1984 - IMPRESSÕES


Olá Escritores !!


Preparados para o artigo desta semana ??


Hoje, mais um artigo da série IMPRESSÕES, onde nós dividimos com vocês os nosso sentimentos sobre grandes obras da literatura mundial;


Nós simplesmente não conseguimos passar por um livro como este sem falar nada! 

Este foi um dos livros mais marcantes que lemos, com uma trama que, com certeza, não tem nada de um "final feliz" e, infelizmente, tem menos de ficção do que nós gostaríamos de constatar ... 
 
Então, sem mais delongas, sente-se e vamos tomar este gim amargo!!


E se você ainda não leu esta obra tome cuidado!!! 

Você está entrando em uma zona de !!!SPOILERS !!!


Boa Leitura!! 





Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário


Esta não foi uma jornada fácil, no entanto, mesmo com esta experiência recendendo a gim amargo posso afirmar que esta obra nos remete a reflexões profundas sobre nós mesmos, como indivíduos e como sociedade.


Este é um livro sobre a desumanização do ser humano.


O mundo de 1984 é frio e cruel, não existem mais liberdades individuais, ele ocorre em uma época pós-guerra onde o planeta está dividido em três grandes blocos; 


Oceania, que corresponde as Américas, sul da África e Austrália; 


Eurásia, que corresponde a toda a Europa e norte da Rússia; 


Lestásia, que abrange uma grande parte da China, norte da Índia indo até os limites da Arábia Saudita com o Iraque. 


Além destas divisas estabelecidas, existem áreas em disputa permanente que corresponde à parte central da África, Península arábica norte da Índia além de toda a região no entorno das Filipinas. 


Estes três blocos estão em constante guerra.


Veja o mapa abaixo:





Na obra de Orwell a guerra é um instrumento para a manutenção da economia, além de exercer um controle sobre população.


A sociedade é divida em três classes sociais; 


a classe alta, constituída pelo Grande Irmão e Partido Interno, corresponde a 2% da população; 


a classe média, constituída por membros/funcionários do  Partido, também chamados de Partido Externo, são equivalente a 13% da população (esta é a classe de nosso protagonista Winston); 


e os Proletas, a classe popular do romance, são 85% da população.


O Estado em 1984 está presente em todas as instâncias da vida dos cidadãos, até mesmo na vida privada, em qualquer direção que se olhe existem cartazes do “Grande Irmão” sempre acompanhados dos dizeres “o Grande Irmão está te observando” reforçando a ideia de que não existe lugar onde este Estado deturpado não esteja observando todos os passos, de todas as pessoas, além disso, existem as “Teletelas” um equipamento de comunicação bidirecional, ou seja, serve para ver e ser visto. 


As Teletelas estão presentes em todos os lugares públicos e privados, em todas as residências, vigiando de perto todos os cidadãos, observando expressões faciais, palavras, gestos, 24 horas por dia, inclusive, observando as pessoas enquanto dormem, já que não é permitido aos cidadãos desligarem o equipamento. 


Outro meio de vigilância do partido são as crianças, é assustador o comportamento das crianças no romance de Orwell, incentivadas desde cedo a serem os olhos e ouvidos do partido, eles agem como vigias implacáveis e não hesitam em entregar nas mãos do Ministério do Amor até mesmo os pais ou amigos que julgarem serem traidores do Partido.


Alguns indivíduos praticam um crime chamado "crimideia", que é o simples ato de pensar, ou dizer algo que vá de encontro com a ideologia do Partido (e o Partido tem os meios para descobrir isso), estas pessoas são levadas pela Polícia das Ideias para o Ministério do Amor onde, ou se dobam ao Partido, ou simplesmente desaparecem, tudo relacionado a estas pessoas some e a pessoa deixa de existir, e partir daí ela é uma “impessoa”.


Neste mundo caótico acompanhamos a rotina de Winston Smith, o protagonista do romance. 


Winston é funcionário do Ministério da Verdade, um órgão do Partido responsável por notícias, entretenimento, educação e belas artes, além do Ministério da Verdade também havia o Ministério da Paz, que era responsável pela guerra, o Ministério do Amor ao qual cabia manter a lei e a ordem, além das torturas e o Ministério da Pujança responsável pelas finanças. 


O trabalho de Winston era de reescrever a história, um fato poderia ser verdadeiro ou falso dependendo da conveniência do Partido o que não era mais considerado verdadeiro era colocado no “buraco do esquecimento”, e partir daí, não existia mais.


