DO QUE FALO? DO QUE CALO?


 Olá Escritores !!

 

Esperamos que a semana de vocês tenha sido de muitas páginas cheias! 

 

Esta semana, ainda influenciados pelo belíssimo ensaio da Karol PALAVRAS AO VENTO, falando sobre a LINGUAGEM em nosso último encontro, vamos continuar na temática da linguagem.

 

Dessa vez, com uma singela homenagem a todos os Leitores/Escritores, pessoas que, assim como nós, gostam do mundo das palavras escritas.

 

Então, estejam todos convocados !!!

 

Devoradores de livros, escritores de diário, produtores de conteúdo, editores, escritores, estudantes, curiosos e sonhadores...

 

E respondam:

 

O que é escrever para você?

 

Para nós é ...


...

 

Boa Leitura e Divirtam-se  !!!

 

 




 

 



O que é escrever ?? 

 

Em mim, um parto da palavra.

 

Momento difícil de dor e alegria onde me rendo ao monstro que em mim habita;

 

Sobre este monstro pouco sei, ele debocha de mim, como se eu nada fosse, está sempre irrompendo, querendo sair; 

 

talvez eu seja para ele uma ponte para o mundo. 

 

Usuário do meu ser, este monstro ri descaradamente e me lança à escrita dele, eu nada posso fazer, apenas deixar que me tome. 

 

A branca página vai ganhando vida... 

 

Se falo ou se calo é por intermédio dele. 

 

Diligente, curvo-me ao seu clamor. 

 

Inexplicavelmente, o papel vai se encarnando de mim, mas quem fala afinal, sou eu ou o monstro? 

 

...

 

As palavras sempre buscam um escritor, um autor...

 

Converso diariamente com outros pobres-diabos, habitados por monstros; 

 

Eles me dizem coisas como "a fonte" "o monte", "o mar"  e dizem;

 

- Deixa-me fonte, eu fui nascida no monte... não me leves para o mar.

 

Mas eu não consegui tirar a fonte nem o monte do papel inerte, foi só quando me deixei ver com os olhos do monstro pude afinal compreender de que fonte e de que monte falava. 

 

Com meus novos olhos desvencilhei-me do conceito puro e pude contemplar a fonte e o monte de que falava o pobre existente Carvalho.

 

Aí percebi que a fonte e o monte de que falava não era uma fonte nem era um monte e ora me vi na fonte, ora me vi no monte, penetrei embasbacado no reino da gramática; 

 

numa manhã quente de primavera nasceu um sol brilhante e forte dentro de mim, forte o suficiente para derreter os conceitos congelados na palavra;

 

Enfim, encontrei a chave da gramática e perdi minha autonomia, o monstro assumiu de vez!!

 

Neste momento de êxtase colorido o discurso nasceu, vindo não sei d'onde.

 

Hoje habito um castelo com torres de sílabas e paredes de palavras.

 

Tudo isso em silêncio...

 

Pois, o silêncio fala nesta fala que fala além de mim.

 

Eu não sou responsável pelo silêncio do leitor que me olha de soslaio; 

 

esse que cuide de seus monstros também. 

 

Liberte-os, alimente-os, incite-os. 

 

O breu do café ou a efervescência dos destilados podem ajudar;

 

meu texto não.

 

Meu texto não tem norte para o leitor se achar;

 

Não há conforto nem calmaria;

 

O que há são serpentes de comunicar, serpentes venenosas, diga-se de passagem.

 

Do que falo ?

 

Do que calo ?

 

Habilita-se a descobrir ou vai continuar me olhando de soslaio?  

 

...

 

FIM (?) 

nunca é o fim realmente....

 

 




 

 

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E aí , curtiram o artigo desta semana ?


Desta vez falou o poeta que há em cada um de nós;


Deixe falar o seu também!


Ainda temos algo pra acrescentar sobre o texto que você acabou de ler:


A fonte e o monte, tão referenciados no texto acima, fazem alusão ao belíssimo poema de Vicente Augusto de Carvalho A Flor e A Fonte, este poema é facilmente encontrado em uma pesquisa na internet.


Se você gosta de poesia vale a pena se aventurar neste lindo poema.


Sua intimidade com nossa reflexão se dá no sentido de que o autor fala de si não propriamente falando de si, é preciso o leitor encontrar o autor na obra, mascarado por inúmeras figuras de linguagem, é preciso compreender o sentido do texto “tocando” o autor, camuflado em um de seus mil e um disfarces.


Na poesia a palavra não está congelada no conceito, o que expande o horizonte da interpretação.   

 

Poetize-se ...


Espero que sua leitura tenha sido, no mínimo, instigante.

 

Semana que vem tem mais!

 

Até lá e cuidem-se!!!  

 

 

 


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