NÃO OLHE PARA CIMA - IMPRESSÕES
Olá Escritores !!
Como foram as comemorações de fim de ano ?
Preparados para o artigo desta semana ??
Muito legal reencontrar vocês por aqui depois deste ano de 2021 tão conturbado, complexo e louco;
O ano de 2022 promete ser um ano de muitas acontecimentos, vamos ter eleições, Copa do Mundo, isso tudo com a pandemia e o nazifascismo ainda entre nós, muitos desafios nos aguardam sem dúvidas.
Foi difícil escolher um assunto para estrear o ano de 2022, mas, depois de muito ponderar, decidimos abordar um assunto que deu muito o que falar no final do ano passado e que não poderia passar em branco aqui em nosso espaço;
por isso resolvemos falar um pouco sobre uma obra cinematográfica que aborda com precisão cirúrgica o tempo de obscurantismo e negacionismo que se abate sobre nós nos últimos anos.
Hoje nosso artigo é uma breve reflexão sobre o filme NÃO OLHE PARA CIMA
vamos dividir com vocês as nossas IMPRESSÕES sobre este filme da Netflix em uma abordagem clara e objetiva.
Quantos paralelos podemos encontrar entre esta suposta obra de ficção e a nossa realidade?
muitos, sem dúvida!
O longa chamou a atenção de todo mundo e do mundo todo porque é uma sátira esculachada que representa com maestria a nossa realidade, assim as pessoas se veem no filme, percebendo a situação surreal em que nos encontramos todos.
O filme retrata a ascensão da extrema direita e a sua chegada ao poder, já chamamos a atenção desta extrema direita em diversos artigos aqui em nosso espaço.
Assim que nos percebemos no filme, como contemporâneos de toda esta loucura, achamos graça, mas o nosso riso é aquele riso de nervosismo por perceber que a situação absurda que é expressa na tela é a nossa situação real.
Este talvez tenha sido o maior crédito de Adam McKay, o diretor de Não Olhe Para Cima; nos convidar a olhar para um espelho que nos mostra que nossas escolhas estão nos fazendo trilhar um caminho negacionista e perigoso, afinal, estamos seguindo a passos largos para a nossa autodestruição se continuarmos na atual trajetória.
Muita gente, principalmente o pessoal da direita raivosa, não conseguiu entender a mensagem do filme.
Então, vamos analisar juntos este filme que faz história retratando a nossa absurda realidade.
...e só mais um aviso; daqui para frente, você está entrando em zonas de !!!SPOILERS!!!,então, daqui para frente é com você, no mais, esperamos que você tenha uma;
Boa Leitura!!!
A premissa da história de Não Olhe Para Cima (NOPC) é relativamente simples, usada à exaustão em obras hollywoodianas;
A história parte de 2 cientistas - Jennifer Lawrence como Kate Dibiasky e Leonardo DiCaprio Como o Dr Randall Mindy - que descobrem um corpo celeste que está em rota de colisão com o planeta o que vai gerar a destruição completa da vida no planeta como conhecemos;
Nada de novo no cinema, com certeza você já "viu esse filme" incontáveis vezes, não é mesmo? Em obras com Armagedom, Impacto Profundo, O Dia Depois de Amanhã, 2012 entre tantos outros;
Mas, diferente destes filmes que citamos há pouco, em NOPC ninguém acredita nos cientistas, nem a presidente dos EUA - Maryl Streep como Presidente Janie Orlean, impecável, como sempre - nem a imprensa - representada por Cate Blanchett como Brie Evantee e Tyler Perry como Jack Bremmer - e nem o público em geral, totalmente submerso em entretenimento barato, preocupados com a vida amorosa de uma celebridade - Ariana Grande como Riley Bina.
Mesmo que a ameça seja factível, com provas científicas e evidências ninguém, absolutamente ninguém, acredita nos cientistas que desacreditados resolvem começar uma peregrinação pela imprensa para que o público em geral tivesse conhecimento da tragédia que se aproximava.
O filme começou a ser concebido no final de 2019 e, a princípio, a sua abordagem se dirigia às questões ambientais que, mesmo com tantas evidências e do grito da comunidade científica, é sumariamente ignorado, tanto pelos governos quanto pelo público em geral;
Mas é óbvio que o filme acabou por encorporar muitos mais aspectos do que somente a questão ambiental.
É possível fazer paralelos com a pandemia, com a política, com o comportamento de nossas sociedades, com o negacionismo que tomou conta do debate público em praticamente todas as áreas e até mesmo com a nossa realidade brasileira, mesmo que o filme não tenha sido feito com esta intenção.
Muita gente viu na Presidente Janie Orlean e seu filho/assessor Jason Orlean - Jonah Hill, em um trabalho ótimo - as figuras de Jair Bolsonaro e seu filho/assessor Carlos Bolsonaro;
A postura negacionista da presidente com a cabeça sempre nas próximas eleições, fazendo uso político de tudo e as interferências de seu filho/assessor, que mais parece uma criança de 10 anos, são algumas das características que fizeram as pessoas verem a família Bolsonaro no longa NOPC.
O filme causou estardalhaço e discussões, principalmente nos debates da internet, porque vimos uma situação absurda e surreal e nos reconhecemos nela, foi uma situação de metalinguagem elevada à máxima potência, onde, percebemos que que a ficção, por mais absurda que possa parecer, é real e fazemos parte dela.