Winston é uma pessoa angustiada com o mundo onde vive, mesmo tendo nascido neste mundo doentio ele pressente que algo está errado, e tem que tomar cuidado com suas emoções porque as Teletelas, microfones, as crianças e todas as pessoas são delatores em potencial. 


Mesmo nestas condições de total falta de liberdade e individualidade as dúvidas, anseios e angustias, que Winston carregava consigo, o fazem, quase que impulsivamente, escrever um diário, sua primeira frase no caderno foi:


 “liberdade é poder escrever que dois mais dois são quatro”


O ato de expressar qualquer tipo de emoção como, por exemplo, escrever um diário, no mundo de Orwell, é praticamente um suicídio. 


No entanto, as coisas começam a mudar mesmo quando ele conhece Júlia (Orwell não se preocupou em dar um sobrenome para ela) uma troca de olhares entre os dois, durante os “dois minutos de ódio”, a propósito, os dois minutos e ódio vale a pena ser melhor explicado:


Sexo na sociedade de 1984 era proibido para os membros do Partido, exceto para procriação. 


Uma forma de extravasar a energia sexual das pessoas era canalizar esta energia para o ódio. 


Um constante clima de guerra era alimentado com bombas caindo várias vezes por dia, mantendo assim um constante estado de guerra e tensão. 


Além disso, pelo menos duas vezes em um dia, (a quantidade dependia das circunstâncias) as Teletelas espalhadas por toda a cidade estampavam a face de Emmanuel Goldstein, as pessoas vociferavam nos dois minutos de ódio, todos paravam o que estivessem fazendo e gritavam, xingavam e amaldiçoavam a figura de Goldstein, este era, segundo o Partido, o inimigo do Estado. 


Em um passado desconhecido Goldstein fora membro de alto escalão do Partido, mas depois de uma suposta traição agora era considerado o oposto do que o Grande Irmão representava, durante os dois minutos de ódio, enquanto a figura de Goldstein era exposta, a multidão vociferava, cuspia, grunhia e amaldiçoava  a imagem nas Teletelas, depois de dois minutos a imagem de Goldstein era substituída pela figura do Grande Irmão e todos se calavam,  faziam reverências resignadas e submissas de respeito, temor e admiração.


 Assim era os “dois minutos de ódio”.


Em um desses momentos de ódio, Júlia e Winston trocam olhares, mas a paranoia era tamanha que Winston acreditou que Júlia fosse da Polícia das Ideias e tentou evitá-la de várias formas.


A grande maioria da população, os chamados Proletas viviam em subúrbios e eram negligenciados pelo Partido, porém existia uma divisão inteira do Ministério da Verdade, chamada de Departamento de Documentação que cuidava de suprir os Proletas com todo o tipo de distração; 


ali eram produzidos jornais, populares contendo apenas esporte, crimes e astrologia. Romances sem a menor qualidade, curtos e sensacionalistas. 


Filmes com cenas e mais cenas de sexo e canções sentimentalistas compostas de forma mecânica (qualquer semelhança com o que nós vemos hoje em dia não é mera coincidência) o sexo entre eles não era proibido ao contrário era estimulado assim esta classe estava sempre distraída e subjugada.


Winston nutre uma admiração velada pelos Proletas, em sua concepção, se existe alguma esperança neste mundo caótico, ela está na classe proletariada. Winston tem o costume de andar pelos subúrbios e visitar lojas na esperança de encontrar algumas pistas sobre o verdadeiro  
passado, em uma dessas voltas ele acaba encontrando um bazar com alguns objetos de antes da guerra e acaba fazendo amizade com o dono do bazar, um senhor de idade que pode, através de seu testemunho, dar algumas informações sobre o passado  de antes da guerra, respostas que Winston tanto anseiam.


De tudo que eu contei até agora podemos dizer que estamos na parte branda do livro, daqui por diante a coisa só piora. Pegue seu copo de gim amargo e vamos continuar;


No bazar que citei a pouco, Winston e Júlia fazem um espécie de “ninho de amor” onde eles marcam encontros periódicos, cercados de cuidados e com o consentimento do dono do bazar. 


Da janela de seu pequeno ninho de amor Winston observa uma mulher gorda que está sempre lidando com um varal e cantando sem parar, este é um elemento simbólico na trama, esta mulher representa para Winston o poder da classe proletariada, o canto da mulher reforça, no coração de Winston, a força da classe proletariada.


