deste sonho utópico, vale a pena abrir mão da privacidade.
Grosso modo, a privacidade é o conjunto de informações pessoais da qual somente o indivíduo tem acesso ou as pessoas que este indivíduo considera confiáveis, neste sentido, a privacidade se torna um problema quando informações pessoais são acessadas ou divulgadas sem o consentimento da parte.
Com o advento da Internet a fronteira entre o privado e o público ficou nebulosa, haja vista, muitas das informações pessoais sobre o individuo são colocadas, ou melhor dizendo, "postadas", por ele mesmo.
Vale a pena registrar que em 1964, quando a TV era a grande novidade tecnológica da época, o escritor americano Louis Kronenberger (1904 - 1980) já via no surgimento deste novo aparato tecnológico o "golpe final na privacidade".
Não deixa de ser um exercício de imaginação interessante pensar o que nos diria este pensador, dado tudo que se passou desde o surgimento da TV ...
Ainda não podemos ser tão radicais quanto ele e dizer que a privacidade tomou seu "golpe final", mas uma coisa é certa; as noções de privacidade na modernidade mudaram radicalmente.
A Internet mudou até mesmo as nossas relações interpessoais e hoje a privacidade deve ser considerada no âmbito da privacidade na era da sociedade digital, em outros termos, o que, em outras eras, seria considerado privado hoje em dia é público, ou seja, as tecnologias é que estariam redesenhando o que é um comportamento público/normal.
Falta, portanto, um limite fixo que seja delimitador do que é público e do que é privado.
É um fato notório perceber que as gerações mais novas, que têm um contato mais direto com toda esta tecnologia, a noção de privacidade é muito mais abrangente, para um adolescente, que usa as redes sociais de forma orgânica e natural, não será problema ter um desconhecido xeretando as suas publicações.
Em fato, a familiaridade e a aderência incondicional a estas novas tecnologias pelos indivíduos em sua vida cotidiana, está nos fazendo trocar a noção de privacidade pela noção de transparência, ou seja, quanto mais o indivíduo se expõe nas redes mais ele é considerado um "bom cidadão".
Outro fator que devemos considerar em nossa reflexão é a segurança, muito da questão da privacidade está atrelado a questão da segurança, é em nome da segurança que o Estado se apoia para restringir, cada vez mais, a liberdade dos cidadãos, com a instalação massiva de câmeras de segurança, agentes do Estado e vigilância cada vez mais incisiva.
Esta noção de perda de privacidade em nome de mais segurança, nos remete a uma noção negativa de privacidade, com uma sensação de vigilância constante.
Impossível não pensar na obra literária 1984, de George Orwel.
Pensando nisso, novas questões emergem:
Como se comportaria uma sociedade sob vigilância constante?
Como se comportaria os indivíduos em uma sociedade assim?
Este é o futuro que queremos para os nossos descendentes?
...
Mesmo com estes e tantos outros problemas e questionamentos acerca das "sociedades digitais" que estão se formando nas últimas décadas, o que observamos é que a inserção de novas tecnologias não encontram nenhum tipo de resistência de nossas sociedades.
Aceitamos qualquer tipo de nova tecnologia de controle com euforia e resignação.
Estamos cada vez mais dependentes da tecnologia, nos entregamos para as novas tecnologias sem refletir sobre as consequências de nossa entrega incondicional, em nome de uma suposta segurança vamos esmagando as individualidades e, em uma sociedade assim, caminhamos para uma sociedade cada vez mais "transparente", com informações pessoais circulando em escalas cada vez maiores, isso tudo com a permissão dos próprios usuários.
Neste contexto, é fulcral o papel da Filosofia em nosso futuro.
É dela a tarefa de uma reflexão mais crítica sobre a nossa trajetória ética/moral em uma sociedade que vem escolhendo o caminho da técnica em detrimento a qualquer consideração humanitarista.
A "privacidade" no contexto das "sociedade da era digital", ou também conhecida como "sociedade da informação" é um tema que tem em si mais questionamentos do que respostas e isso se dá porque tudo ainda é muito recente e está em pleno movimento histórico, além disso, devemos considerar as constantes mudanças teóricas que estes assuntos sofrem, por isso é preciso estar sempre revisitando este tema, acompanhar as discussões no mundo todo.
Para a Filosofia dos novos tempos, na chamada "era digital" este assunto deveria ser considerado um assunto-chave, de importância estratégica para que possamos avançar, como espécie, em mais este desafio do Grande Mistério Humano.
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E aí, gostaram do artigo desta semana??
Este é um dos mais importantes temas em nossa contemporaneidade, pois afeta a todos nós.
A Internet é um caminho sem volta para a humanidade e, como tudo que é humano, está situada muito além do fenomênico apenas, existem implicações éticas/morais/sociais em cada click que damos em nossos computadores, tablets e celulares.
No artigo de hoje procuramos trazer à tona apenas os aspectos gerais do debate, existe muita gente se debruçando no futuro das sociedades digitais e seus desdobramentos éticos/morais, afinal, a Internet é mais do que um implemento de um tipo de comunicação mais rápida e eficaz; trata-se de uma manifestação humana que vem mudando os paradigmas de nosso comportamento com o planeta e uns com os outros.
Tem muita coisa para pensar sobre este tema e, certamente, voltaremos a ele em breve.
Esperamos que vocês tenham gostado do artigo de hoje e esperamos encontrar vocês por aqui semana que vem;
Até lá e cuidem-se !!!







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