PALAVRAS AO VENTO

 Olá Escritores !


Preparados para o artigo desta semana ?


Hoje, com muito orgulho, recebemos nossa primeira Escritora convidada !!


Karoline Simoura é filósofa formada pela UFES, sua linha de pesquisa é em Walter Benjamim; 

Karol tem por interesse temas ligados ao existencialismo, psicologia, filosofia da mente, aos quais se dedica fora suas pesquisas oficiais, Karol também é uma excelente escritora, como vocês vão conferir em breve.


Neste ensaio Karol divide conosco uma reflexão muito pessoal e profunda sobre a LINGUAGEM, chamando nossa atenção para a PALAVRA, sua ambiguidade, sua influência tanto para o bem quanto para o mal, suas dificuldades, sua necessidade ou não ...  


A linguagem é um daqueles temas que, naturalmente, surge em nossa curiosidade, todos nós, em algum momento da vida, já pensamos sobre a linguagem;


Tenho certeza que este já foi tema de debates acalorados de muitos de nossos leitores/escritores, acertamos?  


e isso é muito natural, afinal, se existe uma coisa que nos define como humanos que somos é a linguagem;


principalmente a palavra; 


é a palavra que dá a nossa liga social, nos uni como espécie, nos conecta com os nossos semelhantes e até com os nossos inimigos, nos expressamos pela palavra, pensamos pela palavra, enfim, ela está em tudo que é humano.


Não é de hoje que ouvimos aquela velha máxima:


- As palavras têm poder  

  

e é por isso que a linguagem é tema recorrente na história da filosofia, e você pode encontrar várias abordagens, vários pontos de vista sobre a linguagem e sobre o poder das palavras;


inclusive o seu !


Então, vamos ver o que a Karol tem a nos dizer sobre a linguagem e sobre as palavras nesse belíssimo ensaio:


 PALAVRAS AO VENTO.


Boa Leitura !!!












 

 
A medida que o ser humano cresce e desenvolve cada dia a sua capacidade de falar, de utilizar palavras através da boca, que ecoam um timbre que passa por nossas cordas vocais e assim, letra por letra, juntas e de uma só vez, formam uma palavra, que tem o poder de causar uma transformação em torno do agente que a disse, independentemente de seu conceito ou de sua colocação. 


É admirável o contexto histórico da evolução das palavras e da linguagem...


reconhecer que existem mais de 1 milhão de palavras formadas espalhadas pelo mundo, a fim de expor uma emoção, dor, angústia, sentimento, vontade ou desejo, é extremamente surpreendente, porque é uma quantidade talvez incalculável de belos sons em timbres aleatórios, como um enorme musical que tenta mostrar ao público a beleza que há no expressionismo cantado ou contado.


Entretanto, é também através da palavra que variados fenômenos negativos e degenerativos estão, constantemente e simultaneamente, acontecendo no planeta como guerras, mercado ilegal, aproveitamento da integridade física do outro, por não saber falar palavras para se defender ou degradação da Natureza. 


Percebe-se, com esses dois lados da balança, que não é em todas as circunstâncias que a existência da Palavra é a solução para causar a transformação demandada pela ocasião presente. 


Nota-se também que a própria Palavra pode ser “a chama no estopim da bomba”, se a pessoa falar em momentos inapropriados com Palavras inoportunas, a consequência de sua proposição poderá gerar uma reação agradável ou desagradável naquele que escuta, por motivo de interpretação equivocada ou opinião divergente. 


Não tenho dados científicos para fundamentar aqui o que escrevo, tampouco queria estar escrevendo aqui essas Palavras, elas apenas expressam meu pensamento, que ronda meu consciente e fica indo e vindo pelo meu subconsciente trazendo lembranças, aromas, sons, vozes, contato físico e a velocidade da batida do meu coração, para não esquecer que estou viva. 


A junção da captação dos dados da realidade pelos nossos sentidos, geram em nossa estrutura cerebral muitos tipos de sensações, impressões, verdades e mentiras, e todas essas estruturas estão a todo momento trafegando em nossa consciência, subconsciência e inconsciência, mas principalmente, nos momentos em que estamos ativos, acordados, essas informações captadas durante toda a sua vida, incluindo este exato momento, estão sendo processados e revelados apenas para o próprio sujeito, que pertence a esses acontecimentos. 


E cabe somente a este sujeito, decidir o que fazer ou não-fazer com todas essas informações ativas em suas percepções. 


Eu particularmente, acabo sempre optando em fazer dessas informações Palavras. 


Não Palavras “cantadas”, eu escrevo.


As Palavras que são ditas, raramente correspondem exatamente com o que a consciência da pessoa está querendo dizer, pois não há como expressar perfeitamente o que se fala no pensamento. 


