DISCURSO PARA UM TRATAMENTO ÉTICO COM AS PESSOAS, COM OS ANIMAIS E COM O PLANETA
Vossas
Senhorias vereadores aqui presentes e público geral, meu nome é Rodrigo,
eu sou um estudante de filosofia e hoje gostaria de aproveitar o espaço para
falar sobre o nosso tratamento com os animais, e consequentemente, o tratamento
com o nosso planeta.
A questão do tratamento dado aos animais sempre foi uma
questão que me incomodou bastante, me lembro que na década de 1990 quando eu estudava
na região de Goiabeiras e sempre presenciava carroceiros brandindo seus chicotes com
extrema violência e, quando me aproximava da carroça, via no olhar do animal
todo o sofrimento de uma vida miserável, percebia as marcas em seu corpo e as
ferida abertas que não eram motivo de compaixão, pelo contrário, eram um motivo para o
animal apanhar mais, pois, na concepção do carroceiro, o animal estaria fazendo
“corpo mole”.
Também observava os cachorros, vagando nas ruas, sempre sendo
escorraçados pelas pessoas, tentando sobreviver de restos nos lixos e tratados
como pragas por isso;
mas o que me chamava a atenção realmente era a total
indiferença das pessoas...
Na verdade, se você parar para pensar, as pessoas
desprezam umas as outras, todos nós passamos por uma pessoa em situação de rua e fingimos que ele não
está lá, passamos por um gari e não lhe dirigimos o olhar, passamos por um
menor abandonado e atravessamos para o outro lado da rua para não temos contato
com ele.
Então imagine o que fazemos com os animais.
Tudo que narrei até agora
aconteceu lá na distante década de 1990, mas hoje, infelizmente, nada mudou,
estamos no ano de 2014 regidos pela tecnologia, com os olhos vidrados em nossos
celulares, ipod’s, iped’s, tablets, iphones e com toda esta tecnologia me
parece que a nossa indiferença com o sofrimento animal aumentou muito.
O ser humano julga ter uma superioridade sobre os animais e, embasados nessa superioridade, torturamos, desprezamos, humilhamos e matamos os animais a nossa volta; em nome
desta superioridade o ser humano se sente no direito de chegar a uma floresta virgem
transformá-la em concreto e pinche e acabar com o lar de milhares de espécies
que ficam sem ter para onde ir e quando, esporadicamente, um desses “sem
floresta” aparece nas cidades são eles tratados como os invasores e são
novamente escorraçados e mortos como bestas-fera.
Isso acontece o tempo todo.
Gostaria de
falar do que vejo e do que vivo, das transformações que presenciei ao longo de
minha existência.
Na década de 1980 eu era uma criança, e, diferente das
crianças de hoje brincava mais na rua fazendo aventuras, brincando na terra, de
faz-de-conta e coisas do tipo, as tecnologias que existem hoje não existiam
naquela época.
Eu moro na região de Carapina/Andre Carlone e esta é uma região
relativamente próxima do Mestre Álvaro, com muito verde e áreas abertas também
existe ali, naquela região, uma Igreja centenária a Igreja de São João,
construída pelos jesuítas no ano de 1531 esta Igreja foi reformada a pouco
tempo e este é um fato que deve ser creditado a administração, pois é um
patrimônio histórico importante, caminho para a região de Queimados, outro
ponto importante para a história do Espírito Santo, porém naquela mesma região
existe um Casarão datado da mesma época que foi simplesmente negligenciando pela prefeitura e hoje se
encontra em ruínas.
Este descaso para os patrimônios históricos também é um
tema para debate, mas em outra ocasião.
Voltando ao ponto, onde hoje existe o
TIMS e um posto de gasolina, justamente ali era uma região de lagos e lagoas
aonde eu e os meus amigos íamos para tomar banhos e brincar, os anos foram
passando e gradativamente eu vi aquele lugar se transformar no que ele é hoje.
Um fato em particular vai ficar gravado na minha memória até o dia em que eu
partir deste mundo, e eu gostaria de dividir com os senhores este acontecimento;
foi o dia em que eu vi um desses lagos morrer, o maior deles, justamente o que
nós usávamos para nos banhar e brincar tarde inteiras.
