INFERNO - IMPRESSÕES
Pra você que ainda não conhece Dan Brown fique sabendo que este é um autor que coleciona lovers e haters na mesma intensidade;
e você, de qual lado vai ficar? Lover ou hater de Dan Brown?
Vamos descobrir?
Antes de mergulharmos nesta obra vale a pena te lembrar que estamos entrando em zona de !!!SPOILERS!!!, então se você não leu o livro volte mais tarde ou siga por sua conta e risco.
No mais, desejamos para você uma Boa Leitura e Divirta-se!!
6º livro de Dan Brown e 4º com o simbologista Robert Langdon, INFERNO segue a fórmula que consagrou Dan Brown; ritmo frenético, narrativa cinematográfica, mistura de fatos reais e lugares históricos com ficção (aí que se deve ter cuidado com Dan Brown) e, claro, um vilão engenhoso com um plano megalomaníaco e não podemos esquecer da mulher bonita e inteligente que vai auxiliar nosso herói em sua jornada.
Apesar de seguir uma fórmula já estabelecida de sucesso esse livro não é "mais do mesmo" e, apesar do autor usar elementos comuns a todos os seus livros, (pelo menos nos livros que têm o Robert Langdom), neste livro em particular ele consegue acrescentar à trama mistério e surpresa, que não deixa o leitor sem a dádiva do inesperado.
Antes de continuar, vamos dar uma
revisada rápida e sucinta na história.
Nossa história começa com Robert Langdom acordando em um hospital de Florença, na Itália, desorientado, sem memória e com um ferimento na cabeça.
Logo nas primeiras páginas ele conhece a doutora Sienna Brooks e o doutor Marconi, eles dão os primeiros atendimentos ao confuso Robert Langdom e informam para o mesmo que o ferimento em sua cabeça trata-se de um tiro que teria lhe acertado de raspão.
Repentinamente, entra no hospital uma mulher de cabelos espetados, chamada Vayentha que havia seguido os passos do professor e tem a intenção de matá-lo, ela atira, mas acaba acertando o médico que cai, já sem vida.
Sienna age rápido e guiando o combalido Langdom conseguem fugir em uma moto sob uma chuva de balas vinda tanto de Vayentha como do grupo para o qual ela trabalha, homens que se vestem de preto e usam equipamentos sofisticados.
Julgando que ninguém sabia quem ela era a Doutora Sienna leva Langdom para seu próprio apartamento, e lá Robert descobre que a doutora Sienna é na verdade muito mais do que somente inteligente, ela é uma superdotada, com um Q.I. de 280 (Isso é relevante para a construção da personagem) Robert também descobre que carregava consigo um recipiente incomum, um frasco hermeticamente fechado com uma trava biométrica e um símbolo de risco biológico.
Como ele não se lembrava de nada ficou relutante em tentar abrir o recipiente.
Ele liga para a embaixada americana pedindo ajuda, mas, ao invés de receber ajuda ele vê a mulher de cabelos espetados, em seu encalço mais uma vez e, mais uma vez, ele e a esperta doutora conseguem fugir, indo para a Cidade Velha.
Depois do ocorrido Robert decide abrir o recipiente e descobre um tubo ósseo com um projetor laser, abastecido a energia cinética que, quando agitado, projeta uma versão levemente modificada de um quadro de Sandro Botticelli chamado “Inferno” que, por sua vez, é inspirado na obra de Dante Alighieri; “A Divina Comédia” que é o pano de fundo de toda a história.
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| Aí está o quadro de Sandro Botticelli; Inferno. Fundamental para a trama de Dan Brown |
Depois de continuar a fugir, já que a esta altura toda a polícia esta a procura do professor e de sua amiga, eles conseguem dar uma paradinha para avaliar mais uma vez o estranho projetor e descobrem uma sequência de letras que, a princípio, não faz muito sentido;
10 letras que formam a palavra “CATROVACER”, com toda aquela astúcia peculiar Robert Langdom transforma as letras sem sentido na expressão “CERCA TROVA” as mesmas palavras na pintura “A Batalha do Marciano” do pintor Varsari.
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| A Batalha Do Marciano de Versari; no detalhe a palavra "CERCA TROVA" que Langdon achou com toda sua perspicácia. |
Com esta nova informação, a nossa dupla dinâmica consegue passar por toda a polícia e os agentes à sua procura e chegam ao Palazzo Vecchio para investigar a nova pista.