Em uma das vezes que Winston e Júlia estão lá, ele não ouve o canto da mulher, neste mesmo dia ambos são surpreendidos pela Polícia das Ideias


Eles são humilhados e subjugados, e, além disso, descobrem que tanto o dono do quarto (o simpático velhinho, dono do bazar) quanto O’brien, são traidores, fieis somente ao Grande Irmão.


O’Brien é um agente do governo, um homem que Winston conheceu e se dizia membro de uma “resistência” (um pequeno grupo de pessoas contrárias as ideias do Grande Irmão, na verdade poucas pessoas falavam desses assuntos e o próprio Winston não tinha certeza de sua existência, até ter contato com um livro proibido, dado à ele por O’Brien). 


É o próprio O’Brien quem se encarrega de cuidar de Winston depois que ele e Júlia são capturados e levados para o Ministério do Amor.


Então chegamos à parte mais angustiante do livro, a um conceito que eu vou chamar de “quebra de vontade”; 


pega-se um sujeito que não aceita a ideologia vigente;


daí por diante, vai se “quebrando sua vontade”, desconstruindo as concepções de mundo do sujeito.
Este é um processo muito lento, mas a chave para o seu sucesso é a violência paulatina e não somente violência física, como também ideológica.


Ao mesmo tempo em que se deixa a vítima desconfortável fisicamente (no caso do livro Winston é mantido em um quarto que nunca se apaga, com uma luz branca intensa, a comida é controlada, e ele tem todos os dentes da boca retirados) além da dor física, a todo o momento  vai se incutindo uma forma de pensar,  uma ideologia em alguns momentos Winston passa por horas de um interrogatório incisivo, com choques (ideologia/dor física) fazendo o próprio Winston mudar sua concepção sobre a realidade ao ponto de Winston ver cinco dedos na mão de O’Brien, mesmo que ele mostre apenas quatro. 


Mas não somente dizer que está vendo cinco, como também acreditar, e acreditar de verdade, que existem cinco dedos e não quatro, isso porque, segundo O’Brien, o Partido diz para Winston que tem quatro dedos e não cinco, da mesma forma poderia ser três dedos ou um, tudo dependeria da conveniência do Partido. 


Este é o conceito de “duplipensar”, aceitar duas ideias contraditórias ao mesmo tempo, complexo esse conceito né... 


por isso vamos pedir a ajuda de Orwell para tentar entender:


Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; 

usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da Democracia e que o Partido era o guardião da Democracia; 

esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, 

trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; 

e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. 

Essa era a sutileza derradeira: 

induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. 

Até para compreender a palavra “duplipensar” era necessário usar o duplipensar.


Ufa!! Valeu Orwell !!!


Winston foi uma pessoa difícil de ter sua vontade quebrada, mas o Partido conta com estes indivíduos de vontade forte e para eles o pior ainda está reservado; 


estou falando do quarto 101.


Todos conheciam o quarto 101 e queriam evitá-lo a qualquer custo. 


Todos sabiam que entrar neste quarto significava enfrentar pavores inimagináveis. 


Como o Partido exercia vigilância constante em todos, ele era capaz de saber os maiores temores, de qualquer um. 


Winston enfrentou o quarto 101, enfrentou seu pior pesadelo, e não venceu...


Quando deixa o quarto 101 o Winston que nós conhecemos não existe mais, agora Winston é apenas mais um dos membros fanáticos do Partido e acredita piamente que vive no melhor mundo possível.


A última cena do livro, quando ele reencontra Júlia, que também sobreviveu ao quarto 101, e esperamos que haja uma centelha de rebeldia, ou um olhar desafiador, ou mesmo um único sorriso e nada acontece; 


somente uma troca de olhar, frio, sem nenhuma emoção. 


Tanto Winston, como Júlia são dobrados pelo sistema, e logo ambos vão para lados opostos com Winston se dirigindo a uma Teletela, para os dois minutos de ódio.      



Mil Novecentos e Oitenta e Quatro foi escrito em 1948 e publicado em 1949 foi o último livro de George Orwell já que este morreu sete meses depois do lançamento de seu livro. 


George Orwell era um pseudônimo, seu verdadeiro nome era Erick Arthur Blair ele nasceu em Bengala, na Índia em 1903. 


Uma década antes de escrever sua Magnus Opus, ele havia lutado na Guerra Civil espanhola que começou em 1936. 