Naquele dia os imensos
tratores jogavam toneladas de terra no lago, os peixes, as cobras-d’água os
sapos e todos os animais que viviam naquele lago iam ficando cada vez mais encurralados,
com cada vez menos espaço no lago e, enquanto isso, uma multidão aguardava com
baldes para pegar os peixes que ficavam encantoados.
Em menos de uma hora o
lago onde passei minha infância não existia mais...
Essa cena ficou gravada em
minha mente de uma forma indelével, neste dia eu vi e compreendi do que o ser humano é capaz.
Eu vi a natureza se transformar a minha volta, vi montanhas inteiras
serem aplainadas, vi manguezais virarem aterro, vi árvores magníficas e antiguíssimas sendo derrubadas em minutos, vi o mar se tornar impróprio para o
banho tudo isso em nome do progresso.
Meu discurso
não é demagogo, ou utópico eu sei que o progresso é necessário, sei que a nossa
população cresce e toda essa gente vai precisar de casa, sei que o meu lar o
Espírito Santo está atrasado em relação aos outros estados da região sudeste e
que os capixabas têm pressa do progresso, já passamos da hora de ter um
transporte de massa descente, um metrô, um estádio, uma cidade urbanizada e
moderna eu também quero ver o Espírito Santo grande, inserido no cenário
nacional com destaques positivos e não como o estado onde se morre mais jovens
por morte violenta no país, não como o primeiro estado em violência contra a
mulher, não o estado com a pior avaliação da qualidade da saúde pública no
Brasil, não quero ver o meu estado aparecendo nos jornais nacionais assim.
Os
capixabas têm pressa do progresso e estão certos, porém, podemos fazer da nossa
maior fraqueza nossa maior força.
Podemos aproveitar a oportunidade de estarmos
atrasados e fazer o que temos que fazer com justiça para tordos inclusive a
natureza, que foi tão generosa com o Espírito Santo, e podemos também fazer
justiça com os animais.
Eu posso tentar ser mais claro em minhas colocações, veja um exemplo, nos jornais, esporadicamente vemos a notícia de que a
prefeitura, quando vai reformar um lugar qualquer, simplesmente derruba as árvores
que estavam no lugar, e sempre que isto acontece a população local fica
revoltada, e com razão.
Eu vi isto acontecer com as castanheiras de Camburi,
com as árvores da pracinha da Ilha do Frade e outras tantas, esta, é uma mentalidade que a prefeitura tem mudar, no mundo de hoje
só se tira uma árvore se houver algum tipo de perigo para a população ou em
casos muito específicos e mesmo assim é preciso consultar a população em geral
e principalmente os moradores daquela região antes de fazer as modificações,
veja o caso de Camburi; a orla ficou sem nenhuma árvore, o concreto domina a
paisagem e nos dias mais quentes não existem sombras para um refresco as
castanheiras deveriam ter sido preservadas, precisamos de mais verdes nas cidades
e as prefeituras precisam dialogar mais com a população antes de fazer os seus projetos, procurando preservar o máximo
da natureza que o local tem e não colocar tudo abaixo simplesmente.
Eu noto que
hoje progresso significa fazer mais estradas, viadutos, pontes, ou seja, tudo
voltado para os carros, pouco é feito para as pessoas, uma volta pela Grande
Vitória e os senhores vão perceber que quase não existe ciclovias e as que
existem estão em péssimo estado ou viram estacionamento de carros, não existem
calçadas e as que existem também viram estacionamentos de carros, faixas de pedestres
também são ótimas para estacionar carros, estas constatações me forçam a
lembrar aos gestores de nosso Estado que as cidades são compostas de “gente” e
não de “carros”. São as pessoas que precisam ser priorizadas e não os carros.
Precisamos ter uma cidade com mobilidade para todos, para os cadeirantes, para
os deficientes visuais, para os idosos, para qualquer um; infelizmente não é
isso que acontece, os nossos governantes só voltam os olhos para a classe média
e seus carros os outros são apenas os outros.
Levantei todas estas questões só
para me fazer entender sobre a minha consciência das necessidades reais do
lugar onde eu moro de uma pessoa, esta que vos fala, que anda a pé, de ônibus e
de bicicleta todos os dias e percebe que cada dia que passa aqueles que não têm
carro são cada vez mais negligenciados pela administração pública.
