O MACHISMO QUE NOS HABITA

 Olá Escritores!


Preparados para o artigo desta semana??


Hoje estamos iniciando uma série muito especial abordando a SEXUALIDADE HUMANA em diferentes prismas.


Serão 4 textos abordando temas relacionados com a sexualidade humana, hoje, vamos iniciar nossa jornada com um texto que visa chamar a atenção para o machismo estrutural em nossa sociedade.


Mesmo que encontremos pessoas que neguem esta realidade, a fria isonomia dos dados nos mostra que o Brasil é um dos países onde acontece o maior número de feminicídios no mundo; 


isso sem contar as agressões, a representatividade feminina nas esferas públicas e privadas, diferenças de salários mesmo realizando as mesmas funções e no cotidiano de nossas cidades, onde, são normalizada ações e palavras que sempre colocam a mulher em posição de subserviência em relação ao homem.


São todas manifestações de uma sociedade que é machista no seu DNA, mesmo que muitos de nossos membros optem por uma "atitude de avestruz" relativizando situações de machismo ou mesmo menosprezando a luta feminina por reconhecimento de direitos.


Dada esta realidade de machismo estrutural, vamos refletir melhor sobre o papel do homem neste contexto, tudo isso no texto de hoje.


...


Semana que vem, no dia 17/09, continuando nossa jornada pela sexualidade humana e seus mistérios, vamos voltar nossos olhos para os motivos que nos fazem ter dificuldade em abordar com naturalidade o sexo


Mesmo sendo uma instância natural da vivência humana o sexo é um dos assuntos mais tabu dos vários tabus que temos em nossas sociedades e, no artigo em questão, vamos tentar descobrir o porquê do sexo, sendo um ato tão natural para todos nós, ter se tornado um tabu em nossa vivência social.


...


Na sequência, lá  no dia 24/09, vamos continuar nossas reflexões sexuais, com um ensaio que visa desconstruir certos preconceitos que algumas pessoas carregam por conta de suas escolhas e pelo simples fato de ser mulher.


Neste ensaio, vamos pensar melhor sobre o preconceito e a admiração velada que as prostitutas exercem pelo seu estilo de vida; 


preconceito e admiração que vem de homens e mulheres, de jovens e adultos, de devassos e puritanos, das mais variadas camadas da sociedade, em uma das mais misteriosas e antigas ocupações da humanidade.


...


No dia 01/10 sai nosso último artigo da série refletindo sobre outra manifestação da nossa sexualidade humana, igualmente cercada de tabus, preconceitos e desinformação; 


a homossexualidade


Vamos pensar sobre a marca negativa que se manifesta por meio do preconceito irracional que, em pleno século XXI, somos obrigados a lidar; 


preconceito este que vem se fortalecendo,  principalmente, neste período obscuro de nazifascismo que estamos atravessando e que podemos chamar de "nova Idade-Mádia"; 


Afinal, a homossexualidade tem uma causa?


A heteronormatividade é um fato natural que devemos seguir ou algo imposto culturalmente?



É sobre isso que vamos nos aprofundar no último artigo da série, nos valendo das reflexões de Michel Foucault para nos auxiliar em um tema tão complexo, programado para sair no próximo dia 01/10.


...



Ainda sobre o texto de hoje é de bom tom ressaltar alguns pontos antes de adentrarmos fundo no tema de hoje;


Primeiramente, deixar muito claro que se trata de um homem falando de assuntos femininos o que, para algumas pessoas pode ser um problema, motivo até de agressão. 


É muito importante deixar estabelecido que a prioridade do discurso sobre assuntos femininos é das mulheres, afinal, são elas que sofrem na pele os efeitos de viver em uma sociedade de cunho patriarcal/machista como a nossa.


Não obstante, seria um erro gravíssimo isolar a luta feminina às mulheres unicamente, mesmo que a prioridade do discurso seja delas, a luta contra o machismo é de todos nós.


E isso se dá porque os efeitos do machismo atingem a todos nós; homens, mulheres, crianças, todos nós. 


Homens machistas, preconceituosos e violentos, são um efeito direto do machismo nos homens, afinal, é o machismo e suas ideias retrógradas que impede qualquer tipo de manifestação de sensibilidade nos meninos, desde muito cedo, forçando o homem a agir sempre com truculência, se provando como "macho" o tempo todo.


As mulheres também são vítimas do ideário machista e, muitas vezes, repetem o discurso machista, oprimem e agridem outras mulheres e tomam o lado do opressor nas demandas femininas, isso porque elas também são atingidas pelo machismo estrutural que pulsa em nossas sociedades, elas também são convencidas de que o papel da mulher em nossa sociedade é sempre um papel coadjuvante, como a "sombra" de um homem.