Orwell conseguiu credenciais de jornalista e com sua noiva Aileem foi para Barcelona, lá ele se juntou a uma milícia de operários, chamada P.O.U.M. (Partido Operário de Unificação Marxista) uma organização marxista. 


Ferido na guerra com uma bala de raspão no pescoço retornou para Barcelona, este incidente comprometeu a fala de Orwell para o resto de sua vida. 


Com o avanço das tropas fascistas Orwell e sua esposa fugiram para o Norte e escaparam por pouco. 


Este episódio da Guerra Civil espanhola deixou Orwell decepcionado com a Esquerda, mas se engana quem pensa que Mil Novecentos e Oitenta e Quatro  é um livro de crítica exclusivamente ao Socialismo e ao Comunismo. 


Na verdade, Orwell ficou decepcionado com os Totalitarismos, sejam eles de Esquerda ou Direita, além disso, nossa sociedade Ocidental se apresenta como a sociedade do individualismo, da livre iniciativa e do idealismo, mas na verdade somos uma sociedade de caráter burocrático presa em nosso consumismo irracional uma sociedade de cunho industrial-gerencial centralizada. 


Com as experiências que Orwell teve, não é de se impressionar que a sua estimativa sobre o futuro da humanidade não fosse das mais otimistas, alias, motivos para prover um olhar pessimista para os seres humanos na Terra nunca faltaram e mais ainda na conjectura do mundo pós II Guerra; 


a traição das esperanças socialistas pelo capitalismo estatal de Stalim; 


a grave crise econômica de 1929; 


a barbárie em um centro cultural do mundo, a Alemanha; 


o terror stalinista durante a década de 1930, e claro, a Segunda Guerra Mundial, onde todas as nações envolvidas perderam muitas de suas considerações morais com a chacina de civis até o uso de bombas nucleares em cidades civis. 


Com um panorama desses, mais as experiências pessoais Orwell só pôde imaginar o pior para o futuro. 


No entanto, o futuro de George Orwell passou e o ano de 1984 ficou para trás, o que dizer disso? 


Será que o ano de 1984 é um passado muito distante para nós?


Certamente não.


Muitos conceitos do livro estão vivos no seio de nossa sociedade. 


Um olhar atento a conjectura de nossa sociedade nos faz levar muito a sério as considerações deste escritor. 


Em sua obra “fictícia” Orwell imagina um Estado totalitário, onde as liberdades individuais são controladas de forma incisiva; 


onde um estado de terror é alimentado o tempo todo para que a própria população apoie as atividades do governo; 


onde se troca a liberdade em nome de uma “segurança”; 


onde existe uma falsa cultura produzida para as massas, uma cultura feita de forma esdrúxula com um único intuito, a de manter as pessoas distraídas e submissas. 


Às vezes é difícil saber se estamos falando da obra de Orwell ou se estamos falando de nós mesmos, de nosso tempo.


Olhe a sua volta, estamos assim tão longe do mundo que imaginou Orwell?


Na obra de Orwell temos um Estado tão totalitário que faz questão de controlar também o pensamento, e para fazer isso o Grande Irmão controla a língua. 


Cada edição do dicionário da língua inglesa que sai no mundo de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro  contém menos palavras, isso porque com menos palavras para usar os indivíduos vão ficando cada vez mais limitados, tanto para falar quanto para pensar.  


Esta é chamada de “novafala” ou “novilíngua”, um idioma do mundo de  Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, este idioma, ao contrário de todos os outros do planeta, perde palavras a cada nova edição, vai-se juntando palavras que são iguais, antônimos ou palavras que transmitem conceitos diferentes com sentidos diferentes e eliminando outras, e assim vai reduzindo o idioma e, consequentemente, reduz-se também o escopo do pensamento, pois com menos palavras, menos conceitos e com menos conceitos obtemos a limitação do pensamento. 


Assim, algumas palavras vão deixando de existir, por exemplo, veja a palavra “bom”, seu oposto seria a palavra “mau”, mas em novafala a palavra mau não precisa existir; 


para dizer que uma coisa é má, em novafala, diz-se: “imbom”, então, a palavra mau  deixa de existir, o conceito de mau deixa de existir, o pensamento está limitado. 


Veja outro exemplo perturbador: 


existe a palavra “pessoa” e existe a “impessoa”, uma impessoa é uma pessoa que não existe mais, uma pessoa morta, então a palavra “morte” não existe, o conceito de morte não existe. 


