LUZ DA LUA, SONHOS SEM VIDA ...
Olá Escritores !!
Prontos para o artigo desta semana ??
Hoje, vamos receber um Escritor Convidado para mergulharmos fundo na alma de um poeta como poucos.
Roberto Montemor é estudante de filosofia e um sofredor nato, como todo bom poeta precisa ser;
Seus poemas destrincham a existência expondo todo o pus e catarro do existir humano, deixando de lado todas as ilusões sobre as quais insistimos em nos apoiar para evitar a pulsanimidade da vida.
É preciso deixar claro que os escritos de Montemor são terreno pantanoso;
Sem máscaras de persona, somos jogados na existência nua e crua onde muitos sucumbem.
mergulhar no mundo de Montemor é enxergar a vida em branco preto e salpicos de vermelho;
aos que têm coragem, está feito o convite para a experimentar a existência de um existente que, assim como nós, ri e chora sem fazer uso de nenhum subterfúgio para viver e, deliberadamente, veste-se apenas da carne crua, sentindo na pele os ventos frios do existir;
Quantos de nós podem dizer que vivem uma vida intensa assim?
E para que você mergulhe neste mundo terrivelmente real trouxemos 2 poemas de Montemor:
O primeiro, o poema que dá o título para nosso artigo, LUZ DA LUA, SONHOS SEM VIDA ... - LUMIÉRE DE LA LUNE (Rêves Sans Vie ...), um retrato forte e violento do Eu que se dá conta de que está só na vida e se revolta contra isso gritando aos quatro cantos da terra toda a sua insignificância, não tão insignificante assim ...
E o segundo NADA - NIHIL - trata do Eu lírico apaixonado e consciente do amor não correspondido, aquele amor que é o tudo e o nada, concomitantemente.
Ambos os poemas tratam de facetas do existir humano, situações das quais nos identificamos, pelas quais passamos em determinados momentos de nossas vidas, a angústia do existir, por assim dizer.
Então, vamos mergulhar na existência fria e real deste poeta visceral para tomarmos ciência do mar de lama em que estamos todos os viventes, pois, só é capaz de amar com intensidade quem sofre com intensidade;
Boa leitura e aventure-se !!
Luz da Lua, Sonhos Sem Vida ...
LUMIÉRE DE LA LUNE
(Rêves sans vie...)
Nessa noite de choro, conto com a mágoa,
Pra regar com tristeza
A cruel e aberta cicatriz:
Eu sou o sonho que ninguém sonhou,
A presença que ninguém notou,
A tarde romântica que ninguém viveu feliz;
Eu sou o homem que se rasteja contra o vento,
Amargando o momento
Em que tudo é sofreguidão;
Eu sou o guizo que ninguém tiniu,
A porta que ninguém abriu,
O verso de ouro que ninguém guardou no coração;
Se tenho as asas quebradas pela triste sina,
É porque venho da lama,
E para a lama hei de voltar,
Pois sou o drama que ninguém quer saber,
Sou a honesta vontade de morrer,
Eu sou a saudade que ninguém pranteará;
Eu sou a singularidade de uma noite imperfeita,
Singularmente só na tempestade e no estio, Sem fé, sem brio;
por onde andas querubim?
Longe da harpa e das torres que buscam à Deus,
Nenhuma nota contente toca em mim;
Eu sou o afeto onde ninguém floriu, o riso bobo que ninguém sorriu.
O poema sentido que ninguém declamará;
Eu também sou o beijo que ninguém sorveu,
Perfume no ar que ninguém absorveu,
E a falta de incentivo pra sonhar...
Eu sou a metástase que alastra mil tumores,
Também sou o poeta num jardim sem flores,
E a solidão maldita que se acampa
Atroz e oculta numa multidão de amores...
Eu sou o claro da lua nos outeiros,
Que não iluminou a fronte entristecida,
Eu sou a carência no bilhete suicida,
Que ninguém contará na dor profunda;
E assim, serei no fim, a carne podre
Que as varejeiras comerão na terra imunda!
...
Roberto Montemor
Nada
NIHIL
Na desgraça estampada em meu rosto
Canta o desgosto uma tragédia enfim,
Exceto neste poema que faço pra você,
E no amor que você faz pulsar em mim;
E toda aquela vontade de potência
Hoje é decadência, abandono e gim,
Exceto neste poema que faço pra você,
E no amor que você faz pulsar em mim;
Me sinto sujo, magoado e bêbado,
Completamente isolado, eu ando assim;
Exceto neste poema que faço pra você,
E no amor que você faz pulsar em mim;
E o suicídio da esperança é o estopim,
Exceto neste poema que faço pra você,
E no amor que você faz pulsar em mim;
Meu charme apodreceu, eu canto pra morte,
Me sinto um lixo humano, e isso é tão ruim,
Exceto neste poema que faço pra você,
E no amor que você faz pulsar em mim;
No entanto, sou fingidor e marginal,
E até debocho do câncer no meu rim,
Inclusive neste poema que faço pra ninguém,
E no amor que já não pulsa em mim ...
...
Roberto Montemor
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E aí gostaram do artigo desta semana ??
Montemor tem ou não tem um estilo bem visceral de fazer poesia?
A poesia de Montemor é um tapa, bem dado, na cara dos iludidos, a brusca constatação do absurdo de viver.
Suas palavras se destinam àqueles que encaram a vida sem esquecer do breve dom que ela é.
Você pode ler mais alguns poemas do Montemor, é só clicar aí:
clique aqui para ler mais poemas de Montemor
Esperamos que você tenha tido experiências marcantes em nosso sarau de hoje;
semana que vem nos encontramos aqui novamente.
Até lá e cuidem-se !











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muito bons!!
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