Somos nós que estamos mergulhados em negacionismo e ataques à ciência.
Há muito tempo estamos falando aqui em nosso espaço que nossos valores estão deturpados; as coisas que nossas sociedades acreditam ser valorosas são na verdade engôdos que nos iludem e nos desviam de uma existência autêntica;
e é justamente esta realidade enviesada que o longa vem demonstrar com muita sátira e um certo esculacho.
A ascensão da extrema direita no mundo aliada à nossa indiferença crescente, o descrédito em nossas instituições, na política, o individualismo, a falta de um senso comunitário, nada disso passou desapercebido por Adam Mckay e nós falamos sobre tudo isso em diversos artigos aqui no Blog.
O filme vem abordar o resultado de toda este caldeirão que vem se formando nos últimos anos, por isso a situação absurda do filme onde, nem mesmo o fato de um cometa estar em rota de colisão coma Terra, faz as pessoas acreditarem na comunidade científica e por falar em "comunidade científica" o filme também faz críticas à ela;
perceba o comportamento do Randall Mindy o personagem de DiCaprio, a princípio totalmente engajado com a causa de transmitir para a população o perigo eminente, se mostra inseguro, sem firmeza e, na sequência, acaba por se deixar levar pelo glamour da imprensa e pelo fato de ter se tornado uma celebridade, logo se desvirtua de sua missão inicial, sem dúvida um recado para a comunidade científica que nunca teve uma penetração no público leigo.
A ciência sempre foi feita unicamente para seus pares, além disso, como podemos perceber na crítica embutia na personagem de Leonardo DiCaprio, a ciência é completamente suscetível aos conglomerados mercadológicos e, por si só, não consegue se desvencilhar dos interesses mercadológicos, isso fica muito claro com o Dr Mindy e seu comportamento tímido e subserviente.
Com esta nuance o que Mckay parece querer nos dizer é que não existe uma ciência "pura", depurada de fatores sociais e mercadológicos a ciência, assim como os Estados e a sociedade de forma geral, são reféns de conglomerados financeiros, em fato, são eles que mandam em tudo.
Isso também fica evidente na participação de Peter Isherwell - Mark Rylance - o milionário empreendedor, da qual a presidente dos EUA simplesmente não consegue ignorar, dado a quantidade de dinheiro que ele investe no governo.
A solução encontrada para debelar o cometa que vem em direção à Terra é entregar a gestão do problema nas mãos da iniciativa privada que detêm uma crença popular de possuir uma "eficiência em estado puro", ou seja, não importa o tamanho do problema, nem que seja um cometa vindo bater na Terra, basta entregar nossos destinos para a gerência da iniciativa privada que tudo será resolvido.
Esta fé cega que temos na iniciativa privada e a interferência desses conglomerados na vida pública, interferindo inclusive nas políticas públicas, é mais um paralelo que o filme faz com a nossa realidade de hoje, o milionário da ficção representa um "elon Musk" da vida real, aquela parcela de 1% da população que detém 90% da riqueza e com a sua fortuna tem poder de deliberação em governos do mundo todo, inclusive em uma das economias mais poderosa do planeta, os EUA.
A crítica às nossas sociedades digitais ou, como estamos chamando aqui no Blog, as sociedades das multitelas, também não faltou no longa;
quando a personagem de Jennifer Lawrence a Doutora Kate Dibiasky, tenta alertar a comunidade sobre o destino fatal da humanidade, além de não ser levada a sério, ela acaba virando memes e sofre com a destruição de sua reputação por meio da internet.
Destruição de reputações por meio de disseminação em massa de falsas informações sobre determinada pessoa, soa familiar para você?
...
Justamente em nossa época regida pela tecnologia, onde, seria muito fácil espalhar a verdade para todos, o que temos é a banalização dos meios de comunicação que não servem para nada além de entretenimento barato e a disseminação indiscriminada de mentiras e desinformação, está tudo lá em NOPC.
Enfim, o longa NOPC é um verdadeiro "documento", um filme com um time perfeito; o filme certo na hora certa! O registro de uma época que vai servir para que possamos mostrar para as gerações futuras que a nossa época foi uma era de fatos inacreditáveis, onde, mesmo cercados de avanços tecnológicos, não fomos capazes de perceber a mais evidente verdade, mesmo que esta verdade fosse um cometa em rota de colisão com a nossa existência, não fomos capazes, sequer, de olhar para cima.
| A comédia esculachada de Adam Mckay é um retrato fiel de nossas sociedades atuais; incapazes de olhar para verdade, mesmo que ela fosse um cometa em rota de colisão com o planeta. |
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E aí Gostaram do artigo desta semana ??
Muito interessante a abordagem usada pelo diretor Adam Mckay para expressar a nossa sociedade atual.
Qualquer pessoa, com um mínimo de sensibilidade crítica, vai se reconhecer como membro desta sociedade pintada no filme; tecnológica e doentia.
E, existem muitos outros paralelos que poderíamos traçar sobre esta obra que ficaram de fora de nosso artigo.
Enfim, é o cinema mostrando o seu poder crítico, nos fazendo refletir sobre a nossa própria condição como a sociedade problemática que somos.
Se você ainda não assistiu não perca tempo! Vale muito a pena fazer esta reflexão.
No mais, esperamos encontrar vocês aqui semana que vem e o ano todo;
Até lá e cuidem-se !!







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