Devido a sua amnésia Robert não lembrava de que já estivera ali, naquele mesmo lugar na noite anterior junto com um antigo amigo chamado Ignazio Busoni, ambos estavam estudando uma máscara mortuária de Dante que Robert pede para ver novamente, e a diretora do museu Marta Alvarez, grávida, quase parindo, estanhou o comportamento do professor, mas, mesmo assim, presta toda ajuda para ele e a Doutora Sienna, que Robert apresentou como sua irmã.
Quando o grupo chega no expositor da máscara descobre que a mesma havia sido roubado.
Depois daquele choque inicial eles decidem verificar as câmeras de segurança e Robert Langdom vê a si mesmo e seu amigo roubando a máscara.
Em um primeiro impulso Marta manda prender Robert e a Doutora Sienna, mas depois de descobrir que o amigo de Robert, Ignázio havia sofrido um infarto e morrido Robert dá um novo jeito de escapar por passagens que só o nosso professor conhece, agora porém, existe uma profissional em seu encalço, a mulher de movimentos firmes e cabelo espetado, Vayentha.
Em uma perseguição sobre as colunas e vigas da capela Sistina Vayentha encontra a morte quando a Doutora a empurra para proteger o professor.
Depois disso Robert e Sienna concentram seus esforços e intelectos para encontrar a máscara mortuária seguindo uma série de enigmas que o amigo de Langdom deixou para que, somente ele, Langdom, encontrasse a máscara.
Depois de encontrarem a máscara e uma série de mensagens ocultas na própria máscara Robert e Sienna descobrem outra charada deixada por Bertrand Zobrist, mas, neste meio tempo, outro personagem aparece em cena Jonatthan Ferris ele tem uma série de ferimentos no rosto e no peito e diz ser da Organização Mundial da Saúde, ele ajuda a dupla a fugir de seus perseguidores.
As novas charadas os levam para Veneza onde Robert é capturado, Jonantham sofre uma parada cardíaca e Sienna consegue fugir.
Robert Langdom é levado para a doutora Elizabeth Sinskey diretora geral da OMS e finalmente descobre o que está acontecendo.
Bertrand, que havia cometido suicídio uma semana antes era um cientista radical preocupado com o problema da superpopulação, que, para resolver tal problema sugere o impensável:
Matar um terço da população terrestre.
Para conseguir que seus objetivos sejam alcançados ele desenvolve uma praga biológica.
Elizabeth, que havia violado o cofre de Bertrand, colocou as pistas do plano de Bertrand dentro de um cilindro lacrado costurou em um bolso secreto no paletó de Langdom e esperava que ele conseguisse desvendar as pistas a tempo, então, na verdade, os soldados que estavam perseguindo Langdom e sua parceira queriam apenas encontrá-los já que eles haviam perdido o contato com Langdom quando ele foi conversar com seu amigo Ignazio.
Bertrand contava com a ajuda de uma empresa especializada em dar cobertura a todo tipo de falcatrua, no livro chamado apenas de “Consórcio” esta empresa cuidou para que Bertrand ficasse isolado para desenvolver sua praga e também para que eles distribuíssem um vídeo perturbador que deveria ser entregue à imprensa um dia após a disseminação da praga.
Nessa altura do livro agente também descobre que a amnésia do professor foi induzida pelo Consórcio para que o professor ajudasse os mesmos a encontrar a praga sem questionamentos, portanto, tanto Sienna, quanto Vayentha quanto Jonathan e o médico que morreu lá no começo do livro (que era o próprio Jonathan) estavam em uma farsa muito bem armada para que o professor não desconfiasse de nada e continuasse ajudando.
O
Consórcio supostamente “mudou de lado” depois que eles descobriram que o plano
de seu cliente era a disseminação de uma praga biológica em larga escala, então
eles estavam, na verdade, tentando limpar uma tremenda sujeira.
Depois de ver o perturbador vídeo, e de juntar uma peça aqui outra ali, Robert descobre que a praga será disseminada em Istambul, embaixo da Santa Sofia onde Enrico Danolo está enterrado.
Sienna que estava desaparecida também junta as pecinhas e parte para lá, aí nós, os leitores, descobrimos que Sienna era, na verdade, um tipo de amante/aprendiz de Bertrand.