Convido os
senhores a fazerem um exercício mental comigo e imaginarem um cadeirante saindo
daqui da onde nos encontramos neste momento e atravessando a cidade até a outra
ponta, conseguem imaginar todos os obstáculos que ele vai enfrentar?
Pois
acreditem, é muito pior do que os senhores possam imaginar, e digo isto com a
propriedade de quem tem vários amigos cadeirantes e que escuta os seus
testemunhos com uma sensação de revolta, pois eles não estão pedindo nada mais
do que o seu direito constitucional de ir e vir.
As vezes fico me perguntando;
será que eu vou, um dia, viver em uma
cidade onde qualquer um que queira possa se locomover sozinho não importando se
é cadeirante, deficiente físico, visual, idoso?
Será que este dia vai chegar?
A Constituição brasileira é mesmo linda;
no papel.
Peço
desculpas aos senhores presentes por ter feito este desabafo, mas eu não
poderia deixar a oportunidade de ser escutado por tão ilustres senhores sem
dizer tais palavras.
Todos sabem também como é difícil a tarefa de dirigir-lhes
a palavra, antes é preciso vencer uma montanha burocrática, passar por um
exército de secretários e assessores.
Apesar da classe política estar desmoralizada no país, acredito que existem
políticos que trabalhem em prol do povo, apesar das constantes notícias que nos chegam eu acredito, tenho que acreditar nisso!
...
Todas as
pessoas que dedicam sua vida a ajudar os animais ouvem algumas afirmações que
já são padrão dos céticos, são afirmações absurdas do tipo “um monte de criança
passando fome e esse cara se preocupando com animais” ou ainda “é só um animal”
e tantas outras que são de tanta ignorância que não vale a pena sequer
repeti-las, sei que aqui mesmo, enquanto falo, existe alguns entre nós que
pensam coisas do tipo.
Pois bem, me dirijo a estas pessoas agora; gostaria de retirá-las
do abismo da ignorância em que se encontram e fazê-las entender que não estamos
falando apenas de proteger animais, estamos falando de proteger quem não pode proteger
a si mesmo, estamos dando a voz para quem não tem como falar por si mesmo, esta
é a nossa obrigação como seres dotados de razão, se o ser humano é um ser
superior aos outros animais como sempre é dito, temos então uma obrigação moral
para com todos aqueles que não podem se defender, tanto homens como animais, eu
fui criado sob esta égide; “o mais forte protege o mais fraco”, infelizmente
acontece justamente o contrário;” o mais forte bate, humilha, mata o mais
fraco” e isso não se refere só o tratamento homem/animal, mas também no
tratamento homem/homem.
O Planeta Terra, nosso lar, não pertence exclusivamente
ao ser humano, como muitos pensam, ele também pertence às plantas e animais, precisamos
parar de ignorar este fato e isso justamente por sermos dotados de razão, precisamos
parar de olhar para nós mesmos como se fossemos o centro do universo, não
somos.
O ser humano viaja ao espaço desde 1950 e desde essa época tomamos a
consciência de que o planeta em que vivemos não passa de um globo pequeno,
finito, solto em uma imensidão infinita não somos nada, a visão
antropocentrista que temos hoje, do ser humano fazendo o que quer do planeta precisa
mudar.
Urgente!
E o nosso tratamento com os animais e com a pouca natureza que
nos resta também, antes que cheguemos ao ponto onde não haverá mais volta.
Nosso nível de descaso e desprezo com a situação do planeta é tamanho que ainda
hoje encontramos gente que acha o alarde
que os ambientalistas e ecologistas fazem é balela.
Neste momento enquanto
falo para os senhores bilhões de pessoas passam fome no Brasil e no mundo, um
fato que pouca gente sabe e que 3 bilhões de pessoas vivem com menos de 2
dólares por dia e passam fome e muitas destas pessoas não podem voltar para as
suas casas e também não têm para onde ir por causa de conflitos em seus países,
isso fora as vítimas de catástrofes naturais como recentemente as pessoas da
Filipinas, portanto esse discurso batido de
pessoas desinformadas não se sustenta por si só.
Qualquer pessoa que tem
compaixão com um animal sente a mesma compaixão por uma criança que sofre isso
é tão obvio, é gritante!