É importante fazer estes pontuamentos em uma era onde tudo está radicalizado demais e aqui aproveito para fazer uma crítica à Esquerda que também tem uma ala que está muito radicalizada e pouco se difere da extrema direita que vem ameaçando nossa democracia.


As pautas identitárias da Esquerda, cujo a importância ninguém nega, muitas vezes, exageram em seus posicionamentos e com isso se isolam em grupos dentro de grupos dos quais os "de fora" não podem sequer opinar.


Assim observamos uma Esquerda fracionada em diversos subgrupos identitários dos quais só podem opinar os que possuem "lugar de fala", ou seja, só os negros podem falar de questões do racismo, preconceito, violência policial, etc; 


só as mulheres podem falar de questões de machismo, aborto, violência etc; 


só os gays podem falar sobre preconceito, intolerância, violência e assim por diante...


Será que essa é realmente a solução para que possamos integrar, de fato, as minorias e suas demandas autênticas para uma sociedade plural ou, esta é uma atitude que mais divide do que agrega?


Fica no ar esta reflexão para as Esquerdas.


Mas é muito bom olhar em volta e perceber o que este tipo de imposição pode trazer como resultado. 


Em nosso vizinho, o Chile, houve um plebiscito para a aprovação de uma nova constituição que substituiria a antiga, que foi redigida nos governos ditatoriais de Pinochet e foi reformada várias vezes no decorrer dos anos.


A nova constituição foi elaborada por legisladores independentes e progressistas, com foco nos direitos sociais e no meio ambiente, foi estabelecida um "Estado Plurinacional" , ou seja, uma nação formada por 11 povos e nações diferentes que devem ter reconhecida a sua identidade, obrigando o Estado chileno a implementar todas estas mudanças de acordo com a nova constituição. 


Há outras demandas abrangidas pela nova constituição chilena sobre aborto, aposentadoria, sistema de saúde, todos de cunho progressistas de viés esquerdista que, de certa forma, "forçam" uma aceitação de pautas pela população por meio da constituição, uma ideia que é importante, mas que deveria ter sido melhor debatida e não imposta.


Como resultado, o povo chileno acabou por rejeitar a nova constituição e, sendo assim, segue a velha carta magna do país,  retrógrada e da época da ditadura de Pinochet.


Ou seja, por uma imposição da esquerda acabou-se por perder uma grande oportunidade de avanço progressista para a região.


Esta é uma lição para a Esquerda latina e suas pautas identitárias que, insisto, têm a sua importância inquestionável, mas devem se atentar melhor para os métodos que vem sendo usado.


Afinal, se nos propomos a viver em um mundo onde cada um de nós possa viver a sua sexualidade, sua opção política, sua religião em paz, devemos começar por nós mesmos e praticar a tolerância com os diferentes.


É sempre bom lembrar que o Bolsonaro provavelmente vai passar, depois do dia 2 de outubro, quando será varrido do poder pelas urnas, mas o bolsonarismo vai permanecer entre nós por muitos anos, teremos que lidar com nossos amigos e parentes que não conseguem perceber que o ideário defendido por Bolsonaro não é algo que esteja dentro de um escopo civilizacional aceitável, que tudo que ele representa é atraso, preconceito e adoração da morte. 


Estas pessoas continuarão entre nós mesmo depois que Bolsonaro passar e teremos que encontrar formas de lidar com essas pessoas, em outros termos, teremos que tolerar o diferente. 


Por isso, decidimos entrar em assuntos dos quais não temos lugar de fala, mas que nos incomodam profundamente e dos quais podemos sentir, por meio de um simples exercício de empatia, que nosso irmão e irmã sofre em sua pele, podemos nos colocar no lugar de quem sofre e lutar contra a covardia. 


o racismo, machismo, homofobia e tantos outras falhas do caráter humano são assuntos que interessam a todos nós, na busca pela sociedade que todos nós queremos. 


A luta é nossa!!


Dito isso, esperamos que você tenha uma boa leitura e uma boa reflexão!   





 

Tudo que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser colocado sob suspeita, pois eles são, a um tempo, juiz e parte.