Um agente especial da OMS chamado Brüder e Robert Langdon descem a magnífica estrutura da Cisterna da Basílica e descobrem que Sienna já estava lá, e pior, também descobrem que o vírus já foi liberado há uma semana.
Agora
vamos às conclusões.
O vírus que havia sido liberado era, na verdade, um vírus vetor que infectou todos os humanos da face da terra modificando seus DNA’s e fazendo um terço da humanidade se tornar infértil aleatoriamente, desta forma, a humanidade é forçada a entrar em uma "Nova Era", pois, qualquer tentativa de reverter o vírus poderia provocar efeitos genéticos colaterais perigosos.
Sienna,
na verdade, estava lá para tentar parar o vírus e não para disseminá-lo como nós
somos induzidos a pensar.
O livro termina com a doutora Elizabeth e Sienna
indo para uma conferência do OMS discutir a nova realidade da humanidade e com
Robert Langdom voltando para casa depois de ir ao enterro de seu amigo Ignazio.
Ufa!!
Depois desse pequeno resumo, vamos agora para as nossas Impressões!!
Este é o 6º livro de Dan Brown e é o 4º que eu tenho a oportunidade de ler os outros que eu li foram:
O CÓDIGO DA VINCI;
PONTO DE IMPACTO;
O SÍMBOLO PERDIDO.
Excluindo PONTO DE IMPACTO, todos os outros são com o Professor Robert Langdom.
Esse livro segue a fórmula de sucesso que Dan Brown não abre mão:
Uma história mirabolante com vários plot twists, resolução de enigmas extremamente complexos em espaços curtos de tempo, uma parceira inteligente, ação cinematográfica, trama com vários elementos históricos entre outros recursos de linguagem, porém, o que para outra pessoa pode ser um perigoso reducionismo de idéias para Dan Brow não é.
Neste livro, especificamente, apesar de sua fórmula consagrada está lá, o livro consegue surpreender.
Existem várias reviravoltas na trama e isso não deixa a história cair na previsibilidade o que seria horrível para um livro com a proposta de suspense e aventura.
Como sempre, mistérios de proporções globais são resolvidos em questões de horas, além de distâncias enormes percorridas nessas mesmas horas.
Dessa vez não é a Igreja Católica (não diretamente), nem a Maçonaria o alvo do autor e sim o problema da superpopulação, por escrever sobre este tema Dan Brown enfrentou várias acusações absurdas.
Da mesma forma que ele enfrentou críticas e acusações quando escreveu sua obra mais conhecida; O CÓDIGO DA VINCI.
E será sempre assim qualquer que seja o tema que ele escolher.
É incrível que os críticos de Dan Brow sejam tão enérgicos em suas críticas quanto os fãs em seus elogios.
A energia é a mesma, só é uma oposta à outra.
Esse livro tem algumas particularidades em relação aos outros:
Primeiro, destacar a fortíssima campanha de marketing onde, a equipe de Brow realizou um esforço tremendo para que o livro fosse lançado simultaneamente em vários países.
Outro fato interessante foi que os tradutores foram isolados para que não deixar vazar nenhum detalhe da história antes do lançamento, isso não aconteceu nos outros livros e parece que vai ser uma tendência para os livros de Brown daqui para frente, ou seja, um livro com tratamento de cinema.
E já que eu toquei no assunto de cinema, Este livro tem uma versão cinematográfica, com Tom Hanks no papel de Robert Langdom e Felicity Jones no papel da Doutora Sienna, e com esse já é o 3º filme baseado na obra de Dan Brow os outros, para aqueles que não lembram, são: O CÓDIGO DA VINCI e ANJOS E DEMÔNIOS.
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| A versão cinematográfica de INFERNO. |
Voltando para o INFERNO;
para aqueles que pretendem ler este fantástico livro eu aconselho, em primeiro lugar, estar perto de um computador com um bom acesso á internet, porque vai ter muita informação que vai gerar curiosidade, algumas são tão surreais que você nem acredita que possa ser verdade, como é especificado no início do livro, os lugares e as obras são verdadeiras.
Para citar uma obra que eu duvidei por um instante que existisse foi a estátua de Hércules e Diomedes, mas é verdade, ela existe!