Outro fato constante que observamos nas pessoas que falam esses
absurdos e que elas não movem um dedo sequer para ajudar o próximo, são as mesmas pessoas
que viram o rosto quando vêem uma pessoa em situação de rua porque acham ele um ser fétido
e desprezível são as mesmas pessoas que abandonam seus pais em asilos a própria
sorte por considerarem os idosos teimosos, doentes e inúteis essas são as
mesmas pessoas que levantam o vidro do carro e ficam olhando para a frente
torcendo para o sinal abrir rápido para ele poder se desvencilhar do garoto
maltrapilho pedindo esmolas no sinal, só então, esta criatura patética pode
entrar em sua casa-bolha ligar o computador e ficar clicando para ajudar os
famintos e poder dizer em seu meio social que
é uma pessoa consciente dos problemas do mundo, e enquanto isso, na sua
calçada, uma pessoa em situação vulnerável passa fome e tudo que recebe desse sujeito é desprezo e
repulsa.
Pessoas assim não são a maioria, mesmo assim são muitos, pois eles
fazem estardalhaço, gostam de falar e disseminar seus pensamentos cheios de
ódio e malícia e convencem muita gente com suas falácias.
É com este tipo de
gente que os protetores de animais têm que lidar todos os dias.
Porém, apesar de todos os percalços, existem alguns
poucos acontecimentos para comemorar; a onda de protestos que vem varrendo o
país desde junho de 2013 está fazendo o Brasil rever muitos de seus conceitos e
isso também se reflete no nosso tratamento com os animais.
O resgate dos
beagles do Instituto Royal foi uma ação fantástica, reflete o pensamento do
brasileiro médio que não gosta de maldade com os animais.
No entanto, mesmo com todas as dificuldades
existem pessoas que lutam justamente para aqueles que não lutam, e os seus
descendentes, vivam em um planeta mais justo tanto para homens como para
animais.
Uma dessas pessoas é a ativista brasileira do Greenpeace que está
presa na Rússia Ana Paula Maciel por ter feito um protesto pacífico, juntamente
com mais 30 ativista, para alertar o mundo sobre os perigos ambientais de
tentar achar petróleo no Ártico, os senhores entendem o que está acontecendo?
A
cupidez do ser humano chegou ao ponto de estarem cavando o Ártico em busca de
petróleo uma área do planeta imaculada até então, isto é realmente muito grave
e quase não houve cobertura da mídia sobre este fato.
Espero que daqui, do
distante Espírito Santo, Ana Paula saiba que existe gente torcendo por ela, e
que ela saiba que estes dois meses, o tempo da sua prisão, não foram em vão.
Os
capixabas estão com você Ana Paula!
A história
da humanidade sempre me fascinou, e foi para tentar entender a complexidade do
ser humano que dediquei e dedico meus estudos, sempre quis entender como uma
mesma criatura pode ser capaz de atitudes tão nobres e tão mesquinhas, como
pode amar e odiar com a mesma intensidade, como pode construir coisas fantásticas
e destruir coisas igualmente fantásticas, compreendi que a humanidade aprende
com os que vieram antes em um progresso constante e deixa para os que vierem
depois um legado de conhecimento assim a humanidade vai se tornando cada vez
melhor, porém também acredito que estamos muito longe do que podemos ser em
potência, ou seja, o melhor que a humanidade pode ser em termos éticos/morais.
A forma como tratamos os animais demonstra como estamos longe da nossa
excelência.
Convido os senhores a mais um exercício de imaginação.
Dessa vez
peço que retornem seus pensamentos ao século XIX na época da escravidão, nesta
época nós tratávamos nossos semelhantes como tratamos os animais hoje; com
crueldade e desprezo.
Para as pessoas que viviam naquela época era mais do que comum
subjugar um ser humano, privá-lo de sua liberdade, obrigá-lo a trabalhar para além
de suas capacidades, bater-lhe na carne quando suas forças lhe fugiam, vendê-lo
como uma mercadoria e quando não havia mais serventia para o seu “dono”
sacrificá-lo.
Mesmo sendo um comportamento sociavelmente aceitável e legal na época a escravidão incomodou
algumas pessoas e esta indignação foi a centelha de um movimento que foi ganhando
notoriedade pelo mundo e a escravidão foi, aos poucos, sendo considerada um ato
hediondo, claro que existem os resquícios daquela época, mas isso se trata de
racismo e com toda a a complexidade do assunto demanda uma outra discussão.