Poulain De La Barre



 

Eu me sinto compelido a escrever sobre assuntos espinhentos, sobre valores muito bem estruturados, sobre tabus que a sociedade evita; 


gostaria de falar sobre a condição da mulher em nossas sociedades, sua condição de mito, sua condição de objetificação, sua sexualidade, sua realidade concreta, mas antes de adentramos nestas searas espinhentas convém esclarecer algumas coisas; 


inicialmente, sou homem, e como tal me reservo ao meu lugar de fala; 


por ser homem, nunca sofri um episódio de machismo na pele, por ser homem, sempre veio a mim os privilégios de gênero, por ser homem, não tenho minha sexualidade sob vigilância, meu corpo sob julgamento e controle, minhas opiniões cerceadas, minha capacidade intelectual posta em dúvida ou medo de ser estuprado em esquinas, de sair sozinho. 


Mas o fato de ser homem não me impediu de perceber que os tratamentos não são iguais. 


Mesmo que exista uma narrativa que sugira que “todos somos iguais” pelo simples fato de sermos humanos, narrativa que veio se firmando no decorrer histórico e se consolidou com os desdobramentos da Revolução Francesa (1789-1799) que imprimiu no mundo democrático a marca da igualdade entre os humanos, ou seja, em teoria, todos os seres humanos seriam detentores de direitos inalienáveis, direitos fundamentais  garantidos na forma da lei. 


Os Direitos Humanos nasce neste período, no entanto, a reveria de toda esta atmosfera democrática que supõe uma igualdade entre as pessoas grita uma realidade concreta ao fato que já não se pode ignorar: 


Os humanos não são todos iguais!  


No discurso somos uma sociedade igualitária, na facticidade do dia a dia somos uma sociedade seccionada em vários níveis: 


negros, ex-presidiários, pessoas em situação de rua, estrangeiros (refugiados), usuários de drogas...  


São inúmeros os cortes que poderíamos realizar em nossas sociedades “igualitárias”, seres humanos que são tratados de forma indigna, que têm seus direitos sistematicamente violados, muitas vezes pelo Estado, não obstante, eu gostaria de chamar a atenção para uma situação em particular, esta se faz notar por sua peculiaridade singular; 


a situação da mulher! 


A singularidade da situação da mulher se dá por uma característica bem específica;


 diferente de outras situações onde as relações são construídas por um lastro histórico/social, a questão do machismo nasce por um elemento biológico na aurora de nossas civilizações, dirá Simone de Beauvior:



- O laço que a une a seus opressores não é comparável a nenhum outro. 


A divisão dos sexos é, com efeito, um dado biológico e não um momento da história humana.


Encontramos, de fato, muitas semelhanças na situação dos negros e das mulheres; 


em ambos os casos poderia ter-se um pouco de paz ao curvar-se às vontades do opressor onde este disser ser o seu lugar na sociedade; 


se se for um “bom negro”, resignado, servil, submisso. 


Assim como a mulher que terá seu lugar reconhecido quando for uma “mulher de verdade”; pueril, tola, obediente e sensual. 


Em todas as situações análogas teremos um senhor, que dita às regras da conduta dos indivíduos e uma sociedade estruturando os comportamentos, consolidando os privilégios de certas castas. 


Mas, mesmo em situações tão similares como a do negro e a da mulher, verificamos que a situação feminina é particular e única, pois ela não é um ser humano autônomo (sujeito), rebaixado à categoria de um sub-humano, como é o caso do escravo, ela é sequer considerada um sujeito, sua autonomia é colocada em xeque pelo simples fato de ser mulher, ela se define e escolhe em um mundo de valores estritamente masculinos, mesmo sendo um sujeito autônomo como ele. 


Ela tem sua liberdade cerceada pelo homem que lhe impõem os valores. 


Sua condição é de inferioridade perante o homem, sua situação concreta lhe oferece possibilidades menores diante da realidade concreta do homem. 


O drama feminino é este de requerer a liberdade que todo sujeito autônomo requer de forma natural, inata e ontológica em um mundo que reprime suas demandas. 


Em fato, o homem não consegue enxergar na mulher “um igual”; 


ora a rebaixa a categoria de um objeto, de uma coisa, ora, a exalta como uma deusa, uma musa, ambas as formas não passam de subterfúgios que só servem ao propósito de negar a igualdade da mulher. 


Em um mundo de valores masculinos e patriarcais, como o nosso, não foi difícil brotar um reducionismo biológico para justificar a suposta inferioridade feminina, afinal, existem alguns fatos biológicos inegáveis, como demonstra Simone de Beauvoir: 


- a mulher é mais fraca do que o homem; tem menos força muscular, menos glóbulos vermelhos, menos capacidade respiratória, corre menos depressa, ergue pesos menos pesados, não há quase nenhum esporte em que possa competir com ele, não pode enfrentar o macho na luta. 