Várias vezes tive que interromper minha leitura para procurar uma informação na internet, e isso é fantástico!!
Aprende-se
muito lendo os livros de Dan Brown, mas, como eu sempre ressalto, é preciso muito discernimento
para poder separar o que é fato do que e ficção.
Parte do sucesso de Brown se deve ao fato dele escolher sempre um tema bem apimentado para escrever, dessa vez ele fala sobre o problema da superpopulação.
Para muita gente os problemas que nós enfrentamos hoje, como falta de alimento, superaquecimento, poluição, desmatamento, entre outros, são, em boa parte, por culpa da superpopulação.
Para falar de superpopulação
Dan Brown usa como pano de fundo a obra, também magnífica, "A Divina Comédia" de
Dante Alighieri, mas para ler INFERNO você não precisa ter lido A Divina Comédia, e nem outro dos livros de Dan Brown, este é um livro com começo meio e
fim, independente dos outros.
Apesar de, em termos gerais, eu ter gostado muito do livro, devo dizer que nem tudo são flores, também existem algumas críticas para serem feitas, nada que tire o brilho da obra, mas existem sim alguns pontos negativos, citarei alguns:
Com exceção de Robert Langdom e Sienna os outros personagens são rasos e mal desenvolvidos, alguns mais, outros menos, mas todos foram meio que negligenciados por Dan Brown que poderia ter caprichado mais na profundidade dos personagens coadjuvantes.
O agente Büder, por exemplo, tão importante na trama, quase nada sabemos sobre ele.
O “diretor” do Consórcio (esse é tão raso que não ganhou sequer um nome).
Ignácio Busoni ajuda Robert Langdom de forma intensa e crucial, paga com a própria vida e, mesmo assim, não ganha quase nenhuma profundidade, passando quase que desapercebido, isso sem falar em Vayentha que morre de uma forma muito estranha, e mais estranha ainda é a forma como ela perde a pista de Robert Langdom da primeira vez:
Com um “arrulho de pombos!!?”
Li este trecho várias vezes e acho que Dan Brown poderia ter criado uma forma melhor deste fato acontecer.
Essas são, porém, pequenas falhas que não apagam o brilho que esta obra tem.
No entanto, a crítica
especializada está bem mais ácida do que eu para avaliar a obra de Dan Brown, veja abaixo algumas resenhas que eu andei lendo na internet sobre o livro:
“Como estilista, Brown está cada vez melhor:
se antes ele era abismal, agora é apenas
muito ruim. Sua prosa, com todo o
detalhamento de marcas e a altura exata
de edifícios, é imprecisa.
Funciona para afastar o leitor da
história.
Isso importava menos nos romances
anteriores, mas com Inferno eu tenho a
impressão de que pela primeira vez
Brown está tentando escrever um livro
melhor, mais interessado no mundo real,
procurando escapar da prisão do
pleonasmo”.
Jake Kerridge, The
Telegraph
“Inferno é menos uma novela e mais um
rascunho de um filme de suspense.
Para ajudar leitores pouco sofisticados,
Brown escreve como um guia turístico,
sempre ansioso em contar a história dos
lugares e da obras de arte que aparecem
no meio do caminho”.
AN Wilson, Financial
Times
“Os primeiros trechos de Inferno parecem
tanto uma autoparódia que Brown
parece ter perdido a orientação – assim
como Langdon, que começa o livro na
cama de um hospital com uma amnésia
que quase arruína seu humor
pretensioso”.
Janet Maslin, New
York Times
“O novo livro é provavelmente o mais
próximo que Brown vai chegar de uma
versão de Se Beber, Não Case!”.
Brian Truitt, USA
Today
“A narrativa parece saída de um guia
Fodor’s, como quando Langdon faz uma
pausa no meio de uma fuga de vida ou
morte para lembrar a história de uma
ponte:
‘Hoje os vendedores são na maioria joalheiros, mas não era assim.
Originalmente, a ponte era um vasto
mercado ao ar livre, mas os açougueiros
foram banidos em 1593’.
É como tentar resolver um mistério
enquanto um daqueles fones de ouvido
com dicas de turismo ficam pendurados
no seu ouvido”.
Monica Hesse, Washington
Post
...
Este é Dan Brown ...
juntando fãs e críticos, ambos com
paixão.













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