A linguagem dita é muito complexa, pois está o tempo todo em ambiguidade e disponível para mais de um sentido, sabendo que, cada adjetivo possui no mínimo dois significados e cada um deles possui minimamente mais dois significados. 


Como saber a qual desses significados a pessoa está referindo? 


Posso interpretar, em qualquer um destes, o que melhor convir com a minha vontade de interesse na interpretação, posso encontrar a ambiguidade na Palavra que escutei, posso me equivocar na interpretação e posso me enfurecer com o que escutei, assim como também posso me iludir.


Por causa da Palavra, algumas pessoas esqueceram algo muito importante para nossa existência, o sentir


A ação de utilizar os sentidos prioritariamente, é muito mais útil ao ser humano do que o abuso das Palavras. 


Por exemplo, um animal ou uma árvore não precisam falar “estou com fome” ou “estou morrendo”, eles simplesmente aceitam o fato e lidam com isso da melhor forma que seu sentido orientar, e a consequência final é apenas um resultado do processo degradante do tempo, que é incontrolável. 


As Palavras ou a ausência delas, não mudam o destino da Natureza, mas mudam o destino do ser humano.  


Eu vejo, eu sinto, eu ouço e eu penso em tudo que o universo dispõe à minha acessibilidade de percepção, e faço desse acesso, um portal para a aproximação ao outro. 


Sem Palavras; 


apenas os sentidos exercendo sua função no universo, em silêncio, apenas vivendo e registrando cada milissegundo que se passa, assim você degusta o tempo, degusta o som, as pessoas e os olhares, você se torna eles e eles se tornam você. 


Não há ambiguidade, não há como interpretar de forma equivocada, porque é isso!


Quando o ser humano perceber e sentir que as Palavras são inúteis diante de gestos de amor consigo mesmo, a ponto de refletir no outro, ficará mudo. 


Saberá falar, mas não vai querer, não vai precisar, apenas o olhar bastará. 


O contato físico acolherá e a audição apreciará o silêncio do vácuo de um universo diante do outro, com efeito, o sujeito saberia melhor de si, das suas dores e das suas necessidades e entenderia que o outro, também é assim. 


Pois, a realidade é mútua e simultânea, infinita e não para, está o tempo todo acontecendo e nossa estrutura cerebral no comando registra tudo, para te falar que a existência está acontecendo; 


e você tem que agir mais e oprimir menos, sentir mais e falar menos, para conseguir se conectar com o outro e contribuir para a ascensão de um planeta harmônico.


Se eu quisesse falar, mais de 1 milhão de palavras soltaria pelas minhas cordas vocais para expressar a ira, a angústia, a ansiedade, os traumas, os arrependimentos, os por quês. 


Há também Palavras boas que expressam minhas alegrias, paixões, prazeres, emoções, carinhos e sensualidade. 


Porém, eu sinto, que não cabe a mim cantar tudo isso para o universo, ele já sabe o que eu sinto, pois ele está em mim, ele sou eu, eu sou ele, somos Um. 


Pego todas esses adjetivos e estados de ânimo e escrevo para nunca esquecer, aqui elas não são substituídas por outras lembranças. 


Das coisas que eu sei, das coisas que eu sinto, apenas posso escrever o que eu vivo, somente as leis do universo conseguem explicar. 


Daí eu digo, falar para quê? 


Para quem? 


Melhor deixar para meu inconsciente e subconsciente decidirem o que fazer com todas essas informações, enquanto eu apenas existo, sentindo que, como diria Sartre; 


- a existência precede a essência.


...


Ps: 


infelizmente nesse Estado físico em que existo não é possível sobreviver sem ecoar as malditas Palavras, por isso é extremamente importante aprender e não esquecer o filtro chamado subconsciente, antes de dizer qualquer Palavra, para expressar qualquer sentimento, a ausência dele pode gerar uma sequência de acontecimentos, que podem ser aleatoriamente positivos ou negativos. 


Então, tenhamos cuidado ao selecionar uma Palavra para utilizar em uma proposição ou até mesmo sozinha.

 




Karoline Simoura, a nossa primeira escritora convidada, dividiu conosco uma profunda reflexão sobre a linguagem. 




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E aí, curtiram o artigo desta semana ?? 


Muito legal as reflexões da Karol, não é mesmo?  


A linguagem é realmente um assunto fascinante e instigador;


certamente nos aprofundaremos nesse tema mais cedo ou mais tarde.


E você, gostou das reflexões da Karol?


Você pode conhecer mais dela lá no Instagram:


@krolols


E faça como a Karol, vem dizer o que você pensa, afinal, somos todos escritores, não é mesmo?



Até a semana que vem e cuidem-se !!!



  



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