O ponto da questão aqui é ressaltar o que o ser humano faz quando ele se acha superior ao outro.
Voltamos a experimentar esta sensação de superioridade do ser humano sobre o outro
na Alemanha nazista.
Nos casos que citei houve uma evolução do pensamento do ser humano, agora estamos em uma época de transição, onde a preocupação com aqueles
que não podem falar por si mesmo ganha força, particularmente, aqui no Brasil
vivemos um momento de reflexão intensa, pois estamos bem no meio de um processo
histórico que ainda esta se desenrolando.
Estamos perto de mais um ano
eleitoral e não sabemos o que vai acontecer também estamos com os olhos do
mundo voltados para nós pelos mega eventos, Copa do mundo e Olimpíadas, que vão
acontecer, ou seja, vivemos uma época de muitos acontecimentos e não podemos
ainda dimensionar as consequências dos fatos.
No meio de
tantas incertezas podemos concluir algumas certezas sobre o assunto que estamos
debatendo.
Hoje o vegetarianismo é uma realidade e as pessoas estão buscando
uma alimentação saudável pelos motivos mais variados, alguns pela simpatia da
causa animal outros por uma alimentação mais saudável ou ainda outros tantos
motivos o fato é que hoje existe um nicho no mercado para este tipo de
alimentação e ele não para de crescer, os motivos para este crescimento são a
obviedade dos prejuízos tanto para os indivíduos como para o meio ambiente em
geral.
Mais uma vez não posso deixar de ignorar os céticos e os descrédulos que
gritaram aos quatro cantos que viver sem carne é impossível, que nosso corpo
precisa de carne que o ser humano é carnívoro por natureza e tantas outras mentiras.
Muitas vezes essa gente preconceituosa é respaldada por cientistas que dizem
que uma alimentação sem carne é impossível, mas ao mesmo tempo estes mesmos
cientistas não conseguem explicar como os vegetarianos estão aí, no meio de nós
e em número cada vez maior.
Sobre o vegetarianismo se faz necessário algumas
explicações; em primeiro lugar existem
tipos de vegetarianismos e não só o vergam que se abstém de toda a carne e de
seus derivados, aconselho aos interessados um pesquisa sobre o tema, tenho
certeza que você irá encontrar um tipo de alimentação com menos carne e mais
saúde.
Não tenho a ilusão de pensar que toda a humanidade vai deixar de comer
carne, na verdade a questão não é essa a questão é o tratamento ético dado aos
animais que são destinados a este fim.
Pois ao contrário do que muitos pensam
esses animais também têm direito a uma vida sem sofrimento, com dignidade e uma
morte rápida e indolor e não uma vida miserável de confinamento, sofrimento e
medo constante.
Nossos frigoríficos de hoje me fazem lembrar, em muitos
detalhes, os campos de concentração nazistas, um lugar com o cheiro da morte e
do sofrimento por toda a parte.
Além disso, estudos já comprovam que as pessoas
que trabalham nesses lugares têm uma forte tendência à violência e outros
problemas psicológicos, peço aos presentes que, por favor, pesquisem sobre o
tema, o tempo da indiferença passou.
Vamos nos importar com as vidas envolvidas
neste processo; todas as vidas.
Agora para
encerrar meu discurso gostaria de falar especificamente dos problemas com os
animais daqui do Espírito Santo.
Os nossos maiores problemas são os cachorros
maus tratados em casa, ou seja, que têm donos, os cachorros de rua, que não têm
donos além dos cavalos, carroças e seus responsáveis;
Estes são os problemas
mais emergenciais ao qual devemos nos dedicar com maior rapidez.
Sobre os
carroceiros precisamos considerar o tratamento cruel dado a estes animais, os
cavalos são forçados a trabalhar em jornadas extenuantes, sem descanso,
carregando cargas muito além de sua capacidade.
Além disso, animais deste porte
exigem cuidados especiais, espaços adequados além de suplementos, vitaminas e
uma alimentação adequada, e basta uma olhada de perto para comprovar que estes
animais não recebem, nem um terço de suas necessidades.