O monismo biológico é apenas um dos vários monismos que alicerçam as mentiras machistas construídas na jornada humana, estas mentiras tentam justificar a suposta superioridade masculina, Ancorados nestes fatos biológicos construiu-se uma parte considerável do machismo usado em demasia, inclusive, nos dias atuais. 


Na visão enviesada destes teóricos não se enxerga homem/mulher, mas sim macho/fêmea, a Natureza justificaria por si só a condição delegada à mulher/fêmea, o próprio termo “fêmea” é pejorativo, designa fraqueza e servidão enquanto ”macho” indica virilidade e liberdade, nesta visão a fêmea nada mais é do que um receptáculo; 


ovários e útero a serviço da espécie humana e nada mais. 


Presos a estes fatos biológicos os defensores destas justificativas desconsideram por completo a condição humana


problemas humanos só podem ser pensados dentro de uma perspectiva humana, ignorar isso é ignorar a cultura assim como o lastro histórico. 


O ser humano é um ser de significação, um ser de de valores. 


Dentro de uma realidade humana a força física está subordinada a uma significação, assim sendo, a suposta superioridade física, tão cara aos antifeministas, cai por terra quando, posta dentro de um contexto humano; 


onde há leis, onde o costume impede a violência, as diferenças físicas se anulam. 


Insistir em um reducionismo biológico para justificar uma suposta superioridade entre os sexos e de um anacronismo crônico, pois pretende balizar os comportamentos desconsiderando que a Natureza, para o ser humano, é retomada na ação, em outros termos, o ser humano age na natureza, produz cultura e, consequentemente, valora e não apenas sofre a ação da Natureza passivamente como os outros seres viventes. 


Há de se considerar, sem dúvida, o biológico, mas unicamente como ponto de partida, jamais como fator preponderante para uma condição de um sujeito, em outros termos, o monismo biológico não encerra a condição real da mulher.

 


Existe outro monismo, dos muitos, que tentam encerrar a condição da mulher em parâmetros duvidosos; 


o monismo psicanalítico. 


É natural no ser humano se alienar nas coisas, pois uma vida é uma relação com o mundo, é “fugir de si mesmo”, da dureza da vida, do absurdo do existir, esta “fuga” cria uma visão de mundo tanto no indivíduo quanto na coletividade (sociedade), cada cultura trabalha na construção dos sujeitos este movimento cria uma significação simbólica, um horizonte filosófico que calca a visão do individuo e o faz transitar do particular para o universal e vice versa, é aí que o sujeito transcende; 


as antigas civilizações se alienavam no totem, no mito, os medievais se alienavam em Deus, na Igreja, os modernos se alienam no Ego, no Eu, na Alma. 


O homem se aliena no falo como objeto de transcendência (a fase narcisista do freudismo) daí a psicanálise considerar a mulher um ser “castrado” e frustrado por isso, como se houvesse certa inveja das mulheres pela Natureza não ter lhes proporcionado um membro carnal. 


O que toda esta teoria ignora é que se a mulher conseguisse se enxergar como um sujeito autônomo, como o homem, inventaria para si um equivalente para o falo. 


Obviamente que não estamos desconsiderando as contribuições da psicanálise, muitas relevantes, mas repudiamos o método psicanalítico que visa entender a libido feminina por meio da libido masculina, ou seja, concebe-se uma “libido passiva” que é reativa a uma sexualidade superior e ativa, supostamente masculina. 


Freud até considerou a sexualidade feminina tão evoluída quanto a do homem, no entanto, não a estudou em si mesma, preferiu conceber a libido como uma força viril de essência masculinizada e desconsiderou por completo a sexualidade feminina no que ela é em si. 


Devemos evitar tanto o monismo biológico quanto psicanalítico como qualquer outro tipo de pensamento que não considera a mulher autônoma, pensamentos totalizadores como os que citamos acima são ineficazes para encerrar a Mulher Concreta


As mulheres nunca opuseram valores femininos aos valores masculinos, a sexualidade feminina foi encarcerada nas várias figuras femininas projetadas nelas pelos homens: 


a Mãe, a Amante, a Deusa, a Natureza, a Musa... 


Todas as figuras masculinas que não refletem o que é ser mulher. 


As mulheres de hoje buscam o direito de serem reconhecidas como existentes, ao mesmo nível dos homens, de serem reconhecidas como iguais, afinal somos ambos presas da espécie, homens e mulheres, e não unicamente a mulher, como pretende o machismo nos convencer.


...


Nos encaminhando para  final de nossas reflexões de hoje gostaria de me dirigir especificamente aos homens, pois, somos nós que devemos nos aperceber de nossos "privilégios", reconhecer o verdadeiro estado das coisas. 