Assustador não é mesmo?


Este conceito de novafala leva a outro conceito: o “duplipensar”, ou seja, convencer, a si mesmo, de que uma coisa é, e ao mesmo tempo, não é. 


A novafala ajuda diretamente a absorção das ideias do duplipensamento. 


Os cidadãos do livro de Orwell, por exemplo, cada vez mais limitados pela linguagem, convivem com os absurdos dos ministérios; 


no Ministério do Amor pratica-se tortura, no Ministério da Verdade altera-se a história, no Ministério da Paz mante-se a guerra permanente, e todos acreditam nos ministérios cegamente.


Aqui, em nosso “mundo real”, também temos grandes empresas de comunicação manipulando as massas com mentiras, os EUA, em Guantánamo, torturaram prisioneiros em “nome da paz”, e a guerra, para este país, parece ser sempre “justificável”, governos nos dizem, o tempo todo, que os índices de violência estão caindo quando, na verdade, temos uma sensação diferente em nosso cotidiano. 


O romance de Orwell parece, a primeira vista, ser um exagero, uma situação tão absurda que, teoricamente, seria impossível ser considerada palpável, uma situação de um totalitarismo colocado a máxima potência, e, na verdade, acredito que esta tenha sido a intenção de Orwell quando escreveu seu romance, é muito provável que nem mesmo o criador do mundo de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro  poderia imaginar que a sociedade doentia que ele imaginou poderia, um dia, se tornar real, no entanto, não há como negar que o mundo que imaginou Orwell está batendo a nossa porta, e pior, clamada e apoiada por nós mesmos.


Alimentado pelo medo e pelo controle das informações vivemos em um constante estado de tensão e, em cada ação violenta que presenciamos em nossa sociedade, ouvimos o discurso de “mais poder para o Estado”, “mais polícia nas ruas”, e “mais câmeras de vigilância”, cedemos nossa privacidade para um Estado que nos promete mais segurança, estamos presos em um círculo viciosos de violência, pois esta nunca diminui e nós cobramos do Estado mais segurança e em resposta o Estado põe mais polícia nas ruas, mais câmeras, mais mentiras, tudo em vão, pois a violência não para, e o clamor popular por mais vigilância também não para.


A tecnologia de nosso tempo corrobora o mundo de Orwell, qualquer cidadão, de hoje pode ser um delator em potencial, qualquer um pode ser uma célula de poder do Grande Irmão e colocar uma imagem alheia na internet. 


A privacidade tende a ser um item raro nesta nova sociedade que está se formando com estas novas tecnologias. 


O “Big Brother” está nos vigiando e a sanidade do homem parece estar sempre por um fio.


Caminhamos, a passos lentos e lacônicos para a sociedade imaginada por Orwell, e se não tomarmos consciência disso, e permitir que a sociedade continue na trajetória em que está, poderemos chegar ao dia em que o livro de Orwell deixe de ser considerado um exagero e passe a ser uma realidade.


Por tudo que esta fantástica obra nos remete a pensar Mil Novecentos e Oitenta e Quatro 4 deve ser considerada uma leitura indispensável, para todos, mas principalmente para jovens em idade escolar, pois esta idade é perfeita para instaurar o senso crítico em nossos jovens e de extirpar ideias e preconceitos do senso comum e quem sabe assim evitar o futuro desesperançoso que nos aguarda.


George Orwell,um escritor fantástico que escreveu um dos romances mais perturbadores da história e que, infelizmente, continua mais atual a cada ano que passa. 



>>>>>

E aí gostaram do artigo desta semana ??


Quem leu esta fantástica obra tem o gosto amargo de gim na boca, não é mesmo? 


Não é à toa que Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é constantemente citada em qualquer reflexão que se faça sobre a nossa sociedades e  virou até um programa de televisão que não reflete a seriedade das questões que esta obra reflete; 


Vale a pena citar aqui outra obra do autor igualmente magnífica e instigadora:


A REVOLUÇÃO DOS BICHOS. 

Este é um livro que tem um dos finais mais bem amarrados que eu tive a oportunidade de ler, vale muito a pena mergulhar nesta Revolução.


Esperamos que você tenha gostado de nosso artigo de hoje e semana que vem nos encontramos aqui novamente.


Até lá e cuidem-se !    

Comentários

VEJA NOSSO TOP 10!! AS 10 POSTAGENS MAIS VISITADAS DE NOSSO ESPAÇO!!