Outro fator a ser
considerado é que uma carroça é um meio de transporte rural, incompatível com
os meios urbanos, causa transtorno para os motoristas e principalmente, gera um
stress muito grande para o animal, não é difícil imaginar a agonia que é para o
cavalo ficar no meio de um monte de carros buzinando, soltando fumaça e, além
disso, apanhando com um chicote e carregando peso.
Ainda sobre os carroceiros é
preciso esclarecer que precisamos separar quem maltrata por maldade e quem nem
sequer sabe o mau que está fazendo ao animal, pois existe sempre muita
ignorância, despreparo, desinformação e indiferença quando o assunto é tratamento
com animais, é muito comum ver crianças guiando carroças e também muito comum
ver as crianças batendo com força desproporcional o chicote, no caso de uma
criança, não deveria ser permitido sequer a ela estar guiando uma carroça.
Lugar de criança é na escola, será que alguém discorda disso?
Agora, volto a falar da reunião realizada no
último dia 06/11/2013 com a intenção de debater políticas públicas para a o bem
estar animal além da aplicação das leis existentes para coibir o mau trato à
animais e novas leis para este mesmo fim.
Duas das presentes eram veterinárias, uma delas, a Drª
Virgínia Emerich, trabalha no Centro de Controle Zoonose ela nos contou um pouco
de sua rotina de trabalho, de como funcionava esta instituição antigamente, das
eutanásias desnecessárias que eram feitas, do estigma da instituição, sempre ligada
a doença dos motivos absurdos pelo qual as pessoas decidem se desfazer de seus
cães coisas do tipo”ele cresceu demais” ou “ele está com carrapato” ou ainda
“simplesmente não quero mais”, foi estarrecedor saber que 80 por centos dos
animais que sofrem têm dono, são os animais que são deixados a própria sorte
nos arredores das casas de seus “donos”, que não recebem a atenção demandada,
criados com negligencia e descaso.
O relato da Doutora Virgínia confirmou mais
uma vez como o tema “animais” é sempre cercado por desinformação e crueldade.
Também estavam presentes nesta reunião a doutora Glória Cunha e o Senhor Iberê
Sassi do Instituto Goiamum.
Algumas idéias foram levantadas nesta reunião, mas duas
coisas me parecem ser mais emergenciais: Uma, a aplicação das leis existentes,
para que elas sejam cumpridas a risca principalmente em relação aos carroceiros,
pois nas ruas esses cavalos estão sofrendo demais.
E dois uma campanha de
conscientização maciça, em todos os meios de comunicação possíveis, rádio, TV,
internet para que as pessoas entendam que adquirir um animal de estimação, seja
ele um cão um gato ou que quer que seja requer muito mais do que dar apenas
água e comida, requer atenção, carinho, cuidados médicos, vacinas bem estar
entre outros; não lutamos apenas para retirar os animais das ruas, mas também
para que eles tenham uma vida plena e feliz.
Digo isto porque através de minha
experiência já presenciei muitos casos de cães que são confinados 24 horas por
dia, isso também constitui mal-trato ao animal e não são poucos os casos assim
que também precisam ser verificados e punidos devidamente.
Em relação aos cães
de rua, precisamos evitar as soluções simplistas, apoiada por muitos, de
praticar a eutanásia em cães sadios, este é um ato imoral por si só.
Existe
alternativas para este problema, minha intenção aqui não é ficar apontando
soluções, mesmo porque eu não tenho as respostas, o debate está muito longe do
fim, estamos atrasados, no Brasil só existe um hospital veterinário público o
que ajuda em muito a situação degradável destas criaturas, minha verdadeira intenção
é que o debate venha a tona que as pessoas parem de ser indiferentes com o sofrimento
de seres que sofrem, se alegram sentem angústias e tristezas como nós, em suma que
estão VIVOS.
Estou aqui
hoje para unir todos aqueles que sentem compaixão por aqueles que sofrem e não
têm voz.
Para que todos os amantes de animais que hoje estão dispersos, que se
unam em uma única voz e sejam ouvidos pelo poder público e por toda a
sociedade.
Estou aqui hoje porque quero viver em uma cidade justa para todos.
Justa
para homens e para animais onde não haja sofrimento, onde não haja tortura.
Não
estaria aqui se não acreditasse que isso é possível, que podemos nos superar e
provar que somos verdadeiramente...
HUMANOS.
MUITO
OBRIGADO.







.jpg)


Comentários
Postar um comentário