Somos machistas! 


Em primeiro lugar porque somos homens e, assim sendo, temos privilégios de homens, em seguida porque vivemos numa sociedade machista, com valores patriarcais tão profundamente arraigados que é praticamente impossível não ser atravessados por eles, obviamente, as mulheres também são atingidas pelo machismo – ora sofrendo o machismo, ora tendo atitudes machistas – afinal, elas também vivem numa sociedade machista, mas a experienciação machista não é a mesma para o homem e para a mulher, o homem não sofre o machismo na pele e, além disso, o sistema de privilégios que acompanha toda esta estrutura faz do homem um agente direto do machismo. 


Portanto, o lugar de fala do homem na discussão segue alguns pontos crucias:


primeiramente, uma ação sincera de perspectivismo ou seja, reconhecer o real estado das coisas e se reconhecer machista, em maior ou menor grau; 


Reconhecendo este machismo internalizado devemos reconhecer também nossa situação social, que somos uma sociedade patriarcal, inibidora da sexualidade feminina, opressora, violenta, desigual e cerceadora da individualidade feminina.


Em seguida, não replicar atitudes machistas, policiar-se, criticar-se e, por último e não menos importante, falar sobre machismo e seus efeitos nefastos para os seus pares, ou seja, para outros homens, repreender atos machistas efetuados por outros homens, em suma, negar o privilégio de gênero, se posicionar no debate. 


Ficar neutro em um episódio de machismo, mesmo que aparentemente inofensivo como uma piada machista, por exemplo, é se aproveitar do privilégio ao qual nos referíamos acima, é se aproveitar da estrutura do machismo, é ser machista também!


Lutar contra o machismo não vai apenas libertar nossas amigas, mães, filhas, irmãs, tias, colegas e todas as mulheres que fazem parte da nossa vida e que merecem ter sua individualidade respeitada e a sua sexualidade vivida sem amarras sociais, vai também nos fazer uma sociedade melhor, mais humana, mais igualitária mais justa para todos e todas. 


Se pretendermos sermos homens melhores devemos encarar como um projeto de vida produzir gerações futuras livres destes pensamentos anacrônicos que supõem que certos humanos são melhores do que outros, sabemos que não é tarefa fácil combater um inimigo tão arraigado em nosso ethos masculino, mas não devemos nunca deixar de combater o machismo que nos habita.


Devemos lutar por uma sociedade realmente justa para todos e todas, extirpando de vez o machismo que está encrustado em nossas sociedades. 
Essa luta é de todos nós e o papel do homem é de negar seu privilégio e trazer para luz nossos irmãos que estão chafundados neste pensamento anacrônico.
 



>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>


E aí, gostaram do artigo desta semana ?


Este é um tema importantíssimo dado uma característica bem marcante de nossas sociedades, o machismo.


É de suma importância discutir sobre esta chaga de nossas sociedades, que mata tantas mulheres, dia após dia. 


Importante também esclarecer do que se trata o "privilégio" de ser homem, uma das muitas estruturas do machismo que geram muitas dúvidas em nós homens. 


Tenho certeza que todos nós queremos viver em um mundo onde todas as mulheres sejam respeitadas como iguais, com os mesmos direitos e deveres de todos, afinal, todos nós temos mães, irmãs amigas enfim , mulheres especiais em nossas vidas e queremos que todas elas sejam respeitadas. 


O machismo está profundamente arraigado em nossas sociedades e não será uma tarefa fácil extirpar este mal de nossos irmãos e irmãs.


A informação passa a ser uma arma poderosa na luta contra esta chaga, entender o papel do homem nesta conjuntura também é providencial, reprimir brincadeiras que já não cabem mais nas sociedades que estamos almejando é um excelente começo, não usufruir do privilégio, tomar posicionamentos com aqueles que amamos, mas que estão imersos nesta cultura machista.


Informação no lugar da violência, esta é a chave, em alguns casos, o rigor da Lei.


Uma coisa é certa:


Machismo não dá mais!


No texto que você acabou de ler usamos como principal referência o livro O SEGUNDO SEXO: FATOS E MITOS de Simone de Beauvoir, muito esclarecedor sobre a condição real da mulher nas sociedades ocidentais, indico para todos e todas. 


...


Por fim, vamos nos despedindo neste primeiro texto que abre nossa série sobre sexualidade humana, esperamos encontrar vocês por aqui semana que vem.


Até lá e cuidem-se 


 

Comentários

VEJA NOSSO TOP 10!! AS 10 POSTAGENS MAIS VISITADAS DE NOSSO ESPAÇO!!